27 abril 2008

SOBRE O INVENTÁRIO DO IRREMEDIÁVEL*

É que há alguns meses tenho voltado a Neverland só pra dormir: Peter Pan está de férias e ando brincando de gente grande. Não que eu seja infantil, não mesmo, mas é que à minha pessoa faltavam alguns aspectos mui familiares às outras colegas balzaquianas rs

Dai que entre pequenas e grandes constatações, entre surtos e epifanias, com os dez dedos lambuzados em situações cinestesicamente deliciosas (e moralmente questionáveis tsc) eis que me dou conta de que meu auto domínio está descalibrado. E isso é irremediável.

Meu constante "não saber" tb é irremediável e as respostas que colecionei com algum orgulho durante anos a fio são meias verdades sem efeito placebo. Mas, manda a verdade que se diga, isso chega a ser um alívio. Na rotina de me ser tanto compromisso como a coerência e a precisão deve ter me envelhecido séculos. rs

É irremediável manter um emprego. A maldição é bi-milenar: comerás o pão com o suor do teu rosto. Que tal se render? Muito feio alguém da minha idade impunemente desocupado. tsc

É lamentavelmente irremediável coisas e pessoas que gravitam ao meu redor não serem uma extensão do meu domínio, mas me des-ocupar do que não é da minha conta tem me dado mais tempo pra prestar atenção em mim, nas minhas precisâncias. O que me libera do arquétipo de carpinteiro do universo. \o/ E é igualmente irremediável as pessoas terem ritmos diferentes dos meus e a única constante nas histórias ser o desencontro.

É tristemente irremediável a gente só se dar conta do valor das coisas depois que perde. A parte legal é que qdo alguém TE perde, é pra sempre, sem choro nem vela. Nem fantasmas. (bem, alguns fantasmas, vá lá... de toda forma, há sentimento mais consolador do que a inocência? rs)

...

(Já estou há quase 15 min olhando pra essa tela e não sei como terminar...rs)

Enton... inventário supõe espólio, que supõe morte... hum... talvez essa falta de leveza nos meus rabiscos seja uma espécie de luto... é isso: uma das muitas que me habitam está agonizando e nós outras amotinadas estamos em vigília... talvez essa muerte
chiquita cumpra a contento o rito de passagem que todas as outras mortes as quais sobrevivemos nessa vida deveriam seguir: fim de uma coisa, início de outras. Simples e cíclico como deve ser.

(Digam lá se eu não seria uma boa terapeuta? Eu acho que sim!!! Acho msm.)

* 1º livro publicado de Caio Fernando Abreu. Re-editado 25 anos depois e re-batizado: Inventário do Ir-remediável. Passando da fatalidade daquele irremediável (algo melancólico e sem saída!) para ir-remediável, (um trajeto que pode ser consertado?) sic!

Roubei a idéia completa: tanto o título qto o sentido... só espero que meus irremediáveis não comemorem bodas de prata me gastando a beleza. (amém!)

22 abril 2008

MÁQUINA DE ESCREVER

Mãe, se eu morrer de um repentino mal
Vende meus bens à bem dos meus credores
A fantasia de festivas cores que usei no derradeiro carnaval
Vende esse rádio que ganhei de prêmio por um concurso num jornal do povo
E aquele terno novo ou quase novo, com poucas manchas de café boêmio
Vende também meus óculos antigos que me davam ares inocentes... não precisarei de suas lentes pra enxergar os corações amigos
Sem ruído é mais provável que eu alcance o céu
Vou penetrar e então provar seu mel
No paraíso só preciso de um olhar
Sem teu sorriso, outro sorriso pra me enganar
Mas poupa minha amiga de horas mortas, com teclas bambas, minha máquina de peças tortas
Vende todas as grandes pequenezas que eram o meu íntimo tesouro
Mas não! Ainda que ofereçam ouro
Não vendas o meu filtro de tristezas...
* Roberto Frejat, Guto Goffi & Guioseppe Ghiaroni

Perdoem, parcos e queridíssimos leitores! Da outra vez que usei essa música (fodástica, hein tri?) não ficou denso. Aliás, permitam-me: modéstia às favas, mas Ouro de Tolo foi uma das coisas mais bonitas que já escrevi.

Mas voltando, blogterapia, entendem? Estou nem feliz nem triste. Não se ocupem. Digamos que ando fazendo - com uma boa dose de má vontade, mas quase conformada já - uma espécie de inventário do irremediável. O foda é que as coisas mudam, mudam e continuam iguais, e isso me cansaaaaaaaaaa. Aliás, quase capetice isso: eu sempre soube exatamente o que os outros deveriam fazer, e agora que preciso de um bom conselho, não me ocorre nenhum! tsc

13 abril 2008

DAY OFF

Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias.
____________________
Clarice Lispector em "A Hora da Estrela"


N.A.: acho que vou parar de escrever nesse clima de domingo a tarde... além de monotemáticos, meus rabiscos estão ficando indisfarçavelmente tristes. aff

08 abril 2008

SOBRE A ÁGUA , O COPO E AS SEDES ALHEIAS...

