28 março 2010

MARIA DAS DORES


Maria das Dores foi o nome que dei à pessoa sobre quem vou escrever nas próximas linhas. Julgo procedente a observação de Daniel, que disse pra eu usar outro nome quando fosse falar dos outros aqui. 

Maria das Dores tem 40 anos, um noivo cabeça de bacalhau, dois ouvidos de turbeculoso, uma língua venenosa e TODAS as doenças existentes (e também as que aguardam um batismo cristão científico). Trabalha comigo há 1 ano e não conta com a minha mais remota simpatia.

Nesta semana que passou, pra me distrair um pouco (e já pensando num texto, confesso!) resolvi anotar todas as suas queixas. Motivo razoável para isso não existe. Foi só um espírito de porco que baixou de frente, me deixando inclinada a esse tipo de inutilidade.

O fato é que ela não repetiu nenhum sintoma. Para cada dia houve uma dor diferente e insuportável lhe atrapalhando a vida. Ela já está tão habituada a isso que no meio de uma conversa qualquer é capaz de interromper o que está dizendo, pedir desculpas, dizer o que lhe dói no momento e retomar o assunto. Comigo acontece as vezes de lhe chamar, ela responder imediatamente, se desculpando por não ter me ouvido, mas-é-que-minha-cabeça-está-explodindo-e-não-consigo-pensar-direito. Impressionante.

Todo mundo conhece gente assim. Eles estão por toda parte. Meu interesse pelo assunto nasceu quando descobri que eles não são, necessariamente, velhos: Penadinho tem apenas 30 anos e já acumula mais conhecimentos médicos que sua avó, seu pai e sua mãe JUNTOS! Foi com ele que aprendi que sexo é um anti histamínico natural. Para ser justa devo acrescentar que sua hipocondria já me poupou 2 consultas. Usei o que ele prescreveu e deu hiper certo. 

Mas o que leva alguém a chegar a esses níveis? Não pode ser só o medo de morrer... 

Será que pode ser considerado como um vício?

Será que tem cura?

Não é intrigante a pessoa ter tanto pavor de ficar doente que acaba ficando mesmo?

Partindo para os meus achismos: Maria das Dores demanda doses extras de atenção. (Penadinho também, mas lançava mão de outros expedientes para conseguir a minha) Mas pq acha que se dizendo permanentemente avariada ela conseguiria? Isso funciona na infância, sem dúvidas, mas como ela ainda não enxergou que não funciona com adultos? Aliás: será que ela tem, semi conscientemente, a intenção de atrair a atenção dos outros com seu calvário in box? O que a faz supor que pode funcionar? E se não tem intenção, pq diabos faz isso???

(percebam que ela só não tem a minha simpatia, mas a minha curiosidade ela tem, inteirinha rs)

Bom, voltando. Dai que na sexta feira eu me senti tentadíssima a lhe entregar o papelzinho com suas doenças da semana. Ia ser bem escroto da minha parte e só por isso não fiz, mas perdi uns bons minutos imaginando qual seria a reação. Será que ela me acharia escrota e ponto? Nem ia parar pra pensar se era possível a um vivente sentir uma coisa diferente a cada dia, todo dia?

Jamais saberemos. tsc

21 março 2010

SÉRIE O BONEQUINHO VIU Nº 5

Dia desses eu fui ver a peça tri-recomendada de Elisa Lucinda:



Estou encantada! É tudo que consigo dizer a respeito. Deixo pra vcs a essência da coisa:

Libação

É do nascedouro da vida a grandeza.
É da sua natureza a fartura, a proliferação 
os cromossomiais encontros,
os brotos, os processos caules, 
os processos sementes, 
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores...

As conseqüências cachos,
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas, 
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas

É da substância do átomo
ser partível, produtivo, ativo e gerador 
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza

É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la,
não roê-la com nossos minúsculos gestos ratos, 
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la
, cheio que é o seu princípio 

Todo vazio é grávido desse benevolente risco
todo presente é guarnecido do estado potencial de futuro 

Peço ao ano-novo
Peço aos deuses do calendário 
Peço aos orixás das transformações: 
nos livrem do infértil da ninharia!
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha", desumana, sozinha
Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar nos amesquinha.
 

A vida não tem ensaio mas tem novas chances: 
Viva a burilação eterna! 
Viva a possibilidade, o esmeril dos dissabores! 
abaixo o estéril arrependimento,
a duração inútil dos rancores! 


Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente e a virgindade dos dias que virão!

11 março 2010

BEIJO MULTIMÍDIA

Amor ensina o óbvio. É o que eu mais gosto de aprender.

Nem sempre mereço atenção. As crianças têm o direito de serem tolas, por isso são mais sábias.

Minha namorada narrava as diferenças entre o Playstation e o Nintendo Wii e mencionou a expressão device. Eu nunca descobri o significado. No passado, utilizei o termo pela intuição, coitado de quem me ouviu.

- O que é?

- Está brincando?

- Não sei, o que é?

- Para de gozação!

Admiti que conhecia, pois estava ficando chato. Já me sentia um ignorante. Como desconheço device aos 37 anos? Como?

Ela anteviu que tirava sarro dela, que me fingia de burro para que explicasse à toa. Como ninguém quer ser idiota, fica complicado salvar a idiotice alheia.

Eu era burro mesmo. Tentei resolver essa lacuna e abrir espaço para outras ignorâncias. Confesso que careci de coragem para teimar e imprimi uma risada apaziguadora. Soou como brincadeira.

O que me arrebata é a chance de ser puro. Como muitos juram que sou malandro e maquiavélico, arriado e abusado, dificilmente alguém confia na minha limitação. A curiosidade sofre os efeitos colaterais da reputação e não recebe reforço.

De vez em quando, Cínthya esquece quem eu sou para me amar mais. E é minha melhor professora: Teimei em entrar com uma ameixa em seu carro. Vermelha, lustrosa, com todo o verão dentro. Estávamos atrasados. Costumo comê-la com o rosto inclinado ao chão para derramar o prejuízo no tapete dos pés. Não estudei como destroçaria a fruta em seu carro. Sentei no impulso, traindo minha atitude selvagem e desprezando o encolhimento do espaço.

