26 dezembro 2008

REINCIDENTE

Passei esses "day off" (como flexiona nº em inglês?) natalinos na cia. de homens interessantíssimos: Tom Hanks, John Kennedy & Caio Fodástico Abreu. Devo confessar que os reais, de carne e osso, sensíveis e tocáveis não foram tão superlativos assim, mas o que há de se fazer? hohoho

Mentiraaaaa!!!! Não tenho quase nada a reclamar: vi todos os meus amados, falei por tel. com um deles, em quem não ponho os olhos há incontáveis anos e, mimo de natal - vejam só! - consegui finalmente alcançar um certo ser que venho cevando com muito carinho, tolerância e dedicação há meses... o ser, claro, já foi pauta aki no rascunho, e, relendo essas coisas agora concluo que:

Eu cismei. E a cisma é forte. E quanto mais Murphy dificulta, mais eu quero.
Os opostos se distraem.
Há uma alma habitando aquele corpo. Uma alma capaz de me surpreender, inclusive.
Eu não tenho conserto, definitivamente.

Jesuiscristo, até quando mentiras sinceras vão me interessar tanto?

Cá estou eu, de-novo-outra-vez-novamente enternecida por um cafa em processo de regeneração!(E isso pq nem cicatrizou direito o fiasco emocional que acabei de sair!!!) Quinen aquelas mães bobonas que acham que seu bb é a 1ª criança do mundo e tudo que fazem é uma coisa, assim, espetacular, sem precedentes. Dai algo que na verdade é o mínimo que se espera de um ser humano normal vira praticamente um milagre. aff

Mas sabem o que é? O guri tem potencial, pessoas! Há uma vaga em aberto e ele se encaixa perfeitamente no perfil que tracei (só não publico cargo e funções pq sou uma moça mui séria). E olha que está em aberto há mó tempão, clamando por substituição imediata. Dai fica difícil resistir. Inda mais eu, cujo coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável...

13 dezembro 2008

CINEMA

Como vcs já estão fartos de me ouvir dizer, eu gosto muito de cinema nacional. Há algum tp uma boa alma me convidou pra escrever sobre isso num blog... claro que não aceitei, que sei que a gente precisa de um certo embasamento pra escrever, né? Mas eu gostei da idéia... rs

Dai que agora esse rascunho será um cadim menos monotemático. De vez enquando, meus queridos, vcs verão aki meus achismos.

Pra começar a série "O Bonequinho Viu", duas cenas ótemas, muito bem escritas e interpretadas:

Lázaro Ramos & Wagner Moura em "Ó Pai, Ó":


Essa cena salva o filme da mediocridade e, na minha opinião, absolve Lázaro Ramos - que eu acho simplesmente irrepreensível - de um papel tão aquém do seu talento.

Gustavo Falcão & Mariana Ximenes em "A Máquina":


Os roteiristas estavam muito inspirados! Avaliem o que é memorizar um texto desses e falar com esse sotaque!!




07 dezembro 2008

DAS MENTIRAS QUE EU NÃO VOU MAIS CONTAR

Eu cansei das minhas mentiras. (e não deixa de ser interessante fazer tanta questão que o mundo seja honesto quando eu mesma sou meio dúbia nesse quisito!) Dai que hoje quero fazer um anti-primeiro de abril: um dia de falar verdades, que de tão esquecidas que estavam, de repente chocam mais do que mentiras...

Eu vivo dizendo que acho bacana esse povo animado que cuida do corpo e gasta horas suando sobre um aparelho. É mentira. Não acho bacana, acho perda de tempo e na maioria das vezes acho fútil. Pra mim academias viraram mais um lugar pra socializar do que pra malhar. O povo vai lá pra fazer exposição da sua figura, medir as outras mulheres e olhar os outros homens.

Digo que não tenho mais disposição de passar a noite toda na rua. É verdade que ambientes enfumaçados e barulhentos não me apetecem, mas o motivo-mor é (falta de) cia. Infelizmente posso contar nos dedos de uma mão as pessoas que sustentariam uma noite toda me divertindo. (e vice-versa, claro!)

Adoro dizer que deixo de fazer as coisas por preguiça. É meio verdade, e meia verdade = mentira! Não vou àquele barzinho que inaugurou pq não tenho carro e odeio ter que pedir pra alguém vir me buscar; não faço aquele roteiro bacaníssimo de ecoturismo pq quase ninguém que conheço gosta dessas coisas e sozinha eu não vou nem à esquina; falto descaradamente churrascos, aniversários e festas em geral por isso: apenasmente por ser meio difícil pra chegar.

Digo que fico no MSN quando não tenho nada pra fazer e é uma mentira descarada. As vezes eu até tenho, mas acho bem mais divertido sentar pra bater papo. A verdade é que lá eu encontro mais pessoas que querem me ver do que aki do lado de cá, das pessoas de carne e osso. Do lado de lá nunca falta assunto e nem precisa de catalisadores alcoolicos. Talvez seja pq a distância geográfica faça a gente dar mais valor ao tempo que tem (e dá) às pessoas... e tb, claro, pq a gente pode conversar de pijama né Dani??? hihihi

Não lembro se já falei isso aki no rascunho, mas oficialmente tive 2 namorados. Desses que a gente apresenta pra família e anda de mãos dadas qdo sai. Mas a verdade verdadeira é que não tive nenhum. Não era um conceito verbalizado, mas eu só considero namoro qdo além de bjo na boca, há inteireza e reciprocidade. E até agora não tive a benção de tal simultaneidade: as vezes é inteiro mas não recíproco; algumas vezes eu achei que era inteiro e recíproco, mas era só solidão a dois; as vezes até é beeeem recíproco, mas qualquer cego enxerga que não seria inteiro nem no dia de São Nunca...todas essas variações cedo ou tarde doem em alguém, mas passam como tudo nessa vida. (♬ tomando chá ou cachaça, tomando champanhe ou não... ♬ rs) As dores que ficam - e que um dia doerão em paz, certeza! - são as causadas pelas impertinências da vida, os impedimentos, os desencontros leves de Lispector:

... Bem sei que há um desencontro leve entre as coisas, elas quase se chocam... há desencontros entre os seres que se perdem uns dos outros, entre palavras que quase não dizem mais nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um encontro brusco face a face com ela nos assustaria...

Poizé, encontros bruscos, face a face, foram apenas 3 até agora. (3 mesmo. É verdade dessa vez.) Dois já doem em paz e último falta pouco. E como errar é aprender, espero da vida, confesso, um cadim de delicadeza no próximo encontro, que ando muito sensível. Pra ser sincera, nem quero mais minha fantasia de mulher maravilha. Quero de volta todas as prerrogativas mulherzinhas das quais abri mão - nem Deus sabe em função de que - durante esse tp todo. Inclusive pedir colo.

Pronto. Falei!

N.A.: inspirado num texto de Cleo Araújo

01 dezembro 2008

DAS CONSEQUENCIAS DAS BOAS ESCOLHAS...

Devolve
(Angela Brandão)

Ah, se não for pedir demais
Já que pra você tanto faz
Faz a gentileza,
Segue o meu conselho
Devolve a imagem que eu via no espelho!

Sabe os velhos planos? Hoje eu improviso.
Sabe a minha aposta? Eu tô no prejuízo.
Sabe aquele riso de criança?
Sabe a minha autoconfiança?
Sabe a minha calma? Olha como eu fico.
Sabe os meus poemas, as canções do Chico?
Sabe aquele pingo de consideração?
Sabe o meu tesão? Eu te suplico!
Pois é…

Devolve!
Porque pensando bem eu mereço
Devolve!
No mesmo velho endereço
Tudo o que eu era no começo
O que você me tirou não tem preço

Sabe aquela calma, aquele controle?
Lembra a minha pele, o meu phisicque du role?
Tanto investimento, tanto tempo, tanto sonho?
Sabe a fé que eu tinha em Santo Antonio?

Sabe o meu pudor? Eu ando em carne viva!
Lembra aquele humor? Eu tinha esportiva…
Sabe a minha cara à tapa, a mão que eu pus no fogo?
Sabe aquele antigo azar no jogo?
Pois é
Devolve…

PS¹.: Se alguém souber o que vem a ser o tal phisicque du role, favor me contar!

PS².: Mantra para a situação:

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

UPIDEITE :

A expressão "physique du rôle" quer dizer encarnar perfeitamente um papel, ser adequado para aquele papel. Por exemplo, Fernanda Montenegro em Central do Brasil estava em seu "physique du rôle"

fonte : Clariana de Castro.

24 novembro 2008

TÚNEL DO TEMPO

Regras:
- Colocar o link de quem chamou para brincar.
- Escrever um texto sobre lembranças da infância.