Gosto da experiência de ser água. Deve haver algo de divino em se dar de modo que sacie alguém... Vivo me derramando, torrencialmente ou gotejante, sobre coisas e pessoas. E se me represo, capaz seria de alimentar uma hidroelétrica...ainda faço o sertão virar mar por conta dessa bendita febre de sentir...

Já ser copo não é tão magnânimo, tem que ter alma pra isso. Um corpo só não basta. Nem só um corpo, nem só uma alma. Há de se ter um ego tamanho GG para não cair na tentação de se sentir usada. Afinal, como diria Celso Russomano: estando bom para ambas as partes... acho mó graça desse povo que se lambuza numa situação e depois fica choramingando... como assim? Estava dormindo? Fora de si? As pessoas tratam a gente do jeito que a gente deixa, oras... rs

Mas estava eu divagando sobre a vocação de cada ser: copo ou água, será que
há predisposição genética? (burrice é hereditário!?) Parece que tenho talento pra água, mas reicidente - e conscientemente, o que agrava a culpa - sou copo. Demoro pra ver, poetiso a coisa, abstraio o que há de triste nisso, mas sou. Um copo de cristal, mas só um copo.

E sendo água a razão de existir dos copos, seria muita pieguice perguntar por onde anda a água da minha sede?

06 abril 2008

DOIS LADOS

Cias. temerárias+ingressos esgotados+chuvinha chata seriam bons motivos pra eu ficar em casa, enroladinha no meu edredon... mas como por esse homem eu aceitaria a vida como ela é: alheia a "conspiração" eu fui!!!!

Renato Russo e Cássia Eller ressucitados no palco;
50 anos do exagerado. (sim, o poeta está vivo!!!);
Todo Amor que Houver Nessa Vida cantado gritado por amigas que vão se amar pra sempre, mesmo que o sempre não exista;

A vingança é um prato frio
Em que você pode se lambuzar
É um quarto escuro, um poço fundo
E você pode se afogar
São dois lados dessa moeda
Chamada Obsessão
Amor e ódio moram juntos
Dividindo esse coração

À distância você vê
O paraíso, um lugar ideal
Você bem sabe que de perto
Ninguém é tão normal

Você não consegue evitar

O desprezo e o vulgar
E não vai parar, ninguém vai te impedir
De um dia chegar lá

O pecado, mora ao lado
Café na cama, traição
Abraçados, arame farpado
Não há luz sem escuridão

E antes que eu me esqueça: odeio-te, meu amor!

30 março 2008

Temporada Para Mísseis

Clarice estava de TPM qdo escreveu o texto abaixo, seguramente. E eu tb estava qdo o publiquei. rs A polianice habitual não me permitiria ser tão descalibrada assim, impunemente.

É amargo (sim, Alex! Um bocado amargo!) mas tudo verdade. Minhas verdades de ponta-da-língua amordaçadas pela pessoa meiga que sou o resto do mês. Subproduto do motim hormonal que me roubou de mim mesma (e dos outros, em certo sentido) por uns dias. O engraçado é que eu convivo com TPM´s alheias há anos e nunca tinha me dado conta da fúria da minha... como pode a criatura ser tão consciente de algumas coisas e absolutamente míope pra outras tantas?

A sensação que tenho é que tudo que sei se relativizou. Absoluta, parece-me, só minha curiosidade. tsc Isso de não enxergar verdades básicas sobre mim é estranho mas de maneira geral (e beeeeeeeem otimista) me mantém em movimento. E não há de ser tão mau assim ser uma pergunta ambulante...

Estou me acostumando comigo
Revendo a casa, os vizinhos e os vazamentos
E isso já não me assusta mais
Estou me acostumando contigo
Revendo palavras sem modismo, olhares antigos
Nas frases que você agora traz
Se volto pra mim pouso na terra
E é macio saber que isso não me assusta
Que já não me assusta
E me gusta voltar*
* Zelia Duncan

26 março 2008

DIES IRAE

(título alternativo: Hoje eu acordei meio totalitária!)

Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam.
Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece. E nem ao menos posso fazer o que uma menina semiparalítica fez em vingança: quebrar um jarro. Não sou semiparalítica. Embora alguma coisa em mim diga que somos semiparalíticos. E morre-se, sem ao menos uma explicação. E o pior - vive-se, sem ao menos uma explicação. E ter empregadas - chamemo-las de uma vez de criadas - é uma ofensa à humanidade. E ter a obrigação de ser o que se chama de apresentável me irrita. Por que não posso andar em trapos, como homens que às vezes vejo na rua com barba até o peito e uma bíblia na mão, esses deuses que fizeram da loucura um meio de entender? E por que, só porque eu escrevi, pensam que tenho que continuar a escrever? Avisei a meus filhos que amanheci em cólera, e que eles não ligassem. Mas eu quero ligar. Quereria fazer alguma coisa definitiva que rebentasse com o tendão tenso que sustenta meu coração.

