Vida no Rascunho

SÉRIE O BONEQUINHO VIU Nº 3

Estou assistindo (en retard como sempre!) Queridos Amigos por caridade alheia: quando passou eu não vi pq era tarde demais pra mim, que viro abóbora bem antes da meia noite. Mas graças a uma comunidade bacaníssima do orkut, Filmes Brasileiros (Download), onde o povo disponibiliza verdadedeiras pérolas tupiniquins (trastes tb, mas enfim, viva o cinema nacional!) e graças a Dmitry - um russo com coração brasileiro - que consome tudo via Globo Internacional e nos fez a gentileza de atualizar todos os links expirados, eu posso assistir na hora que eu quiser, quase um ano depois!

Baseada na vida da autora, Maria Adelaide Amaral, ambientada em novembro de 1989, a minissérie mostra amigos que sobreviveram à ditadura militar (e a si mesmos!)
se reencontrando depois de 8 anos de dispersão física e emocional. Que mais precisaria pra me prender a atenção, eu que sou levemente subversiva AND a mãe da nostalgia? rs

Além do deleite de ver os atores que admiro esbanjando talento;

Além de Fernanda Montenegro e Aracy Balabanian estrategicamente coadjuvantes;

Além de Luiz Carlos Vasconcelos irritando o mundo com a covardia de Ivan;

Além de Maria Luisa Mendonça justinha na patetice de Raquel;

Além de Debora Bloch assumindo o ônus das más escolhas de Lena sem decair
em dramalhão;

Além de Matheus Nachtergaele (meu feinho do coraç
ão, lembram?) encarnando mais um comunista;

Além de uma trilha sonora que enriquece as cenas mais simples;

O enredo ainda tem o plus me instigar pe
ssoalmente: que notícias me dão os amigos? Ando numa curiosidade doida, querendo saber de todos... lamentando um tantão quem a vida já levou e mais ainda quem foi embora com as próprias pernas. Aliás, conseguimos dia desses juntar amigos de faculdade que não se viam desde a formatura!!! E espero pra esse ano ainda, rever minhas tri-amadas. (viu, Mô? viu, Candice?) e se Deus ajudar, ir conhecer Jana.

Bonequinho aplaude de pé:

Guilherme Weber, o melhor gay que eu já vi!!! Pq além de viado com V ele é mau e os maus são os melhores!! Pq além de viado e mau, lá no fundo ele é bonzinho!!!

Dan Stulbach e seus olhos irresistíveis numa overdose de tolerância, num nível que só moribundos atingem

Denise Fraga lutando contra seus fantasmas numa docilidade que beira a loucura, mas mesmo assim invejável.

Odilon Esteves
o-que-é-esse homem??? Perfeito!!! Afetado como todo viado-star, mas delicadíssima e generosa.
Eu tinha certeza que já tinha visto aquele queixo em algum lugar, mas demorei uns 5 capítulos pra lembrar onde: Frei Tito em Batismo de Sangue!!!






SINTONIA x PROBABILIDADE

Dia desses Gab e eu estávamos no MSN divagando sobre isso dos nossos interesses dificilmente serem recíprocos, possíveis, descomplicados...

As vezes fico pensando em quantas pessoas bacanas devem ter no mundo pra eu perder tempo justamente com gente que não merece. Jana lembraria do meu dedo podre, da minha vocação pras más escolhas (e eu meio que concordaria, mas argumentando que excentricidades me atraem). Gab até consideraria a possibilidade de outros condicionantes, mas acha que tudo é questão de sintonia e química.

Sendo apenasmente uma questão de sintonia: como ondas de rádio!?! Vc sintoniza e escuta. Se gosta do que ouve, vira um boa cia. Se não, procura outra faixa. (num mundo cada dia mais autocrático nem soa tão mal assim escolher as pessoas como se escolhe música...rs)

Perguntei se não seria cisma. Pq eu me conheço e sei que qdo cismo com o vivente é f-o-d-a. De maneira geral enquanto não gasto todo o meu latim e ele não me gasta toda a paciência, não desisto. Felizmente o tempo tá me fazendo menos teimosa e nem tenho demorando muito para me conformar quando o interesse é unilateral...
(meu recorde de desapego é uma semana!)

Enton a gente empaca pq cisma? Isso mesmo? Que puxa... [entonação de Charlie Brown] E se não for tão simplista assim?

Ou não, se for absolutamente simples e irretorquível: tudo reduzido a lei das probabilidades!?! Probabilidades, acasos, oportunidades, disponibilidades... daqui, da minha vista do ponto, começo a achar que a relação é mais ou menos essa: as chances conhecer alguém disposto e disponível são inversamente proporcionais a urgência de quem espera...
(pq disposto e indisponível é facil, disponível e indisposto é mais fácil ainda - vide Teorema Fundamental de Murphy)

Quando eu já estava dando esse texto por perdido (Gab foi e voltou do seu mochilão pela Europa e eu não escrevi mais nenhuma linha), tive uma micro-epifania sobre meus enguiços: eu empaco em algumas pessoas e situações por conta do meu eterno não-saber!!!

Pq não consigo me contentar apenasmente com o que é, despudoradamente alheio a minha vasta psicologia de boteco.

Pq eu quero-pq-quero esmiuçar o subjetivo da coisa - pretensão duzinfernu! - pra me parecer ao menos razoável.

Pq eu vivo pra exumar as interrogações que jazem com o ser que desencarnou do mundo das minhas possibilidades. (as tais verdades difíceis de suportar de lady Lispector, sabem?)

aff... será que eu ainda tenho conserto?

ADVOGANDO EM CAUSA PRÓPRIA

Eu já disse por aki que meu superego está ficando gagá? Pois está! Depois de anos a fio me atentando o juízo e em guerra sem tréguas com o id, parece que ele está se dando por vencido, se conformando com a impotência. Maaaaaans como todo senil tem lá seus lampejos de lucidez, devo confessar que eu sou uma fraca. hihihi

Por falta de vergonha na cara, por não ter nada a perder, por irresponsabilidade, por capricho, por carência e por um tesão inexplicável, cá estou eu de novo-outra vez-novamente com os dez dedos lambuzados numa (naquela mesma!) situação moralmente questionável e cinestesicamente deliciosa. E pior, cheia dos argumentos:

Transgredir é transcender. Nossa história não teria mártires no campo político, científico, religioso, cultural e artístico caso fosse possível transcender sem colocar em risco a sobrevivência da espécie (...)

Da mesma forma que a tradição precisa da traição, que a preservação precisa da evolução, que o acerto de hoje dependeu do erro de ontem, o contrário também é verdadeiro. Porque a evolução só é possível quando existe uma manifestação para ser contestada, aviltada.(...)

É obvio que transgredir não é da ordem do positivo absoluto e todos sabemos que o herege de ontem é a possível mutação de hoje, mas pode também ser o câncer do dia. O animal de todos nós tem compromisso absoluto com a preservação, seja ela obtida através do ato de preservar ou de mudar. O problema, no entanto, está no fato de que é impossível mudar sem se expor ao erro absoluto. Muitas evoluções tiveram, ao longo do tempo, o "simples" custo do próprio desaparecimento. Mas o movimento é inexorável. A mutação é imperativa para a continuidade e ela jamais ocorrerá sem a tensão inerente ao fato de que o caminho da saúde poderá ser, na realidade, o da doença. O transgressor tem muito medo dessa percepção. Ele precisa da tradição e dos tradicionalistas para permitir suas incursões em determinado inferno ou paraíso.

Nilton Bonder em " A Alma Imoral"


O QUE MAIS VC QUER?