- Postar o selo do meme dentro do artigo.
- Se possível, postar uma foto de quando era criança ou adolescente.
- Chamar cinco amigos para brincar com você.



Para ler ao som de "Bola de Meia, Bola de Gude" do Milton Nascimento

minha mãe que me ensinou a rezar: Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine. Amém.

meu pai que me ensinou a cantar: Ô coisinha tão bonitinha do pai/Você vale ouro, todo o meu tesouro/Tão formosa da cabeça aos pés/Vou lhe amando, lhe adorando/Digo mais uma vez, agradeço à Deus, por que lhe fez.

... mamonas, estilingues, eu e o Du, cada um pendurado na sua amendoeira: gueeeeerra!!!; a bicicleta vermelha da Débora; o "poção" (hj devidamente aterrado, com um bairro inteiro em cima); descer morro abaixo sentada num papelão; café com alcool depois do banho de chuva; a padaria abandonada e a erisipela do vô Chiquinho; perturbar as galinhas do seu Santana; ser a única menina numa horda de primos mais novos; visitar o que as águas de março não levaram da casa do vô Inácio; Alexandre e seu estrabismo inexplicável (ele ficava mais vesgo se passasse muito tempo sem óculos); a caixa de fotos impagáveis da tia Thereza; o bandolim do seu Adalto e o violão do tio Pedroza; a casa de Ana Valadares, que não teve filhos mas é madrinha de 3 gerações da família Cordeiro dos Reis; vó Cecília que morreu de amor; o assobio e as batidas na porta exclusivas do meu pai; a estante cheia de livros - que eu cobiçava desavergonhadamente - da Caroline; as plantas intocáveis da vó Conceição; comer os docinhos macumbados que apareciam embaixo do coqueiro da tia Elza; o véu de mistérios que envolvia tudo sobre tia Tânia (hj o mistério tem nome: esquizofrenia!); a chácara do Russo e o terror de minha mãe ao me ver pisando, descalça e feliz da vida, aquele lamaçal; tia Lourdes cantando Let It Be; os lambaris fritos do seu Carlinhos e os bolinhos de chuva da Eliane; o guarda roupa fedendo Trés Marchand e os LP´s "favor não tocar" do tio Zé Antônio; o banco traseiro do fusquinha amarelo, que deslizava pq meu pai passava silicone liquido nele; o 'cortiço' onde vivia o tio Sérgio; as verdades inconfessas e as mentiras-de-mãe sobre o Tra-lá-lá...

(detalhes: bota ortopédica que usei anos a fio e que não endireitou as minhas pernas, cabelos ruivos e alto grau de fotofobia!)

Ai que delícia lembrar dessas coisas!!! E ainda bem que o meu moleque sempre vem me dar a mão!!!

Bem, eu vi a vaquilda brincando e vim brincar tb... fiquem a vontade, sim?

15 novembro 2008

O RETORNO DE SATURNO

Nada mais fácil de constatar em nossa vida do que os ciclos. Toda a nossa compreensão mental do mundo depende dos ciclos, já que são eles que nos fornecem os meios para aprender, crescer, amadurecer e compreender com o fenômeno da repetição. A Astrologia ensina que o deslocamento dos planetas em sua própria órbita causa efeitos que se repetem ciclicamente. Assim, quando um planeta forma um aspecto em relação à posição que ele ocupava no momento de nosso nascimento, ele está simplesmente indicando de que forma essa energia se tornará atuante em nossa vida, terminando um ciclo e iniciando outro. O mais rápido é o da Lua, que demora apenas um mês, e o mais lento é o de Saturno, que demora 29-30 anos para dar uma volta completa.

Saturno é como um relógio. Na mitologia grega é Cronos, o tempo. É o regente da responsabilidade, da autoridade e do pai. Marca nosso amadurecimento, o envelhecimento e o reconhecimento. Promove uma consciência da limitação existente no indivíduo em pontos específicos pressionando-o a trabalhar especificamente sobre esses pontos de modo que essa limitação possa ser integrada e contribuir para a sua realização plena. É uma espécie de mestre de artes, agudo, incisivo, provocador, responsável pela desagregação de todas as estruturas limitantes do potencial humano.

Entre os 21 anos e os 29 anos e meio, a pessoa tende a desenvolver seu potencial de independência, buscando conquistar seu próprio espaço, estabelecendo uma identidade própria. Mas, se aos 29 anos a pessoa não consegue alcançar as metas estabelecidas, então começa a primeira grande crise, o primeiro ‘retorno de Saturno’: o que você andou fazendo até agora? Estudou? Se formou? Está empregado? Conseguiu constituir uma família? Já tem um filho? Já comprou casa? Já?... Já?... Já?.... Neste momento de nossa vida é imperioso estabelecer nova relação consigo mesmo, assumindo um novo ciclo dentro de sua existência. É a hora de fazermos importantes escolhas, passando a agir com mais consciência e de acordo com nossa essência. Não há retorno possível dentro do ciclo, não se anda para trás.
fonte: deus google, que tudo sabe e tudo vê.

Bem, eu não acredito nadinha em astrologia, mas sou obrigada a reconhecer que a coisa procede. Não pode ser apenasmente uma fatalidade cósmica todo mundo surtar um cadim por volta dessa idade. É diferente dos surtos da aborrecência; (embora a gente se sinta regredindo, vergonhosa e incontrolavelmente a ela.) é diferente dos surtos femininos habituais; é diferente da eterna inconstância masculina e é diferente do Ciclo Seco de Caio Fodástico Abreu. Dói mais fundo, tão fundo que nem dá pra identificar exatamente onde. tsc

Dai que eu acho que meu retorno de Saturno aconteceu meio an retard, como quase tudo de importante na minha vida. O que deve merecer registro e especulações, já que deus google me contou que Saturno tem micro ciclos de aproximadamente 7 anos, igualmente coincidentes com fases nevrálgicas pro desenvolvimento de qualquer ser - idade escolar e adolescência - as quais eu entrei an avant e sai aparentemente mais ilesa do que as minhas coleguinhas...

A verdade é que não sei precisar o início desse ciclo desgraçado (deus google tb me contou que tem gente que diz que é uma verdadeira descida aos infernos!) já que crise é uma constante na minha vidinha. O que eu sei e tenho até um certo orgulho de constatar, é que embora eu não tenha feito nem metade do que se espera que uma mulher na minha idade tenha feito, nem tudo é escombro e desolação:

  • Hoje em dia eu bebo (e como hihihi) o que eu quero e não o que tiver pra beber (/comer);
  • Lamento bem menos o que podia ter sido e não foi;
  • Escolher continua sendo um parto, mas os erros já não tem mais a importância esmagadora que eu dava;
  • Diminui severamente a distância segura que sempre mantive em relação a tudo que não tenho controle;
  • Tosei os cabelos como sempre quis, alheia aos reclames do padrão vigente de feminilidade;
  • Me convenci que trabalhar é o corresponde adulto pra estudar: e segue como um mal necessário;
  • Me conformei que não posso tudo, que não aguento todos os trancos, e que deve ser até que bom seja assim.
  • Antes de fazer uma merda eu me perguntava 'o que tenho a ganhar?'. Hj eu me pergunto 'o que tenho a perder?'
Oras, não podia ser tão catastrófico assim, né?

08 novembro 2008

SOBRE O AMOR DA MINHA VIDA

Para ler ao som de "Como Dizia o Poeta", do Toquinho

Eu encontrei. Quem diria? Logo eu, tão descrente dessas coisas do coração...

Poizé, encontrei. Tem nome, é de carne e osso, cheiro e toque. Não sei se devia acreditar, e as vezes eu desacredito total, mas me ama também. Agora só falta encontrar alguém com quem eu possa viver.

É que o amor da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a gente se queira, se entenda e se goste há todo esse tempo. Não basta essa gastura em que a gente vive, os surtos de não-vou-mais-te-ver que eu tenho e a teimosia de esperar mais daquilo que não há de ser. Não presta que ele mova céus e terras pra me ver e que depois eu fique aki, com vontade de que volte logo e pra sempre. Não importa que eu esqueça até o meu nome depois, que os sentimentos corram de ambos os lados, intensos e desarvorados. Não é suficiente que haja amor para se viver um amor.

Eu e ele somos o sol e a lua daquele .pps velhíssimo que tenho certeza que vc já recebeu pelo menos 2 vezes. Seus mistérios me instigam e minha clareza o ofusca. Tenho fascínio pelo mundo plácido e descomplicado que ele habita, e ele vive intrigado pelo que supõe inalcançável em mim, mas quando enfim eu digo "venha", (sim, ele traz a lenha e só sobram cinzas no final hohoho) ele entende "vá". Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. É preciso me traduzir a cada centímetro do caminho enquanto ele explica que eu também não entendi nada. Discordamos sobre alguns conceitos - particularmente o de fecilidade - sobre o que fazer com o dinheiro, sobre como criar filhas aborrecentes, sobre nossos limites e sobre o que queremos um do outro e um para o outro... O desacerto é imenso, impossível abstrair.

