Desde que soube que Frejat tava preparando o seu 3º CD fiquei vigiando pra baixar tão logo as almas caridosas disponibilizassem na rede. E foram meeeses. A-d-o-r-e-i o título (nem deve ser pq ele é um bom predicado pra minha vida de crimes, não mesmo...rs) e a curiosidade aumentou 3 vezes qdo li que uma das faixas é parceria com Martha Medeiros (très chic, não?). A oposição pode dizer que não combina, mas o que gosto no trabalho solo dele é isso de homem tb chorar. Não deixa de ser roqueiro (embora roqueiro cinquentão esteja a um passinho do ridículo, verdade seja dita) e faz essas coisas, assim, quase calóricas de tão meladas. Ele é de uma precisão quase cirúrgica na arte de dar forma e tom àqueles impronunciáveis - e tipicamente femininos - sentimentos: alguns versos de Maior Abandonado, 50 Receitas, Tua Canção, Errar é Aprender, No Escuro e Vendo são de uma verdade doída, cruel. Daquelas que a gente negaria até a morte se pudesse.
Não sei explicar direito. Algumas nuances emocionais homens geralmente não alcançam (como certas cores, que reza a lenda que eles não conseguem enxergar rs) e é isso que eu admiro: Frejat fala com a mesma destreza sobre coisas que - a priori - não sente com todas as fibras do corpo e desvela um território que mulheres até enxergam, míopes, mas tb não pisam assim, com os dois pés: Homem Não Chora, por ex, é over verdadeiro, não tão doído, nem tão frequente, mas está por ai, que eu já vi...
Dai que ontem eu ouvi o CD novo... como diria Jana, pordeus, o que é aquilo? Demorei umas três músicas pra identificar algum verso mais ou menos. O som a gente reconhece, claro, mas as letras...aff. "Fazer um photoshop da realidade"? uatarréu??? Quase tudo arrastado, repetitivo, tristíssimo. Quando achei que a coisa ia ficar mais alegre, topei com umas rimas pobrinhas de dar vergonha: "esqueça nossa última briga, lembre nosso 1º beijo e ouça essa cantiga"... tsc Da faixa-título eu esperava algo do tamanho de Amor Pra Recomeçar, pelo menos. Que cumprisse o papel, como Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo. Pelo menos o refrão tem que grudar na cabeça, não é assim? Má vontade a parte, mas "nada é tão lento quanto o tempo aqui dentro/eu e eles e a nossa dor/nada é tão denso quanto o tempo em silêncio/eu e eles no elevador" tem sonoridade pra grudar onde? Eu e minha pretensão sem tamanho achamos que deviam ter escalado Dois Lados, que pelo menos da minha cabeça não sai e eu nem vejo novela.
Sobre Farol, co-autoria de Martha salve salve Medeiros, nem vou reclamar. Acho que o que eu queria nem tem como existir, delírios de tiete. Quando Cazuza mandou Exagerado pra Leoni musicar, tinha 30 e tantos versos, cortou um monte. Se dependesse dele não teríamos "por vc eu troco tudo/carreira, dinheiro, canudo" por ex. Vai ver Frejat fez isso tb.
Bem, eu confesso que meu gosto musical não é muito eclético, devo ser até meio pré-conceituosa. Ando numa fase temerária inclusive (ouvindo Pedro Mariano por opção e Cesar Menotti & Fabiano por falta de, que minha vizinha adora e só ouve alto!), mas de 11 faixas só se salvam 3?! ô pecado!








