28 setembro 2007

MOMENTO MULEZINHA...


Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena

Qualquer coisa,
qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido

Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada...
Cássia Eller

Coração novo ou uma pequena epifania, mensal e delicada como aquela que eu li dia desses...
(piada nem tão interna assim...rs)

24 setembro 2007

SOBRE MEDOS, PERDAS E OUTROS EXAGEROS

Eu sou exagerada. Over-tudo, como os mais atentos já devem ter percebido. Sou mais disfarço bem. Só transparece msm quando escrevo. Pois bem, estejam cientes, parcos e queridos leitores, que o que segue é fruto de mais um surto sem fundamento algum.

Enton, falei dia desses que andei jogando coisas fora mas ainda não tinha me acostumado né? Na verdade são coisas e pessoas que me faziam mal e eu não tinha me dado conta. Dai que vinda de mim - a que sempre deixa pra amanhã o que deveria ter sido feito anteontem - é pra desconfiar atitude tão enérgica e eficaz. Dai que minha vida sempre brinca comigo, e eis que uma dessas criaturas que limei está d-o-e-n-t-e. Que mais seria preciso pra me pesar a consciência? caraleos...

Agora já estou bem convencida de que não é nada tão grave assim, mas ontem passei um dia de cão só de imaginar a remota possibilidade do ser partir pra terra dos pés juntos. (deixa eu me defender: tenho um atenuante pra tamanha infantilidade. Perdi uma prima por conta de uma cardiopatia, e eu não sabia direito o que o sujeito tinha, e pra mim todas as cardiopatias do mundo podem me levar as pessoas que amo. Resultado: velório antes do óbito.)

Se já me dói horrores perder as pessoas pra vida, perder pra morte me dilacera. Me desacata, me desorienta, me mata um cadim. Eu olha que já até me conformei: tudo passa! Pessoas, no bonde. Umas passam e outras chegam, algumas ficam, outras seguem. Pessoas por uma razão, uma estação ou pra vida inteira, lembram do e-mail? E isso é saudável. Ajuda a gente a dar valor a todas, pq no fim das contas não dá pra saber exatamente quais delas a gente vai ter por mais tempo. Fora uma nostalgia inevitável vez ou outra, não mata, né? Isso é o que eu chamo de perder pra vida.

Mas qdo perco alguém pra morte, não me recupero nunca mais. Sangraria ad eternum... Acho que se não fosse ao enterro, passaria o resto da vida dizendo pra mim msma que "fulano está viajando", sabe como? Eu não aprendi a viver o luto. Sigo enganando as lembranças até a coisa doer em paz. Mas c/ a sensação de perda, do "nunca mais poder", das perguntas que não tem resposta aki nesse plano, c/ isso sei lidar não.

ok, o cretino não vai mais morrer. Pelo menos nada indica isso no momento. Voltemos a programação normal. E rápido, que eu já não tenho mais idade pra esses sustos.

merdadesensibilidadequenãoservepranada!

20 setembro 2007

- Estranho é que eu não escolhi. Não consigo precisar o momento em que escolhi. Nem isso, nem qualquer coisa, nem nada. Foram me arrastando. Não houve aquele momento em que você pode decidir se vai em frente, se volta atrás, se vira à esquerda ou à direita. Se houve, não lembro. Tenho a impressão que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza de gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer. O problema é que essa coisa talvez dependa de uma outra pessoa para acontecer.

- Toque nela com cuidado. Senão ela foge.

- A coisa ou a pessoa?

- As duas.

[recorte - Pela Noite, Caio Fernando Abreu em "Triângulo das Águas"]

18 setembro 2007

Dai que , tri amada, certifica que o rascunho é um bom momento virtual. Enton tá, né?


Dai que estou na fase II de uma puta ressaca moral: vergonha já passou faz tp e estou cá me lamentando pelo que deixarei de fazer por conta do que fiz e não devia (entendem? hohoho)

Dai que já li quaaaase 4 livros e ainda não sei o que dizer sobre Caio Fernando Abreu. O homem é foda, sem dúvidas, mas seus contos são tristinhos, tristinhos. Eu gosto pq é daquelas coisas que tu tá lendo, tentando acompanhar a viagem e de repente lhe saltam aos olhos uma frase que te sacode, sabe como? E não gosto pq parece que nada tem salvação nesta vida... tsc Ainda assim, tô precisando de mais 2: Morangos Mofados e Pequenas Epifanias. Alguém se habilita?

