27 setembro 2008

ENFIM...

Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória
Têm costume de contar
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho
Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar

Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem
Sem um canto de louvor
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor
* Adriana Calcanhoto

N.A: acho que Deus ficou com pena de minha resignação e encurtou o inferno astral... e não podia ter sido de melhor forma!! uhu \o/

23 setembro 2008

INFERNO ASTRAL !?!

Mas não é um mês antes do aniversário? Pois eu acho que alguém se confundiu e só mandou o meu agora, um mês após:

quarta:
arrastada pelo turbilhão de sentimentos confusos, acabei largando mesmo a terapia. (e ficando mui tristinha)

quinta: achei que tinha conseguido restaurar uma coisa bonita que havia se espatifado.

sexta: depois de meses numa enrolação do caralho, uma boa alma me liga pra dizer que finalmente minha vaga foi liberada e que vou voltar a trabalhar.

sábado: o ser que é PHd na arte de me machucar consegue pela 2ª vez fazer a minha civilidade parecer patética. (meus respeitos! Não é pra qualquer um a proeza de me machucar duas vezes pelo mesmo motivo!)

domingo: explico como me sinto a respeito e ouço o mesmo ser insinuar que sou maluca, infantil, idiota e egoísta. Tudo isso em 1 hr de conversa e via MSN.

segunda: sou comunicada extra oficialmente que a gestora mudou de idéia e vai contratar para a minha vaga uma estagiária lesa.

... como a gente sabe que não há nada ruim que não possa piorar, deixa eu continuar aki quietinha pra ver se tio Murphy me erra...tsc

21 setembro 2008

PROCURA-SE HAROLDO!

Idéia (ótemaaaaaaaaa) de Camilinha...

Pq ele é simples e despretencioso:

Pq ele é solidário:

Pq ele é bem humorado:

Pq ele é assertivo:

Pq ele simplifica meus dilemas:

Se eu tivesse um Haroldo na minha vida, acho que nem precisaria escrever... hohoho

17 setembro 2008

(blog) TERAPIA

Pq vc não escreve pra coluna do tio José?
Ele responde tudo, qualquer pergunta que vc fizer!!!!
Tio José,

Eu estou pensando em largar a terapia. O que o sr. acha?

Como disse Danielle dias desses, o mais foda dos teus impasses é que ninguém tem nada com isso...tsc

Vou falar com quem sobre essa (mais essa) urgência emocional?

Turbilhão de sentimentos, confusos pra variar: me sinto uma patricete, fútil e mimada por precisar de alguém que me escute com atenção. Me sinto igualmente patricete, fútil, mimada e perdulária por gastar dinheiros com. É quase vergonhoso se perder nos próprios labirintos. Pagar alguém pra te encontrar é - pré conceitos às favas - um atestado de incompetência. Como assim eu não dou conta
da minha vida?

Dou conta, não dou? Nenhuma ocorrência grave registrada atá agora. Vida seguindo nos trilhos da normalidade.

Dou conta? Mas enton pq diabos essa necessidade burguesa de falar, falar, falar? E pior, que alguém escute, intervenha, pontue, clareie?

Não dou. Não dou conta! Minhas tempestades em copos d´água estão arrastando todo o bom senso que encontram pela frente.

É até interessante o ser que estou sendo no momento... ("estou sendo" merece uma pedrada, mas é que tenho esperança de que passe e eu finalmente s-e-j-a, no presente, num futuro próximo, de preferência) Engraçado achar que nem o erro é disperdício depois de anos buscando uma coerência que ninguém te exige; descobrir no meio do caminho que é melhor assumir um sentimento antes de tentar entendê-lo, oscilar entre acessos de lirismo e desejos básicos por cretinos mais básicos ainda... que puxa!!!


(Tenho certeza que qualquer guria de 15 escreveria isso. tsc Já não é suficiente a gente ter ciência do nosso ridículo?)

14 setembro 2008

INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS

foto: Chistian Gaul

Intimidade Expectativa é uma merda!

Desde que soube que Frejat tava preparando o seu 3º CD fiquei vigiando pra baixar tão logo as almas caridosas disponibilizassem na rede. E foram meeeses. A-d-o-r-e-i o título (nem deve ser pq ele é um bom predicado pra minha vida de crimes, não mesmo...rs) e a curiosidade aumentou 3 vezes qdo li que uma das faixas é parceria com Martha Medeiros (très chic, não?). A oposição pode dizer que não combina, mas o que gosto no trabalho solo dele é isso de homem tb chorar. Não deixa de ser roqueiro (embora roqueiro cinquentão esteja a um passinho do ridículo, verdade seja dita) e faz essas coisas, assim, quase calóricas de tão meladas. Ele é de uma precisão quase cirúrgica na arte de dar forma e tom àqueles impronunciáveis - e tipicamente femininos - sentimentos: alguns versos de Maior Abandonado, 50 Receitas, Tua Canção, Errar é Aprender, No Escuro e Vendo são de uma verdade doída, cruel. Daquelas que a
gente negaria até a morte se pudesse.

Não sei explicar direito. Algumas nuances emocionais homens geralmente não alcançam (como certas cores, que reza a lenda que eles não conseguem enxergar rs) e é isso que eu admiro: Frejat fala com a mesma destreza sobre coisas que - a priori - não sente com todas as fibras do corpo e desvela um território que mulheres até enxergam, míopes, mas tb não pisam assim, com os dois pés: Homem Não Chora, por ex, é over verdadeiro, não tão doído, nem tão frequente, mas está por ai, que eu já vi...

