26 novembro 2006

A gente pensa que escolhe
Se a gente não sabe inventa
A gente só não inventa a dor
A gente que enfrenta o mal
Quando a gente fica em frente ao mar
A gente se sente melhor...

Semaninha trash essa, taquipariu... decisão difícil, um "quase" até que previsível mas nem por isso menos dolorido, saudade alheia que resolveu acordar... nem o servidor do blogger queria ser amigo. Não bastando tanta coisa junta, sábado Ana Carolina ao invés de ler no seu show os tradicionais "só de sacanagem" ou "alfredo é gisele" o que tive que ouvir?

"...Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo,nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono..."

É, quase anda me perseguindo. Alheio a minha predisposição em aceitar o conceito anestésico e paliativo de Clarice Lispector que deixei post´s abaixo.

Maaans como minhas dores não costumam ser domínio público, mantive o meu melhor sorriso e não fosse um amigo que amo d+ e que conhece meu avesso, esse texto nem existiria.

- Tá ficando boa atriz, hein moça? tudo isso acontecendo e vc nessa calma?
- nhé... não é interpretação. Eu realmente ando numa tranquilidade diabólica, como diria Martha Medeiros. É claro que tudo isso me gasta, mexe comigo de verdade, mas eu sobrevivo... rs

E é isso. Não exatamente feliz, mas tranquila. Em paz. Uma paz bem inquieta, eu diria. Fruto da certeza de esgotar as possibilidades, no que me cabe. E do esforço pra dar a devida dimensão as minhas frustrações. Nem mais nem menos.

O que fazer como tanta maturidade? Fecho c/ a moça já citada: chamar um médico, isso não deve ser normal!

23 novembro 2006

PROJETO SONHO POSSÍVEL

Fui selada pela Carlinha e confesso que pensei msm em perder o prazo. Nada pessoal, o mote é bacana, o objetivo do Leonardo é nobre... td perfeito se não fosse eu. tsc É que tenho uma dificuldade invencível nessa coisa de sonhar. Claro que quero várias coisas, mas imaginar, assim, no médio/longo prazo é complicado. Parece-me auto-defesa (ou auto sabotagem, dependendo do ângulo) tipo, vai que quero e não consigo? Vamos evitar a fadiga, Clarinha! Queira coisas ao alcance das mãos, fazfavô. Sacam? É idiota mas convenhamos que tem lá seu grau de praticidade.

Isso posto, bora lá que eu sou obediente: de uma pieguice atroz, mas é no que penso e não está ao alcance das mãos no momento. Meu sonho possível é administrar o inferno e céu de td dia de uma vida a seis no mínimo. (Detalhe: FILHOS, homens, Isso é relevante.)

aff... juro que queria publicar algo mais original. Na tentativa de me redimir,termino c/ meu sonho utópico, mas tão arrebatador que me instiga a gastar cada minuto do resto da minha vida tentando reproduzir sua beleza na precariedade do que vejo no aki-e-agora. Tá, soa "imagine" d+ pro gosto de qquer cristão, mas dimensiona a audácia do outro. O que quero não é um comercial de margarina, é um santuário de vida.

... Quero viver num mundo sem excomungados. Não excomungarei ninguém... quero viver num mundo em que os seres sejam somente humanos, sem outros títulos a não ser estes, sem serem golpeados na cabeça com uma régua, com uma palavra, com um rótulo... quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, escutar, florescer... escrevo sabendo que sobre nossas cabeças existe o perigo da bomba... que não deixaria nada e ninguém sobre a terra. Pois bem, isso não altera minha esperança. Nesse minuto crítico, neste pestanejar da agonia, sabemos que entrará a luz definitiva pelos olhos entreabertos. Todos nos entenderemos. Progrediremos juntos. E essa esperança é irrevogável.

Pablo Neruda, em Confesso Que Vivi.

22 novembro 2006



Sem mais para o momento!!!!