Dai que tô com saudade de uma certa calçada de Ipanema... de umas certas pessoinhas que amo de um jeito quase inexprimível, de tão gratuito.

Dai que andei jogando tanta coisa fora e embora a casa tenha ficado bem melhor assim, ainda não me acostumei... droga!

Dai que estou pensando em várias coisas mas não consigo ordena-las inteligivelmente...

15 setembro 2007

PERFEIÇÃO


Venha meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição




N.A.: Sim, eu vi Som Brasil ontem!!!!

13 setembro 2007

HUMANA, DEMASIADA HUMANA

Sou simples e complicada,
Amorosa e direta

Às vezes acho que nasci no lugar errado
No tempo errado
Na vida de outra pessoa
Às vezes acho que não pertenço a este lugar

Acho que penso demais
Sorrio demais
Choro demais

Sempre prevejo o futuro
Sofro por antecedência
E acho por "bem" adivinhar pensamentos alheios
Tenho mil informações em minha cabeça
Tenho boa memória
Mas muitas vezes estas informações não valem nada
Às vezes gostava de ser mais simples
Contentar-me com pouco

Acho que sei muito
Mas ao fim não sei nada
Tudo que sei não me ajuda a ter soluções

Não sei fingir simpatia
Ser agradável a quem não gosto
Dizer coisas que não sinto

Amo,
Mas não sei se amo certo
Porque dizem que existe um modo certo de amar. Será ?
Todos os dias acordo
E todos os dias acho que recomeço a viver...

Todos os dias...

by Ana D

11 setembro 2007

ORAÇÃO DOS ATORMENTADOS



... Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé — não sei se em mim, se numa coisa que chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato. Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre...


Caio Fernando Abreu, em "Ovelhas Negras"

10 setembro 2007

BOAS LEMBRANÇAS

Há tempos que feriado não me afeta em nada, pois meus dias são um longo e preguiçoso sábado... rs Mas enfim, o meu foi overdose de Caio Fernando Abreu + alguns filmes + visitinhas divertidas e inesperadas.

Como não sei o que seria de minhas saudades s/ MSN, domingo de manhã passei a conversar c/ uma das meninas que morou comigo nos bons tempos de faculdade... atualizamos as nossas vidas, desenterramos causos e entre muitas risadas ela me contou que o povo achava que eu era maconheira... hohoho Pelo menos no início. Pq eu ouvia Led, Janis Joplin, Raul, Bob Marley, Rita Lee (mas ouvia TB Falamansa, Beto Guedes, Toquinho & Vinícius e muitas outras coisas) eu tinha uma bolsa escalafobética, vá lá. Tinha também 200 camisetas quinezinhas, variando as cores, tdas apagadinhas como a dona. Mas só. Eita povo que se liga d+ nas aparências... rs

Mas aproveitando tudo fresquinho na cabeça, deixa eu contar uma historinha:

abre parênteses para breve introdução: meu passa-tempo preferido quando estou sozinha, me deslocando de 'algum lugar' pra 'lugar que eu não queria ir' ou 'lugar muito longe' é reparar quem está no caminho. Se for esquisito então, melhor ainda. Fico imaginando como é a vida, o que gosta, que músicas ouve, se podia ser meu amigo... fecha
parênteses

Uma dessas figuras que a gente não esquece nunca mais eu conheci assim, de tanto olhar: o meu mulambo. Digo meu pq só eu reparava, pq amigas no geral não servem pra acompanhar investigações muito longas s/ algum interesse escuso.

Então, levei metade do semestre, mas fiquei amiguinha dele e descobri que é de Niterói, se chama Pedro e que morava há anos no alojamento da faculdade s/ estar matriculado em curso algum. Vendia uns penduricalhos na entrada do refeitório, tocava gaita bem pra caralho e reproduzia c/ color jet em camisas de malha o desenho que vc pedisse. Pra mim ele fez um Calvin gritando "tô c/ sono"... lindim. Aliás, ele tb não era feio não, mas pra concluir isso eu precisei imaginar váaaarias vezes aquele cabelo cortado, aquela barba feita e umas roupas só um cadim menos desbotadas.