E os que desistem? Conheço uma mulher que desistiu. E vive razoavelmente bem: o sistema que arranjou para viver é ocupar-se. Nenhuma ocupação lhe agrada. Nada do que eu já fiz me agrada. E o que eu fiz com amor estraçalhou-se. Nem amar eu sabia, nem amar eu sabia. E criaram o Dia dos Analfabetos. Só li a manchete, recusei-me a ler o texto. Recuso-me a ler o texto do mundo, as manchetes já me deixam em cólera. E comemora-se muito. E guerreia-se o tempo todo. Todo um mundo de semiparalíticos. E espera-se inutilmente o milagre. E quem não espera o milagre está ainda pior, ainda mais jarros precisaria quebrar. E as igrejas estão cheias dos que temem a cólera de Deus. E dos que pedem a graça, que seria o contrário da cólera.
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Clarice Lispector em "Aprendendo a Viver"

N.A: sim pessoas, mais do mesmo... ando tão monotemática... hohoho

23 março 2008

Dai que eu descobri que tenho o coração quinen o da sininho: só cabe uma emoção por vez. rs

Há alguns meses meu mundo era um deserto no frio. Juntei os caquinhos com a discrição habitual e ninguém notou que eu nunca mais seria a mesma. Perdi kgs, cabelos, bom senso e o pouco que ainda restava da vergonha da cara. Ganhei mimos, livros, bons amigos, coisas boas e bizarras pra lembrar (e rachar o bicho de rir tb). Joguei muita coisa fora e a casa ficou beeeeeeem melhor assim. Senti ódio, ardi de vontade, morri de arrepedimento, não coube em mim de felicidade - que, definitivamente, pode ser simples como um aperto de mão. Fui ingênua, fui irresponsável, fui cachorra e fui mto "macho" pra não sucumbir ao medo. Tive a abençoada sensação de estar no lugar certo, na hora certa, fazendo exatamente o que era pra ser feito (e não foram poucas vezes). Me livrei da minha culpa de estimação. Acendi as luzes e (alguns) fantasmas sumiram. Deixei de ser católica e sigo cada dia mais apaixonada por Deus, pelas suas delicadezas do dia a dia, pela constância do Seu amor. Queimei as cartas que não mando e enviei tdas que escrevi. Madrinhei casamento e batizado. Vivi um conto de fadas de alguns dias e fechei um livro aberto há incontáveis anos. Curei e fui curada. Escrevi textos catárticos e dramalhões. Chorei num cantinho ouvindo "pra luzir o dia" e me perguntando se merecia a sorte de um amor tranquilo, desejando com todas as fibras do corpo o meu próprio vilarejo. Aceitei que sou irremediavelmente preto no branco, mas descobri que entre um e outro, posso ser vários tons de cinza. Me viciei em veneno anti monotonia e agora - praticamente abstêmia hohoho - volto a questionar se essas coisas que queimam mas não aquecem podem realmente fazer algum bem real. Achei que estava apaixonada. Até ontem. rs Adorei a novidade e parece-me que vivi tdas as coisas (chatas) inerentes a esse estado de semi demência. Desafortunadamente não durou tempo suficiente pra eu sentir as tais borboletas no estômago, os sininhos tocando e aquilo tudo que há de justificar tanta leseira numa mesma alma.

Mas eu perdi o foco. Queria escrever sobre uma epifania que acabei de ter: estava eu deliciosamente esparramada sobre meu puf, quando pulam na minha frente palavras assim, over pertinentes, para a pessoa que vos escreve duplamente sofrida: frustração e indignação (vide texto mulherzinha abaixo) Gentem, fez-se luz nas minhas trevas! Eu li que a vida sempre acena com trocentas possibilidades, despertando apetite onde havia pouco ou nenhum. Dai que a gente volta e meia (acha que) opta por algo apenasmente por acontecer daquilo estar diante dos olhos. Não necessariamente queremos ou precisamos, mas se torna mais atraente a medida que olhamos. E de atraente pra irresistível só depende do quão carente a gente esteja... mas qual a grande sacada? Antes de sair pinçando as coisas como num self service, o acertado seria se perguntar: Isso ai vai me saciar? O que quero realmente comer?*

E foi assim que constatei que esse surto que me acometeceu não era paixão. Era olho grande só. tsc tsc tsc

Tá bom que eu posso - mais uma vez - estar buscando um paliativo pra minha frustração, como o conceito anestésico de Clarice Lispector para o "quase", lembram? Mas enfim... é isso. Essa criatura não pode me saciar. E embora seja uma delicinha, eu preciso msm é de reeducação alimentar.
_______________________
* citação livre. Clarissa Pinkola, em "Mulheres que Correm com os Lobos"

16 março 2008

- Entendeu? É bem simples. E medonho, porque não pára nunca de acontecer. A mão que daqui a pouco ia estar cheia - pronto - está vazia de novo!
_________________________
Caio Fernando Abreu

Dani quem disse, mas podia ter sido eu: no dia que as coisas que funcionam pra todo mundo funcionarem pra mim tb é pq Jesus tá voltando!