Dei uma mordida e o sumo escorreu para a calça; ela olhando, limpei. Na segunda investida, já de pernas abertas, o líquido infestou o banco; ela olhando, disfarcei. Quando consegui espirrar no vidro, ela interferiu na operação, não havia como se manter distante. Ou falava ou seu twingo se transformava num liquidificador:

- Vem cá, por que não chupa ao morder?

- Chupar ao morder? Posso?

- Claro, depois que larga os dentes, chupa.

Ela aceitou meu despreparo e contornou o caroço e mordeu e chupou perfeitamente. Engoliu a lasca e o suco. Vi que podia. Pena que não tinha mais ameixas para exercitar.

- Onde aprendeu?

- Em Constantina, sou campeã para não me sujar.

Ainda não perguntei sobre os efeitos colaterais dessa aula. Mas não duvido que não tenha influenciado até minha forma de beijá-la.
__________________________________
Fabrício Carpinejar, aqui ó


Eu já disse por aqui que há um correspondente feminino para a letra de "garotos" do Leoni? Pois há. Talvez por gravar ainda, mas há. Não tenho dúvida.

Machos que inspiram esse tipo de música andam alguns passos a frente do resto de sua raça e não encontramos em qualquer esquina, obviamente. Eu mesma, pra ser sincera, só conheço dois. (vindo de mim não é um número que mereça espanto, dado o tamanho ridículo do meu espaço amostral!) 

Os donos dos dentes e sorrisos que mastigam meu juízo não têm talento pra escrever como Carpinejar, pq perfeição só existe no céu. Mas não posso deixar de fantasiar: qualquer um que consiga dizer sem dizer como ele fez no texto acima tem TODOS os predicados para inspirar um CD inteirinho... ui!


06 março 2010

PROJETO FAMÍLIAS RENOVADAS

Li dia desses na BBC Brasil que uma arquidiocese italiana organizou um curso para sogras aprenderem a não perturbar a vida dos casais.


Achei sensacional. (e levemente consolador: é sempre bom ver nos jornais alguma iniciativa útil, já que a Igreja só vira manchete se for escândalo sexual ou quando alguma autoridade eclesial diz ou faz alguma coisa imbecil)  

Pode funcionar. Creio que boa parte das sogras católicas deve ser beeeem beata. Se ouvirem as obviedades relativas ao assunto dentro da Igreja, talvez tomem como preceito cristão hohoho

A idéia é boa mas não vai à raiz do problema. Para que "sogra" deixe de ser sinônimo de encrenca, na minha modesta opinião deveriam pensar num curso para mães, que criando filhos emocionalmente melhores, formarão melhores pais, que quando se tornarem avós serão melhores também. Cortando o cordão umbilical na hora certa - no parto!, criando meninas e meninos com os mesmos direitos e deveres, dando limites, construindo valores baseados no "ser" e não no "ter" e tal & tudo. A coisa não se resolve em poucos anos... 

Minha tese é baseada na atenta observação de um ser que só aprendeu a passar suas roupas aos 30 anos e por absoluta falta de opção: meu irmão. É que sra. minha mãe, depois de longos e honrosos anos de trabalho, se aposentou. Hoje em dia ela é só avó. Não dedica mais 40 horas semanais do seu tempo administrando o lar de modo que ou ele se mexe ou anda sujo e amassado. Pq eu - que lavo e passo minha roupa desde os 13 anos, me recuso sorridentemente a ratificar com a minha conivência essa idéia de jerico que homem não foi feito para tarefas domésticas.

Faço tudo que posso por uma adaptação menos traumática: já ensinei o caminho da máquina de lavar, apresentei a cafeteira, contei que se o ovo não estiver gelado, não vai espirar quando cair na panela e demonstrei numa aula prática que o único item auto limpante da casa é o forno: assisti, indiferente, ele precisar comprar cuecas e meias pq não tinha mais NENHUMA limpa ...

Sinhozinho não só aprendeu rápido como não lhe caiu nenhum dedo! Até pq ele - como todos os outros homo sapiens - tem uma noção razoável da dinâmica da coisa: ele sabe que se alguém sentar com o biquini molhado no banco do carro vai ficar fedendo jaula. Só não aplica o mesmo conceito à toalha molhada que deixa sobre a cama pq sua digníssima genitora lhe tirou a oportunidade de constatar a verdade da teoria cada vez que recolheu a peça e estendeu no varal.

Mas e dai? Dai que eu acho que se minha mãe tivesse se ocupado menos com o filho - além de não ter criado um homem quase imprestável e potencialmente um estorvo de marido - ela teria vivido melhor a própria vida e não precisaria se ocupar com a alheia.

Nada me tira da cabeça que sogras não nascem com vocação pra capetice: é por falta de assunto, por não saber o que fazer com o tempo livre que se metem tão desavergonhadamente em assuntos que não lhes dizem mais respeito.

28 fevereiro 2010

ALTER CLARA

- Oi bunitinha!

- Vc???? Que aconteceu, eu morri? Jurava que viria um anjo me buscar.

- Não. Vc está dormindo e é só nessas horas que vc me escuta.

- Quantos anos temos agora?

- 40.

- Nós não pintamos cabelo ainda?

- Não. Nossos fios brancos continuam discretos. São pouco mais do que os 4 que vc tem hoje e ainda não reclamam por tintura.

- Que bom.

- Pq vc demorou tanto pra vir? Te espero desde 2005!

- É, eu fiquei comovida quando li o que escreveu...

- E o que vai me contar do futuro?

- Do futuro? NADA!

- Vim só pra te lembrar o que já constatamos há alguns anos: devemos agradecer à vida por não dar exatamente o que a gente quer.

- ahan, repeti isso inda hoje cedo.

- Mas como assim vc vem do futuro pra me repetir o passado? E tem graça isso?