Dai que ontem eu ouvi o CD novo... como diria Jana, pordeus, o que é aquilo? Demorei umas três músicas pra identificar algum verso mais ou menos. O som a gente reconhece, claro, mas as letras...aff. "Fazer um photoshop da realidade"? uatarréu??? Quase tudo arrastado, repetitivo, tristíssimo. Quando achei que a coisa ia ficar mais alegre, topei com umas rimas pobrinhas de dar vergonha: "esqueça nossa última briga, lembre nosso 1º beijo e ouça essa cantiga"... tsc Da faixa-título eu esperava algo do tamanho de Amor Pra Recomeçar, pelo menos. Que cumprisse o papel, como Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo. Pelo menos o refrão tem que grudar na cabeça, não é assim? Má vontade a parte, mas "nada é tão lento quanto o tempo aqui dentro/eu e eles e a nossa dor/nada é tão denso quanto o tempo em silêncio/eu e eles no elevador" tem sonor
idade pra grudar onde? Eu e minha pretensão sem tamanho achamos que deviam ter escalado Dois Lados, que pelo menos da minha cabeça não sai e eu nem vejo novela.

Sobre Farol, co-autoria de Martha salve salve Medeiros, nem vou reclamar. Acho que o que eu queria nem tem como existir, delírios de tiete. Quando Cazuza mandou Exagerado pra Leoni musicar, tinha 30 e tantos versos, cortou um monte. Se dependesse dele não teríamos "por vc eu troco tudo/carreira, dinheiro, canudo" por ex. Vai ver Frejat fez isso tb.

Bem, eu confesso que meu gosto musical não é muito eclético, devo ser até meio pré-conceituosa. Ando numa fase temerária inclusive (ouvindo Pedro Mariano por opção e Cesar Menotti & Fabiano por falta de, que minha vizinha adora e só ouve alto!), mas de 11 faixas só se salvam 3?! ô pecado!


Bonequinho decepcionado!!

09 setembro 2008

VC TEM SEDE DE QUE?

[mote da Dani] A gente vive reclamando do que cobram da gente... mas e você, o que se cobra? O que você precisa ser, para se sentir gente? Ou em que você precisa se transformar para se sentir você?[/mote da Dani]

Eu me cobro coerência. Se não for possível entre o PENSAR e o AGIR, pelo menos entre o SENTIR e o FALAR. hohoho Já tá de bom tamanho!

Preciso encontrar um meio termo razoável entre o que é bom e o que é correto, pq como mui carinhosamente me disseram dia desses, já passou da hora de ser feliz e normal.

Me cobro educação, gentileza, senso de justiça, um sorriso generoso... o mundo já é quase inabitável, só reclamar não muda nada.

Preciso de inteireza, de gente sendo o que é. (e não gastando o que não tem pra mostrar a quem não gosta uma pessoa que não é!) Vivendo o inferno e céu de todo dia, "exercitando o humor e a poesia"

Me cobro tolerância com as presepadas alheias. E preciso de um cadim pras minhas também.

Preciso ser maior do que meus medos, do que as coisas que não entendo, que não mereço.

Me cobro não acomodar com o que incomoda.

Preciso de pequenas epifanias mensais e sem finais patéticos, de preferência. Opcionalmente, a gosto de quem me conceda tal benção, preciso de uma que dure pra sempre. Aceito trocar
várias por uma de bom grado, juro.

Me cobro casa, comida e roupa lavada. Tudo financiado por mim mesma e o mais rápido possível.

Preciso que me olhem nos olhos enquanto falam comigo. Que me digam as coisas com clareza, que de entrelinhas já bastam as minhas.

Me cobro saber um pouco de tudo, aprender o importante que não sei e me livrar de toda a tralha desimportante que inevitavelmente a gente vai acumulando pelo caminho.

Preciso, ando muitíssimo precisada, de livros novos. Já não acho mais tanta graça em reler os meus e como estou pobrinha no momento, não dá pra comprar nenhum da minha listinha. tsc

03 setembro 2008

DAY OFF

Gente desocupada não distingue fim de semana dos outros dias. Mais ou menos. Posso dizer que os meus têm sido longos e preguiçosos sábados.

Sá-ba-dos. Nunca domingos, pq domingo não é dia! Quer dizer, até é:

Domingo é dia de moscar.
Dia pra passar de pijama e pantufa. (no caso de ser um dia cinzento, claro!)
Dia de ver vários filmes.
Dia de terminar um livro pra começar outro.
Dia de trajetos bem precisos: da cama pro puf, do puf pro laptop, do laptot de volta pra cama...

As vezes acontece um micro milagre: Uma visita! Gentem, amigo salva um domingo né não?! Mas fora isso que é cada vez mais raro, salvar os domingos não é tarefa das mais fáceis, demanda determinação, quase esforço físico, já que é tããããão mais confortável jiboiar até segunda feira... mas eu, rainha das miudezas, franciscana até, felizmente vivo tendo gratas surpresas dominicais: as vezes é uma das janelinhas verdes piscantes na tela do laptop que me dá uma boa notícia, ou me diz algo gentil, mata minhas saudades ou apenasmente me diverte mesmo (o que é um luxo prum domingo!); as vezes, sozinha e esparramada no meu puf, leio alguma coisa que me agride e tenho o resto do dia - se eu quiser - pra digerir aquilo e procurar palavras que traduzam meu assombro; as vezes alguém inesperado me liga; as vezes eu tô num humor mais maternal e deixo minha sobrinha me tratar como uma de suas bonecas...

Esse domingo foi salvo por um filme. Um documentário, pra ser mais precisa: Janela da Alma. (anos atrasada, de novo!) É sobre nosso conceito equivocado de visão... rs Tem umas sacadas boas, daquelas que de tão óbvias, a gente não pára pra pensar, sabe? Toda aquela coisa de excesso de informação, de como o sentimento influencia a percepção... nada novo mas pelo menos pra mim sempre é a descoberta do fogo. Lá pelas tantas, um dos entrevistados (é entrevistado mesmo que fala?), um fotógrafo completamente cego, me sacudiu com sua acuidade sensorial: ele queria saber como era a letra de uma das moças que fotografou e pediu pra ela assinar o nome na palma de sua mão!!! Simples e delicado. Impossível não me atingir. Segundo o próprio, não vemos mais nada pq impondo-nos imagens prontas, perdemos o olhar interior. Completo eu: perdemos também a perspectiva, o distanciamento necessário, a capacidade de contemplar. (?)

Resultado: Ensaio Sobre a Cegueira de Saramago, subiu de posição no meu ranking de precisâncias e Blindness de Fernando Meirelles, está sendo aguardado com ansiedade por aki.

