15 agosto 2008

HAVIA BELEZA ALI OU ERA CRIATIVIDADE MINHA?!?

Escrevo numa ressaca moral sem precedentes. Tão abestada que nem deu pra ficar triste, ainda. Assustada com a minha polianice e me perguntando como um mesmo cidadão pôde me inspirar sentimentos tão meigos e em questão de horas me fazer a mulher mais idiota do sistema solar...Tá bom que o ser humano tem uma capacidade infinita pra nos decepcionar, tá bom que "pra ver Deus tem que morrer", tá bom que eu sou carente... tsc (maldita carência! Maldita! Maldita! Maldita!)

Historinha digna do muleburra.com Aliás, se eu fosse famosa, poderia concorrer ao prêmio Burralda do Mês, que mereço:

Que a bebida revela as pessoas geral já sabe né? Pois não é que depois de todos esses dias convivendo com uma criatura sóbria, razoavelmente bem informada, divertida e otras cositas mas eis que descubro no último dia que a gente iria se ver (menos mau, convenhamos, que se descubro no primeiro eu nem teria aquela coisa do comida-boa-roupa-limpa-e-cama-quentinha pra lembrar) que o guri é uma fraude: a menor das surpresas foi ele, empolgadíssimo, num papo que não acabava nunca mais sobre funk. Só faltou subir na mesa pra dançar. Registre-se: embora eu ache que o juízo final vai começar no baile funk, nada grave até ai. O que me partiu o coração mesmo foi ve-lo se esmerar no assunto por horas pra fazer graça pra outra guria, a que se revelou sua melhor amiga, a ponto de beliscar pedaços de pizza do seu prato e esticar as duas pernas sobre as dele, assim, despudoradamente, na minha frente. Mais despudoradamente ainda trocarem tels. Mais despudoradamente ainda conversarem alheios aos outros presentes na mesa.

No minuto seguinte descubro que o seu anel - que eu perguntei se significava alguma coisa importante - muda de dedo conforme lhe convém e que não só a criatura tem namorada como é a mesma há anos. Vou ao banheiro e escuto sem querer que o flerte não se restringe à guria funkeira mas é extensivo a loirinha sentada a nossa frente. Nós três colegas de trabalho. Mulher sabe ser escrota, deusdocéu.

Eu, inglesa, nada fiz. Aquele descaramento todo me paralisou. Quer dizer, quase nada fiz, que sangues ingleses também fervem. Demoram mais fervem: perguntei às gurias quem ia jantar o moço, assim cínica e sorridentemente. Foi feio, claro, mas na hora eu só pensei que se o visse ir embora com qualquer uma das duas, não ia conseguir disfarçar a inveja. Fiz o menos pior, acho.

Bem, a indelicadeza surtiu 1/2 efeito: a guria funkeira sossegou o rabo e a loirinha foi acometida por um sono incontrolável e quis ir embora. Todos pra casa. Ou não. De toda forma, o que não se sabe não dói.


ET.: como eu já disse, meus dias são salvos por detalhes. Como essa bizarrice toda que contei pode me gastar se recebo neste humilde rascunho a visita VIP³ de ninguém menos que Trevisan, ex Teatro Mágico????

Blogger Trevisan disse...
Poxa vi minha letra de sobra tanta falta no seu blog. que bacana ver que se identifica com meus sentimentos.
grande beijo
Trevisan

para ouvir a musicas:
www.mondo77.fm/otrevisan


12 agosto 2008

PEQUENAS EPIFANIAS

Confessei dia desses que meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável... (salve Caio Fodástico!) Sim, eu sou carente. Disfarço bem, mas sou podre de carente.

Dai que a vida - que sempre me soca com uma mão e ajuda a levantar com a outra - me trouxe mais uma dessas pessoas que vai passar ligeiro, (enton bora aproveitar que o tempo é HOJE!) e por isso a gente se joga num rasante kamikaze sem medo algum do futuro, apenasmente pq não vai haver futuro. Dai que a pedinte que vos escreve passou uns dias no melhor dos albergues: comida boa, roupa limpa e cama quentinha!!! hihihi

E agora, pensando no derradeiro breve e irretorquível, fico cá me perguntando se um dia merecerei algo maior que isso... mas é um pensamento. c-a-p-e-t-i-c-e. Não lhe dou muita importância e sigo, gratíssima à vida, (e à minha praticidade habitual!) numa alegria franciscana por ter alma pra viver essas miudezas e achar lindo como eu, de fato, acho.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome... Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

__________________________________
Caio Fernando de Abreu, para O Estado de São Paulo em 22/4/1986

UPIDEITI: Epifania é o caralho! humpf

03 agosto 2008

SOBRE FRIDA KAHLO

[giga parênteses] Ando bem pobrinha por conta do meu desemprego. Pobrinha e com muito tempo ocioso, o que é ótemo. Dai que depois que aprendi a colar uma titica de legenda num filme nacional(!?), eu fiquei me achando a ninja da pirataria e parti pras minhas velharias estrangeiras: depois de baixar torrent, filme, legenda; depois de constatar o quão porcas podem ser as traduções, depois de descobrir que nem sempre legendas vem sincronizadinhas com o filme, depois de aprender a sincronizar e descobrir, putíssima, que tem gente que gosta de legendas sombreadas e fazer tudo de novo só pra cola-las, branquinhas, limpas como devem ser, depois de muitas perguntas a deus google, eu finalmente aprendi o processo todo. [/giga parênteses]

Enton, foi um parto, mas consegui. O primeiro torrent foi de "Frida", de Julie Taymor (2002), que essa mulher me persegue há meses. (há anos se for contar desde a 1ª vez que ouvi Adriana Calcanhoto falar sobre as suas cores...) É que Caio Fernando Abreu me instigou a curiosidade quando escreveu sobre. Como ele também tentei fugir, amedrontada pela feiura de seus quadros (ciente do sacrilégio, mas aquilo é bonito, gente?), pelo bigode indecente e o olhar que, parece-me, partiria qualquer um em dois. Eu tentei, mas gente que sobrevive a si mesmo exerce sobre mim um fascínio inexplicável.