- Se eu tivesse vindo na época de Big Ghost e contado o que ele ia fazer, vc teria me ouvido e pulado fora enquanto era tempo?

- Não...rs

- Nos anos de nossa beatice, se eu contasse que vc ia decidir abandonar os sacramentos, acreditaria?

- NÃO!!!!

- Se eu tivesse vindo há 2 anos pra adiantar como terminaria a coisa lá com Penadinho? E se eu contasse que seria ele a te apresentar o Cris?

- Eu não ia acreditar pq é novelesco demais.

- Tá vendo? Vc não acredita nem em vc mesma. Não vou perder nosso tempo.

- Enton vc driblou sabe Deus o que pra retroceder no tempo e me dizer uma coisa que eu já sei?

- Não, vim dizer também que eu acho que vc está repetindo o mesmo erro que cometeu na época da faculdade, quando estava empacada em Big Ghost e não viveu o que era pra viver com o mocinho com quem dividiu a casa do 49...

- O que eu TAMBÉM já sei...

- E - como diria nossa querida e mui saudosa terapeuta - o que vc vai fazer com isso?

- Se eu soubesse acho que vc não teria vindo me ver agora... touchè
!

- touchè! Eu tenho tanto orgulho de vc!

- Me diga só que vai passar.

- Vai passar.

- Vai passar logo?

- Depende de vc...


N.A.: Há alguns anos que penso nisso. E ontem vi aqui mas a idéia original é
daqui

24 fevereiro 2010

CLARA DEL VALLE CASTRO VARGAS

Ando meio totalitária essa semana: já esculhambei colega de trabalho em e-mail-com-cópia-pra-chefe, já fingi que não escutei pra não ter que responder e não fui solidária com Jana no nosso chat corporativo... mas depois do Ric me contar que o auxílio reclusão é maior que salário mínimo (presidiário tem que receber salário, caraleos?) e de presenciar uma séria discussão sobre quem deveria ser eliminado no BBB e de ouvir que o imbecil que diz que só gays têm aids "merece ganhar pq pelo menos ele é honesto" eu estourei minha cota poliânica e esqueci que meu país é lindo, que os artistas brasileiros são ótimos, que quase todos os brasileiros que eu conheço são ótimos... (esqueci também que sou uma entusiasta do cinema nacional e praticamente não ouço outro tipo de música que não seja MPB e praticamente não tenho em minhas estantes livros de escritores que não sejam latinos!)

Estou chatinha demais pra redigir algo novo, enton deixo texto atribuído a Jabor para destilar toda a minha indignação por esse país de mierda e esse povinho igualmente de mierda:

Brasileiro é um povo solidário. Mentira.

Brasileiro é babaca: eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade; não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.  

Brasileiro é um povo alegre. Mentira.

Brasileiro é bobalhão: fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

Brasileiro é vagabundo: O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. 

Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira.

Já foi. Hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.

Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente.
Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal... se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

O Brasil é um pais democrático. Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.

Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. 

Democracia isso? Pense!

O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né???

O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro.

Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira. Para finalizar tiro minha conclusão: 

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse texto, meus sentimentos, amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: á
gua doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

31 janeiro 2010

SOBRE A ÁGUA, O COPO E AS SEDES ALHEIAS...

Gosto da experiência de ser água. Deve haver algo de divino em se dar de modo que sacie alguém... Vivo me derramando, torrencialmente ou gotejante, sobre coisas e pessoas. E se me represo, capaz seria de alimentar uma hidroelétrica...ainda faço o sertão virar mar por conta dessa bendita febre de sentir...

Já ser copo não é tão magnânimo, tem que ter alma pra isso. Um corpo só não basta. Nem só um corpo, nem só uma alma. Há de se ter um ego tamanho GG para não cair na tentação de se sentir usada. Afinal, como diria Celso Russomano: estando bom para ambas as partes...

Acho mó graça desse povo que se lambuza numa situação e depois fica choramingando... como assim? Estava dormindo? Fora de si? As pessoas tratam a gente do jeito que a gente deixa, oras rs

Mas estava eu divagando sobre a vocação de cada ser: copo ou água, será que há predisposição genética? (burrice é hereditário!?) Parece que tenho talento pra água, mas reincidente - e conscientemente, o que agrava a culpa - sou copo. Demoro pra ver, poetizo a coisa, abstraio o que há de triste nisso, mas sou. Um copo de cristal, mas só um copo.


E sendo água a razão de existir dos copos, seria muita pieguice perguntar por onde anda a água da minha sede?


ET: Republicando. Incrível como as coisas mudam, mudam, e continuam iguais!

20 janeiro 2010

O SABOR DO GESTO


Uma das minhas metas para 2010 é deixar de ser besta e não esperar pelos outros pra fazer as coisas que quero. Dai que ontem foi uma ótema oportunidade pra treinar: Zelia Duncan por uma cx de leite (aquele projeto bacana da prefeitura, lembram?) 

O caso é que cairam todas as águas de março sobre a cidade e não me faltariam pretextos pra desistir de ir sozinha. Mas alheia às árvores caídas, bicicletas e motos arrastadas pela enxurrada, boeiros transbordando e à falta de luz em todo o bairro, eu fui \o/

O show rolou com a energia de geradores - ou a da própria Zelia que, dentro de um vestido rosa chiclete pa-vo-ro-so, (que não tinha NADA a ver nem com ela, nem com o tênis que estava usando, nem com coisa alguma!) pulava como se estivesse no palco com o Rappa e cantava como se não usasse microfone. Contagiante!

Suas letras seguem cópias fiéis de minha alma, como aquelas que a gente fazia no século passado contornando os mapas sob uma folha de papel de seda para as aulas de geografia (se as crianças de hoje em dia ouvissem isso...):

Não me salvo porque não me acho!

Eu me acerto, eu tropeço e não passo do chão, eu me apronto pro dia seguinte: escovo os dentes, abro a porta da frente, evito a foto sobre a mesa e ninguém aqui vai notar que eu jamais serei a mesma... 

