Para ler ao som de Caminhos do Coração, do Gonzaguinha.
Eu não sei quanto tempo a vida esteve especialmente empenhada em orquestrar nosso encontro mas não poderia deixar de registrar que o trabalho foi engenhoso: eu consigo sair cedo do trabalho numa sexta feira medonha de abafada sem precisar contar uma única mentira, mas pego meia pista na Baixada e só chego onde deveria estar com 40 min de atraso; Mo, que odeia o lugar onde eu deveria estar mas foi me buscar assim mesmo, diz que me esperou no máximo uns 5 min; seguimos para o lugar de onde esperaríamos Can sair a francesa para finalmente nos sentarmos na primeira mesa de canto vaga para matar a pauladas uma saudade de 3 anos de comprimento por 2800 KM de largura aproxidamente. Es-pe-ra-rí-a-mos, pq Can não só não precisou sair a francesa, como já estava a alguns passos da porta quando pudemos avistar seu sorriso-de-gato-da-Alice. Sintonia fina, minha gente! O resto é bobagem...
Pensar em tudo isso me dá um nó na garganta de gratidão, viu? Por absoluta falta de palavras repito o que já disse quando nos conhecemos: essas delicadezas da vida provam pra quem ainda duvida que felidade pode ser simples como um aperto de mão, que afinidade nada tem a ver com constância e que não há um só ser normal nessa blogsfera!
Desta vez tagarelei horrores, me meti desavergonhadamente na vida(?) profissional de Can, que por sua vez marcou dia e mês para a 1ª aparição do meu mais novo fantasma. (preciso de um nome pra ele, aceito sugestões!) mas apesar de ter gastado tempo demais falando só de mim, a gente pôde constatar que o passar dos anos nos fez muito bem:
O inferno & céu de todo dia que Mo admistrava ainda existe, mas o fardo agora tem só a metade do peso. (creio que até menos, pq o Rui tem as costas largas!);
Os moinhos de vento de Can tb existem, mas a vida real tem consumido a pobre de tal forma que falta alma - e corpo - pra voragens que não apresentem riscos iminentes. Se isso é bom de tudo eu realmente não sei pq seu coração don quixotesco não foi feito para os aspectos burocháticos da vida. (Sinta-se carinhosamente alfinetada, tri!)
E quanto a mim, peter pan só volta pra casa a noite, pra dormir. Durante o dia sou uma versão "corporativa" de mim mesma. Me tornei um mulherão, que aprendeu a consertar os próprios enguiços (e mandar pro ferro velho o que não tiver salvação!), pisar firme as linhas que estão nas palmas das mãos. Em contrapartida - que a vida só se dá pra quem se deu - agora me acabo atrás de qualquer sensação e nem sempre isso é bom do início ao fim.
Já estaria do tamanho de meus merecimentos voltar pra casa com um sorriso besta e com a fala meio abaianada. Mas a vida tira com uma mão e dá com a outra, vcs não duvidem disso (o contrário tb é verdadeiro, como se pode ver no post abaixo!). Dai que a logística de Mo não permitiu que a gente fosse ao Morro da Urca, mas os amigos que foram me buscar me deram de presente um por de sol bem embaixo dele, com o Cristo Redentor abençoando de longe.
Um brinde, tri-amadas. Agora até o taxista sabe que somos irmãs \o/