28 agosto 2008

O QUATRILHO

An retard como sempre, só hoje, com 14 anos de defasagem, consegui assistir esse filme.

Depois de perder algum tempo tentando entender pq escolheram ilustres desconhecidos como pares românticos de Patrícia Pillar e Glória Pires, cá na minha pretensão sem fim, ainda fiquei imaginando quem euzinha escalaria pr´os papéis...rs Cansei logo, vencida pelo fato de que há um considerável lapso de tempo entre as atrizes e os meus atores...

Ainda divagando, me peguei pisando chão mais firme: em 1910 (sim, fatos reais!! Aconteceu no Rio Grande do Sul! Adoro filme baseado em fatos reais!) foi um escândalo um homem fugir com a mulher do sócio e escândalo maior ainda os dois traidos que ficaram resolverem se juntar tb. E hoje, em 2008, se isso acontecesse aki na minha rua, como o povo reagiria? Com uma crueldade mais velada, acredito. E maior hipocrisia, portanto. Por menos católico que seja, o ser humano - em geral - é capaz de ser mais ortodoxo que um monge medieval. Com os outros, claro, que gente ortodoxa demais tende ao farisaísmo.

Mas o que eu queria dizer mesmo é que o Deus em quem acredito não poderia jamais ficar satisfeito com o zelo daquele padre (sim, com minúscula mesmo!) de Sta. Corona. Até eu que tenho um coração infinitamente menor que o d´Ele já entendo que não pode haver obediência legítima quando se pisoteia a alma de alguém. Se o amor é o maior mandamento e se a caridade é o esplendor de sua manifestação, estaria o Todo Poderoso caducando se realmente concordasse com algumas atitudes nada cristãs dos seus vigários.

Notas de uma mente over pensante:

¹E o rebanho desses pastores totalitários, arderia igualmente no mármore do inferno* pela conivência cega? É que eu acredito que quem obedece não erra...

² Percebam que desde que o mundo é mundo, bonzinho só se fode. O ônus da traição ficou inteiro com o casal fiel. tsc!!!

*
Seguramente que há uma área vip pr´os religiosos!!!

22 agosto 2008

ALMA NARCISA

Depois de meeeeeses olhando apenas pro meu próprio umbigo, prestando atenção em coisas que me passaram despercebidas durante toda uma vida, (aliás, antes desses meses foram aaaaanos debruçada sobre o alheio, sendo tudo pra todos, numa solidariedade carmelita.) conclui algo não tão nobre quanto esperava: Eu me acho!

Nada está bom para mim. Eu devo ser o máximo absoluto, a encarnação ocidental de buda. Não abro a boca, claro, que gente que se acha é o fim, mas eu sempre tenho algo a acrescentar, uma crítica "construtiva"... Os outros? Quase sempre divergentes. Contraditórios. Ou omissos. A música? Alta demais, futil demais, instrumental demais, ou de menos. Os lugares? Abafados, congelantes, muvucados, distantes... Chuva é péssimo, sol é insuportável. Cachorro? Longe, preso E dormindo. Criança? Só minha sobrinha e com as prerrogativas de toda tia: chorou, devolve.

Eu tenho consciência de que ninguém merece isso! Se meus amados se dessem conta, eu seria uma ilha. Curioso é que não me acho melhor do que nada, nem ninguém. Simplesmente me acho. E ponto. Me acho sem fazer comparações com o que ou quem quer que seja. Só me acredito, me basto, me sinto. Assim, sem parâmetros estabelecidos para checagem: medo de barata é algo além do compreensível para minha mente pernóstica, pq eu não tenho medo e sou o centro do universo. Medo de barata, dor de cotovelo prolongada por mais de um dia, ciúmes, mentiras, dizer-não-querendo-dizer-sim, variações bruscas de humor, amnésia alcoolica, trairagem feminina, fakes no orkut, abraço-curto-pra-não-suf
ocar, falocentrismo, cartão de crédito estourado... tudo é um grande e insondável mistério pra mim.

Eu me acho tanto, mas tanto, que até viajar, por exemplo, fica difícil: Primeiro, é complicado escolher pra onde: lugares que todo mundo vai, não, pq todo mundo vai. Lugares que quase ninguém que ir, talvez sim, mas talvez não pq não teria como pesquisar satisfatoriamente. Europa? Pra que, com um país lindo com o meu? Estados Unidos? Me submeter a mendigar visto? Nem a pau, juvenal. Dai vem a segunda parte, escolher com quem: “x” é muito pacata, “y” muito agitada”, “z” muito histérica, “alfa” muito depressiva, “beta” ranzinza, “gama” não bebe... Vou sozinha, que boa sou eu. E acabo in
do a lugar nenhum, pq o melhor e mais constante dos predicados pra todas as cias. é: comprometida. Boa, ímpar e preguiçosa, fico em casa e ainda vejo altas vantagens nisso.

Provavelmente vou me achar cada vez mais, já que não percebo mudanças significativas no meu ego de George W. Bush. Eu vou continuar me achando até achar que a única coisa que é demais para mim sou eu mesma. E aí vou querer melhorar. (As vezes eu acho que já estou perto disso, quando me irrito a ponto de querer férias de mim... )A verdade é que eu me acho tanto que me perco: Como alguém consegue viver sem MSN? Como pode alguém acordar às seis horas da manhã para correr? Como alguém dançar desse jeito em público e fica bem? Como que gasta tanto dinheiro com besteiras? Como pode ser tão infantil/egoísta/raso?

Percebem? Eu sou capaz de me ocupar (e até me assustar!) com questões que simples e definitivamente não me dizem respeito. Quanto às minhas questões, que também são es
quadrinhadas pelos outros com algum espanto, eu tomo ciência assim, an passant, diluídas em frases simpatiquinhas e inofensivas até: "como pode nunca ter um acompanhante nos casamentos das amigas? Como pode não ter carro? Como pode não ter um emprego e nem se esquentar com isso? Como pode usar um cabelo daquele tamanho? Como pode odiar academia daquele tanto? Como pode viver em constantes e inúteis crises existenciais? Como pode usar jeans e tênis tão impunemente? Como pode ser assim até hoje???" Pobre moça....