Dai que inspirada pela autora desse texto que estou mutilando sem dó, fui ver A Ópera do Malandro. E Chico Buarque, perfeito como sempre, trouxe um pouco de lucidez a essa alma meio abobada pela novidade que é estar apaixonada:

O amor jamais foi um sonho,
O amor, eu bem sei, já provei,
É um veneno medonho.
É por isso que se há de entender que o amor não é ócio,
E compreender que o amor não é um vício,
O amor é sacrifício,
O amor é sacerdócio.

Nosso amor é sacerdócio. Supõe privações pelas quais não estou disposta a passar. Vai me exigir cedo ou tarde renúncias que não serei capaz sequer de considerar. Vai ter qualquer coisa de devocional pra sempre. Talvez eu até lhe compre um relicário, que seria bem merecido. Mas só. Já deu.

Iluminada por Chico, corajosa como uma mulher bomba, decidi que não quero mais o amor da minha vida ocupando o lugar de amor da minha vida. E venho publicamente pedir que libere a vaga:

- É com você mesmo que estou falando, você aí, que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração, fazfavô de caçar um rumo! Xô.

Há de haver um homem possível, me esperando em algum lugar nesse mundo. Um homem que fale a minha língua e traduza meus silêncios. Que mais do que me querer, possa cuidar de mim. As qualidades podem até variar, mas aos eventuais interessados já vou avisando que existe um defeito que considero imprescindível: inconformismo. O próximo amor da minha vida não pode nunca se acomodar com o que incomoda. É um pecado, mas o que está dando ponto final à nossa história é essa maldita mania de viver no outono. Tá ruim mas tá bom, sabem como? Que derrota...

N.A.: a base do texto é de Maitê Proença. Fui retocando aki e ali pra
minha história caber justinha.

29 outubro 2008

SOBRA TANTA FALTA!

fera, bicho, anjo e mulher;
pedra, flor e espinho;
inquieta, áspera e desesperançada;

janela do quarto, janela do carro, tela e janela;

vinho, virtude e poesia;
cor, tom, sabor e som;
luz das estrelas, a cor do luar, as coisas da vida e o medo de amar;
louça, éter, loucura, cenário e atriz;

mão (e um pouquinho do braço!), mentiras sinceras e pequenas poções de ilusão;
sombras, sobras, cobras e escombros;

espada, escudo, forma e conteúdo;

hortelã, alecrim e jasmim;

hóspede do tempo, inquilina da vida, da minha casa, das minhas palavras e das coisas que declaro minhas
...


Tanto e tão pouco! Tudo isso e ainda falta tanto espaço dentro dos meus abraços! tsc

Socorro, alguém me dê um coração...


Que esse já não bate nem apanha... rs

24 outubro 2008

CAPETICES DO MERCADO FINANCEIRO

Reza a lenda que a tal crise financeira vai acabar afetando até o vendedor de balas da porta do colégio. E eu não duvido. (aliás, não duvido de mais nada nesta vida!) Reza a lenda tb que esse banzé mundial atende por um nome: mercado derivativo. Alguém chamou de 'arma de destruição em massa'.

Eu, claro, não sei explicar direito, mas faço uma vaga idéia do que vem a ser a coisa: mais uma daquelas boas intenções das quais o inferno tá cheio! Num esforço mostruoso, huguinho, zezinho e luisinho se lembraram lááááá do tempo da faculdade (em que eu mui solidariamente ajudava meu coleguinha de quarto a estudar pras provas de Macro!) que derivativos protegem as empresas das variações cambiais. Assim ó: dois investidores fecham um contrato onde um paga ao outro toda a variação do dólar que houver no período. Em troca, recebe os juros acumulados.

Bom né? S-e-r-i-a se dinheiro não fosse coisa do cão e se os homens não tivessem os olhos maiores que a cara: numa operação meio fraudulenta mas absolutamente lícita, os caras firmam contratos bem acima do que estimam receber no futuro, especulando uma queda no câmbio. Pois bem, como umas das definições de especular é tirar proveito, abusando da boa fé ou da credulidade de outrem e como Deus - ao contrário de Murphy - cochila, mas não dorme, eis que ocorre o inverso e o dólar dispara. Nessa brincadeira o Grupo Votorantim, por ex, perdeu mais de R$ 2,2 bi.

Desenhando, pq tenho consciência de que meus conhecimentos no assunto são medíocres:

fonte: Diário do Vale On Line

Dai que eu fico cá pensando: se essa coisa de precognição fosse tão possível quanto afirmam paranormais, cartomantes, videntes e correlatos, não precisava estudar tanto pra especular ser analista financeiro. Era só montar uma consultoria mística pras coisas voltarem pros seus eixos e o vendedor de balas da porta do colégio não ter sua vida afetada pela ganância de gente que ele nunca vai ver.

ET.: tardiamente os governos se preparam para melhor regulamentar o mercado de derivativos. Interessante como em qualquer lugar do globo terrestre precisa acontecer uma coisa séria pras pessoas se moverem, não?

21 outubro 2008

CARPINTEIRO DO UNIVERSO

Dia desses terminei de ler um livro ótemo. Sobre três mulheres absolutamente diferentes. Em comum, aparentemente apenas XX ... ainda assim me identifiquei com todas. rs (Sushi, Marian Keyes. A quem interessar...)

Em uma vi meu autoritarismo disfarçado de competência. O quanto seria fácil fazer dos outros uma extensão dos meus domínios, o quintal de casa. Na outra vi o quanto ando de saco cheio e como a gente pode fazer merda quando está de saco cheio... rs Mas só com a última que a empatia foi total: ela é uma fofa! Daquelas que - como eu - procura motivos que justifiquem as presepadas alheias e quase sempre se convence que tem uma parcela de culpa em tudo que (não) acontece.

A mocinha do livro foi apelidada pelo chefe de Senhorita Quebra Galho! Não é triste? Ela tinha uma bolsa enorme, cheia de coisas que ela mesma nem usava, mas deixava lá pro caso de alguém precisar. Dai que fiz várias associações e mesmo sem ter bolsas enormes nem precisei pensar muito pra constatar que tb carrego muiiiiiita tralha...

Não sei por que nasci pra querer ajudar, a querer consertar o que não pode ser...
Não sei pois nasci para isso e aquilo e o inguiço de tanto querer.

Estou sempre pensando em aparar o cabelo de alguém.
E sempre tentando mudar a direção do trem.
À noite a luz do meu quarto eu não quero apagar,
Pra que você não tropece na escada, quando chegar.

O meu egoismo é tão egoísta que o auge do meu egoismo é querer ajudar.
Mas não sei por que nasci pra querer ajudar, a querer consertar o que não pode ser...
Não sei pois nasci para isso e aquilo e o inguiço de tanto querer

Carpinteiro do universo inteiro eu sou... Ah eu sou assim!
No final, carpinteiro de mim!
* Raul Seixas

Saber que sou assim já não é nada bom, mas me ver sendo sistematicamente sacaneada até o último capítulo (de um livro de 569 pags!) me obriga a fazer alguma coisa! A mocinha jogou no mar a sua giga bolsa... e eu, tipo pra ritualizar minha decisão, vou deletar todos os filmes que estão entulhando meu HD! (eles só estão lá pela remota possibilidade de alguém querer assistir, pq eu já vi todos!)

14 outubro 2008

TODAS ELAS JUNTAS (E CONFUSAS!) NUM SÓ SER...


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa


10 outubro 2008

O DIA DO PRATO

Depois de:
19 meses de querência;
1 momento de fraqueza (e toda a culpa decorrente);
7 meses de heróica resistência;
1 prévia pra lá de instigante:
tecla F, que eu não sou de ferroooooooo!