Hoje eu acordei mais chata que o habitual... sabe aquele bicho que te morde as vezes e te deixa insatisfeita com tudo e com todos? Dai por pura polianice tu olha em volta procurando algo pra te encher de gratidão e te calar a boca reclamona... poizé, olhei, até vi um monte de coisa bacana mas eu quero mais. tsc Eu sempre quero mais...

Quero não ter condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.


Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.


Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa.


Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.


Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as coisas que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.


E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa para mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir.


O que eu quero mais? Me escutar e obedecer meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, maridos, filhos e bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã.


E quero mais tempo livre. E mais abraços. E receber mais flores.


Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Martha Medeiros em Doidas & Santas


E TUA ALMA, TEM PESO DE QUE?

Para ler ao som de Oração ao Tempo, na voz de Bethânia, claro!

Dessa vez o mote foi de Candice, que, não bastando a audácia de confessar que sua alma tem o imaterial peso da solidão no meio de outros inda deixou, especialmente para o meu deleite, reticências em forma de pergunta: - e tua alma, tem peso do quê?

Pois já respondo, tri-amada, que não resisto a uma pergunta, mas antes devo dizer que o texto é antigo, daqueles de status "impublico". Mais um dos que o tempo mitigou toda a acidez... bora lá:

MARCO ZERO

Que lástima um dos meus sentimentos mais ferozes ser tão infértil!

Será que se eu deixasse ele morreria de velho, perdendo a virilidade e a lucidez com o passar do tempo? Ou morreria de desgosto quando topasse com a verdade dos fatos, fora todo o subjetivismo e canhestrice do qual foi vítima? Morreria fulminado por um enfarte, de repente? (essa possibilidade muito me agrada! rs)... tsc o mais perto que já consegui chegar de estar apaixonada (com todas as incoerências inerentes a) e eu preciso enterrar ainda vivo, por absoluta falta de opção!!

Não ser alcançada em meus abismos e labirintos já dói em paz e faz tempo. Cretinamente conformada. Ninguém merece mesmo esses seres densos-e-verborrágicos-e-over-pensantes-e-detalhistas-que-precisam-entender-tudo-sempre. Mea culpa, mea maxima culpa. Dói em paz e eu nem lamento muito.

Bem, eu nunca h-a-v-i-a lamentado muito... hoje, depois de permitir que minha idiotice fosse atestada de novo, eu não só lamento com todas as fibras do corpo como gostaria de, extraordinariamente, ser compreendida. Entende? Eu dizendo "A" e "A" sendo assimilado sem os tradicionais lapsos na comunicação... gastaria todo o meu latim, repetiria 1000 vezes, desenharia, faria qualquer coisa se isso pudesse mudar uma linha que fosse nessa história. Até ontem, só doía lá onde a prepotência me acha perfeita, absoluta, assertiva, irretorquível. Lá, no pedacinho de mim que acredita que quem fala a verdade não merece castigo.

É a 1ª vez que não viver boiando na superfície dos fatos nem confiar no aparente me dói inteira:

dói na alma, numa espécie de presságio por tudo que ainda irei perder por não ser capaz de me contentar apenasmente com o que é, por querer saber a qualquer custo o que pode haver entre um sim e um não;

dói no coração, num luto eterno por tudo que morreu nas mãos inépcias dos que me ouvem sem escutar;

e dói no corpo que, saciando em outros corpos sua sede de pertença, se sente cada dia mais virgem, inóspito.

Não sou eu quem vive buscando inteireza? Pronto, os caquinhos estão todos ai no chão, só juntar e colar agora! rs

Em tempo: lamúrias-pós-enrosco-afetivo, claro. Manda a verdade que se diga que ele - o sentimento - não enfartou nem esclerosou... digamos que já lhe cairam alguns dentes, que anda meio brocha, mas segue numa lucidez diabólica: vezenquando me atentando com a curiosidade inútil de querer saber quando foi que a coisa começou a perder o prumo, vezenquando me adulando, repetindo baixinho que viver é melhor que ser feliz.

ESSE VAZIO ENCHE

Confesso minha necessidade de entender qual a verdadeira mensagem que a pessoa quer passar. Isso já resultou em interpretações lamentáveis. Por sub ou super estimar a pessoa que estimo. Sim, porque aos outros me detenho a apenas pedir "desculpas" ou dizer que "não há de que" nesses casos. Respectivamente.

Inspirada pela catarse dessa moça, sempre tão contida e sobre-todas, que raramente publica coisas mais viscerais, cá estou pra fazer coro: eu tb preciso entender!!! Não ditos me gastam, de entrelinhas bastam as minhas e elas estão restritas ao rascunho. Na vida real eu preciso é de consistência.

E em busca de uma pretensa - e per si inatingível - exatidão eu encho o mundo (e as pessoas) de perguntas: como assim? Como assim não sabe? Como assim inseguro? Como assim feliz? Como assim triste? Como assim ansioso? Como assim apaixonado???? Numa única frase quase nunca cabe tudo que eu quero saber. tsc

É que eu sou hiberbólica e (por isso?) o mundo me soa eufemista:

- Tudo bem?
- Tudo.

Como assim t-u-d-o-p-o-n-t-o??? Tudo como? Tudo quanto? Tudo tudo? Ou tudo mais ou menos? O que vc quis dizer com isso? Tanta concisão meio que agride minha indiscrição nata, sabe? Custa tanto assim mais dois pontinhos? Reticências me dariam algum espaço para seguir invadindo: - Enton me fale do tudo!

A linguagem/comunicação dos outros é fática e a minha, metalinguística (que pretensão pouca é bobagem). Sempre quero enxergar além do que se vê, o que é lindo mas deve ser um fardo bem pesado pros meus amados hohoho

Mas... e o silêncio? O que você não quis dizer com isso? O que REALMENTE você NÃO quis dizer com isso? Se as palavras têm suas armadilhas, o que dizer do silêncio ensurdecedor? Por amostragem de quem pouco sabe da vida simplesmente porque ainda pouco viveu, digo que na maioria das vezes tomo como falta do que falar mesmo...

Mais: o que depreender do silêncio? (daqueles reticentes, cruéis, ok?) Covardia? Falta de assunto pura e simples? Maldade? Generosidade? Mansidão? Cansaço? Desistência? Incompetência? Canhestrice? Eu não sou tão magnânima quanto Talinha e nunca acho, nem nos sonhos mais rosinhas, que silêncio possa ser algo tão isento de culpa ou dolo.

- O que vc não quer dizer? Pq vc não pode dizer? O que vc quer não dizendo?

E assim eu - o avesso da escassez alheia - vivo me afundando, verborrágica e levemente paranóide, nos abismos entre o que me dizem e o que entendo. tsc Quanto desperdício de energia!


MURPHY E EU

Affair antigo nós dois. Uma relação de amor e ódio, obsessiva, desgastante, que mina toda minha resistência e bom humor.

Eu nem ia contar aki mas finalmente vou me livrar dos meus miomas. Já que deu tudo errado (ou tudo muito certo, vai saber!) bora lá reclamar da vida:

Quem me conhece sabe que eu morro e ressuscito ao 3º dia mensalmente: cólicas absurdas e sangramentos mais absurdos ainda. Dai que depois de uma ultra som, uma videohisteroscopia e uma ressonância magnética inesquecível, eis que descobri que os culpados pela minha vida severina são 2 leiomiomas submucosos adultos e bem nutridos (tenho tb um leiomiominha subseroso bb praticamente inofensivo ainda)

Como agora eu sou uma mocinha que trabalha e que está gostando muito do emprego novo, não poderia me dar ao luxo de 20 dias de resguardo, né? (e tem graça fazer resguardo sem ter parido!?) Dai que optamos por um procedimento menos invasivo, delicadinho mas bem simples, que me renderia apenasmente 2 dias de dispensa médica. Mais alguns exames, idas ao hospital e uma avaliação anestésica depois, finalmente marcamos uma data (tipo, uma eternidade se passou desde o diagnóstico!)