Juro que fiz tudo direitinho. Esgotei as possibilidades, aliás, como (quase) sempre faço.

Depois de negar, ignorar e tentar sufocar, virei gente assim, da noite pro dia: separei a pessoa do problema; fui assertiva; dobrei meu orgulho - e minha língua tb; liguei qdo quis ligar; disse exatamente o que tive vontade de dizer; tratei como gostaria de ser tratada... e não deu certo.

Dai que fora a frustração, é game over. Sem choro nem vela. Sem essa pilha de "onde foi que eu errei?" pq dessa vez eu não errei. Obedeci cega - e corajosamente, registre-se - tanto a cabeça qto o coração. Padeci de tda a ansiedade inerente ao não-fazer-a-mais-vaga-idéia-de-onde-essa-porra-ia-parar, me senti viva e no exato lugar onde deveria estar, fazendo exatamente o que era pra ser feito.

Pq não funciona é que não sei. Melhor, sei sim: pq pessoas não são processos, que a gente quebra a cabeça pra otimizar tsc Pq apenasmente por serem pessoas, as vezes contrariam as leis da física e NÃO reagem com a mesma intensidade e em sentido contrário hohoho

Não funciona pq não, simples assim. Pq não era pra ser, pq há uma janela sendo aberta em algum lugar, pq é o que de melhor podia acontecer e tdas essas coisas pavorosas que a gente diz qdo não há mais nada a se fazer.

É oficial: voltei à CNTP, pessoas. Good morning, neverland!

09 março 2008

AO MEU RELICÁRIO...

Mas enton era por isso que passou tanto tempo esperando? Jura que agora está satisfeito? Esse turbilhão de sentimentos confusos ( e arrebatadores tsc!) te faz mais vivo?

Bem, manda a verdade que se diga que nunca me arrependo por seguir tuas intuições mas de maneira geral sempre concordamos que bom senso não faz mal algum, não é? E que é que te acontece desta vez, querido coração, pra agir tão levianamente?

Sabemos - e há tempos - que sobra muita falta pra nós dois. Mas seja razoável! Eu passo uma vida inteira te preservando do meu talento pra más escolhas, me esforçando pra te fazer bater num ritmo saudável, transferindo à huguinho, zezinho e luizinho todas as decisões potencialmente perturbadoras à paz da nossa alma pra nessa altura tu resolver mudar o modus operandi da coisa?? Não está funcionando a contento? (não, não responda... rs)

Tá bom, meu modus operandi não é tãããããão legal assim. É seguro, mas é chatinho. Uma das faltas que mais sobram é justamente isso, uns momentos "descontrol" de vez em quando. Mas querido, AS VEZES, um-surto-por-semestre, que tal? Não estou acostumada com tudo fora dos trilhos assim. Me entenda... me entenda e me ensine - já que isso é importante pra ti - a não ter esse medo infantil das coisas que não estão ao alcande das minhas (duas!) mãos.

Não te assusta constatar que não há possibilidade de sairmos ilesos dessa(s)? Não está convencido de que juntar tudo que precisamos numa coisa só é lindo, mas apenasmente poesia? E poesia não paga minha terapia. rs Olhe, ando fazendo coisas que certamente te inflam de orgulho, mas me sinto uma idiota por te deixar perder tempo e sono c/ seres tão fadados ao fracasso.

Pronto, falei.

E que conste nos autos: não vai prestar! Mas vá, divirta-se. Continue batendo a 150 km/h e me fulmine c/ um enfarte, seu mau agradecido!

N.A.: a idéia de escrever ao próprio coração é de Lizzie, que fez isso divinamente dia desses e me instigou.

04 março 2008

DAS UTOPIAS DO MEU QUERER...

Se tudo que eu preciso se parece,
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?


Quando juntarmos você comigo...
Cordão umbilical e umbigo
A gente vai ser só um
E até lá eu não vou caminhar mais sozinho
O distante será meu vizinho
E o tempo será
A hora que eu quiser!!! *
* Fernando Anitelli - O Teatro Mágico


aff... que acontece comigo, jesuis?
(sim guria, mais acessos de mulherzice!)

24 fevereiro 2008

MALDITA LUCIDEZ!

Não se esquive do fato de haver uma história em suspenso aqui, não digamos assim, pois uma história jamais fica suspensa: ela se consuma no que se interrompe, ela é cheia de pontos finais internos, o que a gente imagina que poderia ser talvez uma continuação às vezes não passa de um novo capítulo, eventualmente conservando as mesmas personagens do anterior, mas seguindo uma ordem cujas regras nos são ilusoriamente às vezes familiares? ou inteiramente aleatórias? Isso eu não sei, mas a verdade é que chega-se sempre longe demais quando não se quer Ir Direto Aos Fatos, e o problema de Ir Direto Aos Fatos é que não há cir-cun-ló-quios então, e a maioria das vezes a graça reside justamente nesses Vazios Volteios Virtuosos, digamos assim: que não haja beleza nos fatos desde que se vá direto a eles? ou que não exista mistério, que seja insuportavelmente dispensável gostar dos tais circunlóquios. Ultrapasse-os, ordeno...
________________________________
Caio Fernando Abreu em Morangos Mofados

Tá, há uma história em suspenso por aqui;
Tá, histórias se consumam no que se interrompem;
Tá, chega-se longe demais quando não se vai direto aos fatos;
Tá, ultrapassar os cincunlóquios;

Mas que se faz com o medo da honestidade te desmacarar?

aff! Vamos à vida descobrir, enton.
(e que não seja muito traumático, se possível!)