Eu tenho as "Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo", e por isso já sabia que ela é uma daquelas pessoas que Deus faz na sovinagem, uma-a-cada-vinte-anos, sabem? Mas claro, curiosa/masoquista do caralho, não me dei por satisfeita, praguejei contra a criatura que compilou aquele miserê de bilhetinhos, que não era crível que aquilo fosse o melhor a se publicar sobre essa mulher de chumbo, e parti pro filme torcendo pra que fosse fiel, razoavelmente bem produzido, e, sem querer pedir demais, imaginem, baseado em algum diário ou qualquer coisa que o valha.

Pois o que vi foi exatamente o que conclui ao fechar o livreco:
quanto mais triste mais bonito soa! A mulher sofreu tanto, mas tanto, que pra dar conta da vida só com aquele (bom) humor. Aliás, só pode ter sido dor o que a fez querer se consumar, ao invés de, bovinamente, se consumir. É um luxo não expor a própria desgraça à comoção pública. A inteireza, a valentia, a robustez dela vara os anos e deveria envergonhar a nós todos que vezenquando cedemos à capetice de uma pseudo resignação, vestindo de impossível o que é difícil e não temos coragem pra batalhar.

Fecho com o moço citado acima: sei que seja qual for a dimensão da minha própria dor, não será jamais maior que a dela. Por isso mesmo, eu a suportarei.

N.A.: Pra fazer justiça ao livreco, suas últimas pags. trazem o texto que Frida escreveu para o catálogo de uma exposição em homenagem a Diego Rivera, que é de chorar muito num cantinho! Que-amor-é-esse? Vejam o filme, leiam o texto e me contem se conseguem enxergar um décimo do que ela viu nele. Uma das ex mulheres de Rivera disse que seu jeito de olha-lo era esse: encontrar beleza em suas imperfeições (que não eram poucas, registre-se!)

Adivinhem? Agora eu quero "O Diário de Frida
Kahlo"!!! Já estou vendo que vai ser a mesma gastura pra encontra-lo como foi "O Cavaleiro da Esperança" (né, tri? rs). Aliás, encontra-lo num preço pagável, que já disse que ando pobre pobre de marré...

26 julho 2008

A-B-A-Ç-A-I-A-D-O*

E o que resta sem sentido
Fico perdido, sem direção
Fico danado e nado o que for preciso

Em busca de um porto pro meu coração


Já tem bastante tempo que não se passa um dia sem que eu me pergunte "que faço da minha vida?". Isso até seria bom se eu não tivesse 30 anos e por conta deles, trocentos alarmes - emocionais, hormonais, afetivos, sociais, espirituais - apitando renitentemente. E eu nem sei dizer de onde vem tanta ansiedade, já que numa olhada panorâmica (e displicente, claro) parece estar tudo no lugar. Tenho até vergonha de ser tão reclamona... tanta gente vivendo uma vida cachorra e eu aqui, em constantes e inúteis crises existenciais. aff. Até quando, jesuiscristo?

Anubliado clareou
Chão barreado não esconde a cor
Nas lembranças que eu trago meu perdão e meu rancor

Vivo repetindo pras pessoas que nem o vento consegue ajudar barcos que não sabem pra onde vão e só agora sinto o peso de cada palavra. É confuso, não me sinto perdida, mas tecnicamente, quando andamos léguas e não chegamos a lugar algum é pq nos falta direção, né? (percebam que a criatura NÃO se sente perdida...) Poizé, não me sinto. Na verdade não sinto nada
. ( socorro, alguém me dê um coração que esse já não bate nem apanha...) Nada, fora o mui familiar senso de inadequação. rs

Abaçaiado se irritou
No outro lado fica quem não atravessou
Se hoje abaçaiado canta

É porque ontem já chorou


Depois de anoooooos numa empatia franciscana, de uma civilidade que beira a idiotice, eis que ando tão demasiado humana que nem me reconheço. (Se há algum mérito nisso, meus novos erros tem me feito bem mais tolerante com os erros alheios. hohoho)

* Abaçaiado e outras pérolas estão n´O Segundo Ato d´O Teatro Mágico. BAIXEM. Se quiserem o torrent, eu mando, só pedir!

18 julho 2008

SOBRE A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA DOS MEUS MELHORES DEFEITOS

[republicar]

Já confessei aqui o (mau)hábito de comentar as coisas que leio. Desta vez, pra poupar o povo dos meus achismos sobre Nietzsche, resolvi só escrever:

Do meu ar blasé:
"Um espiríto livre... assim se vive, não mais nos grilhões de amor e ódio, sem SIM, sem NÃO,voluntariamente próximo, voluntariamente longe, de preferência escapando, evitando, esvoaçando, outra vez além, novamente para o alto... "

Da minha invencível credulidade:
"De fato, uma fé cega na bondade da natureza humana, uma espécie de pudor frente à nudez da alma podem realmente ser mais desejáveis para a felicidade geral do homem... e talvez a crença no bem tenha tornado os homens melhores, na medida em que os tornou menos desconfiados..."

Das reincidentes crises existenciais:
"É mais difícil afirmar a personalidade sem hesitação e sem obscuridade do que dela se liberar...além disso, requer muito mais espírito e reflexão."

Dos extremos da minha sinceridade:
"A mentira exige invenção, dissimulação e memória... quem conta uma mentira raramente nota o fardo que assume, pois para sustentar uma mentira ele tem que inventar outras vinte."

Da incompetência emocional:
"Por que superestimamos o amor em detrimento da justiça e dizemos dele as coisas mais belas, como se fosse algo muito superior a ela? Não será ele visivelmente mais estúpido?"