Te faço uma canção tão antiga e tão bonita
Não tem queixa nem ferida
É proteção pra toda a vida
Porque você entende meus sonhos
Teu sexo tem o gosto que eu gosto
Tua boca, carne, tua saliva
Faz a minha carne mais viva
Então eu faço esse carinho e assim fico menos sozinho
Meu coração não chora mais na ponta de qualquer espinho
Não tenha medo do futuro, do escuro ou da hora de acordar
Dorme em paz, amor, o tempo que a minha canção soar
E não deixe de sonhar com o possível e o impossível
No amor é quase sempre assim: tudo imprevisível!!!
*Roberto Frejat

01 outubro 2008

IRA

abre parênteses: eu não disse, mas aquele inferno astral narrado abaixo foi acompanhado de um mutismo que durou uns 5 dias. Eu só me dei conta que era pura TPM qdo sinhá me mandou à padaria - coisa que faço religiosamente, todos os dias, exceto os de chuva - e eu chorei lágrimas corrosivas. Eu sou assim, só percebo o motim hormonal quando acontece alguma coisa patética... ai eu morro de rir e volto a ser eu mesma. Mas esse mês, dadas as coisas chatas que foram se acumulando na mesma semana, Deus precisou intervir e mandar um paliativo....rs Dai que com a minha lucidez de volta, formulei uma tese. Me digam se vcs acham que procede, sim? fecha parênteses

Não tenho orgulho algum em afirmar isso, mas é o sentimento com menor espaço dentro de mim. Explico: acessos de uma fúria justificada e bem direcionada são verdadeiros exorcismos! Vc sai de si por dois minutos (não mais que isso, que não estou sugerindo um AVC!) pra mais tarde não perder horas numa angústia sem nenhum motivo razoável, se perguntando "o que eu tenho?". Já que imerecidamente - ou não - mulher tem fama de xiliquenta, acho que a gente devia mais é deitar na cama e gozar os efeitos terapêuticos do estigma... hohoho

Olhando para o meu passado de bom-mocismo (meus momentos descontrol são tão poucos que me lembro de todos!) a pergunta da vez é: se eu tivesse cuspido mais abelhas, será que hoje eu saberia o que se passa comigo? Aliás, será que eu estaria, assim, meio-autista-meio-autômata, me perguntando idiotamente em que pedaço do caminho eu escolhi essa vida? Uma boa questão...

Fiquei pensando onde foram parar os meus sapos engolidos com inglesa resignação e constato, agradecida, que eles não se transformaram em gastrites e outros correlatos psicossomáticos... mas por uma questão de sobrevivência num mundo cada dia mais hipocondríaco, capetices desse gênero bem como as outras doenças também precisam se reinventar. Dai que desconfio que meu pecado capital inconfesso por anos a fio tem por estratégia a camuflagem: como a minha ira percebeu que por aki o poder de auto controle tende ao infinito, consultou seu exemplar de "A Arte da Guerra" e, mais ciente do que nunca que a superioridade numérica isolada não lhe daria vantagem alguma (“dividir para conquistar”, sacam?), resolveu diluir-se em sentimentos mais brandos e socialmente aceitos: frustração, preguiça, cansaço e outras chatices absolutamente normais e perdoáveis. Pq a gente sabe que às vezes precisa fazer vistas grossas à indisciplina de nossa tropa, né? Nessa pequena relaxada, Ira-Versão-Cavalo-de-Tróia se instala, insuspeita, e se faz responsável direta por aquela angústia de mierda que falei acima. É só uma tese, mas pra mim faz mó sentido. (Agora que parei pra prestar atenção, percebo que muito do meu humor cítrico nada tem a ver com estilo: sou sempre tão engraçadinha pra não babar uma espuma branca mui familiar a todos: ou se previne com anti-rábica ou tem que sacrificar!)

Ira é tão tóxica que se não for expurgada até anestesia a gente! Tipo cocaína na ponta da língua, tipo alguns venenos: adormece. Adormece e a gente nem percebe que está ficando cada dia mais inerte, não movendo um músculo por uma boa causa. Certeza que entre gente sarcástica demais, exagerada demais, dramática demais, pessimista demais... há alguém espumando, agonizante. E convenhamos, agonizar sem saber exatamente do que é de um ridículo sem tamanho, não?

Tá. Mas e agora José, qual o remédio, já que ira continuará sendo haran e mandando os infiéis para arderem no mármore do inferno?

Enton, a posologia depende do paciente. No geral a quantidade é proporcional ao peso do sujeito... no meu caso, nos meus irrisórios 38 kgs, penso que assertividade uns 3 tons acima do meu habitual resolva. Dependendo da reincidência (ou do nome) do motivo, um objeto voador lançado com força e sem culpa talvez funcione como catalisador... mas isso, claro, só no caso de uma crise.

As doses de manutenção deverão ser ministradas apenasmente quando vc for agredida e não quando se sentir agredida, já que um sintoma característico de Ira-Versão-Cavalo-de-Tróia é o permanente sentimento de injustiça/incompreensão.

Devidamente desintoxicado, a tendência do organismo é produzir um tipo de humor sutil e resistente (ao qual os antigos chamavam de Paciência de Jó), que exerce função de anti corpo contra as epidemias deste mundo cão.

27 setembro 2008

ENFIM...

Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória
Têm costume de contar
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho
Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar

Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem
Sem um canto de louvor
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor
* Adriana Calcanhoto

N.A: acho que Deus ficou com pena de minha resignação e encurtou o inferno astral... e não podia ter sido de melhor forma!! uhu \o/

23 setembro 2008

INFERNO ASTRAL !?!

Mas não é um mês antes do aniversário? Pois eu acho que alguém se confundiu e só mandou o meu agora, um mês após:

quarta:
arrastada pelo turbilhão de sentimentos confusos, acabei largando mesmo a terapia. (e ficando mui tristinha)

quinta: achei que tinha conseguido restaurar uma coisa bonita que havia se espatifado.

sexta: depois de meses numa enrolação do caralho, uma boa alma me liga pra dizer que finalmente minha vaga foi liberada e que vou voltar a trabalhar.

sábado: o ser que é PHd na arte de me machucar consegue pela 2ª vez fazer a minha civilidade parecer patética. (meus respeitos! Não é pra qualquer um a proeza de me machucar duas vezes pelo mesmo motivo!)

domingo: explico como me sinto a respeito e ouço o mesmo ser insinuar que sou maluca, infantil, idiota e egoísta. Tudo isso em 1 hr de conversa e via MSN.

segunda: sou comunicada extra oficialmente que a gestora mudou de idéia e vai contratar para a minha vaga uma estagiária lesa.

... como a gente sabe que não há nada ruim que não possa piorar, deixa eu continuar aki quietinha pra ver se tio Murphy me erra...tsc

21 setembro 2008

PROCURA-SE HAROLDO!

Idéia (ótemaaaaaaaaa) de Camilinha...

Pq ele é simples e despretencioso:

Pq ele é solidário:

Pq ele é bem humorado:

Pq ele é assertivo:

Pq ele simplifica meus dilemas:

Se eu tivesse um Haroldo na minha vida, acho que nem precisaria escrever... hohoho

17 setembro 2008

(blog) TERAPIA

Pq vc não escreve pra coluna do tio José?
Ele responde tudo, qualquer pergunta que vc fizer!!!!
Tio José,

Eu estou pensando em largar a terapia. O que o sr. acha?

Como disse Danielle dias desses, o mais foda dos teus impasses é que ninguém tem nada com isso...tsc

Vou falar com quem sobre essa (mais essa) urgência emocional?

Turbilhão de sentimentos, confusos pra variar: me sinto uma patricete, fútil e mimada por precisar de alguém que me escute com atenção. Me sinto igualmente patricete, fútil, mimada e perdulária por gastar dinheiros com. É quase vergonhoso se perder nos próprios labirintos. Pagar alguém pra te encontrar é - pré conceitos às favas - um atestado de incompetência. Como assim eu não dou conta
da minha vida?

Dou conta, não dou? Nenhuma ocorrência grave registrada atá agora. Vida seguindo nos trilhos da normalidade.

Dou conta? Mas enton pq diabos essa necessidade burguesa de falar, falar, falar? E pior, que alguém escute, intervenha, pontue, clareie?

Não dou. Não dou conta! Minhas tempestades em copos d´água estão arrastando todo o bom senso que encontram pela frente.

É até interessante o ser que estou sendo no momento... ("estou sendo" merece uma pedrada, mas é que tenho esperança de que passe e eu finalmente s-e-j-a, no presente, num futuro próximo, de preferência) Engraçado achar que nem o erro é disperdício depois de anos buscando uma coerência que ninguém te exige; descobrir no meio do caminho que é melhor assumir um sentimento antes de tentar entendê-lo, oscilar entre acessos de lirismo e desejos básicos por cretinos mais básicos ainda... que puxa!!!


(Tenho certeza que qualquer guria de 15 escreveria isso. tsc Já não é suficiente a gente ter ciência do nosso ridículo?)

14 setembro 2008

INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS

foto: Chistian Gaul

Intimidade Expectativa é uma merda!