16 fevereiro 2008

SOBRE O MEU MICRO-COSMOS

Dia desses Ana D, em mais um dos seus posts-que-poderiam-ter-sido-escritos-por-mim, me instigou falando das coisitas que nos tornam únicos nesse mundão de meu Deus.

Já havia rascunhando algumas sobre o macro-cosmos e na época chamei de "o outro lado". O perfil ali ao lado tb dá uma boa idéia de quem sou. Mas me é irresistível responder a perguntinha que ela deixou, (des?)pretencionsamente, no fim do seu texto. Bora lá:

Quais são as coisas que você acumulou e que te compõem?

perfumes masculinos, curiosidade, pôr do sol, ouvir 100 vezes a mesma música, halls preto, barulho de cachoeira, cabelo grande pra homem, cabelo curto pra mulher, "caipirice", vinho tinto e suave, cinema nacional, tatuagens, "contos de fada", fotos, giga e-mails, dormir com bichos de pelúcia, MP3, óculos (de grau e de sol), senso de direção zero, ruivos, letra feia, grifar livros c/ giz de cera vermelho, beijo na testa, "Olhai os Lírios do Campo", ingenuidade, peitoral peludo, canhestrice emocional, Cazuza & Frejat, entrelinhas, gibis, SMS´s monossilábicos, procurar cabelo em ovo, desistir de coisas que dão trabalho, odiar inglês, escrever pra exorcizar/entender, sandálias de couro, auto confiança prejudicada, "cores de Frida Kahlo", saudade alheia, imaginação fértil, talento pra más escolhas, boca suja, demônios interiores, alienação política-econômica-cultural, falar como mineiro e escrever como gaúcho, gente que toca violão-guitarra-baixo-gaita, batas indianas, grisalhos, over sensibilidade, "anos de chumbo", discutir relação, indolência garfieldiana, febre de sentir, dormir de calcinha-sutiã-e-meias, Smirnoff Ice, Clarice Lispector-Caio Fodástico Abreu-Martha Medeiros, não saber dançar e nem querer aprender, "veneno anti-monotonia", abraço, ... (muitas reticências! rs)

10 fevereiro 2008

DAS COISAS QUE APRENDI COM OS OUTROS

Fiz questão de registrar no meu perfil do orkut e repito aki: meu caminho não sou eu, é o outro, é os outros. (bingo, Clarice!) Não sei caminhar sozinha, não chego a lugar algum. Tudo que sou, todas as coisas que cansam huguinho, zezinho e luizinho, o que me comove, me irrita, me edifica ou me detona, tenham certeza: nasce em vc pra crescer em mim. Dai que não tem como pensar nessas coisas e não escrever. rs

Minha mãe me ensinou que quem fala a verdade não merece castigo;

(e a vida me convenceu de que isso só vale pra crianças!)

Roberta me ensinou que ser gentil é mais importante do que estar certa;

Ferd me ensinou que NADA que é feito por amor é pequeno;

Renato Russo me ensinou que o mal do século é a solidão;

Anaclara me ensinou que domínio de si é uma puta virtude, que algumas pessoas nascem com ela e outras vivem uma vida inteira pra conseguir algum progresso... maaaaaaas pode ser uma qualidade bem traiçoeira;

Cássia Eller me ensinou que tudo passa, tomando chá ou cachaça;

Marvin me ensinou que o limite entre a civilidade e a falta de amor próprio as vezes é invisível e precisa de alguma esculhambação pra gente enxergar e acordar pra vida;

Cazuza me ensinou que as possibilidades de felicidade são egoístas: amar de verdade? Só se for a dois;

Éllen me ensinou que o inferno é frio. rs

Saint Exupery me ensinou que quem se deixa cativar corre o risco de chorar um pouco;

Tato me ensinou que não importa o quanto vc se importe, alguns seres simplesmente não se importam;

Wlader me ensinou que chefes e amigos não habitam o mesmo corpo. Mas Andreia é a encarnação da minha mania de desconsiderar generalizações;

Teresa d´Avilla me ensinou que pra viver a gente só precisa realmente de duas coisas: Deus e audácia.

Clau me ensinou que amigos não são anjos, as vezes fazem coisas desastrosas e irreversíveis. E que qdo é irreversível a gente sabe. Sabe e se conforma;

Candice me ensinou que a forma como a Aquarela de Toquinho nos toca diz muito sobre a idade da nossa alma.