Seria hoje, pessoas!! Mas a médica que iria auxiliar a cirurgia tem um paciente em risco de morte e não pôde vir. E a minha médica não encontrou mais ninguém pôr no lugar. E eu nem posso reclamar, afinal não estou morrendo. Detalhe: ela não sabe quando poderá me operar!!! grrrrrrr

Dai que pessoa comunica RH, gerentes e supervisora, envia e-mail esmolando visita, põe comunicado de ausência temporária, desvia as ligações do seu ramal e vai trabalhar no outro dia!

Brilhante, Murphy! Vc se supera! tsc

MY ZINC BED

Foi o filme que salvou meu domingo.

Me prendeu a atenção quando começou a questionar com lucidez - e a crueldade inerente a - o papel dos Alcoolicos Anônimos na vida do dependente químico. O discurso de uma das personagem é que o grupo está menos interessado na cura do sujeito e mais na sua ativa participação nas reuniões de apoio. Ele sugere que o AA funciona para afastar o alcoolatra dos bares e de todas as ocasiões que envolvam ou conduzam à bebida mas todas as "estratégias" para ajuda-lo a não tomar o primeiro gole acabam por minar sua auto estima, convencendo-o da sua total incompetência diante da vida e, por tabela, diante de tudo e todos que possam levá-lo a beber.

Bem, sempre tive comigo a idéia - impronunciável claro! - de que havia alguma coisa errada naquela coisa de "Admitir que somos impotentes perante o álcool - que perdemos o domínio sobre nossas vidas" Do topo da minha sobriedade eu achava que sim, as pessoas perdem o prumo. Sim, o vício é uma praga, uma doença. Sim, sem ajuda é muito difícil andar pra frente. Maaaaaas qdo eu conversava com adictos em tratamento eu encontrava neles o mesmo discurso depreciativo e outras variantes de dependência. Os caras trocaram os porres por uma vida blindada, avessa a emoções fortes com as quais haviam lhes dito que não eram capazes de lidar. Ok, não resta dúvidas de que a troca parece a mais acertada e libera família e amigos pra viverem suas vidas em paz. Mas qual o preço?

Informar um alcoolatra de que ele bebe pq não tem controle sobre si resolve 1/2 problema e cria pelo menos mais 1: se ele não tem, vai precisar ter por perto alguém que assuma esse controle, e isso é, sem grandes floreios, transmitir aos outros uma responsabilidade que é sua. Eu já passei pela constrangedora situação de oferecer bebida a um alcoolatra e receber olhares fuzilantes. Na época lamentei tanto quanto não oferecer refrigente diet ao diabético que também estava conosco... ok, não me custa ser complacente por 2 ou 3 hrs, mas acho injusto que pais, mães, maridos, esposas, filhos etc sejam escalados como anjos de guarda eméritos. A pessoa precisa se comprometer consigo mesma, do contrário nada funciona. E se aparentemente funciona, estraga alguma outra coisa.

Dai que estender essa estratégia de preservação às religiões foi um passo curto: é um outro achismo, mas esse discurso temerário de que o mundo é mal e que é preciso renunciar a ele pra ser feliz é deixar o padre/pastor decidir por vc. (e há ecos desse pensamento em todas as religiões: é o mesmíssimo nirvana budista, só que esse tá mais na moda.) Claro que não estou cá a pregar o hedonismo, quem me conhece sabe que sou uma santa... rs mas o fato é que nossa vida tem que ser feita de nossas escolhas e não as dos outros. As deles nos servem - quando muito - de inspiração.

Outros temas igualmente nevrálgicos se desenrolam a reboque: por ter uma auto estima comprometida, os adictos morrem de culpa o tempo todo. Por serem conscientizados de sua inépcia emocional e social, sabotam suas boas iniciativas e desacreditam de suas qualidades. E algo que me comoveu muitíssimo: com que espontaneidade que discursam contra si mesmos! Dão sólidos argumentos pra provar o quanto não são confiáveis!

Muito grata a Deus por não ter nascido com essa inclinação, sensibilizada até as lágrimas pela vida cachorra que essas pessoas levam,
(e, claro, meio besta por ver meus achismos mais uma vez virarem filme hohoho) fico pensando em que pedaço do caminho suas almas se estilhaçaram desse jeito...

ERRAR É APRENDER

Como já disse no post passado, estou lendo "Doidas & Santas" da Martha Salve Salve Medeiros. (e isso deveria melhorar um pouco o nível dos meus rabiscos. Ela sempre me dá ótemos motes...rs) Eu sentei com a idéia de escrever em cima de uma das crônicas, Obrigada por Insistir, que ela dedicou aos "empurradores", a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente! Dai comecei a pensar nas pessoas que já me empurraram nessa vida, em todos que - em atos, palavras ou omissões - me obrigaram a fazer alguma coisa por mim, desenvolveram minha resiliência, e, o-b-r-i-g-a-d-a para sempre, não me deixaram empacar no coitadismo.

Dai que, claro, acabei fugindo um pouco da idéia inicial. Mas bora lá:

Obrigada Wlader, por me ensinar que amigos e chefes não habitam o mesmo corpo.

Obrigada Deinha, por ser uma excessão a regra acima. (e me ensinar tanta coisa de excel!)

Obrigada Vinícius, pq depois de vc eu nunca mais vou deixar meu senso de civilidade engolir meu amor próprio.

Obrigada Clau, por me ensinar que amigos nunca fazem nada imperdoável. Se fazem não são amigos.

Obrigada Lica, por me ensinar que amizade pouco tem a ver com frequência e por sempre me dizer o que é pra dizer e não o que seria bom de ouvir.

Obrigada Ric, por aquela historinha de treinar cachorros. Foi de uma delicadeza que a gente nem é capaz. hohoho

Obrigada Flavin, por me ensinar que não tentar é desmerecer a possibilidade de conseguir.

Obrigada Bibia, pq suas ausências me ensinaram a amar com gratuidade.

Obrigada Beta, por me ensinar que ser gentil é mais importante do que estar certa.

Obrigada Luciano, por dar novos tons a alguns aspectos monocromáticos de mim. Sua tibieza só serviu pra mostrar que algumas coisas tem mesmo que acabar antes do final, melhor que seja assim.

Merci beaucoup!!!

Thank you so much!!!

Mille grazie!!!

Muchas gracias!!!

Herzlichen dank!!!


QUE LIVRO VC É?

Vi isso lá na Dani e parei tudo pra ir ver que livro sou eu...rs

Pode dar dois resultados? Como assim?

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.

"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.









Moderninha e solteira, ou radiante de véu e grinalda? Eis a questão da jovem (ou nem tão jovem) mulher profissional, cosmopolita e, apesar de tudo, muito romântica. Eis a sua questão! Confesse: quantas horas semanais você gasta conversando sobre encontros e desencontros sentimentais com as suas amigas? Aliás, conversando não. Analisando, destrinchando... Mas isso não quer dizer que você só questione a existência de príncipe encantado, não. A vida adulta hoje não está fácil para ninguém, como bem mostram as 100 crônicas de "Doidas e Santas" (2008), que retratam os sabores e dissabores da vida sentimental e prática nas grandes cidades.




Engraçado que estou mesmo lendo esse livro... Aliás, eu ia usar umas das crônicas como base pra um texto daqueles que há meses não se vê por aki ... rs

E vcs, pessoas, que livro seriam???

FERIADO CHEIO DE EMOÇÃO!

Enton que finalmente eu fui ver as Prateleiras do Parque Nacional do Itatiaia!