Vezenquando paro em frente a um desses programas da TVE - porque novela, filme comercial, programa de auditório e Big Brother são muito pouco para minha inteligência over exigente. Bem vezenquando, pq eu gosto mesmo é de Internet. Quando não tem livro novo, filme bo
m, cias. agradáveis ou não estou com sono, certeza que estarei moscando por lá, com 500 bonequinhos verdes piscando na minha frente, zapeando pelos blogs dos meus queridos. E se você disser que isso é coisa de gente nerd e solitária, vou te olhar com a cara mais blasé do século, vou te dar um meio-sorriso resignado, talvez diga "cada um no seu quadrado!" mas estarei pensando: "enton, tente nêga, tente me convencer que tua vida de boites enfumaçadas e barulhentas, de noites intermináveis socializando(?) por ai, de horas irrecuperáveis de sono, de $ queimado pra financiar toda essa badalação, enfim, que tudo isso é fundamental pra existência e que te faz over-feliz."

Olha, eu até acredito em milagres, acredito mesmo. Mas pra certas c
oisas só nascendo de novo. Acho que é o caso tsc

N.A¹.: Inspirado num texto de Cleo Araujo

N.A².: Dani sacou de cara, eu demorei um cadim, mas a verdade é que esse texto além de um mea culpa sem culpa, é uma reação tardia ao episódio novelesco narrado abaixo. Pq eu sou assim: maior do que os seres que me assustam, mas as vezes é preciso re-lembrar isso!!

15 agosto 2008

HAVIA BELEZA ALI OU ERA CRIATIVIDADE MINHA?!?

Escrevo numa ressaca moral sem precedentes. Tão abestada que nem deu pra ficar triste, ainda. Assustada com a minha polianice e me perguntando como um mesmo cidadão pôde me inspirar sentimentos tão meigos e em questão de horas me fazer a mulher mais idiota do sistema solar...Tá bom que o ser humano tem uma capacidade infinita pra nos decepcionar, tá bom que "pra ver Deus tem que morrer", tá bom que eu sou carente... tsc (maldita carência! Maldita! Maldita! Maldita!)

Historinha digna do muleburra.com Aliás, se eu fosse famosa, poderia concorrer ao prêmio Burralda do Mês, que mereço:

Que a bebida revela as pessoas geral já sabe né? Pois não é que depois de todos esses dias convivendo com uma criatura sóbria, razoavelmente bem informada, divertida e otras cositas mas eis que descubro no último dia que a gente iria se ver (menos mau, convenhamos, que se descubro no primeiro eu nem teria aquela coisa do comida-boa-roupa-limpa-e-cama-quentinha pra lembrar) que o guri é uma fraude: a menor das surpresas foi ele, empolgadíssimo, num papo que não acabava nunca mais sobre funk. Só faltou subir na mesa pra dançar. Registre-se: embora eu ache que o juízo final vai começar no baile funk, nada grave até ai. O que me partiu o coração mesmo foi ve-lo se esmerar no assunto por horas pra fazer graça pra outra guria, a que se revelou sua melhor amiga, a ponto de beliscar pedaços de pizza do seu prato e esticar as duas pernas sobre as dele, assim, despudoradamente, na minha frente. Mais despudoradamente ainda trocarem tels. Mais despudoradamente ainda conversarem alheios aos outros presentes na mesa.

No minuto seguinte descubro que o seu anel - que eu perguntei se significava alguma coisa importante - muda de dedo conforme lhe convém e que não só a criatura tem namorada como é a mesma há anos. Vou ao banheiro e escuto sem querer que o flerte não se restringe à guria funkeira mas é extensivo a loirinha sentada a nossa frente. Nós três colegas de trabalho. Mulher sabe ser escrota, deusdocéu.

Eu, inglesa, nada fiz. Aquele descaramento todo me paralisou. Quer dizer, quase nada fiz, que sangues ingleses também fervem. Demoram mais fervem: perguntei às gurias quem ia jantar o moço, assim cínica e sorridentemente. Foi feio, claro, mas na hora eu só pensei que se o visse ir embora com qualquer uma das duas, não ia conseguir disfarçar a inveja. Fiz o menos pior, acho.

Bem, a indelicadeza surtiu 1/2 efeito: a guria funkeira sossegou o rabo e a loirinha foi acometida por um sono incontrolável e quis ir embora. Todos pra casa. Ou não. De toda forma, o que não se sabe não dói.


ET.: como eu já disse, meus dias são salvos por detalhes. Como essa bizarrice toda que contei pode me gastar se recebo neste humilde rascunho a visita VIP³ de ninguém menos que Trevisan, ex Teatro Mágico????

Blogger Trevisan disse...
Poxa vi minha letra de sobra tanta falta no seu blog. que bacana ver que se identifica com meus sentimentos.
grande beijo
Trevisan

para ouvir a musicas:
www.mondo77.fm/otrevisan


12 agosto 2008

PEQUENAS EPIFANIAS

Confessei dia desses que meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável... (salve Caio Fodástico!) Sim, eu sou carente. Disfarço bem, mas sou podre de carente.