Dos subterfúgios do vacabulário:
"Escritores que não sabem dar clareza as suas idéias preferirão os termos superlativos mais fortes: o que produz o efeito semelhante à luz de artoches em emaranhados caminhos da floresta."

Da tolerância sorridente (e pedante tsc):
"Muitas ações são chamadas de más e são apenas estúpidas, porque o grau de inteligência que se decidiu por elas era bastante baixo."

Dos gostos discutíveis:
"A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez... mas que lentamente se infiltra, a que levamos conosco quase sem perceber."

Da febre de sentir:
"Quem já escreveu e sente em si a paixão de escrever quase que só aprende, de tudo o que faz e vive, aquilo que é literalmente comunicável."

Da indolência habitual:
"Quando se é alguma coisa não é preciso fazer nada - e costuma-se fazer muito. Acima do homem produtivo há uma espécie mais elevada."

[/republicar]

N.A.: um leitor mais atento sugeriu na época um outro tópico, "textos truncados". Segue íntegra do comment:

Anônimo
20/10/06 13:53

Eu já te leio há bastante tempo. Não comento sei lá pq, fico sem jeito... sou naturalmente invasivo. Mas hj que falou do Nietzsche não tem como. rsrs Entre os seus defeitos (que eu acho uma delícia) vc esqueceu de citar os "textos truncados", a respeito dos quais ele tb falou no livro:"o vago é necessário pra tornar distinto"

Termino com um recorte que tá me queimando por dentro:
- Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia, disse Nietzche.
- Como assim, não oferecer companhia?
- Por não prezarem as coisas que prezo! Às vezes enxergo tão profudamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo.
bjs, MAX

13 julho 2008

EU HOJE JOGUEI TANTA COISA FORA...

Ontem andei revirando minhas velharias. Incrível minha capacidade pra nostalgia: cartas, fotografias, bilhetinhos, guardanapos do Bob´s com tels (que eram só tels., fixos. Nada de celulares ou Nextell rs), passagens rodoviárias (crê que eu guardei o bilhete do Barra Mansa X Campo Grande que me levou para UFRRJ pela 1ª vez?), poemas, músicas e alguns textos que – eu nem me lembrava – se salvaram do impulso incendiário que pariu este blog... bem, até ai uma faxina no guarda roupa e na alma e só. Agora, minha criança, um exorcismo quase foi depois de 15 anos finalmente dar cabo num certo frasco de perfume, dado por um certo ser que não merece exumação, que apenasmente por estar lá me olhando cada vez que abria a porta, me remetia aos tempos idos e nem-tão-saudosos-assim, onde o amor era medo e eu achava melhor acordar sozinha...


Mas pq estou te dizendo essas coisas, retrocedendo à modernidade e te enviando uma carta ao invés de um scrap ou depoimento? Oras, pq talvez isso fique meio grande. rs (no que há de me perdoar, que esses surtos são piegas mas amigas são sempre perdoáveis!) Mas tb pq acho que quero retomar meu (bom) hábito de escrever às pessoas... andei muito tp ensimesmada, ocupada com minhas próprias novidades e me dou conta que pouco ou nada sei de meus amados.


Sobre isso, próprias novidades, não só o look é novo! Embora ainda seja a mesma e viva como os nossos pais, é com incontido orgulho que constato que sou outra: outros olhares, outras crenças (menos ortodoxas talvez mas igualmente apaixonadas!), outros gostos... a mesma curiosidade de sempre. O mesmo senso de inadequação, a mesmíssima instabilidade e, felizmente, isso já não me assusta mais.


Pra estar um cadim mais perto do que mereço/preciso, depois de peregrinar por terras tão áridas e distantes que quase nem reconheço como propriedade minha, só me faltava um amor daqueles quentinhos, de manhã cedo, com gosto de hortelã e cheiro de mato molhado... enquanto esse não chega, tenho vivido algo menos (beeeem menos eu diria!) ordinário. Cinestesicamente delicioso e moralmente questionável. hohoho Me fez mais viva, me faz mais corajosa e me fará – certeza – me fará mais gente. Amém. rs Terapeuta diz e eu quaaaaaase concordo, que ele está me ensinando a lidar com a finitude das coisas, que eu sempre acabo com elas antes do final pra não precisar lamentar a perda. Que nobre jeito de desperdiçar a vida, não? Nobre e tristíssimo. Covarde, maniqueísta e em vias de superação \o/


Estamos na fase do “quem vai dizer tchau?”, dói fininho às vezes. Mas como ninguém foi embora a-i-n-d-a, manda a verdade que se diga que estamos mesmo é em fase nenhuma, mortos de pena pelo derradeiro inevitável, procurando um meio termo razoável entre o que é bom e o que é correto. Cá comigo, secretamente, alimento a vaga esperança de um dia acordar absolutamente assexuada em relação a ele e acabarmos bons e castos amigos. Prematuramente meio brochas. Divertidos, serenos, gratos e cúmplices ad eternun. O top da urbanidade, convenhamos.


Fico por aqui te desejando, pra hj e pra sempre, amor pra recomeçar.

Conte-me de vc, se quiser. Do contrário, recebe meu carinho e abraço sufocante.
bjs meus, te amo pra sempre.


N.A.: 1ª cartinha que segue com destinatário específico e real. É que pretendo retomar o bom hábito de escrever às pessoas. Minha reação contra toda essa coisa monossilábica e impessoal que se tornou a comunicação, subproduto da capetice que é o orkut... mr Postman right tech!!

06 julho 2008

CAIO FODÁSTICO ABREU

Tenho alguns livros desse homem e ainda não sei dizer se gosto ou não. Aliás, saber eu sei:

A-m-o. Amo o jeito dele de comer a última palavra da frase; amo esse estilo que me confunde e se não prestar um cadim de atenção me perco entre o que é dito, pensado ou sentido pelas personagens; amo os lapsos na cronologia dos fatos; amo as frases cruas e a (in?)previsibilidade emocional, que me remete ao caos cinestésico no qual estamos todos imersos, afinal; amo a fragilidade latente, que só vira agressão pela mais absoluta canhestrice.