Vivia matando estágio pra ficar lá, jogando conversa fora. Pedro era um lord. Descamisado, mas era. Nunca interrompia, olhava nos olhos enquanto falava e principalmente quando escutava, nunca falava alto e se alguém fosse reclamar que o anel enferrujou muito rápido, ele sorria e mandava escolher outro. (vcs tb acham que ele tinha outras fontes de renda?)

Durou o tempo suficiente pra gente se divertir a vera num show do Toquinho que rolou no ginásio (que diga-se de passagem, na minha casa c/ 12 habitantes oficialmente, nenhuma boa alma quis me acompanhar!) e dias depois eu descobrir que ele passava o rodo na mulherada como todos os outros. (é que tenho tendência a imaginar que homens bons de papo, educados e c/ algum talento musical sejam + seletivos... não sei de onde tirei isso!) A gente acabou se perdendo de vista pq eu larguei o estágio e não tinha + nada que justificasse minha presença tempo integral na faculdade. Só ia a noite e era pra assistir aula mesmo. Até morei um tempo no alojamento tb, mas o vi raras vezes e não deu pra conversar direito.

Por onde será que ele anda, hein?!

06 setembro 2007

MAIS UMA...

Sim, queridos, mais uma corrente... o que seria desse rascunho sem Jana pra me passar esses troços? Dessa vez tem que listar 10 coisas que irritam, mas como já andei escrevendo sobre isso (e já prevendo a dificuldade em não me repetir) resolvi dividir, ok? Tai, 5 coisas que me gastam:

N A S P E S S O A S:

Distâncias desnecessárias: falei alguma coisa que doeu? fiz alguma errada? não fiz o que era esperado? ME CONTE, que minha bola de cristal quebrou! Até pra eu poder pedir desculpas.

Futilidade: papinho de salão, sabe como? TV Fama, Revista Caras, coluna social... gente rasa, horizontes estreitos, falsidade.

Papo Monossilábico: se está com preguiça de falar, se despeça (por incrível que pareça há seres neste mundo que não sabem dizer tchau) e vá embora. Se for no MSN, é só dizer que está ocupado e pronto.

Memória Ruim: esquecem de devolver livros e DVD`s, esquecem de responder e-mails/scraps, esquecem de dizer "obrigado", "por favor", "dá licença" etc... esquecem o que ouviram, o que falaram, o que prometeram... aff, detesto tudo isso!

"Não sei": habitualmente não saber me irrita por si só. Mas gente que diz que não sabe por preguiça de pensar e/ou pra não se envolver com o assunto me irrita3

E M M I M:

Objetividade cortante: é automático quase, mas acabo escolhendo o jeito mais claro (e indelicado) de dizer as coisas.

Talento p/ más escolhas: sempre me interesso pelos seres complicados. Tipos estranhos, reticentes e confusos me apetecem mais. tsc

Inconstância: tenho sérias dificuldades com a continuidade... rs No geral, meus sentimentos - bons e maus - são intensos, mas transitórios d+ pro meu gosto.

Racionalismo: preciso aprender que nem sempre as coisas tem explicação razoável, não adianta procurar.

Dificuldade em aceitar as coisas como elas são: vivo pagando de "carpinteiro do universo" por conta disso!

04 setembro 2007

BENDITAS REPRISES!

Revi "Amor Além da Vida" no fds e, além do céu de tinta acrílica - da adorável possibilidade de personalizarmos o nosso - e do inferno como opção pr´os obstinados em não des-culpar, uma frase me agrediu dessa vez:

as vezes quando a gente ganha, a gente perde...
Perder pra ganhar já é um paradoxo relativamente familiar. Até escrevi sobre isso. Mas o oposto, não tinha percebido ainda, mas também é. Semana passada mesmo eu pude constatar - e lamentar com todas as fibras do corpo - que passei meses e meses ganhando em civilidade e cretinamente perdendo em amor próprio... tsc

Não seria nada difícil listar aki algumas vezes que ganhei na argumentação e perdi na delicadeza. Ganhei a piada e perdi o amigo, sabe como? Enquanto escrevo, estou lembrando que numa mesma situação, pelo mesmo motivo, ganhei a confiança de uma pessoa e perdi a de outra. Olha que coisa doida!