Dai que a vida - que sempre me soca com uma mão e ajuda a levantar com a outra - me trouxe mais uma dessas pessoas que vai passar ligeiro, (enton bora aproveitar que o tempo é HOJE!) e por isso a gente se joga num rasante kamikaze sem medo algum do futuro, apenasmente pq não vai haver futuro. Dai que a pedinte que vos escreve passou uns dias no melhor dos albergues: comida boa, roupa limpa e cama quentinha!!! hihihi

E agora, pensando no derradeiro breve e irretorquível, fico cá me perguntando se um dia merecerei algo maior que isso... mas é um pensamento. c-a-p-e-t-i-c-e. Não lhe dou muita importância e sigo, gratíssima à vida, (e à minha praticidade habitual!) numa alegria franciscana por ter alma pra viver essas miudezas e achar lindo como eu, de fato, acho.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome... Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

__________________________________
Caio Fernando de Abreu, para O Estado de São Paulo em 22/4/1986

UPIDEITI: Epifania é o caralho! humpf

03 agosto 2008

SOBRE FRIDA KAHLO

[giga parênteses] Ando bem pobrinha por conta do meu desemprego. Pobrinha e com muito tempo ocioso, o que é ótemo. Dai que depois que aprendi a colar uma titica de legenda num filme nacional(!?), eu fiquei me achando a ninja da pirataria e parti pras minhas velharias estrangeiras: depois de baixar torrent, filme, legenda; depois de constatar o quão porcas podem ser as traduções, depois de descobrir que nem sempre legendas vem sincronizadinhas com o filme, depois de aprender a sincronizar e descobrir, putíssima, que tem gente que gosta de legendas sombreadas e fazer tudo de novo só pra cola-las, branquinhas, limpas como devem ser, depois de muitas perguntas a deus google, eu finalmente aprendi o processo todo. [/giga parênteses]

Enton, foi um parto, mas consegui. O primeiro torrent foi de "Frida", de Julie Taymor (2002), que essa mulher me persegue há meses. (há anos se for contar desde a 1ª vez que ouvi Adriana Calcanhoto falar sobre as suas cores...) É que Caio Fernando Abreu me instigou a curiosidade quando escreveu sobre. Como ele também tentei fugir, amedrontada pela feiura de seus quadros (ciente do sacrilégio, mas aquilo é bonito, gente?), pelo bigode indecente e o olhar que, parece-me, partiria qualquer um em dois. Eu tentei, mas gente que sobrevive a si mesmo exerce sobre mim um fascínio inexplicável.

Eu tenho as "Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo", e por isso já sabia que ela é uma daquelas pessoas que Deus faz na sovinagem, uma-a-cada-vinte-anos, sabem? Mas claro, curiosa/masoquista do caralho, não me dei por satisfeita, praguejei contra a criatura que compilou aquele miserê de bilhetinhos, que não era crível que aquilo fosse o melhor a se publicar sobre essa mulher de chumbo, e parti pro filme torcendo pra que fosse fiel, razoavelmente bem produzido, e, sem querer pedir demais, imaginem, baseado em algum diário ou qualquer coisa que o valha.

Pois o que vi foi exatamente o que conclui ao fechar o livreco:
quanto mais triste mais bonito soa! A mulher sofreu tanto, mas tanto, que pra dar conta da vida só com aquele (bom) humor. Aliás, só pode ter sido dor o que a fez querer se consumar, ao invés de, bovinamente, se consumir. É um luxo não expor a própria desgraça à comoção pública. A inteireza, a valentia, a robustez dela vara os anos e deveria envergonhar a nós todos que vezenquando cedemos à capetice de uma pseudo resignação, vestindo de impossível o que é difícil e não temos coragem pra batalhar.

Fecho com o moço citado acima: sei que seja qual for a dimensão da minha própria dor, não será jamais maior que a dela. Por isso mesmo, eu a suportarei.

N.A.: Pra fazer justiça ao livreco, suas últimas pags. trazem o texto que Frida escreveu para o catálogo de uma exposição em homenagem a Diego Rivera, que é de chorar muito num cantinho! Que-amor-é-esse? Vejam o filme, leiam o texto e me contem se conseguem enxergar um décimo do que ela viu nele. Uma das ex mulheres de Rivera disse que seu jeito de olha-lo era esse: encontrar beleza em suas imperfeições (que não eram poucas, registre-se!)

Adivinhem? Agora eu quero "O Diário de Frida
Kahlo"!!! Já estou vendo que vai ser a mesma gastura pra encontra-lo como foi "O Cavaleiro da Esperança" (né, tri? rs). Aliás, encontra-lo num preço pagável, que já disse que ando pobre pobre de marré...

26 julho 2008

A-B-A-Ç-A-I-A-D-O*

E o que resta sem sentido
Fico perdido, sem direção
Fico danado e nado o que for preciso

Em busca de um porto pro meu coração


Já tem bastante tempo que não se passa um dia sem que eu me pergunte "que faço da minha vida?". Isso até seria bom se eu não tivesse 30 anos e por conta deles, trocentos alarmes - emocionais, hormonais, afetivos, sociais, espirituais - apitando renitentemente. E eu nem sei dizer de onde vem tanta ansiedade, já que numa olhada panorâmica (e displicente, claro) parece estar tudo no lugar. Tenho até vergonha de ser tão reclamona... tanta gente vivendo uma vida cachorra e eu aqui, em constantes e inúteis crises existenciais. aff. Até quando, jesuiscristo?

Anubliado clareou
Chão barreado não esconde a cor
Nas lembranças que eu trago meu perdão e meu rancor

Vivo repetindo pras pessoas que nem o vento consegue ajudar barcos que não sabem pra onde vão e só agora sinto o peso de cada palavra. É confuso, não me sinto perdida, mas tecnicamente, quando andamos léguas e não chegamos a lugar algum é pq nos falta direção, né? (percebam que a criatura NÃO se sente perdida...) Poizé, não me sinto. Na verdade não sinto nada
. ( socorro, alguém me dê um coração que esse já não bate nem apanha...) Nada, fora o mui familiar senso de inadequação. rs

Abaçaiado se irritou
No outro lado fica quem não atravessou
Se hoje abaçaiado canta

É porque ontem já chorou


Depois de anoooooos numa empatia franciscana, de uma civilidade que beira a idiotice, eis que ando tão demasiado humana que nem me reconheço. (Se há algum mérito nisso, meus novos erros tem me feito bem mais tolerante com os erros alheios. hohoho)

* Abaçaiado e outras pérolas estão n´O Segundo Ato d´O Teatro Mágico. BAIXEM. Se quiserem o torrent, eu mando, só pedir!