O-d-e-i-o. Odeio aquele turbilhão descritivo que me torna incapaz de imaginar o que ele quis que fosse importante nas frases; odeio quando ele faz a loucura e a sordidez humanas nos parecerem mais familiares; odeio tudo ser tão factual, consumado, irretorquível, tristíssimo... odeio tudo estar a um passo da histeria e ainda assim ser perfeitamente compreensível. (Na verdade eu acho que odeio mesmo é que isso pode ser um indício da minha histeria hohoho!)

E é isso. Odeio-te, meu amor! rs

(mudando de assunto, mas nem tanto, alguém concorda comigo que escolheram mal a adaptação de Caio F. pros cinemas? Onde Andará Dulce Veiga tá me parecendo tão comercial qto Cazuza, O Tempo Não Pára. tsc Pra fazer jus ao talento do homem, deviam filmar Pela Noite, dai teríamos o nosso próprio Segredo de Brokeback Mountain, que perderia na fotografia mas seria um escândalo de roteiro e interpretações!)


N.A.: e pr'os que ainda não se deram conta, esse blog é um diarinho. E já que acordei numa mulherzice insuportável - de novo - termino falando do meu coração, pinçando as frases dele (as mais desarmadas, e por isso verdadeiras e por isso², belíssimas):

Nave, ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota, pedra, lata... passei o dia pensando — coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação — repetido, invertido — ação, cor — sem sentido — couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham.

Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água.

Meu coração não tem forma, apenas som.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar.

Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos — ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Recortes de "Na Terra do Coração", em Pequenas Epifanias.


ET: A quem interessar possa, eu ando muito precisada desse livro ai ó, o "Pequenas Epifanias"... "Cartas" tb faria uma criança feliz, muito feliz eu diria. rs

26 junho 2008

(...)

Tá certo que o nosso mau jeito foi vital pra dispensar o nosso bom
O nosso som pausou

E por tanta exposição a disposição cansou, secou da fonte da paciência

E nossa excelência ficou lá fora

Soluçao é a solidão de nós...

E quem diria que ia ser tão difícil me conformar com isso? tsc Logo eu, tão pragmática, tão lúcida... E quem diria que nossas delicadezas de mamute caberiam nas entrelinhas d' O Teatro Mágico? É o fim do mundo, só pode.

A conta da saudade quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada, já que estamos fincados em dor

Lembra: o que valeu a pena foi nossa cena não ter pressa pra passar...


19 junho 2008

RESSUSCITANDO MEMES...

Alguém me mandou fazer isso certa vez... A idéia era usar músicas pra falar de si mesmo. (muito difícil pra mim, vcs nem avaliam hohoho)

Ia ser muito óbvio usar Cazuza, Frejat ou Nando Reis, enton bora lá de Ana Carolina, que ela dá conta de mim, igualmente:

Descreva-se:
Será que ela é louça? Será que é de éter? Será que é loucura? Será que é cenário a casa da atriz?

O que as pessoas acham de você?
Ela é marrenta e brava.

Descreva seu último finado relacionamento amoroso:
A vida presa num barbante e eu quem dava o nó.

Descreva sua atual relação amorosa:
Eu quero pra vc o melhor de mim.

Onde queria estar agora?
Em qualquer lugar de onde eu pudesse ver as tais águas que me querem levar pra longe...

O que pensa a respeito do amor?
O amor talvez seja uma coisa que até nem sei se precisa ser dita.

Como é sua vida?
Por mais que eu durma eu não descanso, por mais que eu corra eu não te alcanço mas não tem jeito eu não sei como esperar. Desesperar tb não vou.

O que pediria se pudesse ter apenas um desejo?
Que eu nunca precise comprar um moleton por falta de abraço.

Escreva uma frase sábia:
O tempo faz tudo valer a pena e nem o erro é desperdício.

Agora se despeça:
pessoas queridas,
na pressa a gente nem nota que a Lua muda de formato...tenham sempre olhos pras delicadezas da vida :)

Fiquem a vontade, sim? Sabemos que memes e quest´s salvam nossos blogs da falta de coisas publicáveis pra dizer.

12 junho 2008

CICLO SECO

Todo mundo conhece ciclo seco, a maioria até já passou por ele. Alguns mesmo vivem desde sempre dentro dele, achando que isso é vida e eternizando o que, por ser ciclo, deveria também ser transitório. É preciso acreditar que passa, embora quando dentro dele seja difícil e quase impossível acreditar não só nisso, mas em qualquer outra coisa. Não que ciclo seco não tenha fé, o que acontece é que não podendo ver o que não é visível, fica limitado ao real.

Antes de ir em frente, é importante dizer que ciclo seco nada tem a ver com as estações do ano. É coisa de dentro do humano, não de fora, e justamente por isso não tem nenhum método: vem quando não é esperado e vai quando não se suspeita. Ciclo seco não desaba de repente sobre alguém; chega aos poucos, insidioso, lento. Quando se percebe que se instalou, geralmente é tarde demais. Já está ali. É preciso atravessá-lo como a um deserto, quando se está no meio e a água acabou. Por ser limitado ao real, o ciclo seco jamais considera a possibilidade de um oásis ou de uma caravana passando. Secamente, apenas vai em frente.

Porque o real do ciclo seco são ações, não pensamentos nem imaginações. Tanto que, visto de fora, não é visível nem identificável. Não se confunde com “depressão”, quando você deixa de fazer o que devia, ou com “euforia”, quando você faz em excesso o que não devia. Em ciclo seco faz-se exatamente o que se deve ou não, desde escovar os dentes de manhã ou beber um uísque à tardinha, mas sem prazer. Nem desprazer: em ciclo seco apenas se age, sem adjetivos. A propósito, ciclo seco não admite adjetivos — seco é apenas a maneira inexata de chamá-lo para que, dando-lhe um nome, didaticamente se possa falar nele.