21 novembro 2006

PÉROLAS

Sempre presto mó atenção no que os outros dizem. Dai a gente separa o que é pra abstrair, o que é bom pra pensar, o que se pode repetir um dia e ainda sobram coisas desse quilate:

Depois de passar semanas sumida: é que eu preciso de um incentivo pra te ligar...

Arrependida de uma grosseria gratuita: c/ vc eu não preciso ser legal...

Acuada pelo meu olhar inquisidor: se vc soubesse o que eu sinto qdo vc me olha assim, nunca mais fazia isso...

Observador atento: pq vc não riu? Não entendeu?

O msm observador, depois de me ver sair cedo de sei lá onde: vc tava passando mal msm ou era só charminho?

Pretencioso: não gosto de blog, acho um saco. Mas o seu eu leio p/ tentar te entender...

Inconformado c/ meu senso prático: vc gosta de ser assim... solteira!?

E viva a sinceridade!! rs

nota do autor: Estou republicando em homenagem ao top da polidez que acabo de ler. É claro, autoria de aprendiz de superego, que a cada dia se supera na arte de me esculachar, c/ td amor que houver nesta vida, como vcs podem constatar:
lindinha, seus textos andam tão monotemáticos... estou cada dia mais convencido que a luz dos olhos teus precisa se casar... aceita? Prefere inverno ou verão? Inverno, né?

Não é uma graça esse moço? Poderia haver eufemismo mais pertinente pra "repetitiva"???
Lamento informar, querido, mas por hora a coisa vai continuar nesse nível, daki pra pior. Que culpa tenho eu dessas coisas novelescas que me acontecem? Preciso exorcizar de alguma forma, né?

19 novembro 2006

Idéia roubada, oficorsi.

Tinha que deixar na cx de comment´s alguma coisa que nos definisse, musicalmente falando. Dai vaquilda grava td num cd e se lembra de 21/22 de nós em 80 min. Não é bacana?

Enton, queridos ali ao lado e queridos vários que passam por esse amarrotado rascunho, bora lá? Respondam pra tia: Qual é a música? E não se acanhem em colar os versos + expressivos.

Mas huguinho, zezinho e luizinho - meus neurônios over produtivos - ficaram cá pensando se não seria uma boa dar uma modificada na coisa e incluir, tb eu, o que me define (ou pelo menos chega perto de) por conta do fato de quase nenhum de vcs me conhecer pessoalmente (e td aki querer me revelar. rs).

Claro que uma só música não me bastaria, né? Nem uma nem dez. Acho que sou capaz de ficar assim, pra sempre, listando coisas, pessoas, poemas, músicas e tals que tem um pedacinho de mim... mas enfim, eis a minha auto imagem musical:

Conserve Seu Medo, Raul Seixas
Beatriz, Chico Buarque (embora só conheça a versão Ana Carolina)
Medieval, Cazuza
Não Vou Me Adaptar, Arnaldo Antunes
Mais Perguntas Que Respostas, Leoni
Essa Boneca Tem Manual, Vanessa da Mata
Minha Alma - A Paz Que Eu Não Quero, Marcelo Yuka. (versão Maria Rita, tá?)
Do It - Lenine
No Escuro e Vendo - Roberto Frejat
Dessa Vez - Nando Reis

16 novembro 2006




Se você me encontrar, assim, meio distante, torcendo cacho, olhando o chão: É que eu tô pensando num lugar melhor ou eu tô amando e isso é bem pior


Nem pessoas, na verdade estou irretorquivelmente convencida de que é só o amor que pode nos salvar de uma existência vulgar, rasa, ordinária. E NADA consegue ser pior que isso.

(Mas e o lugar melhor, hein? Mto longe? Alguém conhece um atalho? Será que é mto quente por lá?)