Gab, meu anjo mais novo, me salvou mais uma vez e lá fomos nós:

06:30 - eu em frente a minha casa esperando por ele, que tinha entrado numa rua errada. (e ele na porta de outra casa, em outra rua errada!)

10:00 - início da "escalaminhada" que nos levaria (quase 3 hr e muitos obstáculos depois) à base do Pico das Prateleiras.

13:00 - ambos congelando lá em cima e lamentando muitíssimo a neblina que literalmente embaçou a beleza de nossas fotos.

A caminhada é grau de dificuldade 3 a 4; a "escalaminhada", grau 5 a 6; as mãos voltam esfoladas; as pernas não obedecem... (e adicionalmente, que Murphy não dorme nem cochila, ainda pisei de mau jeito na metade do caminho e segui com o dedão latejando até lá em cima... mas como não há nada ruim que não possa piorar, o esforço físico - ao qual meu corpo j-a-m-a-i-s se acostumará - provocou mais um dos meus sangramentos inconvenientes. aff) mas eu faria tuuuuuuuuuuuudo de novo!!!

Saldo: um dedão doendo mais que o resto do corpo, uma máquina fotográfica avariada (e uma bronca de mãe por conta de), muitas fotitas lindas, e uns 5 anos de rejuvenecimento
\o/

Lição do dia 1: Foto adiada é foto perdida! Lá em cima a neblina tem vontade própria e temos que aproveitar os raros momentos de distração dela se não quisermos ter fotos com fundo cinza- sem-graça.

Lição do dia 2: Pra ir todos os santos ajudam... mas pra voltar, meu amigo, o caminho dobra de tamanho e vc triplica de peso.

Dêem um confere nas fotitas e digam se não vale cada pedra que a gente tropeça:

E digam tb se o Pico das Prateleiras não é um casal se abraçando...

MIMO DA MÔ

Com séculos de atraso, vim agradecer mais esse mimo de vaquilda e contar sete coisas que me fazem sorrir:


* Scraps engraçadinhos, comments espirituosos, visitas (in)esperadas...

* Ler alguma coisa que "agride", mostrar pra alguém e o alguém captar a essência da coisa;

* Constatar que minha sobrinha herdou os genes sadios da família: se parece muiiiiito comigo! (física, emocional e intelectualmente: no auge dos seus 3 aninhos ela já gosta de ler e escrever, já defende suas idéias com bons argumentos, gosta de filmes, Toquinho & Vinícius, fotos... rs)

* Aprender alguma coisa que julgava difícil;

* Conseguir "deixar passar o que passa";

* Dobrar minha indolência habitual;

* Perceber que tem coisas que o tempo não muda merrrrrrrrrrrrmo. E agradecer pelas tantas outras que ele, sabiamente, serenou.

Deixo o mote pra todos os amiguinhos que andam tão sem assunto quanto eu. (vcs perceberam que o ano está quase no meio e ainda não escrevi nada que preste???)


HOMENS BONS DE CONVERSA X HOMENS BONS DE VERDADE

Fernanda Mello escreveu sobre isso dia desses e deixou o mote no fim do texto: "que “sinais” que vocês já observaram e que devemos evitar nos homens para não nos decepcionarmos por aí?"

Bem, como meu espaço amostral não é tão vasto assim, cá está minha contribuição baseada apenasmente no que, pasma, ainda vejo acontecer com amigas:

- Se o ser é otemo num dia e no outro parece que vcs mal se conhecem: ou ele é bipolar ou as boas intenções dele tem uma vida útil muito curta (ok, pode ser que o time dele tenha perdido, mas de maneira geral isso sinaliza que vcs não estão na mesma pilha)

- Faltar assunto no msn não é exatamente uma tragédia, mas se acontece de vc ficar on e ele imediatamente ficar off, já era pra vc ter percebido: o problema é de conexão, mas nada de culpar a net/velox, sim?

- Que homem precisa de auto afirmação isso é fato consumado. Mas algumas coisas são imperdoáveis, sinais claríssimos de fiasco: ser agressivo/violento, dirigir colocando a segurança dos outros em risco (e a sua própria, ow!), portar armas brancas, beber demais etc...

- Elogios vazios e exagerados fazem mais mal do que bem, mas se o ser se diverte em explanar suas imperfeições ele tem problema!! (e vc tb, se acha isso tolerável)

- Com tantos meios de comunicação não há mentira mais descarada do que dizer que não conseguiu falar contigo. Se não ligou foi pq não quis. E ponto final.

- Seres que dizem que "precisam de um tempo sozinhos" estão dizendo na verdade que andam egoístas demais pra terem alguma consideração por vc. Não espere isso, sob pena de ouvirem um indigesto (mas levemente merecido) "mas eu não te prometi nada!"

- Seres que não respeitam suas namoradas não respeitarão vc. É pretensão sua achar que "comigo será diferente"

E agora as coisas que aprendi da pior maneira: sentindo na carne!

- As pessoas nos tratam do jeito que a gente a deixa. Se o ser fez uma coisa grave e vc, magnânima, relevou sem deixar beeeem claro o quanto doeu, sente e aguarde, pq ele vai fazer de novo.

- Se vc não se dá por inteiro não tem o direito de querer - mesmo secretamente - que o outro faça isso.

- A única pessoa no mundo que pode dar exatamente o que vc quer é vc mesma. Não espere que ninguém adivinhe suas precisâncias.

- Se o ser não presta atenção no que vc fala, com certeeeeeeeeeeeza não vai prestar no que vc sente.

- Homem distraído não é um defeito grave. Homem sonso é... pq no hall dos sonsos pode ter mentirosos amadores e profissionais. E como a gente nunca consegue medir esse tipo de talento com a precisão necessária melhor manter distância segura, né não?

DAS COISAS QUE EU TE DIRIA ONTEM ...

Desde de que vc foi embora, nada mais funcionou... sem vc não faço nada bem. Definitivamente, uma pessoa só não é ninguém... tsc

O que eu vou fazer se as lágrimas não secaram com o sol que fez? E como posso te esquecer se o seu cheiro ainda está no travesseiro?

Foi bom se apaixonar! Foi bom, é bom, e o que será? (por pensar demais eu preferi não pensar demais dessa vez...)

Foi tão bom! E porque será eu não vou chorar, você não vai chorar, ninguém precisa chorar... mas eu só posso te dizer, por enquanto, que nessa linda estória os diabos são anjos!!!

Eu não vou chorar, você não vai chorar, você pode entender que eu não vou mais te ver? Por enquanto sorria e saiba o que eu sei: eu te amo!!

rs... antes que eu visse vc disse e eu não pude acreditar: mas a vida arde sem explicação alguma!!!


N.A.: É isso que acontece com a pessoa raçuda, guerreira, treinando o desapego, que mesmo sabendo que a memória sensorial iria tortura-la com doloridos flashs nostálgicos, se mete a encarar um show do Nando Reis sem nenhum pegueti amigo suporte emocional, numa muherzice tepeêmica, e calibrada com 1/2 garrafa de Martini: perde a linha! hihihi

E VAMOS AO GABARITO...

1 - Eu já fui atropelada por um carro forte.

(V) Eu estava atravessando na faixa de segurança e com sinal aberto pra mim... não sofri um mísero arranhão, que meu anjo de guarda foi recruta de São Miguel Arcanjo!!!

2 - Eu nunca quis ter filhos.

(F) Houve um tempo que eu queria ter vários... impronunciável (e impraticável) mas eu queria uns 5. hohoho

3 - Eu tive 2 namoradinhos oficiais, na teoria. Na prática, nenhum.