Sou hóspede do tempo, da minha casa, das minhas palavras, das coisas que declaro minhas... inquilina da vida que me foi dada...

Olhos pra te rever, boca pra te provar, noites pra te perder, mapas pra te encontrar, fotos pra te reter,luas pra te esperar, voz pra te convencer, calma pra te entender, verbos pra te acionar, luz pra te esclarecer, cartas pra te selar, sexo pra estremecer, silêncio pra te comover, música pra te alcançar, refrão pra enternecer: meus verbos sujeitos ao seu modo de me acionar! 

É tão bom não ser divina! Quem se diz muito perfeito na certa encontrou um jeito insosso pra não ser de carne e osso...  

Do CD novo, mais uma que me veste (despe?)

♬ Eu sai pra estrada e não tenho pra onde ir
Sempre ouvi dizer que esse mundo era pequeno
Pelo caminho de espinhos avistei um mar de rosas
Pra chegar até lá eu preciso um pouco mais de tempo
Preciso de um grande amor
Preciso $
Preciso de humor
Eu quero matar a vontade enquanto tenho saúde e idade
Fazer um pouco de tudo
Manter a alma pra poder ganhar o meu mundo
... ♬ 

Diferente do show do Frejat que me remeteu aos meus mal-entendidos do coração, este foi uma viagem àquele lugar que ninguém mais pisou, onde estão empilhados todos os registros sinestésicos das coisas que me acontecem. (e as que não acontecem também!)

ingresso = 2,50
taxi = 15,00
o "sabor do gesto" = não tem preço!!!!

12 janeiro 2010

SÉRIE O BONEQUINHO VIU Nº 4

Eu achava que tudo que podia ser dito sobre a ditadura tinha se esgotado em Batismo de Sangue... Até assistir Tempos de Paz: ainda não tinha assistido nada do ponto de vista dos torturadores. 

O bonequinho aplaude de pé por 1 minuto inteirinho a giga interpretação de Dan Stulbach:



Percam os 10 minutinhos do vídeo. Vale muiiiiito a pena!

Segue íntegra do monólogo: (esse texto em espanhol deve ser de chorar muito no cantinho, hein tri?!)

Ai miserável de mim e infeliz!
Apurar, ó céus, pretendo,já que me tratais assim,
que delito cometi contra vós outros, nascendo?;
que, se nasci, já entendo qual delito hei cometido:
bastante causa há servido vossa justiça e rigor,
pois que o delito maior do homem é ter nascido!
E só quisera saber,para apurar males meus
deixando de parte, ó céus,o delito de nascer,
em que vos pude ofender por me castigardes mais?
Não nasceram os demais?
Pois se eles também nasceram,
que privilégios tiveram
como eu não gozei jamais?
Nasce a ave, e com as graças que lhe dão beleza suma,
apenas é flor de pluma, ou ramalhete com asas,
quando as etéreas plagas corta com velocidade,
negando-se à piedade do ninho que deixa em calma:
só eu, que tenho mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce a fera, e com a pele que desenham manchas belas,
apenas signo é de estrelas graças ao douto pincel,
quando atrevida e cruel, a humana necessidade lhe ensina a ter crueldade,
monstro de seu labirinto:
só eu, com melhor instinto, tenho menos liberdade?
Nasce o peixe, e não respira,aborto de ovas e lamas,
e apenas baixel de escamas por sobre as ondas se mira,
quando a toda a parte gira, num medir da imensidade
co'a tanta capacidade que lhe dá o centro frio:
só eu, com mais alvedrio,tenho menos liberdade?
Nasce o arroio, uma cobra que entre as flores se desata,
e apenas, serpe de prata, por entre as flores se desdobra,
já, cantor, celebra a obra da natura em piedade
que lhe dá a majestade do campo aberto à descida:
só eu que tenho mais vida, tenho menos liberdade?
Em chegando a esta paixão um vulcão, um Etna feito,
quisera arrancar do peito pedaços do coração.
Que lei, justiça, ou razão, nega aos homens - ó céu grave!
privilégio tão suave, exceção tão principal, que Deus a deu a um cristão, ao peixe, à fera, e a uma ave?

Monólogo de Segismundo - La Vida Es Sueño -
de Pedro Calderón de la Barca

(copy de Julio Diniz)

30 dezembro 2009

ABECEDÁRIO 2009

Amor próprio. E com direito a tatuagem.

Bom senso descalibrado. Por conta dele me meti numa (outra) história novelesca.
 
Cristiano. Um marco, divisor de águas mesmo. Me fez evoluir em questão de semanas de "mentiras sinceras me interessam" para "ou tudo ou nunca mais"
 
Deus. Cada dia menos sensível, mas indubitavelmente UNIpresente. 
 
Emprego. O mal necessário dos adultos, que vem pagando minhas contas e me convencendo que sou uma excelente profissional.

Filmes. Muitos. Sozinha e (bem!) acompanhada.
 
Gratidão. Por tudo e todos que me ajudaram a me tornar quem sou.

Honestidade. Sigo pagando muito muito caro, mas enfim...
 
Isabel Allende. Que me deu um sobrenome e me instigou a conhecer o Chile.
 
Jaculatória. Nesse último mês repeti uma a exaustão. Sem nenhum resultado ainda.
 
Lara Nowack, a médica que extraiu meus miomas e me devolveu um ciclo menstrual civilizado.
 
Mulherzice. In-su-por-tá-vel tsc
 
Noites pares. Poucas entre algumas impares e várias insones.
 
Obsessão. Tudo indica que troquei uma por outra. tsc
 
Prateleiras de Itatiaia. Lindas!!! Valeu, Gab!
 
Quilos. 6 a mais que me obrigaram a comprar calças jeans, pq TODAS as minhas estão atochadas.

Restauração. Processo leeeento e delicado que me fez apreciar a beleza das minhas ruínas.
 
superego senil \o/
 
Tecla F. Várias vezes no ano. Arrependimento zero! Recomendo!