13 novembro 2006

PRÉ CONCEITOS

Abre giga-parênteses: Tem gente que acha MSN uma completa inutilidade. Eu não. Adoro. Apesar de as vezes morrer de raiva pq ele não colabora! Nesses meus dias de preguiça anêmica (ahã, tô c/ anemia, pessoas!) é o que me salva do tédio. Enton, eu ia postar ali embaixo o saldo de hoooras de papo c/ a Danielle e pra não correr o risco de perder a essência das conclusões, bora lá. Fecha giga-parênteses.

Eu tenho uma mania irritante de rotular as coisas. Rotular, definir, esclarecer... adoro um predicado!Sei lá pq, nasci assim, curiosinha d+... desde sempre que eu não me conformo c/ explicações mto óbvias. Pra mim nada é pura e simplesmente o que é... rs Tô sempre procurando o que pode haver por trás do que td mundo enxerga. Ok, isso é legal. Esse tipo de sensibilidade evita que eu seja uma pessoa rasa.

Os rótulos são automáticos a medida que pra td e pra tds eu pre-ci-so ter uma opinião formada. Felizmente não tenho problema algum em mudar de idéia (e gente curiosa muda de idéia TODA hr!), mas é fato que me incomoda horrores não saber o que pensar sobre determinada coisa/assunto/pessoa. Dai que além de absurdamente observadora e c/ um feeling especial para não-ditos e "sobredeterminismos", eu acabo de me descobrir uma pessoa pré-conceituosa (digam lá se isso tem graça: qualidade que vira defeito!?) E como mantenho uma distância segura de td que não tenho algum controle - e a gente só controla o que conhece, ou acha que conhece - eu fico aki pensando em qta coisa deixei de tocar pq o conceito inicial não era dos mais estimulantes*.

aff... de qta vida eu ainda vou precisar pra me livrar de mim msma, hein????

*pra ser bem honesta, não isso foi nenhum insight, não caiu do céu. É que me meti numa (sim, queridos, mais uma) dessas situações insólitas e o conceito inicial que fazem de mim não é dos mais estimulantes... ho ho ho

11 novembro 2006

Eu vim aki postar outra coisa mas qdo bati os olhos no comment do Bishop eu simplesmente esqueci o que ia dizer. Mais uma vez, é bom d+ pra ficar só ali na caixinha:

...Ultimamente, fazer feliz tem sido bem mais fácil do que apenas ser feliz...
Sabe qdo a coisa te sacode, agride? Até pq é bacana ver alguém afirmar uma coisa dessas,assim, s/ encanação. Gentem, esse moço sempre tem sacadas ótemas, mas essa cabe tão dentro de mim que quase dói. E deve ser pq eu concordo c/ cada letra... é claro que é mais fácil, depende mais da gente, da nossa boa vontade. Sempre disse mais ou menos a msma coisa pra quem costuma reclamar da falta de reciprocidade.

Ok, concordo, acredito, acho que realmente é por ai. Enton tá. Mas vamu combiná que é preciso um cadim mais que boa vontade pra topar c/ alguém que tb leve isso a sério... de-ve-ri-a ser mais fácil, mas quanto mais depende da gente menos depende do outro, né? Dai que mais dia menos dia a gente se dá conta que alguns aspectos da nossa felicidade estão sendo negligenciados. E ai josé, faz o que? Aff, que difícil definir os limites do amor próprio...

08 novembro 2006

MAIS DO MESMO

O recorte do Max* rendeu, gentem... deu voltas e voltas na minha cabeça fértil, chegou a outras pessoas por e-mail e scrap, foi pauta no MSN e por pouco - mto pouco eu diria - não acabou na pag. inicial do meu orkut.

Desnecessário dizer que alguém andou me roubando a solidão, né? (desnecessário tb dizer que "Qdo Nietzsche Chorou" virou sonho de consumo.) Mas voltei ao assunto pela febre de sentir que isso de não oferecer cia. de verdade nem sempre é intencional: tem gente que faz isso a vida inteira. Semi-conscientemente, no que me cabe. Até por enxergar as coisas mto profundamente pro meu gosto, é mto raro ver algo que mereça ser acompanhado, assim, com desvelo.