(V) inclusive confessado no rascunho: eu só considero namoro qdo além de bjo na boca, há inteireza e reciprocidade. E até agora não tive a benção de tal simultaneidade: as vezes é inteiro mas não recíproco; algumas vezes eu achei que era inteiro e recíproco, mas era só solidão a dois; as vezes até é beeeem recíproco, mas qualquer cego enxerga que não seria inteiro nem no dia de São Nunca...

4 - Eu já fui catequista.

(V) Tenho 5 afilhados dessa época: eram adultos que tinham perdido a fase da catequese e eu atualizava o conteúdo, na minha casa, exclusivamente pra pessoa.

5 - Eu tenho uma fraqueza por ruivos, negros e grisalhos.

(V) Como Jana falou, tenho fraco pelos estranhos/misterioros/confusos tb. rs

6 - Eu não durmo, eu hiberno.

(F) Eu tenho insônia!!!! Não entendo mesmo pq diabos alguém que gosta tanto de dormir pode ter esse tipo de problema aff

7 - Eu passei 4 anos beijando uma única boca.

(V) Foram anos de fidelidade medieval, pessoas... rs

8 - Eu tenho amnésica alcoolica.

(F) Eu sempre me lembro das merdas que faço quando bebo. E hj em dia em nem bebo tanto assim...

9 - Eu nunca tomei café.

(V) Eu acho que o gosto é igual ao cheiro... e eu d-e-t-e-s-t-o o cheiro.

O DEUS DOS CATÓLICOS

[parênteses]Preciso responder um meme bacaninha que Mô passou, preciso passar o gabarito do post abaixo... mas agora que o assunto perdeu espaço na mídia e os ânimos parecem mais apascentados (inclusive o meu rs) eu preciso dizer que... [/parênteses]

Assisti a distância (proporcional a minha indignação!) e morta de vergonha mais uma demonstração do despreparo das autoridades eclesiais brasileiras. O tristíssimo acontecido em Alagoinha - PE e na sequência as temeridades cometidas - supostamente em nome de Deus - devem ter deixado o Todo Poderoso desidratado de tanto chorar... pelas vítimas e por seus vigários, que, tropeçando no próximo embaraço, discutindo aspectos que não atam nem desatam, prescindindo da verdadeira defesa da vida, só fizeram expor as chagas da Santa Igreja a apreciação pública.

Claro que Ele não precisa de advogados, mas me sinto na obrigação de registrar que o Deus dos católicos não é um mero expectador da miséria humana, ocupado em julgar e condenar:

O Deus dos católicos criou o universo com o poder de sua palavra mas quando criou o homem, o moldou com as próprias mãos.

O Deus dos católicos se deixa encontrar por todos os que o buscam de coração sincero.

O Deus dos católicos chama a todos pelo nome.

O Deus dos católicos é o princípio e o fim. E um dia levantará sua morada entre os homens e eles serão seu povo... Ele enxugará as lágrimas dos seus olhos e não haverá luto nem pranto.

(enquanto isso padecemos gemendo e chorando nesse vale de lágrimas rs)

O Deus que está no mais alto dos céus e diariamente no meu quarto velando meu sono não acha um aborto mais grave do que um estupro. Ele lamenta igualmente as duas tragédias e torcerá até o fim dos tempos para que em ambos os crimes seus autores se arrependam com todas as fibras do corpo. Contritos ou não, Ele os acompanhará, sofrendo com eles as consequências de suas más escolhas. Absolutamente em silêncio. Até o dia do juízo particular do vivente, onde serão pesados e medidos cada um dos seus atos e omissões. E qual o critério? Os graus de consciência, liberdade e vontade inerentes a cada decisão.

Isso não é utopia, não é achismo meu, é o que a Igreja ensina a respeito e desgraçadamente o sr. Bispo responsável pela excomunhão sequer se lembrou.

CES´T VRAI? CES´T FOU?

Peguei o mote da Jana tb, pessoas.

Aki eu contei 3 mentiras. Será que vcs saberiam identificá-las??? Passo o gabarito depois, ok?

1 - Eu já fui atropelada por um carro forte.

2 - Eu nunca quis ter filhos.

3 - Eu tive 2 namoradinhos oficiais,
na teoria. Na prática, nenhum.

4 - Eu já fui catequista.

5 - Eu tenho uma fraqueza por ruivos, negros e grisalhos.

6 - Eu não durmo, eu hiberno.

7 - Eu passei 4 anos beijando uma única boca.

8 - Eu tenho amnésica alcoolica.

9 - Eu nunca tomei café.

MEMES

O que seria da minha falta de assunto se não fossem essas coisas??? rs

Cabei de ganhar da
Chris*


Aproveitando, alguém me pediu pra listar particularidades... dai me lembrei que já havia feito isso láááá atrás e rolou um ctrl c básico:

1 - Minha mãe ensinou e - mesmo sentindo na pele que é só mais uma mentira de mãe - lá no fundo eu acredito que quem fala a verdade não merece castigo. Lamento mesmo isso não valer pra adultos. A verdade desarma, que eu já vi isso acontecer. Pq mais gente não acredita nisso, caraleos?

2 - Além de caipira eu também devo ser cafona. Simplesmente não sei me vestir para alguns eventos. Não sei e nem quero aprender, bem entendido. Brilhos, decotes, long
os e bla bla bla não me caem bem, definitivamente. (mas isso se percebe fácil, o que queria confessar mesmo é que eu deixo de ir a lugares que me exijam super-produções)

3 - Nem sempre consigo acompanhar os diálogos dos filmes legendados kakakaka e esse é só um dos motivos pra eu precisar de cia. pra assisti-los. (piada interna)


4 - Tenho deliberada má vontade com homem mimado.
Filhinhos-da-mamãe, queridinhos-da-titia, netinhos-preferidos-da-vovó, irmãozinho-caçula, protegido-da-professora, namorado-perfeitinho enfim... todas as variantes de homem excessivamente paparicado (pra naum dizer mandado) por mulher. Certeza de que são elas, bem-intencionadas ou não, que estragam a raça. tsc

5 - Gosto de observar os passantes, se forem estranhos enton, melhor ainda. (publico isso qualquer dia, prometo)


6 - Gentileza me comove, mais do que isso, me idiotiza. Se pedirem com jeitinho, me levam até a roupa do corpo.

7- Queria muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito, mas queria com força, saber tocar guitarra e bateria.

*Essa fofura valeria uma caricatura se eu indicasse 10 blogs e se eles entrassem na brincadeira tb. Eu até que gostaria muito, mas 10 sujeitos repassando um selinho? tsc. É esperar muito da boa vontade alheia, não?


RIC, MURPHY E EU

Poizé pessoas, como eu já havia dito, voltei de Chapada dos Guimarães uns 5 anos mais nova... (fotitas devidamente upadas no multiply - link ali em cima)

Sempre que vejo coisas assim deslumbrantes não consigo deixar de pensar no capricho de quem as criou. Bibia sabe que chega uma hora que eu emudeço e rolam grossas lágrimas por trás dos meus óculos escuros... rs Não entendo o pq de tanta comoção, só sei que é inevitável.

Claro que foi ótemo, que valeu cada centavo (e cada km percorrido, a pé ou de ca
rro!)... claro tb que Murphy, (quase) tão unipresente quanto Deus, nos seguiu bem de perto: acompanhou Ric desde Porto Velho e só nos deixou no último dia da nossa trip. rs Um verdadeiro BBB!!! (aliás, prova de fogo pra qualquer amizade hihihi)

Vejam que lindo:


O MEU CARNAVAL

Pessoas amadas, eu continuo sem assunto mas não poderia deixar de vir contar que estou indo ali abraçar alguém muito amado e ver umas coisas bonitas certamente nascidas antes do 6º dia da Criação, quando Deus Paizinho contemplou toda a sua obra e viu que tudo era muito bom.