Ulisses, d´O Livro dos Prazeres de Lady Lispector.
 
velório para bom defunto. Com carpideira e tudo!
 
xiliques. Depois de uma vida engolindo sapos com inglesa resignação, me permiti alguns momentos descontrol
 
zicas inexplicáveis: no meu cartão de crédito, no relógio de ponto da empresa, no meu celular que morreu como um passarinho, no mp3 do celular novo que simplesmente pára de tocar quando quer...

14 dezembro 2009

PROMOÇÃO RENOVE SUA ESTANTE

Olá vc, leitor amigo que chegou aqui direcionado por deus google!

vc que não deixa e-mail no perfil do orkut e que, portanto, não recebeu meu pedido no inbox;

vc que sabe o quanto eu gosto de ler e que não fará nada nos próximos 2 minutos:

... eu poderia estar roubando (ou gastando os tubos em livrarias virtuais), mas hoje estou aqui, humildemente, atrapalhando a viagem de vcs, pra pedir que se cadastrem no Scroob e me ajudem a ganhar 10 livros (10, pessoas!!!).
 
Funciona assim:
- vcs clicam no link abaixo,
- informam nome, e-mail, sexo e estado onde moram,
- escolhem os livros que gostariam de ganhar (ou não escolhem nada, basta o cadastro pra me ajudar!)
- ganham seu próprio link pra esmolarem a ajuda dos amigos e...
 
... teremos até 27/12 pra contar com a caridade da galera!!!!
 
São três formas de ganhar:

1 - O usuário que conseguir mais cadastrados com o seu link, até o fim da promoção, ganhará os 10 livros.

2 - Ter um dos seus cupons sorteado, (toda vez que um usuário se cadastrar através do seu link da promoção, você ganhará um cupom para o sorteio)

3 - Se a pessoa sorteada tiver efetuado o cadastro através do seu link da promoção, você também ganha.
 
 
E então, me ajudam?
 
Percam apenas 1 minutinho e façam uma criança feliz neste natal!!! hein?
 
Brigadim,

06 dezembro 2009

SIMPLESMENTE EU...


Sábado fui ver o espetáculo que Beth Goulart montou costurando a biografia, a obra e entrevistas de lady Lispector (Mô, é imperdível!)


Clarice é muito pessoal em seus escritos e todos os seus personagens tem algo de si mesma. Acho que Joana de “Perto do coração selvagem” talvez seja a mais parecida com sua essência criativa e indomável. Ana do conto “Amor” é a dona de casa e mãe dedicada que Clarice certamente foi. Lori de “Uma Aprendizagem ou O livro dos prazeres” vive em cena as descobertas do amor e A Mulher do conto “Perdoando Deus” é uma bem humorada auto-critica."
Beth Goulart


Sai do teatro achando uma verdadeira maldição pensar tanto. rs



02 dezembro 2009

MAIS UMA VEZ...


Eu ainda me espanto com minha infinita capacidade para a nostalgia: ontem em mais um show de Roberto salve salve Frejat (que assisti sentadinha e praticamente de graça!) pude rever TODO o meu histórico afetivo! Desde aquelas desimportâncias que dão até vergonha de assumir até Big Ghost, que vezenquando ainda me assombra. Sorri, em paz com as fatalidades & bizarrices e lamentei, conformada, todos os fins patéticos. (particularmente esse último tsc)

Psicótica publicou seu inventário e quando li deu vontade de rascunhar também. O show foi só um incentivo. Bora conhecer os pontos altos (baixos?) de minha vidinha emocional mais ou menos: (entre um e outro, ou simultaneamente, aconteceram algumas irrelevâncias indignas de nota e também delicadezas que não cabem em algumas linhas)

Big Ghost era um amiguinho da escola. Esses que todas as meninas maiores beijam na hora do recreio. Eu beijei todas as vezes que pude, mas escondido hohoho Seguimos amiguinhos até o fim do que se chamava 2º Grau, amadurecendo aos tropeços como todos os aborrecentes. Esse amor platônico me garfou um tempo enorme: entrei e sai da faculdade, comecei e terminei um MBA e ele ainda estava lá, cada dia mais absurdo, intacto em sua inutilidade, entulhando meu coração e minha cabeça de vento. O fim foi tão trágico que me virou do avesso. Mas devo dizer que gosto bem mais de mim ao avesso.

Na seqüência, Litlle Ghost foi uma concessão, uma tentativa de ser uma pessoa normal, que se relaciona com gente de carne e osso. Era um amigo de loooonga data, éramos igualmente ariscos, egoístas e carentes. Acreditei que podia ser divertido já que ambos queríamos a mesma coisa: deitar num abraço frouxo pra descansar um pouco dos enguiços da vida (eu pretendia, enquanto isso, colar os quinhentos milhões de caquinhos em que me quebrei já que carinho faz bem a qualquer moribundo). Nessa época perdi o que restava da vergonha da cara, mas aprendi a prestar atenção nas minhas precisâncias. Descobri que meu limite entre amor próprio e civilidade não era muito nítido e espumei de ódio desnecessariamente até re-demarcar minhas terras. Acabou e eu não vi, e apenasmente por não ver insisti até estourar minha cota de tolerância-com-as-canhestrices-alheias desta vida. Hj em dia o evito de todas as formas educadas possíveis. Pretendo fazer isso pra sempre, mas me conheço e sei que em breve minha determinação vai perder a força, já que a raiva passou e sou até capaz de dizer que entendo o que (não) aconteceu.

Depois do final lamentável dessa fase ‘pq que a gente é assim?’, entrei numa outra: ‘mentiras sinceras me interessam’ e incorri em todos os erros possíveis. Só dois seres merecem registro: Gasparzinho, que já chega a ser um fantasma mas nem me assusta (a graça de nossa relação é a pilha de não-ditos e 'quases' que acumulamos) e Penadinho, que julgo ser a pessoa mais importante de todas que já passaram até o momento. 