(Isso é só triste ou já chega a ser patológico??? hahahaha)

Mas enfim, o negócio é que eu entendo quem não preza as coisas que eu prezo. Não é algo simples, definitivamente. Lembram? td-pto-de-vista-é-apenas-a-vista-de-um-pto. Se bem que não faria mal nenhum alguns ptos serem consensuais...


* se vc não entendeu lhufas, desce um cadim, até 21/10 fazfavô. Tá lá.

06 novembro 2006

Eu não posso entender
Essa vida tão injusta
Não vou fingir que já parou de doer
Mas um dia isso vai acabar
Eu não consigo me convencer
Que essa vida não foi injusta
Tanta falta me faz você
Queria ver você lá em casa
Ô mãe Ô pai, o amor que eu tenho por você é seu
Como é meu o meu aniversário...

01 novembro 2006

ESSE OUTRO MUNDO II

Pessoas, eu não disse mas "esse outro mundo" postado pouco abaixo eu republiquei. E é claro que aprendiz de super ego não se esqueceu disso e solicitou gentilmente a parte 2, que segue c/ pqnas atualizações:

A parte I teve boa aceitação: quatro dos meus cinco leitores habituais se manifestaram!!! Elogiaram, criticaram, pesaram, mediram... e decidiram, quase que por unanimidade que tenho uma espécie de autismo. A quinta leitora provavelmente achou td tãããão familiar que dispensa comentários.

Então, p/ contestar esse diagnóstico superficial, hj a pauta é "o lado de lá", que é onde as pessoas geralmente me enxergam. Onde se materializa meu mundo interior. E beeem materializados estão meus kblos curtos (sim, agora sim, CURTOS), minha branqueleza européia, sardas, unhas rebu+café, óculos de sol (inclusive em dias de sol preguiçoso, pq sou fotofóbica!), jeans e bolsinhas de couro.

Nesse outro mundo prefere-se inverno a verão. Mas o calor do sol, cheiro de mato, céu, rochas e tal fazem tudo + vivo. Toques, sorrisos e perfumes tb fazem TD mais vivo...rs E vivendo (tardiamente) se aprendeu q amigos tb beijam. E que tendo alma p/ isso, pode ser mto bom!

Dorme-se mto, come-se de td Anda-se emagrecendo mto e insônia tem sido mais frequente. Passa-se hooooras na net. Há tps não se compra um CD.perturba-se desavergonhadamente os amigos que possuem banda larga!! e tem se comprado alguns DVD´s piratas.

Aki se lê muitíssimo, de td. De Gabriel Garcia Marquez a Marcelo Rubens Paiva. E, ciente do sacrilégio, não se aprecia José Saramago.

Neste lado há perguntas a fazer, claro. Algumas a terminantemente não fazer e outras tantas a sorridentemente não responder. Esgotam-se os argumentos, fala-se d+, esquadrinha-se os problemas, pq pra td há de haver uma solução. E se não houver, paciência. Perfeição msm, só no Céu. Aliás, aki acredita-se piamente em Céu e considera-se a tese de que inferno é um estado e não um lugar;e que, portanto, não é preciso morrer pra estar nele.

Aki admira-se gente de coragem. Gente centrada, coesa, íntegra, desconstruída. Gente bem humorada, inteligente, despojada e carinhosa... Mas vive-se as voltas c/ gente desestabilizada, epidérmica, egoísta. Desconhece-se a existência de inimigos, mas manda a verdade que se diga, se é persona non grata em alguns momentos.

Embora o silêncio seja praticamente matéria prima no outro lado, aki essa entidade ainda não é cultuada. Aki andam se dispersando, sabendo pouco de mto, ouvindo sem escutar, relativizando algumas coisas e enxergando outras tantas... enfim, é aki que se concebem os sonhos.

