01 outubro 2008

IRA

abre parênteses: eu não disse, mas aquele inferno astral narrado abaixo foi acompanhado de um mutismo que durou uns 5 dias. Eu só me dei conta que era pura TPM qdo sinhá me mandou à padaria - coisa que faço religiosamente, todos os dias, exceto os de chuva - e eu chorei lágrimas corrosivas. Eu sou assim, só percebo o motim hormonal quando acontece alguma coisa patética... ai eu morro de rir e volto a ser eu mesma. Mas esse mês, dadas as coisas chatas que foram se acumulando na mesma semana, Deus precisou intervir e mandar um paliativo....rs Dai que com a minha lucidez de volta, formulei uma tese. Me digam se vcs acham que procede, sim? fecha parênteses

Não tenho orgulho algum em afirmar isso, mas é o sentimento com menor espaço dentro de mim. Explico: acessos de uma fúria justificada e bem direcionada são verdadeiros exorcismos! Vc sai de si por dois minutos (não mais que isso, que não estou sugerindo um AVC!) pra mais tarde não perder horas numa angústia sem nenhum motivo razoável, se perguntando "o que eu tenho?". Já que imerecidamente - ou não - mulher tem fama de xiliquenta, acho que a gente devia mais é deitar na cama e gozar os efeitos terapêuticos do estigma... hohoho

Olhando para o meu passado de bom-mocismo (meus momentos descontrol são tão poucos que me lembro de todos!) a pergunta da vez é: se eu tivesse cuspido mais abelhas, será que hoje eu saberia o que se passa comigo? Aliás, será que eu estaria, assim, meio-autista-meio-autômata, me perguntando idiotamente em que pedaço do caminho eu escolhi essa vida? Uma boa questão...

Fiquei pensando onde foram parar os meus sapos engolidos com inglesa resignação e constato, agradecida, que eles não se transformaram em gastrites e outros correlatos psicossomáticos... mas por uma questão de sobrevivência num mundo cada dia mais hipocondríaco, capetices desse gênero bem como as outras doenças também precisam se reinventar. Dai que desconfio que meu pecado capital inconfesso por anos a fio tem por estratégia a camuflagem: como a minha ira percebeu que por aki o poder de auto controle tende ao infinito, consultou seu exemplar de "A Arte da Guerra" e, mais ciente do que nunca que a superioridade numérica isolada não lhe daria vantagem alguma (“dividir para conquistar”, sacam?), resolveu diluir-se em sentimentos mais brandos e socialmente aceitos: frustração, preguiça, cansaço e outras chatices absolutamente normais e perdoáveis. Pq a gente sabe que às vezes precisa fazer vistas grossas à indisciplina de nossa tropa, né? Nessa pequena relaxada, Ira-Versão-Cavalo-de-Tróia se instala, insuspeita, e se faz responsável direta por aquela angústia de mierda que falei acima. É só uma tese, mas pra mim faz mó sentido. (Agora que parei pra prestar atenção, percebo que muito do meu humor cítrico nada tem a ver com estilo: sou sempre tão engraçadinha pra não babar uma espuma branca mui familiar a todos: ou se previne com anti-rábica ou tem que sacrificar!)

Ira é tão tóxica que se não for expurgada até anestesia a gente! Tipo cocaína na ponta da língua, tipo alguns venenos: adormece. Adormece e a gente nem percebe que está ficando cada dia mais inerte, não movendo um músculo por uma boa causa. Certeza que entre gente sarcástica demais, exagerada demais, dramática demais, pessimista demais... há alguém espumando, agonizante. E convenhamos, agonizar sem saber exatamente do que é de um ridículo sem tamanho, não?

Tá. Mas e agora José, qual o remédio, já que ira continuará sendo haran e mandando os infiéis para arderem no mármore do inferno?

Enton, a posologia depende do paciente. No geral a quantidade é proporcional ao peso do sujeito... no meu caso, nos meus irrisórios 38 kgs, penso que assertividade uns 3 tons acima do meu habitual resolva. Dependendo da reincidência (ou do nome) do motivo, um objeto voador lançado com força e sem culpa talvez funcione como catalisador... mas isso, claro, só no caso de uma crise.

As doses de manutenção deverão ser ministradas apenasmente quando vc for agredida e não quando se sentir agredida, já que um sintoma característico de Ira-Versão-Cavalo-de-Tróia é o permanente sentimento de injustiça/incompreensão.

Devidamente desintoxicado, a tendência do organismo é produzir um tipo de humor sutil e resistente (ao qual os antigos chamavam de Paciência de Jó), que exerce função de anti corpo contra as epidemias deste mundo cão.

6 comentários:

Manu disse...

Ira é sim muito tóxico, tens toda razão. Torço que aches um remedinho a tempo ou que essa ira se tranforme num homor ácido ou sarcástico... Pra mim as vezes funciona assim, as vezes o q ira na hora vira piada depois, onde, muitas vezes, eu me faço personagem principal...

abraços!

eurídice disse...

a vida não anda fácil para a gente esses últimos dias, heim tri? me vi neste post em tantos momentos, especialmente naqueles em que você falava sobre bom-mocismo e congêneres... mas 38Kg é esculhambação, heim? Tô dando pelo menos uns 6, tu não quer não? hahahahaha!!!!!! beijos e lindo resto de semana pra tu.

Jana disse...

Não funciona. Digo com a boca cheia. Sou uma pessoa que não camufla a ira, eu babo mesmo, pra não somatizar nada, e mesmo assim, com todos os acessos de ira que me são peculiar, me pergunto, que porra que to fazendo da vida, e tenho todas neuroses possiveis...

E agora José?


PS: 38kg? ta contando dinheiro na frente de pobre?quer, to dando uns 10?

beijos

Ana D disse...

Bom, confesso que sou uma pessoa super bem humorada, sarcástica, engraçadona, MAS, dou ataque de ira SIM...rsrs...Temperamental ? SIM...E isto exorcisa minha angústia, depois fico legalzinha, legalzinha..rsrs...Beijossss

Karina Lerner disse...

oi, querida. obrigada pelas palavras.

pode sempre copiar de tudo, desde que se coloque a referência autoral, tá valendo! :o))

bjs!

Anônimo disse...

Um dia de fúria sempre resolve!
Beijos
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