Gasparzinho testa a minha capacidade de abstração, pois tem TUDO que não suporto num homem. Sinceramente não sei o que vi nele. Já Penadinho, para além da gravidade do delito, deu cor a alguns aspectos monocromáticos de minha vida, por assim dizer. Foi algo sem futuro e de sentimentos nada nobres, mas como viver é melhor que ser feliz, tratei de aproveitar o que tinha de bacana, esquecida do que sempre me disse sra minha vó, que quem semeia vento colhe tempestade. Acabou de um jeito tão mas tão patético que não senti nada, nem raiva. Sua falta só é registrada quando constato que ao final do expediente que não tenho mais trocentos e-mails pra apagar e nem ganho bônus semanais no celular. Creio que se a bina do orkut não me mostrasse as visitas, sequer me lembraria de sua existência, que nada mais é que uma fábula.

Mais recentemente, início e fim devidamente rascunhados, me aconteceu uma pequena epifania. Um anjo trouxe possibilidades reais da sorte de um amor tranqüilo, mas ironicamente foi um fantasma que pôs tudo a perder: uma posseira baiana que se aboletou com termo de posse e propriedade nas terras improdutivas do coração do mocinho ôh vida!

Frejat cantou Renato Russo, e me lembrou muito um outro fantasma, que mesmo com todas as prerrogativas de fantasma - inclusive atestado de óbito - nunca me assombrou: amei Eduardo desde a infância com paixão e sem desejo, e o vi partir cedo demais, ceifado pela desgraça do vício em cocaína:

♬ Mas é claro que o sol vai voltar amanhã! 
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem ...

Tem gente que está do mesmo lado que você mas deveria estar do lado de lá;
Tem gente que machuca os outros;
Tem gente que não sabe amar;
Tem gente enganando a gente. Veja nossa vida como está!
Mas eu sei que um dia a gente aprende...
Se você quiser alguém em quem confiar confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança...♬


E não é isso? Vida segue, apesar de...

13 novembro 2009

PROVA DE AMOR?

Domingo passado eu vi 2 filmes: uma animação de massinha (Mary & Max. Tristinho que só, mas mesmo assim eu gostei) e My Sister's Keeper.

O segundo além de salvar o dia e ser mais um desses filmes "baseados nos meus achismos reais" ainda me ajudou a decidir que definitivamente não quero exorbitâncias para tentar me manter viva. Qdo chegar minha hora, me deixem, que eu sigo com os anjos. Pro caso d´eu ficar inconsciente: eu não quero vegetar. Desliguem os aparelhos sem choro nem velas, combinado? (Talinha, vc está oficialmente incumbida de lembrar minha família se for necessário!)

Pq isso agora? Bem, o filme é sobre a obstinação de uma mãe em prolongar a vida de sua filha que tem leucemia. Como transplante de medula era uma boa tentativa, ela engravidou de novo pro bb poder ser um doador. Dai que o bb cresceu e exigiu o direito de dispor sobre o seu próprio corpo (que durante 13 anos foi submetido à cirurgias e transfusões e estavam cogitando a doação de um rim!) Só conto até aqui. rs

Dai que já gastei muita massa cinzenta pensando que o homem inventou meios artificiais de sobre-vida para mais tarde pleitear na justiça o direito de executar uma sentença que a vida já tinha dado. Como diria Sinhá Baby, muito estlanho...

Não é de hoje que os homens brincam de ser Deus:

dos cientistas que anunciam clones (fakes ou não) aos traficantes que decidem quando e como alguém vai morrer; 

dos fundamentalistas de todas as religiões aos chefes de estado que fazem nos outros países o que é inconcebível dentro de suas fronteiras; 

dos pais que assistiram sua filha morrer pq estavam rezando pela sua cura aos que sacrificam esses mesmos filhos em rituais de magia negra...  

Vou dizer uma coisa e vai parecer que sou impressionável, mas bb´s de proveta são mesmo um avanço da medicina ou um capricho dos pais? Ou é a vaidade humana com roupagens de ciência, o pecado original contemporâneo?

Ainda não sei o que penso sobre eutanásia, mas me parece razoável questionar que tipo de vida tem as pessoas que dependem de uma máquina para respirar. Que direito teria eu de esgotar o dinheiro (e os nervos!) da minha família pra adiar por meses ou anos um final que é certo? Em que ponto lutar pela vida passa a ser contraditório, incongruente com a dignidade humana?

Outra: vai soar medieval, mas que direito tem uma mulher de engravidar para dispor da medula ossea da criança? Até então nunca tinha pensado nisso, mas as vezes por amor, a gente também precisa se conformar...

04 novembro 2009

O MITO DA MULHER TRISTE

A Revista Época dedicou 3 colunas ao assunto há alguns dias. Dai que eu tinha que dar o meu pitaco também:

Martha Mendonça levantou a lebre citando uma pesquisa que mostra um surpreendente e acentuado declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas. Bem, achei 1500 pessoas americanas um espaço amostral no mínimo tendencioso. Mas acho também que a revolução sexual foi um tiro no pé e que o ônus da independência financeira não foi bem dimensionado. Como nossos negros alforriados do séc 19, as mulheres do séc 21 de um modo geral não sabem bem o que fazer com a liberdade que conquistaram.

Ivan Martins foi mais pragmático, pinçando os motivos e dividindo responsabilidades: parte dos problemas femininos se deve ao comportamento dos homens. Antigamente, eles ficavam no casamento, ainda que não ficassem necessariamente em casa... Agora os homens vão embora e frequentemente deixam às mulheres a tarefa de criar os filhos... Na cultura de “vamos ser felizes”, a obrigação essencial de cada um é com a própria felicidade. A noção de dever e de obrigação vai se esgarçando até não significar coisa nenhuma. Lealdade (sobretudo sexual e afetiva) é uma palavra anacrônica. Isso me parece razoável. 

O que não me parece NADA razoável é:

acreditar que um homem que larga mulher e filhos pequenos por alguém que mal conhece e por quem se diz perdidamente apaixonado pode ser confiável;

engravidar de homens que não querem/podem dar suporte emocional nem financeiro;

casar ou manter-se casada com homens egoístas/imaturos/desequilibrados...