Há tempos que quero conhecer, mas como é meio longe e quase ninguém gosta de ecoturismo, só agora que o universo conspirou... só não sei dizer se contra ou a favor:

horário do voo (com ou sem acento?) dificultando significativamente a chegada ao aeroporto;

uma zica inexplicável no meu cartão de crédito me fez pagar 110 a mais pelas passagens por conta de alguns dias: tentei comprar, o cartão não passou; descobri a zica e enquanto o banco consertava a GOL atualizava o preço;

demoramos pra fechar a pousada e a diária subiu de 65 para 100;

dormi na piscina dia desses e ganhei um bronzeado frontal bacana (e tb a expressa proibição de tomar sol sob pena de manchar - mais - a minha pele);

do lado de lá, o chefe do Ric garfou sem cerimônia alguma 1 dia do feriado dele;

dias depois, Ric é engolido por um buraco e fode o carro de novo;

Mas agora que eu decidi que não vou mais deixar de fazer as coisas só pq Murphy gosta de me dificultar a vida, eis que estou juntando meus paninhos e partindo pra Chapada dos Guimarães!!!! UHUUUUU

Volto cheia de fotos. ( e uns 5 anos mais nova, certeza!! rs)

SOBRE O MEDO DE SE APAIXONAR

Pela mais absoluta falta de coisas publicáveis pra dizer, deixo vcs em melhor cia. Estou inteirinha nas estrelinhas, devidamente negritada em frases que eu mesma poderia escrever, se talento tivesse.

Você tem medo de se apaixonar.

Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.

Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia.

Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz.

Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira.

Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.

Você tem medo de já estar apaixonada...
__________________________
Fabrício Carpinejar em "O Amor Esquece de Começar"

Série O BONEQUINHO VIU nº2

Não me lembro se já disse aki, mas no geral meus gostos são giga temerários... pra música, pra filmes, pra livros, pra cores, pra lugares e, como é de esperar, pra homens.


Com os de carne e osso, tocáveis, possíveis, beijáveis, a tendência é me enternecer pelas suas fraquezas ou excentricidades. Quanto mais esquisito, melhor. Se for esquisito e gostar de ler, mais 1 ponto; se for esquisito e tocar violão, mais 5 pontos; se for esquisito e o cheiro da sua pele for melhor do que o do perfume, mais 10 pontos.

Já com aqueles que são só pra olhar mesmo, pra prender minha atenção (pra desperta-la basta ser peludo!) tem que ter algum talento: escrever, pensar, cantar, compor, interpretar enfim... e como sabemos que muitíssimas vezes a competência é inversamente proporcional à beleza, eis os meus feinhos do coração:

Meu primeiríssimo é Matheus Nachtergaele, imortalizado por João Grilo d´O Auto da Compadecida. Pelo menos aos meus olhos de tiete todas as suas personagens são irretocáveis (fora pai Helinho de uma novela ai que não sei o nome): O Dunga de Amarelo Manga é tão bom quanto a Lady Di de Rodrigo Santoro em Carandiru. Só que o gay de Matheus tem mais mérito pq salvou o filme o desperdício total. Se vcs não acham possível gostar de um filme que rejuvenesce Mazaropi, vejam Tapete Vermelho e pasmem, como eu.

Meu 2º lugar é Caio Blat, que, do auge da sua magreza (bondade minha ou ele nem está tão magro mais?) dá show de interpretação independente da profundidade do texto. Pra ilustrar, comparem É Proibido Proibir com Batismo de Sangue.

Marco Ricca - fosse ele um "possível", eu ia propor casamento: além de (bom) ator, também é produtor, roteirista e diretor. Viram O Casamento de Romeu & Julieta? Apesar de Luana Piovani, foi bonitinho não foi? Vejam Canta Maria e, além de um conterrânea minha (Vanessa Giácomo é da terrinha!!), encontrem o ranzinza mais adorável do cinema brasileiro.

Chico Diaz explicita meu fraco por coroas... rs Estou até agora fascinada com o cangaceiro de Corisco & Dadá que ele compos divinamente misturando a rispidez dos povos castigado pela seca, pobreza e injustiças várias com os lapsos de delicadeza de que são, surpreendentemente, capazes.



Bonequinho sempre antenado!

IMPUBLICO

Sabe qual é o meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia (...) E eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. Constrange-me existir nesse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. E que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. Desejo-o porque desejo. Estúpida. Latina. Bethânia. Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude.

Fernanda Young em “Aritmética”
Se tivesse me sobrado alguma, eu teria vergonha de dizer que isso ai é mais uma das minhas verdades-de-ponta-da-língua, daquelas que a gente não verbaliza em nome do amor próprio. Poizé, não diria pq não faz parte do meu show, mas alguns dos parcos seres que pisaram minhas areias me despertaram tais níveis de estupor... estou até agora chocada, mas é me imperativo confessar: eu preferia ser apenas a Beatriz de Chico, altiva, envolta nos véus de seu mistério. Alguma tristeza, que senão faltaria beleza, mas irrepreensível em dignidade. Maior que as suas dores e por isso mesmo serena, cretinamente serena.

Dai eu leio uma coisa dessas numa tarde ociosa e me descubro outra: Estúpida. Latina. Bethânia... de uma previsibilidade patética, sendo eu tão mulher quanto as outras, sejam as de Chico ou qualquer Zé. E nem posso me escusar por TPM!

Nem sei se lamento ninguém alcançar o que quero dizer, mas me é absolutamente familiar isso de querer mais um pouquinho! Eu sempre quero, e quero geralmente o que não se pode dar mesmo, pq nem sei direito o que é. O que esse livro me evidenciou foi a diferença entre querer 'uma' pessoa e querer 'a' pessoa, entre meus caprichos e minhas imprescindibilidades.

Esse recorte é um escândalo de precisão, de uma franqueza indecente pros meus eufemismos. Mais uma vez descoberta - e a breguice devidamente desculpada - sigo confessando: o que mais agride nem é constatar que nunca souberam aproveitar minha sempre-bem-humorada-cia.; nem o ridículo de decair em chatice (pr' o que, aliás, um outro recorte dá uma excelente justificativa); nem admitir que não sou tão esperta quanto acredito ser; nem a derrota que é admitir que meu cortejo de virtudes fez mais mal do que bem... o PHoda da coisa é descobrir que algo em mim a-i-n-d-a espera que esses sujeitos que nunca consegui ter a vera, por incompetência ou fatalidade mesmo, me surpreendam com algo que sinalize que lamentam tanto quanto eu... e enxergar - agora com meus olhos de Alcione - que em culpa ou dolo, tenho participação ativa na morte matada dos meus fiascos emocionais.

blergh. Estamos em que século, hein? Incrível como ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais, apesar de termos feito tudo o que fizemos...

N.A.: pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário merrrrrmo: esse texto é de jun/08, que achei impublicável na época. Dai passou um tp, minha indignação baixou um cadim e deixei Jana publicar... e agora cá estou eu, absolutamente sem vergonha, assumindo esse aspecto obscuro e muito bem camuflado de minha pessoa. hihihi

O ÔNUS DE SER HONESTA

(A idéia nasceu num dia de absoluto ócio naquele escritório (sexta, 26/12!). De Poa, Jana igualmente sem assunto. E nós duas trocando e-mails freneticamente. A pauta? Nossa pior qualidade e melhor defeito: a sinceridade.Todas as lamúrias destiladas com o humor negro que nos sobra, cada uma escreveu o seu próprio texto embora não tenha lá graaaandes diferenças. Mas quis tb eu dar a minha reclamadinha...)