Desde que soube que Frejat tava preparando o seu 3º CD fiquei vigiando pra baixar tão logo as almas caridosas disponibilizassem na rede. E foram meeeses. A-d-o-r-e-i o título (nem deve ser pq ele é um bom predicado pra minha vida de crimes, não mesmo...rs) e a curiosidade aumentou 3 vezes qdo li que uma das faixas é parceria com Martha Medeiros (très chic, não?). A oposição pode dizer que não combina, mas o que gosto no trabalho solo dele é isso de homem tb chorar. Não deixa de ser roqueiro (embora roqueiro cinquentão esteja a um passinho do ridículo, verdade seja dita) e faz essas coisas, assim, quase calóricas de tão meladas. Ele é de uma precisão quase cirúrgica na arte de dar forma e tom àqueles impronunciáveis - e tipicamente femininos - sentimentos: alguns versos de Maior Abandonado, 50 Receitas, Tua Canção, Errar é Aprender, No Escuro e Vendo são de uma verdade doída, cruel. Daquelas que a
gente negaria até a morte se pudesse.

Não sei explicar direito. Algumas nuances emocionais homens geralmente não alcançam (como certas cores, que reza a lenda que eles não conseguem enxergar rs) e é isso que eu admiro: Frejat fala com a mesma destreza sobre coisas que - a priori - não sente com todas as fibras do corpo e desvela um território que mulheres até enxergam, míopes, mas tb não pisam assim, com os dois pés: Homem Não Chora, por ex, é over verdadeiro, não tão doído, nem tão frequente, mas está por ai, que eu já vi...

Dai que ontem eu ouvi o CD novo... como diria Jana, pordeus, o que é aquilo? Demorei umas três músicas pra identificar algum verso mais ou menos. O som a gente reconhece, claro, mas as letras...aff. "Fazer um photoshop da realidade"? uatarréu??? Quase tudo arrastado, repetitivo, tristíssimo. Quando achei que a coisa ia ficar mais alegre, topei com umas rimas pobrinhas de dar vergonha: "esqueça nossa última briga, lembre nosso 1º beijo e ouça essa cantiga"... tsc Da faixa-título eu esperava algo do tamanho de Amor Pra Recomeçar, pelo menos. Que cumprisse o papel, como Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo. Pelo menos o refrão tem que grudar na cabeça, não é assim? Má vontade a parte, mas "nada é tão lento quanto o tempo aqui dentro/eu e eles e a nossa dor/nada é tão denso quanto o tempo em silêncio/eu e eles no elevador" tem sonor
idade pra grudar onde? Eu e minha pretensão sem tamanho achamos que deviam ter escalado Dois Lados, que pelo menos da minha cabeça não sai e eu nem vejo novela.

Sobre Farol, co-autoria de Martha salve salve Medeiros, nem vou reclamar. Acho que o que eu queria nem tem como existir, delírios de tiete. Quando Cazuza mandou Exagerado pra Leoni musicar, tinha 30 e tantos versos, cortou um monte. Se dependesse dele não teríamos "por vc eu troco tudo/carreira, dinheiro, canudo" por ex. Vai ver Frejat fez isso tb.

Bem, eu confesso que meu gosto musical não é muito eclético, devo ser até meio pré-conceituosa. Ando numa fase temerária inclusive (ouvindo Pedro Mariano por opção e Cesar Menotti & Fabiano por falta de, que minha vizinha adora e só ouve alto!), mas de 11 faixas só se salvam 3?! ô pecado!


Bonequinho decepcionado!!

09 setembro 2008

VC TEM SEDE DE QUE?

[mote da Dani] A gente vive reclamando do que cobram da gente... mas e você, o que se cobra? O que você precisa ser, para se sentir gente? Ou em que você precisa se transformar para se sentir você?[/mote da Dani]

Eu me cobro coerência. Se não for possível entre o PENSAR e o AGIR, pelo menos entre o SENTIR e o FALAR. hohoho Já tá de bom tamanho!

Preciso encontrar um meio termo razoável entre o que é bom e o que é correto, pq como mui carinhosamente me disseram dia desses, já passou da hora de ser feliz e normal.

Me cobro educação, gentileza, senso de justiça, um sorriso generoso... o mundo já é quase inabitável, só reclamar não muda nada.

Preciso de inteireza, de gente sendo o que é. (e não gastando o que não tem pra mostrar a quem não gosta uma pessoa que não é!) Vivendo o inferno e céu de todo dia, "exercitando o humor e a poesia"

Me cobro tolerância com as presepadas alheias. E preciso de um cadim pras minhas também.

Preciso ser maior do que meus medos, do que as coisas que não entendo, que não mereço.

Me cobro não acomodar com o que incomoda.

Preciso de pequenas epifanias mensais e sem finais patéticos, de preferência. Opcionalmente, a gosto de quem me conceda tal benção, preciso de uma que dure pra sempre. Aceito trocar
várias por uma de bom grado, juro.

Me cobro casa, comida e roupa lavada. Tudo financiado por mim mesma e o mais rápido possível.

Preciso que me olhem nos olhos enquanto falam comigo. Que me digam as coisas com clareza, que de entrelinhas já bastam as minhas.

Me cobro saber um pouco de tudo, aprender o importante que não sei e me livrar de toda a tralha desimportante que inevitavelmente a gente vai acumulando pelo caminho.

Preciso, ando muitíssimo precisada, de livros novos. Já não acho mais tanta graça em reler os meus e como estou pobrinha no momento, não dá pra comprar nenhum da minha listinha. tsc

03 setembro 2008

DAY OFF

Gente desocupada não distingue fim de semana dos outros dias. Mais ou menos. Posso dizer que os meus têm sido longos e preguiçosos sábados.

Sá-ba-dos. Nunca domingos, pq domingo não é dia! Quer dizer, até é:

Domingo é dia de moscar.
Dia pra passar de pijama e pantufa. (no caso de ser um dia cinzento, claro!)
Dia de ver vários filmes.
Dia de terminar um livro pra começar outro.
Dia de trajetos bem precisos: da cama pro puf, do puf pro laptop, do laptot de volta pra cama...

As vezes acontece um micro milagre: Uma visita! Gentem, amigo salva um domingo né não?! Mas fora isso que é cada vez mais raro, salvar os domingos não é tarefa das mais fáceis, demanda determinação, quase esforço físico, já que é tããããão mais confortável jiboiar até segunda feira... mas eu, rainha das miudezas, franciscana até, felizmente vivo tendo gratas surpresas dominicais: as vezes é uma das janelinhas verdes piscantes na tela do laptop que me dá uma boa notícia, ou me diz algo gentil, mata minhas saudades ou apenasmente me diverte mesmo (o que é um luxo prum domingo!); as vezes, sozinha e esparramada no meu puf, leio alguma coisa que me agride e tenho o resto do dia - se eu quiser - pra digerir aquilo e procurar palavras que traduzam meu assombro; as vezes alguém inesperado me liga; as vezes eu tô num humor mais maternal e deixo minha sobrinha me tratar como uma de suas bonecas...

Esse domingo foi salvo por um filme. Um documentário, pra ser mais precisa: Janela da Alma. (anos atrasada, de novo!) É sobre nosso conceito equivocado de visão... rs Tem umas sacadas boas, daquelas que de tão óbvias, a gente não pára pra pensar, sabe? Toda aquela coisa de excesso de informação, de como o sentimento influencia a percepção... nada novo mas pelo menos pra mim sempre é a descoberta do fogo. Lá pelas tantas, um dos entrevistados (é entrevistado mesmo que fala?), um fotógrafo completamente cego, me sacudiu com sua acuidade sensorial: ele queria saber como era a letra de uma das moças que fotografou e pediu pra ela assinar o nome na palma de sua mão!!! Simples e delicado. Impossível não me atingir. Segundo o próprio, não vemos mais nada pq impondo-nos imagens prontas, perdemos o olhar interior. Completo eu: perdemos também a perspectiva, o distanciamento necessário, a capacidade de contemplar. (?)

Resultado: Ensaio Sobre a Cegueira de Saramago, subiu de posição no meu ranking de precisâncias e Blindness de Fernando Meirelles, está sendo aguardado com ansiedade por aki.

28 agosto 2008

O QUATRILHO

An retard como sempre, só hoje, com 14 anos de defasagem, consegui assistir esse filme.

Depois de perder algum tempo tentando entender pq escolheram ilustres desconhecidos como pares românticos de Patrícia Pillar e Glória Pires, cá na minha pretensão sem fim, ainda fiquei imaginando quem euzinha escalaria pr´os papéis...rs Cansei logo, vencida pelo fato de que há um considerável lapso de tempo entre as atrizes e os meus atores...

Ainda divagando, me peguei pisando chão mais firme: em 1910 (sim, fatos reais!! Aconteceu no Rio Grande do Sul! Adoro filme baseado em fatos reais!) foi um escândalo um homem fugir com a mulher do sócio e escândalo maior ainda os dois traidos que ficaram resolverem se juntar tb. E hoje, em 2008, se isso acontecesse aki na minha rua, como o povo reagiria? Com uma crueldade mais velada, acredito. E maior hipocrisia, portanto. Por menos católico que seja, o ser humano - em geral - é capaz de ser mais ortodoxo que um monge medieval. Com os outros, claro, que gente ortodoxa demais tende ao farisaísmo.