Tá bom, estou sendo simplista, parcial e nada solidária à minha raça, mas quis ilustrar que a outra parte dos problemas femininos está justamente nas más escolhas que fazem. Meus exemplos me parecem uma maldição beeeem pior do que permanecer solteira. No dia que eu acordar totalitária de novo, sou bem capaz de dizer que se isso for um castigo deve ser merecido. hohoho

Ruth de Aquino, finalmente, pontuou o óbvio: mulher reclama mais!!! A mulher se expressa mais, na alegria ou na tristeza. O fato de ela se questionar mais não pode ser confundido com infelicidade. Bingo! Já até rascunhei alguma coisa nesse sentido: idealizar é uma prerrogativa nossa. É justamente por reclamar, por não se acomodar, por querer mais e melhor que saimos das cavernas. Nosso nato e eterno inconformismo dita o ritmo em que progride a humanidade. (bonito isso, hein?) 

(A essas alturas devo sublinhar que estou falando de Mulheres, maiúsculas. E não dessas coisas de plástico, porcelana, lágrimas ou sex appeal que nos vendem como referência de mulher moderna, ok?)

Encerro com exemplos da diferença básica entre mulheres e homens:

vários alemães dissidentes tentaram 15(!) vezes matar Adolf Hitler. Uma única judia dissidente, Irena Sendler, salvou de mais de 1500 crianças dos campos de concentração sem precisar de nenhuma conspiração militar;

Homens que se prostituem seguem vendendo seu corpo. Mulheres que se prostituem criaram uma confecção e uma grife, a "Daspu".

Homens com problemas psicológicos compram armas e disparam contra inocentes em cinemas e escolas. Mulheres com problemas psicológicos também criaram uma confecção e uma grife, a "Dasdoida".

Presidiários ociosos promovem rebeliões. Presidiárias ociosas promovem desfiles de moda e um dia de rainha para a vencedora.

Homens perdem o emprego e não querem mais pagar pensão. Mulheres perdem o emprego e vão vender roupa, avon, fazer unha, lavar, passar e faxinar... simplesmente se viram.

Estou generalizando, mas pegaram o espiríto da coisa? Mulheres de verdade fazem alguma mais útil com as insatisfações!!!!

 

02 novembro 2009

O BONEQUINHO (ainda não) VIU


título: Onde Andará Dulce Veiga?
gênero:Drama
duração: 01:45
ano de lançamento: 2007
site: www.dulceveiga.com.br
direção:Guilherme de Almeida Prado
produção: Assunção Hernandes
fotografia: Adrian Teijido
direção de arte: Luís Rossi
figurino: Fábio Namatame
sinopse: Dulce Veiga (Maitê Proença) é uma atriz e cantora que fez sucesso durante um curto período de tempo e que desapareceu misteriosamente. Caio (Eriberto Leão, um escritor que trabalha como jornalista de variedades, ao entrevistar a jovem cantora Márcia (Carolina Dickman) descobre que ela é filha de Dulce Veiga, de quem era fã. Caio publica uma crônica no jornal em que trabalha contando suas lembranças de Dulce Veiga, o que gera uma enorme repercussão. A esquecida cantora é relembrada e todos querem saber seu destino. Paralelamente o jornalista fica cada vez mais obcecado pela personalidade da filha de Dulce, que é uma bela garota com trejeitos de homem.

Neste fds o diretor, mui generosamente, disponibilizou para download numa comunidade do orkut. Quem achar mais fácil pode encontra-los também no meu scrapbook.

Baseado no livro homônimo (e auto biográfico!) de Caio Fernando Abreu, Onde Andará Dulce Veiga? é uma produção Brasil/Chile que provavelmente não encontraremos em DVD.

Segundo a crítica, existe uma Dulce Veiga em cada um de nós, mas não precisa tanto para despertar a curiosidade, precisa? Devo confessar que torci o nariz tanto pra Carolina Dieckman quanto para Eriberto Leão. Se eu gostar da interpretação deles, volto pra fazer o mea culpa.

Na opinião de Gerson Steves, "apesar de tudo é um bom filme. Como cinema, tem imagens que falam por si e que são impressionantemente belas, bem construídas e minuciosamente amarradas. Como crônica, desfila e comenta deliciosas referências do cotidiano, da arte e da política dos anos 80. Como arte, faz pensar e leva a uma experiência muito inquietante. Como entretenimento, diverte e cativa".

24 outubro 2009

ABAÇAIADA

Faz parte do show vc se sentir meio idiota depois de um (mais um!) mau entendido do coração. Idiota² se vc foi honesta, boazinha.

E como sempre há um filho de Deus pra chutar cachorro morto, mal despi meu xale de velha carpideira e precisei responder a um desses seres desalmados que não, eu não percebi nada. Acabou e eu não vi.

Pq foi assim que aconteceu. Acontecem - com frequência até - situações em que o lado "bunda" finge que não vê os sinais de desinteresse do lado "pé" mas em outras tantas o lado "bunda" não vê mesmo. Humano, perdoável e irritante. tsc No meu caso, não vi pq talvez estivesse ocupada demais com a novidade que foi algo inteiro & recíproco cair de paraquedas, absolutamente (in?)esperado. Talvez eu só seja menos esperta do que imagino... 

Enfim, dei essa volta toda pra dizer que Ronaldo não sabe, mas foi ele que me ensinou que a gente não precisa ter vergonha de embarcar em canoas furadas. (claro que isso só vale qdo a gente não vê MESMO o rombo no casco). Eu quase admiro esse lado kamikaze dele, que segue aberto ao novo que a vida trás apesar de. Ele se rasga, investe, acredita. Vive sem medinhos ou reservas tudo que talvez-de-repente-um-dia-quem-sabe-possa-vir-a-ser uma pequena epifania. Ronaldo não se economiza e quando eu crescer vou ser quinem ele. (mentira, vou nada. Ainda preciso treinar muito o desapego pra querer ser assim tão generosa!)