Over pensante que sou, impossível não lamentar as vezes que por polidez, respeito, escrúpulo, timidez (e seja lá que nome mais se dê quando a gente não faz o que é pra fazer e ainda paga de educadinho) ou por vergonha, má vontade, orgulho... perdi a oportunidade de fazer algum bem real às outras pessoas. Ou, pelos mesmos motivos, à mim mesma, que afinal de contas eu mereço, né?

E quanto aos caprichos, às "precisâncias" urgentíssimas, que julguei merecer ganhar? Quero nem pensar no que perdi por conta delas... rs

Tá vendo como é bom comprar DVD pirata?

02 setembro 2007

VEM COMIGO!!!!


Bebe a saideira que agora é brincadeira ninguém vai reparar
Já que é festa, que tal uma em particular?
Há dias que eu planejo impressionar você, mas eu fiquei sem assunto
Vem comigo, no caminho eu explico
Vem comigo vai ser divertido, vem comigo
Vem junto comigo eu quero te contaminar
De loucura até a febre acabar
Há dias que eu sonho beijos ao luar
Em ilhas de fantasia
Há dias com azia o remédio é teu mel,
Eu sinto tanto frio, no calor do Rio
Já mandei olhares prometendo o céu
Agora eu quero no grito, vem!!!

30 agosto 2007

POR GENTE REAL NO MUNDO VIRTUAL

Viram né, pessoas? Eu, e Jana, de novo, deixando comments e scraps indigestos por conta de cópias descaradas dos nossos rabiscos... rs

Dani já falou brilhantemente sobre isso, várias pessoas já falaram, mas eu preciso dizer tb: neguim n-ã-o-s-a-b-e ter liberdade. Mais que abusa, não sabe mesmo o que fazer com ela. Dai que no mundo, real e virtual, acontecem coisas sórdidas e a gente ainda se assusta! Simples assim: falta limite, igualzinho quando a gente é criança e precisa de alguém pra podar nossas asinhas.

Só pra ilustrar: de curiosidade, depois de receber os próprios textos por e-mail, sem menção alguma, Dani buscou no orkut e os achou em 188 perfis. Sabe quantos davam os devidos créditos? 3. Míseros e esperançosos 3.

Mô foi me deixar um scrap de feliz aniversário e se deparou com um recorte de um texto dela, num outro scrap que outra amiga minha - que não faz a mais vaga idéia da sua existência,oficorsi - me deixou cheia de amor e carinho.

Se fosse só plágio menos mal, a gente ia lá, deixava uns recados, avisava os amigos, eles iam também (que nessa hora todos são over solidários) e pronto. Menos um fotolog piscante no mundo. Menos um blog meia boca... foda é que esses seres são como rabo de lagartixa: cortou, nasce de novo, ad eternum. Ressucitam em novos templates e mudam a "fonte de inspiração", quando muito. Mas enfim, até que alguém inventasse um código anti copy eficiente, a gente ia levando, contando com gente como Bia, que lê a Jana e reconheceu os textos dessa vez.

Mas não é só plágio!!! Na brecha que o anonimato abre pras pessoas sem luz própria, se entrincheiram as maiores sandices. Coisa de gente pequena, má mesmo. Infeliz, certamente. Coisas em que, na minha incurável polianice, só acredito pq vejo. Vejo e lamento com força, pq a net só me trouxe gente do bem, seja por blog, msn ou orkut. Foram pontes e agora são meios de comunicação. Encurtam distâncias e é só pra isso que deviam servir.

Não é irônico, pra não dizer patético, um país que viveu anos de chumbo e que hoje tem ampla e irrestrita liberdade de expressão fazer uso tão leviano de um direito adquirido a custa de perdas irreparáveis? Seria a eterna desconfiança o preço do prazer(?) de ser/fazer/escrever o que quiser?

Pra quem ainda não se deu conta: entre os que acham divertido se passar por outra pessoa em chats e blogs, os que gastam horas e horas pinçando dos outros as coisas que gostaria de dizer, os que mantém fakes no orkut, os que estão achando esse texto tão exagerado quanto a autora e o hacker que talvez um dia lhes raspe os cobres da conta bancária há pelo menos uma coisa em comum: o confortável e diabólico senso de impunidade. Ladrões, todos eles, começam do mesmo jeito: se apoderando de pequenas coisas alheias...

29 agosto 2007

PERTENCER

... Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso...