Mas o que eu queria dizer mesmo é que o Deus em quem acredito não poderia jamais ficar satisfeito com o zelo daquele padre (sim, com minúscula mesmo!) de Sta. Corona. Até eu que tenho um coração infinitamente menor que o d´Ele já entendo que não pode haver obediência legítima quando se pisoteia a alma de alguém. Se o amor é o maior mandamento e se a caridade é o esplendor de sua manifestação, estaria o Todo Poderoso caducando se realmente concordasse com algumas atitudes nada cristãs dos seus vigários.

Notas de uma mente over pensante:

¹E o rebanho desses pastores totalitários, arderia igualmente no mármore do inferno* pela conivência cega? É que eu acredito que quem obedece não erra...

² Percebam que desde que o mundo é mundo, bonzinho só se fode. O ônus da traição ficou inteiro com o casal fiel. tsc!!!

*
Seguramente que há uma área vip pr´os religiosos!!!

22 agosto 2008

ALMA NARCISA

Depois de meeeeeses olhando apenas pro meu próprio umbigo, prestando atenção em coisas que me passaram despercebidas durante toda uma vida, (aliás, antes desses meses foram aaaaanos debruçada sobre o alheio, sendo tudo pra todos, numa solidariedade carmelita.) conclui algo não tão nobre quanto esperava: Eu me acho!

Nada está bom para mim. Eu devo ser o máximo absoluto, a encarnação ocidental de buda. Não abro a boca, claro, que gente que se acha é o fim, mas eu sempre tenho algo a acrescentar, uma crítica "construtiva"... Os outros? Quase sempre divergentes. Contraditórios. Ou omissos. A música? Alta demais, futil demais, instrumental demais, ou de menos. Os lugares? Abafados, congelantes, muvucados, distantes... Chuva é péssimo, sol é insuportável. Cachorro? Longe, preso E dormindo. Criança? Só minha sobrinha e com as prerrogativas de toda tia: chorou, devolve.

Eu tenho consciência de que ninguém merece isso! Se meus amados se dessem conta, eu seria uma ilha. Curioso é que não me acho melhor do que nada, nem ninguém. Simplesmente me acho. E ponto. Me acho sem fazer comparações com o que ou quem quer que seja. Só me acredito, me basto, me sinto. Assim, sem parâmetros estabelecidos para checagem: medo de barata é algo além do compreensível para minha mente pernóstica, pq eu não tenho medo e sou o centro do universo. Medo de barata, dor de cotovelo prolongada por mais de um dia, ciúmes, mentiras, dizer-não-querendo-dizer-sim, variações bruscas de humor, amnésia alcoolica, trairagem feminina, fakes no orkut, abraço-curto-pra-não-suf
ocar, falocentrismo, cartão de crédito estourado... tudo é um grande e insondável mistério pra mim.

Eu me acho tanto, mas tanto, que até viajar, por exemplo, fica difícil: Primeiro, é complicado escolher pra onde: lugares que todo mundo vai, não, pq todo mundo vai. Lugares que quase ninguém que ir, talvez sim, mas talvez não pq não teria como pesquisar satisfatoriamente. Europa? Pra que, com um país lindo com o meu? Estados Unidos? Me submeter a mendigar visto? Nem a pau, juvenal. Dai vem a segunda parte, escolher com quem: “x” é muito pacata, “y” muito agitada”, “z” muito histérica, “alfa” muito depressiva, “beta” ranzinza, “gama” não bebe... Vou sozinha, que boa sou eu. E acabo in
do a lugar nenhum, pq o melhor e mais constante dos predicados pra todas as cias. é: comprometida. Boa, ímpar e preguiçosa, fico em casa e ainda vejo altas vantagens nisso.

Provavelmente vou me achar cada vez mais, já que não percebo mudanças significativas no meu ego de George W. Bush. Eu vou continuar me achando até achar que a única coisa que é demais para mim sou eu mesma. E aí vou querer melhorar. (As vezes eu acho que já estou perto disso, quando me irrito a ponto de querer férias de mim... )A verdade é que eu me acho tanto que me perco: Como alguém consegue viver sem MSN? Como pode alguém acordar às seis horas da manhã para correr? Como alguém dançar desse jeito em público e fica bem? Como que gasta tanto dinheiro com besteiras? Como pode ser tão infantil/egoísta/raso?

Percebem? Eu sou capaz de me ocupar (e até me assustar!) com questões que simples e definitivamente não me dizem respeito. Quanto às minhas questões, que também são es
quadrinhadas pelos outros com algum espanto, eu tomo ciência assim, an passant, diluídas em frases simpatiquinhas e inofensivas até: "como pode nunca ter um acompanhante nos casamentos das amigas? Como pode não ter carro? Como pode não ter um emprego e nem se esquentar com isso? Como pode usar um cabelo daquele tamanho? Como pode odiar academia daquele tanto? Como pode viver em constantes e inúteis crises existenciais? Como pode usar jeans e tênis tão impunemente? Como pode ser assim até hoje???" Pobre moça....

Vezenquando paro em frente a um desses programas da TVE - porque novela, filme comercial, programa de auditório e Big Brother são muito pouco para minha inteligência over exigente. Bem vezenquando, pq eu gosto mesmo é de Internet. Quando não tem livro novo, filme bo
m, cias. agradáveis ou não estou com sono, certeza que estarei moscando por lá, com 500 bonequinhos verdes piscando na minha frente, zapeando pelos blogs dos meus queridos. E se você disser que isso é coisa de gente nerd e solitária, vou te olhar com a cara mais blasé do século, vou te dar um meio-sorriso resignado, talvez diga "cada um no seu quadrado!" mas estarei pensando: "enton, tente nêga, tente me convencer que tua vida de boites enfumaçadas e barulhentas, de noites intermináveis socializando(?) por ai, de horas irrecuperáveis de sono, de $ queimado pra financiar toda essa badalação, enfim, que tudo isso é fundamental pra existência e que te faz over-feliz."

Olha, eu até acredito em milagres, acredito mesmo. Mas pra certas c
oisas só nascendo de novo. Acho que é o caso tsc

N.A¹.: Inspirado num texto de Cleo Araujo

N.A².: Dani sacou de cara, eu demorei um cadim, mas a verdade é que esse texto além de um mea culpa sem culpa, é uma reação tardia ao episódio novelesco narrado abaixo. Pq eu sou assim: maior do que os seres que me assustam, mas as vezes é preciso re-lembrar isso!!

15 agosto 2008

HAVIA BELEZA ALI OU ERA CRIATIVIDADE MINHA?!?

Escrevo numa ressaca moral sem precedentes. Tão abestada que nem deu pra ficar triste, ainda. Assustada com a minha polianice e me perguntando como um mesmo cidadão pôde me inspirar sentimentos tão meigos e em questão de horas me fazer a mulher mais idiota do sistema solar...Tá bom que o ser humano tem uma capacidade infinita pra nos decepcionar, tá bom que "pra ver Deus tem que morrer", tá bom que eu sou carente... tsc (maldita carência! Maldita! Maldita! Maldita!)

Historinha digna do muleburra.com Aliás, se eu fosse famosa, poderia concorrer ao prêmio Burralda do Mês, que mereço:

Que a bebida revela as pessoas geral já sabe né? Pois não é que depois de todos esses dias convivendo com uma criatura sóbria, razoavelmente bem informada, divertida e otras cositas mas eis que descubro no último dia que a gente iria se ver (menos mau, convenhamos, que se descubro no primeiro eu nem teria aquela coisa do comida-boa-roupa-limpa-e-cama-quentinha pra lembrar) que o guri é uma fraude: a menor das surpresas foi ele, empolgadíssimo, num papo que não acabava nunca mais sobre funk. Só faltou subir na mesa pra dançar. Registre-se: embora eu ache que o juízo final vai começar no baile funk, nada grave até ai. O que me partiu o coração mesmo foi ve-lo se esmerar no assunto por horas pra fazer graça pra outra guria, a que se revelou sua melhor amiga, a ponto de beliscar pedaços de pizza do seu prato e esticar as duas pernas sobre as dele, assim, despudoradamente, na minha frente. Mais despudoradamente ainda trocarem tels. Mais despudoradamente ainda conversarem alheios aos outros presentes na mesa.