18 julho 2008

SOBRE A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA DOS MEUS MELHORES DEFEITOS

[republicar]

Já confessei aqui o (mau)hábito de comentar as coisas que leio. Desta vez, pra poupar o povo dos meus achismos sobre Nietzsche, resolvi só escrever:

Do meu ar blasé:
"Um espiríto livre... assim se vive, não mais nos grilhões de amor e ódio, sem SIM, sem NÃO,voluntariamente próximo, voluntariamente longe, de preferência escapando, evitando, esvoaçando, outra vez além, novamente para o alto... "

Da minha invencível credulidade:
"De fato, uma fé cega na bondade da natureza humana, uma espécie de pudor frente à nudez da alma podem realmente ser mais desejáveis para a felicidade geral do homem... e talvez a crença no bem tenha tornado os homens melhores, na medida em que os tornou menos desconfiados..."

Das reincidentes crises existenciais:
"É mais difícil afirmar a personalidade sem hesitação e sem obscuridade do que dela se liberar...além disso, requer muito mais espírito e reflexão."

Dos extremos da minha sinceridade:
"A mentira exige invenção, dissimulação e memória... quem conta uma mentira raramente nota o fardo que assume, pois para sustentar uma mentira ele tem que inventar outras vinte."

Da incompetência emocional:
"Por que superestimamos o amor em detrimento da justiça e dizemos dele as coisas mais belas, como se fosse algo muito superior a ela? Não será ele visivelmente mais estúpido?"

Dos subterfúgios do vacabulário:
"Escritores que não sabem dar clareza as suas idéias preferirão os termos superlativos mais fortes: o que produz o efeito semelhante à luz de artoches em emaranhados caminhos da floresta."

Da tolerância sorridente (e pedante tsc):
"Muitas ações são chamadas de más e são apenas estúpidas, porque o grau de inteligência que se decidiu por elas era bastante baixo."

Dos gostos discutíveis:
"A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez... mas que lentamente se infiltra, a que levamos conosco quase sem perceber."

Da febre de sentir:
"Quem já escreveu e sente em si a paixão de escrever quase que só aprende, de tudo o que faz e vive, aquilo que é literalmente comunicável."

Da indolência habitual:
"Quando se é alguma coisa não é preciso fazer nada - e costuma-se fazer muito. Acima do homem produtivo há uma espécie mais elevada."

[/republicar]

N.A.: um leitor mais atento sugeriu na época um outro tópico, "textos truncados". Segue íntegra do comment:

Anônimo
20/10/06 13:53

Eu já te leio há bastante tempo. Não comento sei lá pq, fico sem jeito... sou naturalmente invasivo. Mas hj que falou do Nietzsche não tem como. rsrs Entre os seus defeitos (que eu acho uma delícia) vc esqueceu de citar os "textos truncados", a respeito dos quais ele tb falou no livro:"o vago é necessário pra tornar distinto"

Termino com um recorte que tá me queimando por dentro:
- Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia, disse Nietzche.
- Como assim, não oferecer companhia?
- Por não prezarem as coisas que prezo! Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo.
bjs, MAX

13 julho 2008

EU HOJE JOGUEI TANTA COISA FORA...

Ontem andei revirando minhas velharias. Incrível minha capacidade pra nostalgia: cartas, fotografias, bilhetinhos, guardanapos do Bob´s com tels (que eram só tels., fixos. Nada de celulares ou Nextell rs), passagens rodoviárias (crê que eu guardei o bilhete do Barra Mansa X Campo Grande que me levou para UFRRJ pela 1ª vez?), poemas, músicas e alguns textos que – eu nem me lembrava – se salvaram do impulso incendiário que pariu este blog... bem, até ai uma faxina no guarda roupa e na alma e só. Agora, minha criança, um exorcismo quase foi depois de 15 anos finalmente dar cabo num certo frasco de perfume, dado por um certo ser que não merece exumação, que apenasmente por estar lá me olhando cada vez que abria a porta, me remetia aos tempos idos e nem-tão-saudosos-assim, onde o amor era medo e eu achava melhor acordar sozinha...


Mas pq estou te dizendo essas coisas, retrocedendo à modernidade e te enviando uma carta ao invés de um scrap ou depoimento? Oras, pq talvez isso fique meio grande. rs (no que há de me perdoar, que esses surtos são piegas mas amigas são sempre perdoáveis!) Mas tb pq acho que quero retomar meu (bom) hábito de escrever às pessoas... andei muito tp ensimesmada, ocupada com minhas próprias novidades e me dou conta que pouco ou nada sei de meus amados.


Sobre isso, próprias novidades, não só o look é novo! Embora ainda seja a mesma e viva como os nossos pais, é com incontido orgulho que constato que sou outra: outros olhares, outras crenças (menos ortodoxas talvez mas igualmente apaixonadas!), outros gostos... a mesma curiosidade de sempre. O mesmo senso de inadequação, a mesmíssima instabilidade e, felizmente, isso já não me assusta mais.


Pra estar um cadim mais perto do que mereço/preciso, depois de peregrinar por terras tão áridas e distantes que quase nem reconheço como propriedade minha, só me faltava um amor daqueles quentinhos, de manhã cedo, com gosto de hortelã e cheiro de mato molhado... enquanto esse não chega, tenho vivido algo menos (beeeem menos eu diria!) ordinário. Cinestesicamente delicioso e moralmente questionável. hohoho Me fez mais viva, me faz mais corajosa e me fará – certeza – me fará mais gente. Amém. rs Terapeuta diz e eu quaaaaaase concordo, que ele está me ensinando a lidar com a finitude das coisas, que eu sempre acabo com elas antes do final pra não precisar lamentar a perda. Que nobre jeito de desperdiçar a vida, não? Nobre e tristíssimo. Covarde, maniqueísta e em vias de superação \o/


Estamos na fase do “quem vai dizer tchau?”, dói fininho às vezes. Mas como ninguém foi embora a-i-n-d-a, manda a verdade que se diga que estamos mesmo é em fase nenhuma, mortos de pena pelo derradeiro inevitável, procurando um meio termo razoável entre o que é bom e o que é correto. Cá comigo, secretamente, alimento a vaga esperança de um dia acordar absolutamente assexuada em relação a ele e acabarmos bons e castos amigos. Prematuramente meio brochas. Divertidos, serenos, gratos e cúmplices ad eternun. O top da urbanidade, convenhamos.