Bingo Clarice! Passei esses anos todos sem saber, mas ciente da minha pobreza, me acostumei a pedir pouco já prevendo não ter o que oferecer no caso de alguém precisar.

Pedir pouco. Esperar pouco. Desejar pouco. Sonhar pouco. Precaução dos infernos! Só pode mesmo ser capetice uma alma habitualmente perdulária ser capaz de tanta avareza emocional. Sim, pq por aqui - no nível anterior às atitudes - tudo é extremado. As coisas mais bestas me levariam às lágrimas, se chorar fosse um sentimento sem correspondentes físicos visíveis, se fosse um movimento inverso, de fora pra dentro, sabe como?

Dai que emoções reincidentemente solitárias padecem de sentido. (e é de propósito que não troquei por carecem, pois qdo só carece, a falta dói menos, parece.) O tempo e a incapacidade de partilhar acabará por torna-las patéticas. MEDO

Mas meu instinto de pertença é tão nato... e - como o de Clarice - se alimenta da minha própria força: preciso pertencer para que ela não me seja inútil, para que fortifique as coisas e pessoas que me cercam.

27 agosto 2007

SETE COISAS SOBRE MIM

Jana me passou isso na semana passada e, pelo menos mentalmente, achei impossível escolher SÓ sete coisas. (sim, meu narcisismo está ficando indisfarçável já...rs) E ainda precisavam ser coisas publicáveis e não muito óbvias, que é pra não decepcionar os gatos pingados que vem aki.

Enton, depois de uma tarde inteira de frente ao bloco de notas - em branco - e várias janelinhas verdes piscando na tela, depois de deletar parágrafos inteiros, eis o resultado: (não achava mesmo que ia ser tão difícil!)

1 - Minha mãe ensinou e - mesmo sentindo na pele que é só mais uma mentira de mãe - lá no fundo eu acredito que quem fala a verdade não merece castigo. Lamento mesmo isso não valer pra adultos. A verdade desarma, que eu já vi isso acontecer. Pq mais gente não acredita nisso, caraleos?

2 - Além de caipira eu também devo ser cafona. Simplesmente não sei me vestir para alguns eventos. Não sei e nem quero aprender, bem entendido. Brilhos, decotes, longos e bla bla bla não me caem bem, definitivamente. (mas isso se percebe fácil, o que queria confessar mesmo é que eu deixo de ir a lugares que me exijam super-produções)

3 - Nem sempre consigo acompanhar os diálogos dos filmes legendados kakakaka e esse é só um dos motivos pra eu precisar de cia. pra assisti-los. (piada interna)

4 - Tenho deliberada má vontade com homem mimado. Filhinhos-da-mamãe, queridinhos-da-titia, netinhos-preferidos-da-vovó, irmãozinho-caçula, protegido-da-professora, namorado-perfeitinho enfim... todas as variantes de homem excessivamente paparicado (pra naum dizer mandado) por mulher. Certeza de que são elas, bem-intencionadas ou não, que estragam a raça. tsc

5 - Gosto de observar os passantes, se forem estranhos enton, melhor ainda. (publico isso qualquer dia, prometo)

6 - Gentileza me comove, mais do que isso, me idiotiza. Se pedirem com jeitinho, me levam até a roupa do corpo.

7- Queria muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito, mas queria com força, saber tocar guitarra e bateria.

Bem, tem que passar pra frente né? No geral deixo por conta de quem lê: quem quiser, que fique a vontade. Maaaaaans dessa vez, tô dividindo com Ronaldo, Dri e Bruno e Candice.

24 agosto 2007

FÉ & RAZÃO

Duas piadinhas veeeeeeeeeelhas, mas cheias de verdade:

Jesus Cristo resolveu voltar a Terra... E decidiu vir vestido de médico! Procurou um lugar para descer, escolheu no Brasil um posto do SUS. Viu um médico trabalhando há muitas horas e morrendo de cansaço. Jesus então entrou de jaleco, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o consultório.

Os pacientes viram e falaram:

- Olha aí, vai trocar o plantão.


Jesus Cristo entrou na sala e falou para o colega que podia ir, que ele iria tocar o ambulatório dali por diante. E, todo resoluto, gritou:

- O PRÓXIMO.