Karol Wojtyla, o sto Pe. Joao Paulo II, me ensinou que "Ao desassombro da fé deve corresponder a audácia da razão"

Débora me ensinou que perdoar pode até demorar mais, mas dá menos trabalho do que ignorar;

Luciano me ensinou que a vida tem sons que pra gente ouvir precisa aprender a começar de novo;

Nando Reis me ensinou que o amor que se guarda pode empedrar, mesmo a gente acreditando que ele é infinito;

Eduardo me ensinou que a gente sempre deve dizer às pessoas o qto elas são importantes, pq pode não haver outra oportunidade;

Tereza de Lisieux me ensinou que quem obedece não erra;

Ricardo me ensinou que a as pessoas tratam a gente do jeito que a gente deixa;

Beatriz me ensinou que amar uma pessoa e TODOS os seus defeitos é difícil mas não é impossível;

Roberto Frejat me ensinou que tem muita sorte quem se apaixona sem tralhas, nem planos nem ais;

Jana (e Mô e Dani kakaka) me ensinou que qto mais grossa a casca, mais delicado o conteúdo.

Fernando Pessoa me ensinou que pra ser grande, a gente tem que ser inteiro: pôr tudo que é no mínimo que faz.

06 fevereiro 2008

NOTÍCIAS DO FRONT

Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador, mando notícias nessa fita
Aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock'n'roll,
Uns dias chove, noutros dias bate sol,
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação, que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que também sem a cachaça ninguém segura esse rojão...

Poizé, as boas já não são tão novas mas enfim. Te lembras do meu desemprego? Pois agora voltei a ser moça trabalhadora. Aliás, trabalhadora até d+, registre-se. Parece bom, sabe? Algo que eu nunca havia feito antes. Nada difícil, nada de que envolva dinheiro alheio, exatamente como eu queria. RH... Se meus empregos anteriores tivessem sido todos nessa área, será que eu seria tão indolente? As pessoas são bacaninhas tb. Solícitas, divertidas e, o melhor, discretas. É um contrato curto, mas já me peguei pensando que talvez fosse bom eu ficar um pouco mais. (progressos?) Deseje-me sorte. Sorte e alguma constância. rs

Registre-se tb que constância não tem sido uma entidade cultuada por essas bandas. Ando tão adolescente, te divertirias horrores se visse... rs Minha montanha russa emocional tem rendido histórias bizonhas, mas sabe como é: no fim das contas a gente ri e vida que segue. (bem, a gente ri, vida que segue, mas torce pra mudar o enredo, né? Cansadinha dessas coisas novelescas que só acontecem comigo)

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que também sem um carinho ninguém segura esse rojão...

O tal do veneno anti-monotonia já não faz mais o mesmo efeito, bem que vc avisou. Querendo largar essa vidinha de vários esbarrões e nenhum encontro. Ah, devo confessar que ainda não acostumei a ver meus-filmes-que-ninguém-gosta sozinha. Aquele cretino me faz uma falta da porra em dias ociosos. E falando em cretino, o outro, o cretino-mor, voltou a me assombrar. E eu, cretina emérita, voltei a ter medo de escuro. tsc E pra fazer juz ao meu doutorado na arte das más escolhas, eis que há um terceiro cretino que me apetece (não pouco, manda a verdade que se diga!) Não há alguém decente que queiras me apresentar não? Esta pessoa que vos escreve anda muito precisada. rs

Carnaval chuvoso por ai tb? Por aki um tp cinzento do caralho. Usei todos os meus pijamas! Não viajei, sabemos bem pq, e passei os dias scanneando umas fotos veeeeelhas, atualizando multiply e orkut, vendo filminhos, corujando minha sobrinha, lendo e rascunhando umas coisitas - impublicáveis, antes que perguntes. Dias absolutamente normais, alheios a esse frenesi inexplicável que pára o país e bota geral na pista pra negócio. hohoho

Ah, olhe que lindo: estava eu moscando no MSN, ausente como sempre, qdo de repente meu Dom Juan tupiniquim, alguém (mui) querido, me envia um link do youtube dizendo: "olha isso. É pra vc". Como aki em casa a conexão é péssima, ele saiu e eu não vi o vídeo. E qual não foi a minha (grata) surpresa qdo finalmente acabou de carregar e vi que se tratava de nada menos que She, de Elvis Costelo & Charles Aznavour. Um brinde ao delicado da vida \o/ (e piegas é a sra. sua mãe!) Não poderia deixar de dizer que no nosso caso - e na mulherzice detestável que me encontro - esses versos são de chorar num cantinho:

Ela pode não ser o que parece ser
Dentro de sua concha
Ela que sempre parece tão feliz na multidão
Com olhos tão pessoais ou tão orgulhosos
Mas que não podem ser vistos quando choram...

Como vês, as coisas mudam, mudam, e continuam as mesmas.

(Chico Buarque me ajudou a atenuar o medíocre disso tudo? Espero!)

Lembranças a todos, saudades grandonas,
da sua Clara.