Fico por aqui te desejando, pra hj e pra sempre, amor pra recomeçar.

Conte-me de vc, se quiser. Do contrário, recebe meu carinho e abraço sufocante.
bjs meus, te amo pra sempre.


N.A.: 1ª cartinha que segue com destinatário específico e real. É que pretendo retomar o bom hábito de escrever às pessoas. Minha reação contra toda essa coisa monossilábica e impessoal que se tornou a comunicação, subproduto da capetice que é o orkut... mr Postman right tech!!

06 julho 2008

CAIO FODÁSTICO ABREU

Tenho alguns livros desse homem e ainda não sei dizer se gosto ou não. Aliás, saber eu sei:

A-m-o. Amo o jeito dele de comer a última palavra da frase; amo esse estilo que me confunde e se não prestar um cadim de atenção me perco entre o que é dito, pensado ou sentido pelas personagens; amo os lapsos na cronologia dos fatos; amo as frases cruas e a (in?)previsibilidade emocional, que me remete ao caos cinestésico no qual estamos todos imersos, afinal; amo a fragilidade latente, que só vira agressão pela mais absoluta canhestrice.

O-d-e-i-o. Odeio aquele turbilhão descritivo que me torna incapaz de imaginar o que ele quis que fosse importante nas frases; odeio quando ele faz a loucura e a sordidez humanas nos parecerem mais familiares; odeio tudo ser tão factual, consumado, irretorquível, tristíssimo... odeio tudo estar a um passo da histeria e ainda assim ser perfeitamente compreensível. (Na verdade eu acho que odeio mesmo é que isso pode ser um indício da minha histeria hohoho!)

E é isso. Odeio-te, meu amor! rs

(mudando de assunto, mas nem tanto, alguém concorda comigo que escolheram mal a adaptação de Caio F. pros cinemas? Onde Andará Dulce Veiga tá me parecendo tão comercial qto Cazuza, O Tempo Não Pára. tsc Pra fazer jus ao talento do homem, deviam filmar Pela Noite, dai teríamos o nosso próprio Segredo de Brokeback Mountain, que perderia na fotografia mas seria um escândalo de roteiro e interpretações!)


N.A.: e pr'os que ainda não se deram conta, esse blog é um diarinho. E já que acordei numa mulherzice insuportável - de novo - termino falando do meu coração, pinçando as frases dele (as mais desarmadas, e por isso verdadeiras e por isso², belíssimas):

Nave, ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota, pedra, lata... passei o dia pensando — coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação — repetido, invertido — ação, cor — sem sentido — couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham.

Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água.

Meu coração não tem forma, apenas som.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar.

Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos — ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Recortes de "Na Terra do Coração", em Pequenas Epifanias.


ET: A quem interessar possa, eu ando muito precisada desse livro ai ó, o "Pequenas Epifanias"... "Cartas" tb faria uma criança feliz, muito feliz eu diria. rs

26 junho 2008

(...)

Tá certo que o nosso mau jeito foi vital pra dispensar o nosso bom
O nosso som pausou

E por tanta exposição a disposição cansou, secou da fonte da paciência

E nossa excelência ficou lá fora

Soluçao é a solidão de nós...

E quem diria que ia ser tão difícil me conformar com isso? tsc Logo eu, tão pragmática, tão lúcida... E quem diria que nossas delicadezas de mamute caberiam nas entrelinhas d' O Teatro Mágico? É o fim do mundo, só pode.

A conta da saudade quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada, já que estamos fincados em dor

Lembra: o que valeu a pena foi nossa cena não ter pressa pra passar...


19 junho 2008

RESSUSCITANDO MEMES...

Alguém me mandou fazer isso certa vez... A idéia era usar músicas pra falar de si mesmo. (muito difícil pra mim, vcs nem avaliam hohoho)

Ia ser muito óbvio usar Cazuza, Frejat ou Nando Reis, enton bora lá de Ana Carolina, que ela dá conta de mim, igualmente:

Descreva-se:
Será que ela é louça? Será que é de éter? Será que é loucura? Será que é cenário a casa da atriz?

O que as pessoas acham de você?
Ela é marrenta e brava.

Descreva seu último finado relacionamento amoroso:
A vida presa num barbante e eu quem dava o nó.

Descreva sua atual relação amorosa:
Eu quero pra vc o melhor de mim.

Onde queria estar agora?
Em qualquer lugar de onde eu pudesse ver as tais águas que me querem levar pra longe...

O que pensa a respeito do amor?
O amor talvez seja uma coisa que até nem sei se precisa ser dita.

Como é sua vida?
Por mais que eu durma eu não descanso, por mais que eu corra eu não te alcanço mas não tem jeito eu não sei como esperar. Desesperar tb não vou.

O que pediria se pudesse ter apenas um desejo?
Que eu nunca precise comprar um moleton por falta de abraço.

Escreva uma frase sábia:
O tempo faz tudo valer a pena e nem o erro é desperdício.

Agora se despeça:
pessoas queridas,
na pressa a gente nem nota que a Lua muda de formato...tenham sempre olhos pras delicadezas da vida :)

Fiquem a vontade, sim? Sabemos que memes e quest´s salvam nossos blogs da falta de coisas publicáveis pra dizer.

12 junho 2008

CICLO SECO

Todo mundo conhece ciclo seco, a maioria até já passou por ele. Alguns mesmo vivem desde sempre dentro dele, achando que isso é vida e eternizando o que, por ser ciclo, deveria também ser transitório. É preciso acreditar que passa, embora quando dentro dele seja difícil e quase impossível acreditar não só nisso, mas em qualquer outra coisa. Não que ciclo seco não tenha fé, o que acontece é que não podendo ver o que não é visível, fica limitado ao real.