E deve-se falar dele? Quero supor, entusiástico, que sim. Mas não tenho certeza se dar nome aos bois terá alguma serventia para o dono dos bois ou sequer para os próprios bois — e essa é uma reflexão típica de ciclo seco. Mas vamos dizer que sim, caso contrário paro de escrever já. E falando-se dele, diga-se ainda que ciclo seco não é bom nem mau, feio ou bonito, inteligente ou burro (...) embora possa dar uma impressão errada a quem o vê de fora, ávido por adjetivar.

Ciclo seco, por exemplo, não se interessa por nada. Pior que não ter o que dizer, ciclo seco não tem o que ouvir, compreende? Fica na mais completa indiferença seja ao terremoto no Japão ou à demissão de Vera Fischer. No plano pessoal, tanto faz ler ou não ler um livro, ir ou não ao cinema — ciclo seco é incapaz de se distrair, de se evadir. Fica voltado para dentro o tempo todo, atento a quê é um mistério, pois que pode um ciclo seco observar de si mesmo além da própria secura, se não há sequer temporais, ventanias, chuvaradas? Nesse sentido, ciclo seco é forte, porque nada vindo de fora o abala, e imutável, porque de dentro nada vem que o modifique.

E nesse sentido também é antinatural, pois tudo se transforma e ele não, simulando o eterno em sua digamos, i-na-ba-la-bi-li-da-de. E sendo assim, com alívio vou quase concluindo, pode se deduzir que... Não, não se pode deduzir nada. Só que passa, por ser ciclo, e por ser da natureza dos ciclos passar. Até lá, recomenda-se fazer modestamente o que se tem a fazer com o máximo de disciplina e ordem, sem querer novidades. Chatíssimo bem sei. Mas ciclo seco é assim mesmo.

Todo mundo tem os seus, é preciso paciência. E contemplá-lo distante como se se estivesse fora dele, e fazer de conta que não está ali para que, despeitado, vá-se logo embora e nos deixe em paz? Eu, francamente não sei. Ainda mais francamente, nem sequer sinto muito.
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Caio Fernando Abreu em "Pequenas Epifanias"

05 junho 2008

EU

Eu quero: Acreditar que exista alguém tão perdido qto eu, que a gente vai se encontrar e que as coisas vão ficar mais fáceis.
Eu tenho: Dúvidas, muitas.
Eu gostaria de ter: mais audácia, menos senso crítico, mais leveza, menos perguntas... mais e menos, assim, ad infinitum
Eu gostaria de não ter: um superego tão severo, um ego medíocre e um id sem a menor noção de prioridades
Eu acho: Que nunca vou me adaptar... rs
Eu odeio: Injustiças, oportunismo, apadrinhamentos, omissões desnecessárias.
Eu sinto saudades: De tudo! Cheiros, músicas, pessoas, sensações...
Eu faço: Grifo meus livros com um giz de cera vermelho
Eu fiz e não faria de novo: Me envolvi com um homem "impedido"
Eu fazia e deixei de fazer: Respondia TODOS os scraps, comments, SMS´s, ligações e e-mails
Eu escuto: Muito de poucos: das delicadezas d`O Teatro Mágico às verdades cruas do Cazuza.
Eu cheiro: O rastro de perfume que os passantes deixam.
Eu imploro: Por neurônios tão indolentes quanto eu.
Eu pergunto-me: "Que faço da minha vida?" Diariamente tsc
Eu arrependo-me: De tanta coerência.
Eu amo: Muitas pessoas. Algumas devia amar mais, outras menos, e algumas, simplesmente esquecer.
Eu sinto dor: Mensalmente, três dias inteirinhos... muita dor, eu diria.
Eu sinto falta: Do meu pai, sempre. Das minhas certezas, eventualmente. De sintonia, as vezes. De colo, cada dia mais...
Eu sempre: Penso demais e falo demais.
Eu não fico: Completamente em paz.
Eu acredito: Em Deus, na força dos recomeços, em coisas que sobrevivem ao tempo e a distância
Eu danço: Nunca. Defeito de fábrica, sem conserto ou recall.
Eu canto: Gostaria.
Eu choro: Quase nunca quando é preciso, sempre que é desnecessário.
Eu falho: tsc eu falho...
Eu luto: Até o último dia da minha vida, pra ser mais gente.
Eu escrevo: Pra clarear as minhas verdades.
Eu ganho: 23:59' do dia por conta de uma delicadeza de 1'
Eu perco: Tempo com gente que não merece
Eu nunca: Respondo uma pergunta sem fazer pelo menos mais uma.
Eu estou: Tentando, juro.
Eu sou: Uma pergunta kakaka
Eu fico feliz: Quando alguém me segue em meus labirintos e me encontra \o/
Eu tenho esperança: De que um dia as coisas façam mais sentido pra mim.
Eu preciso: de reciprocidade.
Eu deveria: Ser menos covarde.

Misturei dois quest´s: um da Thatiana e outro da Carol

29 maio 2008

MENTIRAS SINCERAS ME INTERESSAM

Que conste nos autos que isso é uma concessão! Continuo preferindo as verdades doídas, daquelas que te desorientam por minutos e te fazem mais gente pro resto da vida.