29 outubro 2006

QUASE

Eu passei mto tp satisfeita c/ a noção que eu tinha de "quase". Há algumas semanas aquele texto atribuido a LFV - mas segundo deus google, de autoria de Sarah Westphal Batista da Silva - era exato. Era aquilo msm: é o quase que incomoda, que entristece, que mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi... as vezes as coisas são triste e literalmentepor um triz.

Mas hj eu já não sei mais se poderia fugir da minha maldita mania de viver no outono. Não sei até onde é opção covardia minha... não que eu acredite que alguém guia, assim, a mãos de ferro, os passos que dou, mas num dos lapsos de lucidez de Clarice Lispector há um outro pto de vista, interessantíssimo, e que me é simplesmente irresistível:

... Bem sei que há um desencontro leve entre as coisas, elas quase se chocam... há desencontros entre os seres que se perdem uns dos outros, entre palavras que quase não dizem mais nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um encontro brusco face a face com ela nos assustaria... Nós somos de soslaio para não comprometer o que pressentimos de infinitamente outro nessa vida que te falo.

Não é brilhante? Isso redefine meu conceito, subtraindo o tom pejorativo que sempre lhe dei. Não deixa espaço pras lamentações inúteis e me abre os dois olhos pro verdadeiro sentido do fim de algumas coisas: o início de outras, simples assim.

NOTA MENTAL: Assimilar o + rapidamente possível o novo conceito, assim, s/ mtas ponderações. Dado os não-acontecimentos recentes, ele deixa de interessante pra ser... hum... oportuno.

25 outubro 2006

FREJAT & LEONI


Quem vem aki há mais tp já sabe o qto eu amo esses dois.


Adorei qdo o Cazuza saiu do Barão. Qdo me dei conta, achei mto bom Leoni s/ Paula Toler. Heróis da Resistência e Kid Abelha - principalmente - estavam pra ele como Cazuza pro Frejat: limitante!

Tietagem a parte, eles são exatos na arte de dar forma e tom àqueles impronunciáveis (e tipicamente femininos) sentimentos: alguns versos de Os Outros, Maior Abandonado, Esse Outro Mundo, 50 Receitas, Tua Canção, Errar é Aprender, No Escuro e Vendo - fora uns outros, quase calóricos de tão melados - são de uma verdade doída, cruel. Daquelas que a gente negaria até a morte se pudesse.

Não sei explicar bem, mas alguns nuances emocionais homens geralmente não alcançam (como certas cores, que reza a lenda que eles não conseguem enxergar rs) e é isso que eu admiro: c/ a msma destreza falam sobre coisas que - a priori - não sentem c/ tdas as fibras do corpo e desvelam um território que mulheres até enxergam, míopes, mas tb não pisam assim, com os dois pés: Garotos, Fim de Tudo, Homem Não Chora, Canção da Despedida... tb são verdades, não tão doídas, nem tão frequentes, mas estão ai,que eu já vi...

[parenteses]eu continuo achando que Garotos tem uma variante feminina!!![/parenteses]

21 outubro 2006

Leitor atento complementa a minha lista de melhores defeitos:

...Entre os seus defeitos(que eu acho uma delícia) vc esqueceu de citar os "textos truncados", a respeito dos quais ele tb falou no livro:"o vago é necessário pra tornar distinto"

Bem, eu não esqueci, só pensei que poderia estar contido no tópico "subterfúgios do vacabulário", mas se o moço acha que merece um outro exclusivo, eu vou pensar no assunto.

Claro que eu grifei essa parte, mas nem fiz associação alguma pq afinal minhas lacunas são incompetência e não talento.(se bem que isso tb distingue... hum...) Mas o melhor msm foi o final. Bom d+ pra ficar ali escondidinho na cx. de comment´s:

- Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia, disse Nietzsche.
- Como assim, não oferecer companhia?
- Por não prezarem as coisas que prezo! Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo.

Perfeito, Max. Tb me queima por dentro, certeza. Aliás, eu diria que cabe c/ tdas as letras numa situação em que me meti e tô ensaiando há meses pra sair.