Entrou no consultório um homem paraplégico em sua cadeira de rodas. Jesus Cristo levantou-se, olhou bem para o aleijado, e com a palma da mão direita sobre a cabeça disse:

- LEVANTA-TE E ANDA!


O homem levantou-se, andou e saiu do consultório empurrando a própria cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou:

- E aí, como é esse Doutor novo?


Ele respondeu:

- Igualzinho aos outros... Nem examina a gente!


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E lá ia o sujeito atravessando a ferrovia quando, de repente, seu pé fica preso no vão de um dos trilhos. Gemendo de dor, ele vira daqui, torce dali e nada do pé se soltar. Nisso ele ouve o apito de um trem se aproximando.

- Ai, Meu Deus! Me ajude! - diz ele, apavorado.

Puxa o pé com toda força e... nada! E ouve outra vez o apito.

- Meu Deus, por favor! - pede ele, com os olhos lacrimejantes.

- Me ajude a tirar o meu pé que eu prometo que vou na missa todos os domingos.

Puxa de novo e nada! E o trem apita, novamente, cada vez mais próximo.

- Por favor, Senhor! Se Você me ajudar a me livrar dessa, prometo que nunca mais vou colocar uma gota de álcool na boca!

Força mais um pouco e nada do pé sair! Agora, além do apito, ele já podia sentir o trilho tremendo. Desesperado, começou a berrar:

- Senhor! Por favor! Me ajude e eu prometo que nunca mais vou transar com ninguém!

De repente, ele puxa e o pé se solta. Segundos depois, o trem passa a toda velocidade.

- Ufa! - fez ele. E levantando a cabeça:

- Deus, não precisa mais se preocupar, eu consegui me soltar sozinho!

Qual das duas é + a tua cara? Eu sou, sem dúvidas, o sujeito da linha de trem. Gosto do Papai do Céu, Ele é meu amigo de verdade (mto foda ter um amigo que pode-tudo!!) mas eu sou podre de auto-suficiente. Além de não saber pedir ajuda, não admito nem pro meu espelho que nem sempre posso resolver tudo sozinha. Adoro ter controle sobre as situações, sempre saber o que fazer e o que dizer, manter equilíbrio quando o mundo tá caindo na cabeça de alguém ou até na minha mesmo... mas a habilidade-mor que desenvolvi com isso foi passar pelas crises - renais, menstruais, sentimentais, espirituais, existenciais - praticamente s/ que ninguém percebesse. Sempre fui assim. Mas de uns tempos pra cá, antes tarde do que nunca, estou enxergando que é mto bom sim resistir em silêncio*, mas que silêncio só é virtude quando não mascara outros vícios.

*na íntegra: Quanto mais se resiste em silêncio, menos se sente o mal Edith Stein, judia, doutora em filosofia e uma das muitas vítimas de Auschwitz, em "Perder para Ganhar".

21 agosto 2007

Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”

Ah, Clarice... exata!

20 agosto 2007

TIME OUT

Querido Diário,

Não sou eu quem vive dizendo que não sou uma idiota completa pq ninguém é perfeito? Pois eis que me supero de novo: sou sim. Idiota. Completa e perfeita.

Ontem finalmente enxerguei a verdade que me estapeou a cara esse tempo todo e eu - só eu - não via: ele é M A L!!!! Não é o jeito tosco, não é egoísmo, não é preguiça, não é canhestrice. É maldade. Pura, simples e das menos maquiadas. E das mais gratuitas tb.

Foi de maldade que me deixou falar sozinha. Ele E S C O L H E o pior jeito de agir, o que mais me machuca. É de chorar num cantinho parar pra pensar nos motivos que teria pra me fazer isso, assim, sempre e tão impunemente... e dessa vez não quero saber o pq. Me abstenho de tentar entender. Certas coisas são assim pq sim, e eu tenho que aprender a me conformar com isso.

"Não me peça mais do que não estou disposto a dar. Eu sempre fui assim".

Eu merecia ouvir isso?
De onde foi que tirei que companhia se esmola dessa forma?
Que tipo de caricatura confundi com amizade, essa face tão linda do amor?
Que será que me falta de tão urgente a pto de precisar dessas migalhas?

Ele me fez chorar. Pela primeira e última vez.

