Tenho alguns livros desse homem e ainda não sei dizer se gosto ou não. Aliás, saber eu sei:
A-m-o. Amo o jeito dele de comer a última palavra da frase; amo esse estilo que me confunde e se não prestar um cadim de atenção me perco entre o que é dito, pensado ou sentido pelas personagens; amo os lapsos na cronologia dos fatos; amo as frases cruas e a (in?)previsibilidade emocional, que me remete ao caos cinestésico no qual estamos todos imersos, afinal; amo a fragilidade latente, que só vira agressão pela mais absoluta canhestrice.
O-d-e-i-o. Odeio aquele turbilhão descritivo que me torna incapaz de imaginar o que ele quis que fosse importante nas frases; odeio quando ele faz a loucura e a sordidez humanas nos parecerem mais familiares; odeio tudo ser tão factual, consumado, irretorquível, tristíssimo... odeio tudo estar a um passo da histeria e ainda assim ser perfeitamente compreensível. (Na verdade eu acho que odeio mesmo é que isso pode ser um indício da minha histeria hohoho!)
E é isso. Odeio-te, meu amor! rs
(mudando de assunto, mas nem tanto, alguém concorda comigo que escolheram mal a adaptação de Caio F. pros cinemas? Onde Andará Dulce Veiga tá me parecendo tão comercial qto Cazuza, O Tempo Não Pára. tsc Pra fazer jus ao talento do homem, deviam filmar Pela Noite, dai teríamos o nosso próprio Segredo de Brokeback Mountain, que perderia na fotografia mas seria um escândalo de roteiro e interpretações!)
N.A.: e pr'os que ainda não se deram conta, esse blog é um diarinho. E já que acordei numa mulherzice insuportável - de novo - termino falando do meu coração, pinçando as frases dele (as mais desarmadas, e por isso verdadeiras e por isso², belíssimas):
ET: A quem interessar possa, eu ando muito precisada desse livro ai ó, o "Pequenas Epifanias"... "Cartas" tb faria uma criança feliz, muito feliz eu diria. rs
A-m-o. Amo o jeito dele de comer a última palavra da frase; amo esse estilo que me confunde e se não prestar um cadim de atenção me perco entre o que é dito, pensado ou sentido pelas personagens; amo os lapsos na cronologia dos fatos; amo as frases cruas e a (in?)previsibilidade emocional, que me remete ao caos cinestésico no qual estamos todos imersos, afinal; amo a fragilidade latente, que só vira agressão pela mais absoluta canhestrice.
O-d-e-i-o. Odeio aquele turbilhão descritivo que me torna incapaz de imaginar o que ele quis que fosse importante nas frases; odeio quando ele faz a loucura e a sordidez humanas nos parecerem mais familiares; odeio tudo ser tão factual, consumado, irretorquível, tristíssimo... odeio tudo estar a um passo da histeria e ainda assim ser perfeitamente compreensível. (Na verdade eu acho que odeio mesmo é que isso pode ser um indício da minha histeria hohoho!)
E é isso. Odeio-te, meu amor! rs
(mudando de assunto, mas nem tanto, alguém concorda comigo que escolheram mal a adaptação de Caio F. pros cinemas? Onde Andará Dulce Veiga tá me parecendo tão comercial qto Cazuza, O Tempo Não Pára. tsc Pra fazer jus ao talento do homem, deviam filmar Pela Noite, dai teríamos o nosso próprio Segredo de Brokeback Mountain, que perderia na fotografia mas seria um escândalo de roteiro e interpretações!)
N.A.: e pr'os que ainda não se deram conta, esse blog é um diarinho. E já que acordei numa mulherzice insuportável - de novo - termino falando do meu coração, pinçando as frases dele (as mais desarmadas, e por isso verdadeiras e por isso², belíssimas):
Nave, ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota, pedra, lata... passei o dia pensando — coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação — repetido, invertido — ação, cor — sem sentido — couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:
Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.
Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham.
Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.
Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água.
Meu coração não tem forma, apenas som.
Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar.
Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.
Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.
Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.
Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.
Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos — ai de mim! ai, ai de mim!
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.
Recortes de "Na Terra do Coração", em Pequenas Epifanias.
ET: A quem interessar possa, eu ando muito precisada desse livro ai ó, o "Pequenas Epifanias"... "Cartas" tb faria uma criança feliz, muito feliz eu diria. rs