Uns dias por mês eu até concordo com lady Lispector, que não mentir é um dom que o mundo não merece. Habitualmente minha tendência é acreditar que quem fala a verdade não merece castigo. (aff, polianice duzinfernu!) Mas infelizmente não é todo mundo que concorda com isso, o que me obriga a ver (e ouvir e sentir!) coisas que sinceramente não mereço, dado o completo desguarnecimento de minha alma hohoho

Já aprendi que sinceridade não pode ser desculpa pra má educação (morro de arrependimento por verdades absolutamente desnecessárias que já disse!) mas algumas coisas simplesmente precisam ser ditas, sem muita enrolação, pq corre o risco da pessoa simplesmente não ver o derradeiro soterrado sob quilos de eufemismos e reticências. A intenção pode até ser boa, mas amenizar demais o conteúdo traumático de algumas frases dá dor de estômago em quem escuta e dor de cabeça em quem (não) fala.

Algumas atitudes - mesmo as mais polidas - tem voz própria, até dispensariam as palavras SE todo mundo ouvisse E escutasse os bips subliminares que elas emitem. Ouvir até que ouve, percebe que tem algo esquisito, mas por motivos que nem Freud explica, não reage de acordo: manifestações veladas de desinteresse, lapsos de memória, excesso de trabalho e outras desculpas esfarrapadas correlatas deveriam bastar, mas estranhamente a maioria das pessoas abstrai os bips e segue investindo em relações fadadas ao fracasso apenasmente pela unilateralidade do interesse. Percebem? Não há nada de errado, ele não é um sacana, ela não é uma idiota(e vice versa, é claro)... aliás, vai ver é até muito ao contrário, ambos são ótemos, tão civilizados que não querem se magoar. ahan.

Dai que eu acho que aquelas coisas pavorosas que a gente ouve por ai - por ai, que conosco nunca acontece, graças a Alah - evitariam um mal maior. (SE os envolvidos forem só surdos, pq se forem burros tb dai não tem salvação merrrrmo) "não posso te oferecer tudo que merece"; "o problema não é vc, sou eu"; "as coisas estão acontecendo rápido demais"; "estou confuso" é cretino, mas ninguém pode dizer que não é gentil.

Na verdade, essas frases - e todas as variantes igualmente delicadas e mentirosas - já são satisfatoriamente codificadas pelo cérebro. Eu só não entendo o que desarma os sistemas de defesa quando entram por ouvidos emocionalmente afetados. Inverdades desse naipe são o correspondente verbal das atitudes evasivas. Tecnicamente, elas ajudam os distraídos. Essencialmente, são o top da urbanidade. Não funcionam por um detalhe besta: atenção seletiva. A gente só presta atenção no que quer. tsc

Leoni inclusive já musicou essa constatação: se agora eu cato a alma pelos cantos a culpa não foi sua, eu te garanto! Eu sei, você não vai querer saber... a gente sofre sempre por querer!!!

24 maio 2008

MAIS DO MESMO

O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente.
Fernanda Young
É isso. O texto anterior até que foi bem elucidativo mas é apenas uma vista do ponto... serviu pra me clarear algumas idéias mas click merrrrmo rolou foi depois...

Sou meio lenta para as obviedades da minha vida, sabem? Mas coisas inacabadas me atormentam o juízo até eu lhes dar a devida atenção. (ou algo/alguém me sacudir pelos ombros, o que é mais constante) Desta vez foi alguém de carne e osso, contemporâneo, vivo, presente e queridíssimo, inclusive. O alguém me ligou só pra dizer que havia decifrado a minha esfinge e que agora eu podia dormir em paz, nunca mais devorar ninguém. Disse palavra por palavra a frase acima e perguntou se eu já tinha lido alguma coisa dessa moça que me salvou a alma do inferno da insatifação ad eternum...

Um brinde ao delicado da vida \o/

Depois de ficar muito decepcionada comigo mesma por venerar a simplicidade e me descobrir nem-tão-simples-assim, a tese de Fernanda Young deixa de ser meramente balsâmica pra ser genial, oras: consolador, claro, saber que acontece com mais gente no mundo, mas ser tão óbvio e isento de culpa ou dolo é realmente o máximo.

Pois eu poderia passar horas aqui citando querências bobas que me fariam "cretinamente feliz"... o que ocorre é que as vezes muita coisa me falta simultaneamente - por uma coicidência infeliz, sensibilidade tepeêmica, ou incompetência coletiva mesmo - e eu presto mais atenção justamente nessas horas. Dai escrevo aqueles textos deeeeeeeeeeensos, tristinhos, reclamões, e fico parecendo uma chata que não acha nada engraçado (macaco, praia, carro, jornal, tobogã... eu acho tudo isso um saco! rs) quando na verdade eu posso ser tão fácil, mas tão fácil de agradar, que beiraria ao patético:

Não é simples ser minimamente civilizado: cuidar do lixo, otimizar o consumo de água,
papel e energia? É.
Cuidar da própria vida, viver e deixar viver? Também.
Não machucar as pessoas gratuitamente?
Discutir relações com transparência e alguma vontade de mudar?
Deixar as entrelinhas restritas ao blog, ser um cadim mais assertivo?
Tratar-se, tratar e ser tratado do jeito que merece?
Reclamar menos e agir mais?
Responsabilizar-se pelas escolhas que faz?
Tentar - eu disse t-e-n-t-a-r! - demonstrar de que modo as pessoas ao redor nos são preciosas?
Dizer mais "obrigada", "por favor", "dá licença", "me desculpe"?

Vêem? Eu não sou complexa, apenas quero muitas coisas... tsc

18 maio 2008

DO ÔNUS DE NÃO SER SIMPLES

do Lat. simplice
sem composição;
sem mistura, singelo, puro;
que não é complicado;
fácil de compreender;
claro;
que não é duplo ou múltiplo;
só;
único;
sem ornatos;
desataviado;
evidente;
vulgar;

boçal;
sem malícia;
ingénuo;
que vive sem luxo; pessoa simples, humilde;
pessoa ingénua, parva;

Gente simples é tudo isso e mais um pouco:

Gente simples gosta de futebol. Sente uma energia inexplicável em finais de campeonato, mal acomodada em arquibancadas e fedendo a cerveja, na melhor das hipóteses. Vai ao Maracanã ver o flamengo ganhar e passa o resto da semana ostentando frases como "tento ser humilde mas meu time não deixa". E acha isso
espirituoso, inclusive.