No minuto seguinte descubro que o seu anel - que eu perguntei se significava alguma coisa importante - muda de dedo conforme lhe convém e que não só a criatura tem namorada como é a mesma há anos. Vou ao banheiro e escuto sem querer que o flerte não se restringe à guria funkeira mas é extensivo a loirinha sentada a nossa frente. Nós três colegas de trabalho. Mulher sabe ser escrota, deusdocéu.

Eu, inglesa, nada fiz. Aquele descaramento todo me paralisou. Quer dizer, quase nada fiz, que sangues ingleses também fervem. Demoram mais fervem: perguntei às gurias quem ia jantar o moço, assim cínica e sorridentemente. Foi feio, claro, mas na hora eu só pensei que se o visse ir embora com qualquer uma das duas, não ia conseguir disfarçar a inveja. Fiz o menos pior, acho.

Bem, a indelicadeza surtiu 1/2 efeito: a guria funkeira sossegou o rabo e a loirinha foi acometida por um sono incontrolável e quis ir embora. Todos pra casa. Ou não. De toda forma, o que não se sabe não dói.


ET.: como eu já disse, meus dias são salvos por detalhes. Como essa bizarrice toda que contei pode me gastar se recebo neste humilde rascunho a visita VIP³ de ninguém menos que Trevisan, ex Teatro Mágico????

Blogger Trevisan disse...
Poxa vi minha letra de sobra tanta falta no seu blog. que bacana ver que se identifica com meus sentimentos.
grande beijo
Trevisan

para ouvir a musicas:
www.mondo77.fm/otrevisan


12 agosto 2008

PEQUENAS EPIFANIAS

Confessei dia desses que meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável... (salve Caio Fodástico!) Sim, eu sou carente. Disfarço bem, mas sou podre de carente.

Dai que a vida - que sempre me soca com uma mão e ajuda a levantar com a outra - me trouxe mais uma dessas pessoas que vai passar ligeiro, (enton bora aproveitar que o tempo é HOJE!) e por isso a gente se joga num rasante kamikaze sem medo algum do futuro, apenasmente pq não vai haver futuro. Dai que a pedinte que vos escreve passou uns dias no melhor dos albergues: comida boa, roupa limpa e cama quentinha!!! hihihi

E agora, pensando no derradeiro breve e irretorquível, fico cá me perguntando se um dia merecerei algo maior que isso... mas é um pensamento. c-a-p-e-t-i-c-e. Não lhe dou muita importância e sigo, gratíssima à vida, (e à minha praticidade habitual!) numa alegria franciscana por ter alma pra viver essas miudezas e achar lindo como eu, de fato, acho.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome... Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

__________________________________
Caio Fernando de Abreu, para O Estado de São Paulo em 22/4/1986

UPIDEITI: Epifania é o caralho! humpf

03 agosto 2008

SOBRE FRIDA KAHLO

[giga parênteses] Ando bem pobrinha por conta do meu desemprego. Pobrinha e com muito tempo ocioso, o que é ótemo. Dai que depois que aprendi a colar uma titica de legenda num filme nacional(!?), eu fiquei me achando a ninja da pirataria e parti pras minhas velharias estrangeiras: depois de baixar torrent, filme, legenda; depois de constatar o quão porcas podem ser as traduções, depois de descobrir que nem sempre legendas vem sincronizadinhas com o filme, depois de aprender a sincronizar e descobrir, putíssima, que tem gente que gosta de legendas sombreadas e fazer tudo de novo só pra cola-las, branquinhas, limpas como devem ser, depois de muitas perguntas a deus google, eu finalmente aprendi o processo todo. [/giga parênteses]

Enton, foi um parto, mas consegui. O primeiro torrent foi de "Frida", de Julie Taymor (2002), que essa mulher me persegue há meses. (há anos se for contar desde a 1ª vez que ouvi Adriana Calcanhoto falar sobre as suas cores...) É que Caio Fernando Abreu me instigou a curiosidade quando escreveu sobre. Como ele também tentei fugir, amedrontada pela feiura de seus quadros (ciente do sacrilégio, mas aquilo é bonito, gente?), pelo bigode indecente e o olhar que, parece-me, partiria qualquer um em dois. Eu tentei, mas gente que sobrevive a si mesmo exerce sobre mim um fascínio inexplicável.

Eu tenho as "Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo", e por isso já sabia que ela é uma daquelas pessoas que Deus faz na sovinagem, uma-a-cada-vinte-anos, sabem? Mas claro, curiosa/masoquista do caralho, não me dei por satisfeita, praguejei contra a criatura que compilou aquele miserê de bilhetinhos, que não era crível que aquilo fosse o melhor a se publicar sobre essa mulher de chumbo, e parti pro filme torcendo pra que fosse fiel, razoavelmente bem produzido, e, sem querer pedir demais, imaginem, baseado em algum diário ou qualquer coisa que o valha.

Pois o que vi foi exatamente o que conclui ao fechar o livreco:
quanto mais triste mais bonito soa! A mulher sofreu tanto, mas tanto, que pra dar conta da vida só com aquele (bom) humor. Aliás, só pode ter sido dor o que a fez querer se consumar, ao invés de, bovinamente, se consumir. É um luxo não expor a própria desgraça à comoção pública. A inteireza, a valentia, a robustez dela vara os anos e deveria envergonhar a nós todos que vezenquando cedemos à capetice de uma pseudo resignação, vestindo de impossível o que é difícil e não temos coragem pra batalhar.

Fecho com o moço citado acima: sei que seja qual for a dimensão da minha própria dor, não será jamais maior que a dela. Por isso mesmo, eu a suportarei.

N.A.: Pra fazer justiça ao livreco, suas últimas pags. trazem o texto que Frida escreveu para o catálogo de uma exposição em homenagem a Diego Rivera, que é de chorar muito num cantinho! Que-amor-é-esse? Vejam o filme, leiam o texto e me contem se conseguem enxergar um décimo do que ela viu nele. Uma das ex mulheres de Rivera disse que seu jeito de olha-lo era esse: encontrar beleza em suas imperfeições (que não eram poucas, registre-se!)

Adivinhem? Agora eu quero "O Diário de Frida
Kahlo"!!! Já estou vendo que vai ser a mesma gastura pra encontra-lo como foi "O Cavaleiro da Esperança" (né, tri? rs). Aliás, encontra-lo num preço pagável, que já disse que ando pobre pobre de marré...

26 julho 2008

A-B-A-Ç-A-I-A-D-O*

E o que resta sem sentido
Fico perdido, sem direção
Fico danado e nado o que for preciso

Em busca de um porto pro meu coração


Já tem bastante tempo que não se passa um dia sem que eu me pergunte "que faço da minha vida?". Isso até seria bom se eu não tivesse 30 anos e por conta deles, trocentos alarmes - emocionais, hormonais, afetivos, sociais, espirituais - apitando renitentemente. E eu nem sei dizer de onde vem tanta ansiedade, já que numa olhada panorâmica (e displicente, claro) parece estar tudo no lugar. Tenho até vergonha de ser tão reclamona... tanta gente vivendo uma vida cachorra e eu aqui, em constantes e inúteis crises existenciais. aff. Até quando, jesuiscristo?

Anubliado clareou
Chão barreado não esconde a cor
Nas lembranças que eu trago meu perdão e meu rancor

Vivo repetindo pras pessoas que nem o vento consegue ajudar barcos que não sabem pra onde vão e só agora sinto o peso de cada palavra. É confuso, não me sinto perdida, mas tecnicamente, quando andamos léguas e não chegamos a lugar algum é pq nos falta direção, né? (percebam que a criatura NÃO se sente perdida...) Poizé, não me sinto. Na verdade não sinto nada
. ( socorro, alguém me dê um coração que esse já não bate nem apanha...) Nada, fora o mui familiar senso de inadequação. rs

Abaçaiado se irritou
No outro lado fica quem não atravessou
Se hoje abaçaiado canta

É porque ontem já chorou


Depois de anoooooos numa empatia franciscana, de uma civilidade que beira a idiotice, eis que ando tão demasiado humana que nem me reconheço. (Se há algum mérito nisso, meus novos erros tem me feito bem mais tolerante com os erros alheios. hohoho)

* Abaçaiado e outras pérolas estão n´O Segundo Ato d´O Teatro Mágico. BAIXEM. Se quiserem o torrent, eu mando, só pedir!

18 julho 2008

SOBRE A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA DOS MEUS MELHORES DEFEITOS

[republicar]

Já confessei aqui o (mau)hábito de comentar as coisas que leio. Desta vez, pra poupar o povo dos meus achismos sobre Nietzsche, resolvi só escrever:

Do meu ar blasé:
"Um espiríto livre... assim se vive, não mais nos grilhões de amor e ódio, sem SIM, sem NÃO,voluntariamente próximo, voluntariamente longe, de preferência escapando, evitando, esvoaçando, outra vez além, novamente para o alto... "

Da minha invencível credulidade:
"De fato, uma fé cega na bondade da natureza humana, uma espécie de pudor frente à nudez da alma podem realmente ser mais desejáveis para a felicidade geral do homem... e talvez a crença no bem tenha tornado os homens melhores, na medida em que os tornou menos desconfiados..."