O que acontece é que de maneira geral (de maneira geral é mto bom!) sou bem sincera. E nunca ganhei nem um docinho por conta disso, pelo menos afetivamente, digamos assim: perdi a conta das coleguinhas que sucumbiram ao peso da minha franqueza; assustei alguns mocinhos ao sinalizar minhas boas intenções; irritei ou decepcionei outros tantos com a minha invencível inépcia para os tais "joguinhos de sedução"(joguinhos de sedução não é nada bom!); afastei pessoas (fracas?) e conquistei várias almas afins por seguir acreditando que quem fala a verdade não merece castigo, apesar de.

Tudo pq além de defeito de fábrica (sem recall, lamento informar!) eu tenho é muita pressa: quero viver tudo que há pra viver, sem enrolação, queimando todas as etapas desnecessárias e enguiços enervantes (próprios da condição humana?) Que sentido há, jesuiscristo, em ir embora querendo ficar? Em dizer não qdo é pra dizer pelo menos talvez? Não entendo mesmo isso da pessoa não saber o que fazer com as coisas inesperadas que ouve! Sempre há pelo menos duas hipóteses: fazer nada ou fazer alguma coisa, qualquer coisa. Dai a pessoa não faz nada, eu entendo isso como uma negativa so sweet (pq mentiras sinceras me intereéééssaaaaam!) e lá se vai uma coisa bacana apenasmente pq não é muito comum ser tão assertiva. aff. E se for assim ainda não tá tão mau, pq pode ser que o 'fazer alguma coisa' da pessoa seja mais traumático do que o 'não fazer nada'.

Mas qdo o 'fazer alguma coisa' é traumático pelo menos a gente tem a que reagir. Revidando um beliscão com um tiro ou sendo a mãe do bom senso & amor próprio, alguém toma alguma atitude. Particularmente, acho bem pior o tal do 'não fazer nada': neste caso a coisa bacana nem vai para o Céu Dos Interesses Unilaterais, nem pro Inferno Do Bem Feito, Eu Te Avisei...vai pro Limbo Das Idiotices Que Não Cometerei Nunca Mais, seguida de um cortejo de promessas a (não) se cumprir e toda a culpa decorrente.

E o que se faz no limbo? Atenta-se o juízo dos viventes, oras!!! É de lá que vem aqueles pensamentos paranóides, aquela vergonha duzinfernu, aquela indignação que ninguém consegue mitigar... e gente quase reza por um Alzheimer precoce pra não precisar encarar a mais vaga lembrança do fiasco.

Percebem? A gente acaba se auto flagelando por agir certo!!! A gente faz o que é pra fazer, se responsabiliza pelo que quer ( e invariavelmente é injustiçada por isso: ou pagamos de carentes ou de fáceis), se vira do avesso pra encontrar as palavras certas e o ser se assusta!? Ah, te fudere!!! O que devia assustar é a tibieza em que as pessoas andam vivendo...

TERESA, EL CUERPO DE CRISTO

Castela, meados do século 16. Nossa igreja é atacada por fora tornando-se sombria por dentro(...)Nas praças queimam-se corpos para salvar almas. Todos os corações estão dominados pelo medo.

Todos, menos um:
[Close em Paz Vega]

Sou vossa, pois me criastes
vossa, pois me redimistes
vossa, pois sofrestes por mim
vossa, pois me chamastes
vossa, pois me conservastes
vossa, pois não me perdi
[Plano se expandindo, portas se abrindo ao avanço de seus passos firmes. Semblante sereníssimo]


O que mandais saber de mim?

Per.fei.to! O espanhol dá o tom exato da seriedade dessa entrega. Com uma protagonista desse quilate não entendo mesmo pq julgaram necessário torcer tanto assim a verdade dos fatos, mas enfim...

Teresa de Cepeda y Ahumada, canonizada em 1622, a 1ª mulher a receber o título de Doutora da Igreja, cuja obra literária talvez seja a mais importante da Espanha Quinhentista... foi perseguida pela Inquisição por conta de êxtases involuntários (a mulher levitava a vários cm´s do chão, assim, do nada!) e visões de Cristo Crucificado. Teresa morreu em 1582, aos 67 anos. Após a morte, seu corpo exalava um perfume deliciosíssimo e até o presente dia se conserva intacto. Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, encontra-se exposto num relicário na Igreja das Carmelitas em Alba, Espanha.


O filme mostra Teresa se enterrando num convento pq foi "desonrada", o que particularmente acho até possível, nos seus manuscritos nada é dito com clareza mas dá pra depreender alguma coisa nesse sentido. PONTO. A esculhambação está em dar um nuance sexual aos êxtases. Desnecessário, leviano e absolutamente improvável, que em tempos de caça às bruxas nenhum ser humano razoavelmente lúcido (louco
tinha aos montes!) incorreria num sacrilégio desse tamanho. Aliás, quem escolhe isso? Quem iria correr o risco de virar churrasquinho por sustentar uma mentira? Felizmente as cenas que insinuam essa sandice são poucas, curtas e nada explícitas.

Como fã de carteirinha dessa mulher de chumbo, que deu o sangue na reforma da Ordem Carmelita, eu me sinto na obrigação de ponderar: se naquela época nebulosa da Igreja mulher não sentia prazer nem com o próprio marido, avalie o que seria na cabeça delas fornicar com o Senhor!!!! Essa idéia imbecil só podia mesmo nascer de uma mente herética e insegura quanto a sua competência. Quem precisa polemizar para ganhar atenção sobre o seu trabalho está atestando a falta de talento pra atrair expectadores pela obra em si.

Fora esse vacilo, o filme é bom: a fotografia é belíssima, roteiro consistente (
dá pra reconhecer nas falas trechos dos manuscritos), o temperamento da personagem bem assimilado pela atriz, sem grandes lapsos na cronologia... bonequinho gostou!

RETROVISOR


Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário: letras, lados, lestes...
O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade nada muda
A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja é mãe de filhos que não conhece, vendeu-os por açúcar
(...)
A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso, acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto
O farol fecha...
Outras flores e carros surgem em meu retrovisor
Retrovisor é passado. É de vez em quando do meu lado. Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou, o que partiu. O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas,
Mostra as ruas que escolhi, calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente coisas ficam para trás

A gente só nunca sabe que coisas são essas
...
* Fernando Anitelli

Manda a verdade que se diga que as vezes a gente sabe, sim, que coisas são essas. Sabe e não se conforma. Não se conforma e empaca. Pelo menos por aki as coisas funcionam assim hihihi

Bem, embora a-i-n-d-a empacada em lembranças mal resolvidas, algumas outras que passaram e ninguém viu me arrancam sorrisinhos bestas... e isso de enxergar tudo ao contrário é até que interessante, já que só o tempo mesmo pra redimensionar os fiascos: na hora a gente quer morrer; depois emerge, cansada e sem ar; passa um pouco, olha pra trás e parece lobotomizada: onde estava todo aquele sofrimento? hein?

E é isso, pessoas: SE VOU pra frente, COISAS FICAM pra trás. Simples como a vida deve ser.

Que em 2009 essa verdade seja totalmente assimilada pelas nossas cabecinhas de vento!

REINCIDENTE

Passei esses "day off" (como flexiona nº em inglês?) natalinos na cia. de homens interessantíssimos: Tom Hanks, John Kennedy & Caio Fodástico Abreu. Devo confessar que os reais, de carne e osso, sensíveis e tocáveis não foram tão superlativos assim, mas o que há de se fazer? hohoho

Mentiraaaaa!!!! Não tenho quase nada a reclamar: vi todos os meus amados, falei por tel. com um deles, em quem não ponho os olhos há incontáveis anos e, mimo de natal - vejam só! - consegui finalmente alcançar um certo ser que venho cevando com muito carinho, tolerância e dedicação há meses... o ser, claro, já foi pauta aki no rascunho, e, relendo essas coisas agora concluo que:

Eu cismei. E a cisma é forte. E quanto mais Murphy dificulta, mais eu quero.
Os opostos se distraem.
Há uma alma habitando aquele corpo. Uma alma capaz de me surpreender, inclusive.
Eu não tenho conserto, definitivamente.