Sabe que tô começando a achar ruim isso de enxergar profundamente? Ok, ok, a gente fica mais ciente dos nossos reais motivos pra fazer ou não fazer as coisas... mas a pergunta que não quer calar é: PRA QUE ESTAR CIENTE? O que a gente ganha com isso compensa o prazer de contemplar a vida assim, despretenciosamente, c/ os olhos de quem está a passeio e portanto quer (e precisa) ver td antes da hra de embarcar de volta pra casa?

16 outubro 2006

SOBRE A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA DOS MEUS MELHORES DEFEITOS

[republicar]

Já confessei aqui o (mau)hábito de comentar as coisas que leio. Desta vez, pra poupar o povo dos meus achismos sobre Nietzsche, resolvi só escrever:

Do meu ar blasé:
"Um espiríto livre... assim se vive, não mais nos grilhões de amor e ódio, sem SIM, sem NÃO,voluntariamente próximo, voluntariamente longe, de preferência escapando, evitando, esvoaçando, outra vez além, novamente para o alto... "

Da minha invencível credulidade:
"De fato, uma fé cega na bondade da natureza humana, uma espécie de pudor frente à nudez da alma podem realmente ser mais desejáveis para a felicidade geral do homem... e talvez a crença no bem tenha tornado os homens melhores, na medida em que os tornou menos desconfiados..."

Das reincidentes crises existenciais:
"É mais difícil afirmar a personalidade sem hesitação e sem obscuridade do que dela se liberar...além disso, requer muito mais espírito e reflexão."

Dos extremos da minha sinceridade:
"A mentira exige invenção, dissimulação e memória... quem conta uma mentira raramente nota o fardo que assume, pois para sustentar uma mentira ele tem que inventar outras vinte."

Da incompetência emocional:
"Por que superestimamos o amor em detrimento da justiça e dizemos dele as coisas mais belas, como se fosse algo muito superior a ela? Não será ele visivelmente mais estúpido?"

Dos subterfúgios do vacabulário:
"Escritores que não sabem dar clareza as suas idéias preferirão os termos superlativos mais fortes: o que produz o efeito semelhante à luz de artoches em emaranhados caminhos da floresta."

Da tolerância sorridente (e pedante tsc):
"Muitas ações são chamadas de más e são apenas estúpidas, porque o grau de inteligência que se decidiu por elas era bastante baixo."

Dos gostos discutíveis:
"A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez... mas que lentamente se infiltra, a que levamos conosco quase sem perceber."

Da febre de sentir:
"Quem já escreveu e sente em si a paixão de escrever quase que só aprende, de tudo o que faz e vive, aquilo que é literalmente comunicável."

Da indolência habitual:
"Quando se é alguma coisa não é preciso fazer nada - e costuma-se fazer muito. Acima do homem produtivo há uma espécie mais elevada."

[/republicar]

N.A.: um leitor mais atento sugeriu na época um outro tópico, "textos truncados". Segue íntegra do comment:

Anônimo

20/10/06 13:53

Eu já te leio há bastante tempo. Não comento sei lá pq, fico sem jeito... sou naturalmente invasivo. Mas hj que falou do Nietzsche não tem como. rsrs

Entre os seus defeitos(que eu acho uma delícia) vc esqueceu de citar os "textos truncados", a respeito dos quais ele tb falou no livro:"o vago é necessário pra tornar distinto"

Termino com um recorte que tá me queimando por dentro:
- Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia, disse Nietzche.
- Como assim, não oferecer companhia?
- Por não prezarem as coisas que prezo! Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo.
bjs, MAX


15 outubro 2006

CONCLUSÕES RECENTES

Que o ser humano tem uma capacidade enorme pra ser tosco e inconveniente isso já é de domínio público. Mas qdo o ser é algum tipo de ex a coisa tende ao infinito aff...

Não é só em filme que encontros de ex alunos dão certo \o/

Pinga não dá ressaca, vodka dá.