Ele é importante e eu não sabia o qto. É, mas vai deixar de ser. E me empenharei nisso c/ a msm cuidado que darei à essa pereba nojenta que me nasceu durante a noite. O que a gente usa pra herpes, hein? Herpes... taquipariu!!!!

N.A: aprendiz de superego está proibido de me zoar essa versão teen dos meus rabiscos... estou ciente do qto é patética. Mas é assim msmo que me sinto: patética. Uma menininha boba e melindrosa. E esse foi o jeito que encontrei pra lidar com uma dor que não me é familiar: um misto de indignação, decepção e coitadice. (merda... coitadice! Não tem outro nome. Coitada dessa criatura. Essa miopia voluntária ainda vai fuder contigo, sua tonta.)

19 agosto 2007

A FLOR DA PELE

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz chorar
E que me salta os olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será, que dá dentro da gente que não devia
Que desconcerta a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá, o que não tem limite
O que será que me dá, que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vem agitar
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os suores me vem encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a chamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá, o que não tem juízo*

* Chico Buarque

16 agosto 2007

OURO DE TOLO


Se eu morresse hj de um repentino mal deixaria dívidas irresgatáveis: todo o amor que não dei. Pobres credores! Teriam que se contentar com meu íntimo tesouro, cinestesicamente incalculável, e de nenhum valor comercial. rs

As músicas que sonorizaram meus bons momentos - e alguns ruins, tb - e disseram tudo que por culpa ou dolo não disse em tempo hábil e acabou por perder-se na brisa mansa do "qualquer dia desses";

Os livros que edificaram ou implodiram, me deixando, impunemente, em eterna construção... páginas que salvaram dias e noites da inutilidade completa. A quem interessar possa, os mais grifados são os de maior potencial belicoso;

Os óculos escuros, cada vez maiores, que zelaram pela minha fotofobia e incontáveis vezes esconderam o que havia de triste nos meus olhos. Os primeiros eram mágicos: me tornavam invisível. Com eles pude sumir, confortável e despercebida, algumas das vezes que mais precisei. Meus fones de ouvido as vezes tb me parecem encantados, permitindo continuar sozinha em meio a uma multidão;

As minhas dúvidas, que descobri em tempo que são as certezas que nos fodem a vida. Quando se tem perguntas a fazer, a gente caminha mais atento, se interessando por tudo e todos, tdas as opções são válidas. Enquanto (algumas) respostas nos estacionam. Qto mais completas, mais perigosas;

A febre de sentir que me move a escrever e por conta disso trouxe tanta gente do bem. Afinidades inexplicáveis (que aliás, merecem outro texto) que me permitem tocar com as duas mãos o delicado da vida e provam pra quem duvida que coicidências não existem, definitivamente;

A perfeição dos meus sentidos: todos os toques, aromas, sons, gostos e imagens que me instigaram, me fizeram mais viva, mais humana e por isso mesmo quase divina... e falando em divina, no Céu, onde espero ter sossego, um corpo e uma alma hão de me bastar. E talvez ainda carregue algumas das minhas grandes pequenezas, mas não sei se elas me são tão caras quanto aki. Tomara que sim.

Lá minha saudade vai parar de arder. Ou não, pois daí terei saudade de outras pessoas. Verei respondidas todas as questões que me roubaram o sono. Finalmente conhecerei como sou conhecida e me consumarei, como as velas do altar, no AMOR de brilho raro que dá sentido aos meus passos vacilantes.

* Inevitavelmente inspirado em "A Máquina de Escrever", de Roberto Frejat, Guto Goffi & Guioseppe Ghiaroni

14 agosto 2007

A MINHA GRATIDÃO É UMA PESSOA...

A-l-g-u-m-a-s pessoas, manda a verdade que se diga. Várias, considerando os que a vida já levou. (e os que ainda não trouxe, pq não?)

Aquelas capazes de uma sensibilidade rara, lampejos de uma lucidez que me acorde pra vida... aquelas de alma nobre que me ensinam no seu silêncio e principalmente com a coerência entre o que fazem, falam e acreditam, que isso é uma das coisas que mais persigo nessa minha vida.

Felizmente vivo esbarrando com essas preciosidades. E, mais felizmente ainda, alheias à minha canhestrice, elas seguem me comovendo. rs Nem imaginam, mas as vezes dá vontade de chorar num cantinho, pelo bem que me fazem, assim, despretenciosamente.