26 janeiro 2008

SOBRE O CERTO, O ERRADO E TODO O RESTO

Ontem a noite revi pela 3ª vez "Cazuza, o tempo não pára" e me lembrei de um texto que escrevi quando vi no cinema. E como continuo sem assunto e o sentimento é mais ou menos o mesmo da época, republicar é mais do que esperado, quase necessário:

... já tinha até esquecido que ele tem umas sacadinhas assim, despretenciosas, soltas nas cenas. (que, aliás, eu queria mto saber se seriam delicadezas do roteirista, contribuições de Lucinha Araujo ou legado do próprio Cazuza!) Vcs botaram reparo naquela da sauna, Cazuza e papai conversando e do nada uma frase digna duma mesa de boteco (ou das nossas mesas de canto, hein tri?): - existe o certo, o errado e todo o resto ?

Abre parênteses: a interpretação irrepreensível de Daniel Oliveira salvou o filme da previsibilidade. Comercial d+, raso d+, eu queria mesmo era um documentário! fecha parênteses.

Tinha esquecido, mas Martha Medeiros me lembrou. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós... E é isso. A gente sabe o que pode, o que quer e o que deve fazer. Sabe o que faz bem, o que faz mal. A gente sempre sabe. Poizé, mas e o resto? O que vai além das convenções, do que foi ensinado? Do que foi aprendido, principalmente?

É claro que a gente aprendeu que algumas pessoas são potencialmente nocivas, alguns lugares podem ser perigosos, algumas atitudes farão estragos eternos. Ensinaram pra gente que ser cortês, altruísta, sincero e desarmado é certo. Ensinaram tb que mentir, roubar, machucar e bla bla bla é errado. Mas e a infinidade de coisas que vagam no limbo das possibilidades? Aquilo que a gente só pode ponderar assim, em real time, no exato momento de decidir se sim ou se não? Isso cabe dentro dos parâmetros convencionados?

Tipo,vc só acredita que gente do bem atrai gente do bem quando está naquele lugar que sua mãe te proibiria de ir se pudesse, absolutamente a mercê de Tio Murphy, e alguém inesperado te dá mó força; só aprende que destilados e fermentados não combinam depois daquele porre fe-lo-me-nal; só assimila que amor próprio é condição sine qua non pra amar alguém depois de sei lá quantos fiascos. Não adianta ninguém avisar, aconselhar. Limite cada um tem o seu. E olha que neguim se supera.

Várias situações e até pessoas mesmo ficam na fresta entre o certo e o errado. (Fresta que mais parece uma vala as vezes. Vala que está longe de ser um lugar. Um estado, eu diria) A gente faz X, o resultado é Y e dizem que vc agiu certo. Ok, mas certo pra quem, cara pálida? Pra que?

Estou desconfiada de que quando se acerta ganha-se menos do que quando se erra. Pq no erro vc se fode, mas tem que reajir. Dai vc aprende algo novo e - se deu a sorte de ter alma pra isso - o resultado final é um upgrade: vc mesma, em versão nova. Mais gente, mais livre, mais inteira.

E quando vc acerta? Ah, ai é ponto procê. Papai do Céu fica feliz, parentes e amigos ficam orgulhosos. Mas na verdade só fez o que era pra fazer, nada mais normal e previsível.

19 janeiro 2008

Pela mais absoluta falta de coisas publicáveis pra dizer, fui vasculhar os arquivos... pincei uns 4 ou 5 textos veeeeeeeeelhos (mas absurdamente atuais) pra republicar e quando já estava no uni-duni-tê recebo um e-mail reclamando da (des)atualização do rascunho. O cidadão é tão espaçoso que até sugeriu pauta. E como já tinha algo parecido ao que ele "encomendou", foi só colar aki:

Qual palavra ou frase descreve melhor a sua personalidade?
Frase: Guardar rancor é tomar veneno e esperar que o outro morra.
Palavra: Inquietação.

O que você faria com um milhão de dólares?
Oras, provavelmente não faria mais nada! rs

Quais são os 5 itens sem os quais você não vive?
1- Livros.
2- Internet.
3- Filmes.
4- Meu puf.
5- "Veneno anti-monotonia" hohoho.

Onde você se vê daqui há 25 anos?
Em lugar algum. Muito mal consigo planejar o que fazer no fds! Algo em mim bloqueia esse tipo de divagação...

Com qual celebridade você se parece mais?
Alguém me disse há muiiiiiiiiiiiitos anos que, assim, talvez c/ Natália Lage. Mas como eu e ela já mudamos bastante, acho que c/ ninguém.

No seu quarto, encontramos...
Uma bicama que aposentou o hábito (chatérrimo) de se arrumar cama;
vários livros;
um puf acolhedor;
uma janela que, aberta deixa entrar tda a luz do mundo e fechada produz uma penumbra convidativa prum cochilo a qquer hora do dia;


Na sua geladeira, encontramos...
Iogurtes, isotônicos, refrigerantes, yakult, 1/2 garrafa de vodka, sucos, massa de pizza, carnes de hamburguer, massa de pão de queijo, queijo cheddar, peito de peru, geléia de morango, toddynho... enfim, só porcaria.