Gente simples gosta de Monobloco. Já foi a vários shows e vai de novo e de novo apenasmente pq é bom. Gosta de Cesar Menotti & Fabiano e não acha que a voz deles não combina com o fenótipo... Daniel, Claudia Leite, Martin´alia, Lenine, Zeca Baleiro, Marcelo Camelo... e tudo que possa ser bom. Gente simples é naturalmente eclética, sem preocupação alguma com ser/parecer ou não pre-conceituoso.

Gente simples dança. Dança bem e dança que dá gosto de ver. Dança pq gosta. Dança forró, funk, calipso... dança o que tiver tocando. Aliás, gente simples samba. Descalça ou não.

Gente simples simpatiza com música eletrônica, pega horas de engarrafamento pra viajar no feriado e já passou pelo menos um reveillon vendo a queima de fogos em Copacabana.

Gente simples lê menos e socializa mais.


Gente simples acredita que "gente do bem atrai gente do bem" pq vê isso acontecer diariamente em suas vidas.

Gente simples quer ir e vai. Decide como, quando, como quem e vai. Sem grandes planos nem expectativas. No geral, volta mais feliz do que foi.

Gente simples bebe. O suficiente ou nada.

Gente simples vê novela, discute Big Brother, sabe da vida de alheios famosos e gosta de Pânico na TV. E nenhum raio lhes racha a cabeça... rs


Tudo isso pra confessar que eu não sou tão simples quanto gostaria e que algumas das coisas que (não) me acontecem tem estreita relação com esse fato recém percebido... hohoho

12 maio 2008

DAS COISAS QUE SÓ ACONTECEM COMIGO

Dias desses fui madrinhar outro casório (sim, o que me restava de amigos solteiros resolveu se casar. T-o-d-o-s esse ano!) Dai que eu - a que leva mó jeito pra essas super-produções - estava descansadinha pq já tinha roupa pronta do evento anterior, (de 3 meses atras e nenhum convidado em comum pra testemunhar a beleza do meu vestido!) Dai que uns dias antes eu tive a presença de espírito de tirar o dito do armário, mandar lavar e tals. Bati o olho e fiquei cabreira: como assim eu já entrei nisso? Muito pequeno... cabe não!!! E eis que constato que não caibo mais no vestido. Engordei!!! 4 inoportunos kgs que não permitem que o ziper feche como deveria. kakaka Dai começou a odisséia da mulamba que vos escreve: quem me faria um outro vestido há 3 dias do casório? ok, santa costureira topou, bora procurar o pano. O único que simpatizei não tinha a quantidade necessária... levei o que tinha e a santa que fizesse o milagre. Pois não é que fez? Vide fotitas... ficou uma graça.

Unhas: tenho a melhor manicure do mundo, que nunca me deixou na pista nem tirou um bifinho sequer. Nunca h-a-v-i-a tirado, pq dessa vez ela caprichou e meu dedo sangrou o durante todo o tp que ela levou pra fazer as 19 unhas restantes.

No cabelo eu mesma dou jeito, faltava só maquiagem... Lica d-a-r-i-a conta se não fosse um atraso inexplicável (nós duas somos over pontuais). Até agora não entendo que diabos a gente ficou fazendo que não deu tp de maquiar as duas. Resultado: sai esbaforida, esqueci o batom e por questão de 2 ou 3 minutos não perco a entrada dos padrinhos e deixo meu par literalmente plantado com cara de paisagem.

Nenhum transtorno relavante na festa, fora o lapso de memória que me impede de emitir qualquer opinião a respeito do mocinho bacana que me fez cia. enquanto as pessoas se acabavam de dançar... tsc

Bacaninha msm foi aquela sessão de fotos que rola... normalmente eu acharia chato, mas quem suporta chá de panela tem saco pra qualquer coisa, né não? E depois, minha função lá era examente essa: fazer ficar menos chato, pagar de bobo da corte pras fotitas ficaram um cadim mais espontaneas. Coisas que só uma madrinha legal como eu faria. rs



27 abril 2008

SOBRE O INVENTÁRIO DO IRREMEDIÁVEL*

É que há alguns meses tenho voltado a Neverland só pra dormir: Peter Pan está de férias e ando brincando de gente grande. Não que eu seja infantil, não mesmo, mas é que à minha pessoa faltavam alguns aspectos mui familiares às outras colegas balzaquianas rs

Dai que entre pequenas e grandes constatações, entre surtos e epifanias, com os dez dedos lambuzados em situações cinestesicamente deliciosas (e moralmente questionáveis tsc) eis que me dou conta de que meu auto domínio está descalibrado. E isso é irremediável.

Meu constante "não saber" tb é irremediável e as respostas que colecionei com algum orgulho durante anos a fio são meias verdades sem efeito placebo. Mas, manda a verdade que se diga, isso chega a ser um alívio. Na rotina de me ser tanto compromisso como a coerência e a precisão deve ter me envelhecido séculos. rs

É irremediável manter um emprego. A maldição é bi-milenar: comerás o pão com o suor do teu rosto. Que tal se render? Muito feio alguém da minha idade impunemente desocupado. tsc

É lamentavelmente irremediável coisas e pessoas que gravitam ao meu redor não serem uma extensão do meu domínio, mas me des-ocupar do que não é da minha conta tem me dado mais tempo pra prestar atenção em mim, nas minhas precisâncias. O que me libera do arquétipo de carpinteiro do universo. \o/ E é igualmente irremediável as pessoas terem ritmos diferentes dos meus e a única constante nas histórias ser o desencontro.