Das reincidentes crises existenciais:
"É mais difícil afirmar a personalidade sem hesitação e sem obscuridade do que dela se liberar...além disso, requer muito mais espírito e reflexão."

Dos extremos da minha sinceridade:
"A mentira exige invenção, dissimulação e memória... quem conta uma mentira raramente nota o fardo que assume, pois para sustentar uma mentira ele tem que inventar outras vinte."

Da incompetência emocional:
"Por que superestimamos o amor em detrimento da justiça e dizemos dele as coisas mais belas, como se fosse algo muito superior a ela? Não será ele visivelmente mais estúpido?"

Dos subterfúgios do vacabulário:
"Escritores que não sabem dar clareza as suas idéias preferirão os termos superlativos mais fortes: o que produz o efeito semelhante à luz de artoches em emaranhados caminhos da floresta."

Da tolerância sorridente (e pedante tsc):
"Muitas ações são chamadas de más e são apenas estúpidas, porque o grau de inteligência que se decidiu por elas era bastante baixo."

Dos gostos discutíveis:
"A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez... mas que lentamente se infiltra, a que levamos conosco quase sem perceber."

Da febre de sentir:
"Quem já escreveu e sente em si a paixão de escrever quase que só aprende, de tudo o que faz e vive, aquilo que é literalmente comunicável."

Da indolência habitual:
"Quando se é alguma coisa não é preciso fazer nada - e costuma-se fazer muito. Acima do homem produtivo há uma espécie mais elevada."

[/republicar]

N.A.: um leitor mais atento sugeriu na época um outro tópico, "textos truncados". Segue íntegra do comment:

Anônimo
20/10/06 13:53

Eu já te leio há bastante tempo. Não comento sei lá pq, fico sem jeito... sou naturalmente invasivo. Mas hj que falou do Nietzsche não tem como. rsrs Entre os seus defeitos (que eu acho uma delícia) vc esqueceu de citar os "textos truncados", a respeito dos quais ele tb falou no livro:"o vago é necessário pra tornar distinto"

Termino com um recorte que tá me queimando por dentro:
- Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia, disse Nietzche.
- Como assim, não oferecer companhia?
- Por não prezarem as coisas que prezo! Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo.
bjs, MAX

13 julho 2008

EU HOJE JOGUEI TANTA COISA FORA...

Ontem andei revirando minhas velharias. Incrível minha capacidade pra nostalgia: cartas, fotografias, bilhetinhos, guardanapos do Bob´s com tels (que eram só tels., fixos. Nada de celulares ou Nextell rs), passagens rodoviárias (crê que eu guardei o bilhete do Barra Mansa X Campo Grande que me levou para UFRRJ pela 1ª vez?), poemas, músicas e alguns textos que – eu nem me lembrava – se salvaram do impulso incendiário que pariu este blog... bem, até ai uma faxina no guarda roupa e na alma e só. Agora, minha criança, um exorcismo quase foi depois de 15 anos finalmente dar cabo num certo frasco de perfume, dado por um certo ser que não merece exumação, que apenasmente por estar lá me olhando cada vez que abria a porta, me remetia aos tempos idos e nem-tão-saudosos-assim, onde o amor era medo e eu achava melhor acordar sozinha...


Mas pq estou te dizendo essas coisas, retrocedendo à modernidade e te enviando uma carta ao invés de um scrap ou depoimento? Oras, pq talvez isso fique meio grande. rs (no que há de me perdoar, que esses surtos são piegas mas amigas são sempre perdoáveis!) Mas tb pq acho que quero retomar meu (bom) hábito de escrever às pessoas... andei muito tp ensimesmada, ocupada com minhas próprias novidades e me dou conta que pouco ou nada sei de meus amados.


Sobre isso, próprias novidades, não só o look é novo! Embora ainda seja a mesma e viva como os nossos pais, é com incontido orgulho que constato que sou outra: outros olhares, outras crenças (menos ortodoxas talvez mas igualmente apaixonadas!), outros gostos... a mesma curiosidade de sempre. O mesmo senso de inadequação, a mesmíssima instabilidade e, felizmente, isso já não me assusta mais.


Pra estar um cadim mais perto do que mereço/preciso, depois de peregrinar por terras tão áridas e distantes que quase nem reconheço como propriedade minha, só me faltava um amor daqueles quentinhos, de manhã cedo, com gosto de hortelã e cheiro de mato molhado... enquanto esse não chega, tenho vivido algo menos (beeeem menos eu diria!) ordinário. Cinestesicamente delicioso e moralmente questionável. hohoho Me fez mais viva, me faz mais corajosa e me fará – certeza – me fará mais gente. Amém. rs Terapeuta diz e eu quaaaaaase concordo, que ele está me ensinando a lidar com a finitude das coisas, que eu sempre acabo com elas antes do final pra não precisar lamentar a perda. Que nobre jeito de desperdiçar a vida, não? Nobre e tristíssimo. Covarde, maniqueísta e em vias de superação \o/


Estamos na fase do “quem vai dizer tchau?”, dói fininho às vezes. Mas como ninguém foi embora a-i-n-d-a, manda a verdade que se diga que estamos mesmo é em fase nenhuma, mortos de pena pelo derradeiro inevitável, procurando um meio termo razoável entre o que é bom e o que é correto. Cá comigo, secretamente, alimento a vaga esperança de um dia acordar absolutamente assexuada em relação a ele e acabarmos bons e castos amigos. Prematuramente meio brochas. Divertidos, serenos, gratos e cúmplices ad eternun. O top da urbanidade, convenhamos.


Fico por aqui te desejando, pra hj e pra sempre, amor pra recomeçar.

Conte-me de vc, se quiser. Do contrário, recebe meu carinho e abraço sufocante.
bjs meus, te amo pra sempre.


N.A.: 1ª cartinha que segue com destinatário específico e real. É que pretendo retomar o bom hábito de escrever às pessoas. Minha reação contra toda essa coisa monossilábica e impessoal que se tornou a comunicação, subproduto da capetice que é o orkut... mr Postman right tech!!

06 julho 2008

CAIO FODÁSTICO ABREU

Tenho alguns livros desse homem e ainda não sei dizer se gosto ou não. Aliás, saber eu sei:

A-m-o. Amo o jeito dele de comer a última palavra da frase; amo esse estilo que me confunde e se não prestar um cadim de atenção me perco entre o que é dito, pensado ou sentido pelas personagens; amo os lapsos na cronologia dos fatos; amo as frases cruas e a (in?)previsibilidade emocional, que me remete ao caos cinestésico no qual estamos todos imersos, afinal; amo a fragilidade latente, que só vira agressão pela mais absoluta canhestrice.

O-d-e-i-o. Odeio aquele turbilhão descritivo que me torna incapaz de imaginar o que ele quis que fosse importante nas frases; odeio quando ele faz a loucura e a sordidez humanas nos parecerem mais familiares; odeio tudo ser tão factual, consumado, irretorquível, tristíssimo... odeio tudo estar a um passo da histeria e ainda assim ser perfeitamente compreensível. (Na verdade eu acho que odeio mesmo é que isso pode ser um indício da minha histeria hohoho!)

E é isso. Odeio-te, meu amor! rs

(mudando de assunto, mas nem tanto, alguém concorda comigo que escolheram mal a adaptação de Caio F. pros cinemas? Onde Andará Dulce Veiga tá me parecendo tão comercial qto Cazuza, O Tempo Não Pára. tsc Pra fazer jus ao talento do homem, deviam filmar Pela Noite, dai teríamos o nosso próprio Segredo de Brokeback Mountain, que perderia na fotografia mas seria um escândalo de roteiro e interpretações!)


N.A.: e pr'os que ainda não se deram conta, esse blog é um diarinho. E já que acordei numa mulherzice insuportável - de novo - termino falando do meu coração, pinçando as frases dele (as mais desarmadas, e por isso verdadeiras e por isso², belíssimas):

Nave, ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota, pedra, lata... passei o dia pensando — coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação — repetido, invertido — ação, cor — sem sentido — couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham.

Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água.

Meu coração não tem forma, apenas som.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar.

Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos — ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Recortes de "Na Terra do Coração", em Pequenas Epifanias.


ET: A quem interessar possa, eu ando muito precisada desse livro ai ó, o "Pequenas Epifanias"... "Cartas" tb faria uma criança feliz, muito feliz eu diria. rs