Antes de ir em frente, é importante dizer que ciclo seco nada tem a ver com as estações do ano. É coisa de dentro do humano, não de fora, e justamente por isso não tem nenhum método: vem quando não é esperado e vai quando não se suspeita. Ciclo seco não desaba de repente sobre alguém; chega aos poucos, insidioso, lento. Quando se percebe que se instalou, geralmente é tarde demais. Já está ali. É preciso atravessá-lo como a um deserto, quando se está no meio e a água acabou. Por ser limitado ao real, o ciclo seco jamais considera a possibilidade de um oásis ou de uma caravana passando. Secamente, apenas vai em frente.

Porque o real do ciclo seco são ações, não pensamentos nem imaginações. Tanto que, visto de fora, não é visível nem identificável. Não se confunde com “depressão”, quando você deixa de fazer o que devia, ou com “euforia”, quando você faz em excesso o que não devia. Em ciclo seco faz-se exatamente o que se deve ou não, desde escovar os dentes de manhã ou beber um uísque à tardinha, mas sem prazer. Nem desprazer: em ciclo seco apenas se age, sem adjetivos. A propósito, ciclo seco não admite adjetivos — seco é apenas a maneira inexata de chamá-lo para que, dando-lhe um nome, didaticamente se possa falar nele.

E deve-se falar dele? Quero supor, entusiástico, que sim. Mas não tenho certeza se dar nome aos bois terá alguma serventia para o dono dos bois ou sequer para os próprios bois — e essa é uma reflexão típica de ciclo seco. Mas vamos dizer que sim, caso contrário paro de escrever já. E falando-se dele, diga-se ainda que ciclo seco não é bom nem mau, feio ou bonito, inteligente ou burro (...) embora possa dar uma impressão errada a quem o vê de fora, ávido por adjetivar.

Ciclo seco, por exemplo, não se interessa por nada. Pior que não ter o que dizer, ciclo seco não tem o que ouvir, compreende? Fica na mais completa indiferença seja ao terremoto no Japão ou à demissão de Vera Fischer. No plano pessoal, tanto faz ler ou não ler um livro, ir ou não ao cinema — ciclo seco é incapaz de se distrair, de se evadir. Fica voltado para dentro o tempo todo, atento a quê é um mistério, pois que pode um ciclo seco observar de si mesmo além da própria secura, se não há sequer temporais, ventanias, chuvaradas? Nesse sentido, ciclo seco é forte, porque nada vindo de fora o abala, e imutável, porque de dentro nada vem que o modifique.

E nesse sentido também é antinatural, pois tudo se transforma e ele não, simulando o eterno em sua digamos, i-na-ba-la-bi-li-da-de. E sendo assim, com alívio vou quase concluindo, pode se deduzir que... Não, não se pode deduzir nada. Só que passa, por ser ciclo, e por ser da natureza dos ciclos passar. Até lá, recomenda-se fazer modestamente o que se tem a fazer com o máximo de disciplina e ordem, sem querer novidades. Chatíssimo bem sei. Mas ciclo seco é assim mesmo.

Todo mundo tem os seus, é preciso paciência. E contemplá-lo distante como se se estivesse fora dele, e fazer de conta que não está ali para que, despeitado, vá-se logo embora e nos deixe em paz? Eu, francamente não sei. Ainda mais francamente, nem sequer sinto muito.
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Caio Fernando Abreu em "Pequenas Epifanias"

05 junho 2008

EU

Eu quero: Acreditar que exista alguém tão perdido qto eu, que a gente vai se encontrar e que as coisas vão ficar mais fáceis.
Eu tenho: Dúvidas, muitas.
Eu gostaria de ter: mais audácia, menos senso crítico, mais leveza, menos perguntas... mais e menos, assim, ad infinitum
Eu gostaria de não ter: um superego tão severo, um ego medíocre e um id sem a menor noção de prioridades
Eu acho: Que nunca vou me adaptar... rs
Eu odeio: Injustiças, oportunismo, apadrinhamentos, omissões desnecessárias.
Eu sinto saudades: De tudo! Cheiros, músicas, pessoas, sensações...
Eu faço: Grifo meus livros com um giz de cera vermelho
Eu fiz e não faria de novo: Me envolvi com um homem "impedido"
Eu fazia e deixei de fazer: Respondia TODOS os scraps, comments, SMS´s, ligações e e-mails
Eu escuto: Muito de poucos: das delicadezas d`O Teatro Mágico às verdades cruas do Cazuza.
Eu cheiro: O rastro de perfume que os passantes deixam.
Eu imploro: Por neurônios tão indolentes quanto eu.
Eu pergunto-me: "Que faço da minha vida?" Diariamente tsc
Eu arrependo-me: De tanta coerência.
Eu amo: Muitas pessoas. Algumas devia amar mais, outras menos, e algumas, simplesmente esquecer.
Eu sinto dor: Mensalmente, três dias inteirinhos... muita dor, eu diria.
Eu sinto falta: Do meu pai, sempre. Das minhas certezas, eventualmente. De sintonia, as vezes. De colo, cada dia mais...
Eu sempre: Penso demais e falo demais.
Eu não fico: Completamente em paz.
Eu acredito: Em Deus, na força dos recomeços, em coisas que sobrevivem ao tempo e a distância
Eu danço: Nunca. Defeito de fábrica, sem conserto ou recall.
Eu canto: Gostaria.
Eu choro: Quase nunca quando é preciso, sempre que é desnecessário.
Eu falho: tsc eu falho...
Eu luto: Até o último dia da minha vida, pra ser mais gente.
Eu escrevo: Pra clarear as minhas verdades.
Eu ganho: 23:59' do dia por conta de uma delicadeza de 1'
Eu perco: Tempo com gente que não merece
Eu nunca: Respondo uma pergunta sem fazer pelo menos mais uma.
Eu estou: Tentando, juro.
Eu sou: Uma pergunta kakaka
Eu fico feliz: Quando alguém me segue em meus labirintos e me encontra \o/
Eu tenho esperança: De que um dia as coisas façam mais sentido pra mim.
Eu preciso: de reciprocidade.
Eu deveria: Ser menos covarde.

Misturei dois quest´s: um da Thatiana e outro da Carol