Jesuiscristo, até quando mentiras sinceras vão me interessar tanto?

Cá estou eu, de-novo-outra-vez-novamente enternecida por um cafa em processo de regeneração!(E isso pq nem cicatrizou direito o fiasco emocional que acabei de sair!!!) Quinen aquelas mães bobonas que acham que seu bb é a 1ª criança do mundo e tudo que fazem é uma coisa, assim, espetacular, sem precedentes. Dai algo que na verdade é o mínimo que se espera de um ser humano normal vira praticamente um milagre. aff

Mas sabem o que é? O guri tem potencial, pessoas! Há uma vaga em aberto e ele se encaixa perfeitamente no perfil que tracei (só não publico cargo e funções pq sou uma moça mui séria). E olha que está em aberto há mó tempão, clamando por substituição imediata. Dai fica difícil resistir. Inda mais eu, cujo coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável...

CINEMA

Como vcs já estão fartos de me ouvir dizer, eu gosto muito de cinema nacional. Há algum tp uma boa alma me convidou pra escrever sobre isso num blog... claro que não aceitei, que sei que a gente precisa de um certo embasamento pra escrever, né? Mas eu gostei da idéia... rs


Dai que agora esse rascunho será um cadim menos monotemático. De vez enquando, meus queridos, vcs verão aki meus achismos.

Pra começar a série "O Bonequinho Viu", duas cenas ótemas, muito bem escritas e interpretadas:

Lázaro Ramos & Wagner Moura em "Ó Pai, Ó":


Essa cena salva o filme da mediocridade e, na minha opinião, absolve Lázaro Ramos - que eu acho simplesmente irrepreensível - de um papel tão aquém do seu talento.

Gustavo Falcão & Mariana Ximenes em "A Máquina":


Os roteiristas estavam muito inspirados! Avaliem o que é memorizar um texto desses e falar com esse sotaque!!




DAS MENTIRAS QUE EU NÃO VOU MAIS CONTAR

Eu cansei das minhas mentiras. (e não deixa de ser interessante fazer tanta questão que o mundo seja honesto quando eu mesma sou meio dúbia nesse quisito!) Dai que hoje quero fazer um anti-primeiro de abril: um dia de falar verdades, que de tão esquecidas que estavam, de repente chocam mais do que mentiras...

Eu vivo dizendo que acho bacana esse povo animado que cuida do corpo e gasta horas suando sobre um aparelho. É mentira. Não acho bacana, acho perda de tempo e na maioria das vezes acho fútil. Pra mim academias viraram mais um lugar pra socializar do que pra malhar. O povo vai lá pra fazer exposição da sua figura, medir as outras mulheres e olhar os outros homens.

Digo que não tenho mais disposição de passar a noite toda na rua. É verdade que ambientes enfumaçados e barulhentos não me apetecem, mas o motivo-mor é (falta de) cia. Infelizmente posso contar nos dedos de uma mão as pessoas que sustentariam uma noite toda me divertindo. (e vice-versa, claro!)

Adoro dizer que deixo de fazer as coisas por preguiça. É meio verdade, e meia verdade = mentira! Não vou àquele barzinho que inaugurou pq não tenho carro e odeio ter que pedir pra alguém vir me buscar; não faço aquele roteiro bacaníssimo de ecoturismo pq quase ninguém que conheço gosta dessas coisas e sozinha eu não vou nem à esquina; falto descaradamente churrascos, aniversários e festas em geral por isso: apenasmente por ser meio difícil pra chegar.

Digo que fico no MSN quando não tenho nada pra fazer e é uma mentira descarada. As vezes eu até tenho, mas acho bem mais divertido sentar pra bater papo. A verdade é que lá eu encontro mais pessoas que querem me ver do que aki do lado de cá, das pessoas de carne e osso. Do lado de lá nunca falta assunto e nem precisa de catalisadores alcoolicos. Talvez seja pq a distância geográfica faça a gente dar mais valor ao tempo que tem (e dá) às pessoas... e tb, claro, pq a gente pode conversar de pijama né Dani??? hihihi

Não lembro se já falei isso aki no rascunho, mas oficialmente tive 2 namorados. Desses que a gente apresenta pra família e anda de mãos dadas qdo sai. Mas a verdade verdadeira é que não tive nenhum. Não era um conceito verbalizado, mas eu só considero namoro qdo além de bjo na boca, há inteireza e reciprocidade. E até agora não tive a benção de tal simultaneidade: as vezes é inteiro mas não recíproco; algumas vezes eu achei que era inteiro e recíproco, mas era só solidão a dois; as vezes até é beeeem recíproco, mas qualquer cego enxerga que não seria inteiro nem no dia de São Nunca...todas essas variações cedo ou tarde doem em alguém, mas passam como tudo nessa vida. (♬ tomando chá ou cachaça, tomando champanhe ou não... ♬ rs) As dores que ficam - e que um dia doerão em paz, certeza! - são as causadas pelas impertinências da vida, os impedimentos, os desencontros leves de Lispector:

... Bem sei que há um desencontro leve entre as coisas, elas quase se chocam... há desencontros entre os seres que se perdem uns dos outros, entre palavras que quase não dizem mais nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um encontro brusco face a face com ela nos assustaria...

Poizé, encontros bruscos, face a face, foram apenas 3 até agora. (3 mesmo. É verdade dessa vez.) Dois já doem em paz e último falta pouco. E como errar é aprender, espero da vida, confesso, um cadim de delicadeza no próximo encontro, que ando muito sensível. Pra ser sincera, nem quero mais minha fantasia de mulher maravilha. Quero de volta todas as prerrogativas mulherzinhas das quais abri mão - nem Deus sabe em função de que - durante esse tp todo. Inclusive pedir colo.

Pronto. Falei!

N.A.: inspirado num texto de Cleo Araújo

DAS CONSEQUENCIAS DAS BOAS ESCOLHAS...

Devolve
(Angela Brandão)

Ah, se não for pedir demais
Já que pra você tanto faz
Faz a gentileza,
Segue o meu conselho
Devolve a imagem que eu via no espelho!

Sabe os velhos planos? Hoje eu improviso.
Sabe a minha aposta? Eu tô no prejuízo.
Sabe aquele riso de criança?
Sabe a minha autoconfiança?
Sabe a minha calma? Olha como eu fico.
Sabe os meus poemas, as canções do Chico?
Sabe aquele pingo de consideração?
Sabe o meu tesão? Eu te suplico!
Pois é…

Devolve!
Porque pensando bem eu mereço
Devolve!
No mesmo velho endereço
Tudo o que eu era no começo
O que você me tirou não tem preço

Sabe aquela calma, aquele controle?
Lembra a minha pele, o meu phisicque du role?
Tanto investimento, tanto tempo, tanto sonho?
Sabe a fé que eu tinha em Santo Antonio?

Sabe o meu pudor? Eu ando em carne viva!
Lembra aquele humor? Eu tinha esportiva…
Sabe a minha cara à tapa, a mão que eu pus no fogo?
Sabe aquele antigo azar no jogo?
Pois é
Devolve…

PS¹.: Se alguém souber o que vem a ser o tal phisicque du role, favor me contar!

PS².: Mantra para a situação:

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

Viver é melhor que ser feliz!

UPIDEITE :

A expressão "physique du rôle" quer dizer encarnar perfeitamente um papel, ser adequado para aquele papel. Por exemplo, Fernanda Montenegro em Central do Brasil estava em seu "physique du rôle"

fonte : Clariana de Castro.