Indiferença me machuca e eu não preciso fingir o contrário. Lidar c/ isso requer apenas amor próprio, nada mais. Não preciso entender ou abstrair.

... Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora...

Clarice Lispector, exata de novo...

10 outubro 2006

PERFIL

Clara dell Valle. A Clara de Allende, que pretensão pouca é bobagem e tenho duas almas caridosas que concordam comigo. rs

Sou Peter Pan, Calvin (ou o Haroldo?), Garfield, Lisa Simpson. Sou Maria, Teresa(s), Joana, Edith... sou Patrícia Galvão, Olga Benário, Anita Garibaldi... sou o Gabriel de Adriana Calcanhoto, a Olívia de Érico Veríssimo, a Gabriela de Jorge Amado, a Beatriz de Chico Buarque... Sou cinema-pipoca-e-guaraná, MPB, livros, céu & mar, bichos de pelúcia, banho de chuva, fotos, e-mails, amigos - que amigos são pra sempre, mesmo que o sempre não exista , lua cheia, vinho suave, cheiro de mato, gaita, telefone, palavrão, cabeça nas nuvens & pé no chão, dnoninho-que-vale-por-um-bifinho, pegueti de estimação, medo da esquizofrenia, dicionário-de-idéias-afins, porcarias da Elma Chips, bom humor/humor negro, sorvete e casquinha do sorvete, nostalgia, língua solta, eterna criança, adulto chato, ócio criativo e destrutivo também, lado cômico das coisas, gelatina com leite em pó, campping, jeans-e-tênis, curiosidade, senso crítico apurado e é claro, Papai do Céu e Mamãe do Céu... porque sem eles eu seria outra pessoa!!


Sim, meio over tantas - e aparentemente tão divergentes - referências numa mesma pessoa. Mas é que a pessoa em questão é exagerada. Transborda. Não cabe em si. É v-á-r-i-a-s. Várias e nenhuma, sabe como?


Assim ó: as semelhanças são pedacinhos meus que vivem por ai. São tão "eu" que reconheço quando os vejo nos outros. E como são meus, me apodero de quem os possua. (começando a achar desnecessária e enrolada essa tentativa de explicar, mas enfim...) Estou inteira em cada um dos pedacinhos, ok? Dai que nem sempre eles são, assim, um primor... lindo ser a Beatriz de Chico, poético e tals. Mas, manda a verdade que se diga, tb sou o filho único de Cazuza. Eu posso ser a casinha do alto do morro que Armandinho pediu pra Jah e posso também, sem o menor trabalho, me ser a boneca que tem manual de Vanessa da Mata. Poderia ser tanto a pedra mais alta quanto a sereia de Fernando Anitelli. Já fui a moça bonita que cheira qual botão de laranjeira de Geraldo Azevedo e atualmente luto pra deixar de ser o carpinteiro do universo de Raul Seixas. Entendem? A coisa é quimérica, etérea.

Cheia de predicados mas sem definição alguma, ainda. tsc

07 outubro 2006

ESSE OUTRO MUNDO

Existe uma fronteira meramente epidérmica entre dois mundos que eu amo d+. Do lado de lá, de fora, vive-se o mundo cotidiano, de horário comercial. Os medievais talvez o chamassem de secular... do lado de cá, de dentro, há uma existência quase paralela... um mundo de luzes e sombras, em color, sépia ou p&b, só depende de mim.

Aqui os dias as vezes parecem q tem + de 24 hrs. As vezes tem bem menos. Tem anos q mal termina o carnaval e já é aniversário. Esse ano, abri os olhos e já se foram 20 e tds!! Aqui sempre há boa música. Ritmo pra compensar minha inércia habitual. Letras pra não faltar - ou sobrar - palavras. Há livros que contam a minha história nas entrelinhas. Alguns trechos de alguns deles eu msma poderia ter escrito, se tivesse talento.