É tristemente irremediável a gente só se dar conta do valor das coisas depois que perde. A parte legal é que qdo alguém TE perde, é pra sempre, sem choro nem vela. Nem fantasmas. (bem, alguns fantasmas, vá lá... de toda forma, há sentimento mais consolador do que a inocência? rs)

...

(Já estou há quase 15 min olhando pra essa tela e não sei como terminar...rs)

Enton... inventário supõe espólio, que supõe morte... hum... talvez essa falta de leveza nos meus rabiscos seja uma espécie de luto... é isso: uma das muitas que me habitam está agonizando e nós outras amotinadas estamos em vigília... talvez essa muerte
chiquita cumpra a contento o rito de passagem que todas as outras mortes as quais sobrevivemos nessa vida deveriam seguir: fim de uma coisa, início de outras. Simples e cíclico como deve ser.

(Digam lá se eu não seria uma boa terapeuta? Eu acho que sim!!! Acho msm.)

* 1º livro publicado de Caio Fernando Abreu. Re-editado 25 anos depois e re-batizado: Inventário do Ir-remediável. Passando da fatalidade daquele irremediável (algo melancólico e sem saída!) para ir-remediável, (um trajeto que pode ser consertado?) sic!

Roubei a idéia completa: tanto o título qto o sentido... só espero que meus irremediáveis não comemorem bodas de prata me gastando a beleza. (amém!)

22 abril 2008

MÁQUINA DE ESCREVER

Mãe, se eu morrer de um repentino mal
Vende meus bens à bem dos meus credores
A fantasia de festivas cores que usei no derradeiro carnaval
Vende esse rádio que ganhei de prêmio por um concurso num jornal do povo
E aquele terno novo ou quase novo, com poucas manchas de café boêmio
Vende também meus óculos antigos que me davam ares inocentes... não precisarei de suas lentes pra enxergar os corações amigos
Sem ruído é mais provável que eu alcance o céu
Vou penetrar e então provar seu mel
No paraíso só preciso de um olhar
Sem teu sorriso, outro sorriso pra me enganar
Mas poupa minha amiga de horas mortas, com teclas bambas, minha máquina de peças tortas
Vende todas as grandes pequenezas que eram o meu íntimo tesouro
Mas não! Ainda que ofereçam ouro
Não vendas o meu filtro de tristezas...
* Roberto Frejat, Guto Goffi & Guioseppe Ghiaroni

Perdoem, parcos e queridíssimos leitores! Da outra vez que usei essa música (fodástica, hein tri?) não ficou denso. Aliás, permitam-me: modéstia às favas, mas Ouro de Tolo foi uma das coisas mais bonitas que já escrevi.

Mas voltando, blogterapia, entendem? Estou nem feliz nem triste. Não se ocupem. Digamos que ando fazendo - com uma boa dose de má vontade, mas quase conformada já - uma espécie de inventário do irremediável. O foda é que as coisas mudam, mudam e continuam iguais, e isso me cansaaaaaaaaaa. Aliás, quase capetice isso: eu sempre soube exatamente o que os outros deveriam fazer, e agora que preciso de um bom conselho, não me ocorre nenhum! tsc

13 abril 2008

DAY OFF

Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias.
____________________
Clarice Lispector em "A Hora da Estrela"


N.A.: acho que vou parar de escrever nesse clima de domingo a tarde... além de monotemáticos, meus rabiscos estão ficando indisfarçavelmente tristes. aff

08 abril 2008

SOBRE A ÁGUA , O COPO E AS SEDES ALHEIAS...

Gosto da experiência de ser água. Deve haver algo de divino em se dar de modo que sacie alguém... Vivo me derramando, torrencialmente ou gotejante, sobre coisas e pessoas. E se me represo, capaz seria de alimentar uma hidroelétrica...ainda faço o sertão virar mar por conta dessa bendita febre de sentir...

Já ser copo não é tão magnânimo, tem que ter alma pra isso. Um corpo só não basta. Nem só um corpo, nem só uma alma. Há de se ter um ego tamanho GG para não cair na tentação de se sentir usada. Afinal, como diria Celso Russomano: estando bom para ambas as partes... acho mó graça desse povo que se lambuza numa situação e depois fica choramingando... como assim? Estava dormindo? Fora de si? As pessoas tratam a gente do jeito que a gente deixa, oras... rs

Mas estava eu divagando sobre a vocação de cada ser: copo ou água, será que
há predisposição genética? (burrice é hereditário!?) Parece que tenho talento pra água, mas reicidente - e conscientemente, o que agrava a culpa - sou copo. Demoro pra ver, poetiso a coisa, abstraio o que há de triste nisso, mas sou. Um copo de cristal, mas só um copo.

E sendo água a razão de existir dos copos, seria muita pieguice perguntar por onde anda a água da minha sede?

06 abril 2008

DOIS LADOS

Cias. temerárias+ingressos esgotados+chuvinha chata seriam bons motivos pra eu ficar em casa, enroladinha no meu edredon... mas como por esse homem eu aceitaria a vida como ela é: alheia a "conspiração" eu fui!!!!

Renato Russo e Cássia Eller ressucitados no palco;
50 anos do exagerado. (sim, o poeta está vivo!!!);
Todo Amor que Houver Nessa Vida cantado gritado por amigas que vão se amar pra sempre, mesmo que o sempre não exista;

A vingança é um prato frio
Em que você pode se lambuzar
É um quarto escuro, um poço fundo
E você pode se afogar
São dois lados dessa moeda
Chamada Obsessão
Amor e ódio moram juntos
Dividindo esse coração

À distância você vê
O paraíso, um lugar ideal
Você bem sabe que de perto
Ninguém é tão normal

Você não consegue evitar

O desprezo e o vulgar
E não vai parar, ninguém vai te impedir
De um dia chegar lá

O pecado, mora ao lado
Café na cama, traição
Abraçados, arame farpado
Não há luz sem escuridão

E antes que eu me esqueça: odeio-te, meu amor!