Pessoa desalmada também quis saber se eu não exagerei no texto (Bodas de Post It abaixo) e na expectativa. Na expectativa certamente mas no texto não. Pra mim é difícil mas fundamental transpor o sensível para o legível, o evento do ano merecia registro e merecia as melhores palavras apenasmente pq elas correspondiam aos meus melhores sentimentos.

Agora que o luto já acabou (e eu já posso ouvir Bruna Caram sem vontadinha de chorar rs) penso que todos os eventos desse quilate - a revelia de seus finais patéticos - merecem registros generosos e um relicário. Não pra incensar o ser que partiu, mas guardar o melhor que a gente foi capaz de entregar. A vida anda atrolhada de efemeridades, pequenezas. Homens e mulheres bóiam na superfície de suas precisâncias, incapazes de profundidade... dai que quando acontece algo que foge ao ordinário ao qual nos acostumamos, a gente tem, sim, que celebrar.

Nadar contra a corrente da avareza emocional não deveria parecer ingenuidade. humpf

E já que isso acabou virando uma carta-resposta, termino dizendo ao querido e desalmado leitor que perguntou: não, não pretendo regredir ao "mentiras sinceras me interessam". Mantenho-me, mais firme do que forte, no "ou tudo ou nunca mais"

N.A¹: "atrolhado" só existe no dicionário de Caio Fodástico
N.A²: "abaçaiado" é do repertório de Fernando Anitelli, d´O Teatro Mágico
N.A³: tá soando inconformismo envernizado, mas eu juro que não é. Ou é? hohoho

20 outubro 2009

NA TERRA DO CORAÇÃO

Nave, ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota, pedra, lata... Passei o dia pensando — coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação — repetido, invertido — ação, cor — sem sentido — couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi: 

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming 1, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 3?) em que um Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças nas janelas, rapazes pela praça, tules violeta sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: “I’m too purê for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos — ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso — vasto, vivo: meu coração teu.

Caio Fodástico Abreu em "Pequenas Epifanias"

N.A: Desta vez publiquei na íntegra. Foi o jeito menos piegas que encontrei de contar a vcs que a coisa fofinha de posts atrás acabou. Já tem uns dias, mas sabem como é: velório, enterro, luto... a gente precisa de um tempo pra cumprir o ritual rs. 


15 outubro 2009

GOD ON TRIAL

Dai que mais uma vez minhas dúvidas viraram filme!

Eu sempre me perguntei pq Deus tolera as atrocidades que acontecem no mundo... minha resposta, rasa e cristã, é nada satisfatória: "pq dotou os homens de livre arbítrio". "Não pode interferir na sua liberdade". O que faz todo sentido enquanto houver liberdade. Mas e quando não há? God On Trial (2008) dá voz às minhas divagações.

Com a mesmíssima pretensão que me fez questionar pq Deus iria atiçar Joana D´arc a se meter numa guerra para coroar o homem que a mandou queimar viva, fico cá pensando se os judeus são mesmo o povo escolhido de Javeh... pq se Deus não falha, e se a Lei Mosaica selou entre eles uma aliança eterna, alguma coisa deve ter dado muiiiiito errada para que tenha havido o holocausto nas barbas do Sto Padre e com a conivência mundial. (teria o socorro divino sido em doses homeopáticas? Anne Frank, Irena Sendler, Karol Woitilla, Olga Benário e todos os anônimos que fizeram o que podiam: seriam gotas balsâmicas de humanidade nas chagas abertas de Israel??) 

Dando consistência à interrogação que me sonda há anos, recortes do texto de uma das personagens:

- Quantas estrelas vocês acham que há no universo?
- Há mil milhões de estrelas na nossa galáxia, só na nossa galáxia. E Deus fez todas aquelas estrelas. Ele fez mil milhões de estrelas unicamente na nossa galáxia. Em quantas delas há planetas que não conhecemos? E ainda assim, toda a Sua atenção está focada num pequeno planeta junto à borda de uma espiral exterior. E nem sequer com o planeta todo!
- Este homem que criou mil milhões de estrelas, fez um contrato com os judeus. Só com os judeus. E nem sequer com todos os judeus, porque judeus como eu não contam. Então me respondam isto: se Ele amava tanto os judeus, por que ele fez todo o resto? Por que ele não encheu o mundo com judeus ao invés de estrelas? Qual era o interesse?

Antes que me julguem anti semita, esclareço que apenasmente acho pretenciosa a crença judaica de que são a Nação Santa do Senhor. Nós todos, humanidade toda, homens, mulheres e gays, independente de raça ou credo, somos a raça eleita! Não parece meio idiota apoderar-se de um título desse tamanho e não reconhecer o próprio Deus, que assumiu a sua carne fazendo-se nascer judeu? Seria esse o pecado-mor? Não reconhecer em Jesus de Nazaré o Deus que esperaram? (e esperam até hj?)

Voltando: reza a lenda que prisioneiros de Auschwitz, no seu último dia de vida promoveram o julgamento de Deus. A acusação era de quebra do pacto. Argumentação até que consistente, considerando a limitação do entendimento humano. E o veredicto: culpado. Me acabei de chorar, claro, pq mesmo sem entender pq Deus se cala as vezes, não cabe nem na minha cabeça de vento que a Ele possam ser atribuídas as consequências do desatino de seus filhos.

Delicadeza do diretor ou lapso de tardia lucidez, a cena que mais gostei foi a que antecede o veredicto. Um homem que se julgava alemão e odiava judeus por força do hábito, mas descobriu-se judeu por herença genética dizendo aos 3 juizes que presidiam o tribunal:

- Quando vocês chegaram aqui tiraram as suas posses, tiraram os seus nomes, cortaram os seus cabelos, tiraram seus filhos, esposas, mães... até as obturações dos seus dentes!Tudo aquilo que os fazia homens. Não deixem que tirem o seu Deus também...

O filme é bacana, mas pra over-pensar e não concluir nada, obviamente. A lógica de Deus não cabe na nossa.