Aqui fala-se pouco e pensa-se muito, muitíssimo. Aqui há curiosidade de criança e obstinação de adulto. Evita-se os excessos e teme-se vergonhosamente a escassez. As escolhas sempre são difíceis, os erros já tiveram mais importância e os acertos são filhos da coerência com o amor. Aliás, aqui dentro o amor é condição sine qua non pra tudo que eu quero que dure pra sempre.

Daqui observa-se o lado de lá. Questiona-se, critica-se, constroi-se. Aqui é a planta baixa, lá há terreno pra algo grandioso. E talvez porque o trânsito entre lá e cá seja constante, intenso e relativamente fácil, daqui (quase) sempre se enxerga em perspectiva. Mas conserva-se uma distância segura de tudo q não se tenha controle.

Aqui vive-se com saudade. De pessoas, lugares, cheiros, toques, olhares, sorrisos... Aqui lamenta-se tudo que poderia ter sido bom e não foi [e exatamente por isso esgotam-se as possibilidades, sempre]. Aqui se tem um medo irracional do passar do tempo.

Tudo o que vem é recebido com alegria. Todos tem seu lugar. Mas tristemente alguns não tomam posse dele... E msm sabendo que nada é pra sempre nesta vida, aqui eu ainda insisto em alguns absolutos fundamentais pro meu equilíbrio.


04 outubro 2006

Entre coisas mto boas de se ouvir - que não repito pq a modéstia não permite hohoho - ouvi uma meio indigesta: sou egoísta. Vc não aprendeu a dividir suas coisas, nem as materiais!

Sim meretíssimo, realmente tem coisas que prefiro fazer sozinha (trabalho em equipe é o caralho! Desde a época da escola geral sabe que isso só serve pra um fazer e tds os outros ficarem olhando); sim, eu sou msm meio reticente qdo o assunto é "eu msma"; sim, eu deixo de fazer/falar as coisas pra evitar a fadiga; sim, tenho lá um certo ciúme - devidamente confessado - de alguns pertences, mas eu me con-tro-lo pq sei que as pessoas tem que ser mais do as coisas que elas carregam!

Bom, pelo menos pra essa parte do "nem as materiais" eu acho que cabe recurso:

Livro "Olhai Os Lírios do Campo" - ficou exatamente 10 anos esquecido em estantes alheias e no mês que retornou ao doce lar, foi emprestado de novo e está morando em JF no momento.

CD (duplo e ganho de presente!) Zélia Duncan - nem teve tp de conhecer seus aposentos e já seguiu pra tocar em outros quartos.

Livro "Felicidade Clandestina" - entrou nessa de círculo do livro e nunca mais foi visto.

Livro "O Valor Divino do Humano" - tá se prestando a uma causa nobre, manda a verdade que se diga, mas já tem tantos meses que perdi a conta.

DVD "O Mundo de Leland"* - foi esquecido em alguma sala, pois só voltou a capa (ok, capa + DVD Vinícius...)

Livro "Inveja, o Mal Secreto" - descansando em uma certa cabeceira desde junhoFoi devolvido ontem!

Livro "Pensar é Transgredir" - levado tão na urgência que eu nem li!

DVD "A Vida de David Gale" - criminosamente desaparecido

Livro "Abuso Espiritual & Vício Religioso - fazendo cia. ao DVD*

CD "Geraldo Azevedo" - foi solicitado p/ um forró e nunca mais foi visto, tb.

Ah gentem, uma pessoa que REALMENTE não sabe dividir suas coisas sobreviveria a tantos traumas???

01 outubro 2006



Hj o mundo católico venera a mulher que morreu pra entrar pra vida. A moça de vontade inabalável e desejos infinitos que me ensinou a escolher sempre o último lugar, pq por ele ninguém vai brigar comigo...

Pétalas da sua lucidez:

Ma vie n’est qu’un instant, une heure passagère... Ma vie n’est qu’ un seul jour qui m’échappe et qui fuit. Tu le sais, ô mon Dieu: pour t’aimer sur la terre je n’ai rien q’aujourd’hui!