Qual é a sua maneira predileta de passar o final de semana?
fds chuvoso: edredon, filmes e alguém pra comenta-los; MSN e blogs
fds ensolarado: qquer lugar c/ gente animada
fds tepeêmico: puf e livro novo

Nomeie a sua característica mais estranha ou impressionante:
Meu talento pra auto-sabotagem

Conte sobre o seu filme favorito e porque você gosta tanto dele:
Ah são tantos!!! Não sei dizer se há UM preferido. Gosto de todos que demonstrem que as pessoas ainda tem jeito. Daqueles q me fazem sair bolada do cinema, os que a gente ri/chora horrores antes mesmo de acabar.

Mas pra não ser reticente, vou falar sobre Joana D´arc de
Luc Besson, que, reza a lenda, é o Spielberg francês: qdo li a biografia dessa mulher de chumbo, fiquei dias me perguntando pq diabos Deus se meteria numa guerra e ainda pior, pra apoiar a monarquia. Estaria o Todo-Poderoso caducando? Não deveria Ele, no extraordinário caso de uma intervenção, se bandear pro lado da plebe e não da nobreza? (E minhas divagações eram praticamente haran, já que a moça foi canonizada e tudo e portanto não se trataria apenasmente de uma camponesa louca que sonhou com a independência da França, acordou, raspou o cabelo, empunhou uma espada e foi engrossar as fileiras do exército que lutou na Guerra dos 100 Anos...)

Dai que essa mega produção, que sugere uma Joana mais carne-e-osso, (e com todas as incoerências inerentes)
levanta o gato que o Vaticano comprou por lebre: por amor a quem Joana D´arc agia? E foi nisso que pensei ao fechar o livro! Esse zelo todo não está mais pra humano do que pra divino?

O fim todos conhecem, né? A coitada morreu defendendo o que acreditava - embora atormentada pelas dúvidas sugeridas pelos inquisidores - vendida pelos mesmo homem que ela e seu exército coroaram.

Qual é a sua palavra favorita?
Não é exatamente uma palavra... é que eu quase nunca fico satisfeita c/ as explicações que me dão. Tô sempre perguntando "como assim"?

O que te deixa empolgada? E pra baixo?
Empolgada: Entender/Aprender alguma coisa.
Pra baixo: Ver gente que "economiza" amor.

Que som ou barulho você adora? E odeia?
Som: solos de sax ou guitarra
Barulho: cachoeira
Odeio: despertador e som de micaretas, pagodes, pancadões e afins.

Que outra profissão vc escolheria se não fizesse o que vc faz hoje?
Embora ócio tb seja uma vocação, acho que seria psicóloga.

Se o paraíso existir, o que você gostaria de ouvir de Deus quando chegar lá?
- Pois não, filha. Pode perguntar.
- Eu entendi pq vc fez/não fez aquilo!

12 janeiro 2008

PRATODODIA

Como arroz e feijão,
é feita de grão em grão
Nossa felicidade
Como arroz e feijão
A perfeita combinação
Soma de duas metades
Como feijão e arroz
que só se encontram depois de abandonar a embalagem
Mas como entender que os dois
Por serem feijão e arroz
Se encontram só de passagem?
Me jogo da panela
Pra nela eu me perder
Me sirvo a vontade... que vontade de te ver
O dia do prato chegou é quando eu encontro você
Nem me lembro o que foi diferente!
Mas assim como veio acabou e quando eu penso em você
Choro café e você chora leite...
* Danilo Souza - O Teatro Mágico

Candice querida, por aki tb há uma pergunta digna dos nossos guardanapos... rs E como ainda é impronunciável, cá estão as entrelinhas!

05 janeiro 2008

LUCIDEZ EM GOTAS

Gente, pincei essas pérolas do p i o r livro que eu li em 2007! Nem sei como consegui terminar... mas é só ter um cadim de persistência e a gente se surpreende:

* Ninguém te sacudiu pelos ombros enquanto ainda era tempo. A argila de que és feito já secou, e endureceu, e nada mais poderá despertar em ti o músico adormecido, ou o poeta, ou o astrônomo que talvez te habitassem.

* Parece que a perfeição é atingida não no instante em que não há mais nada a acrescentar e sim quando não há mais nada o que suprimir.

* Existe uma altitude de relações onde o reconhecimento perde, como a piedade, todo o sentido. É lá que se respira como um prisioneiro liberto.

* É preciso para distinguir o essencial esquecer por um momento as divisões que, uma vez admitidas, arrastam todo um Alcorão de verdades intocáveis e o fanatismo consequente (...) A verdade, vós o sabeis, é o que simplifica o mundo e não o que gera o caos. A verdade é a linguagem que exprime o universal.
________________
Antoine de Saint de Exupery, em "Terra dos Homens"

N.A.: Particularmente agredida com a tal altitude de relações, onde o reconhecimento perde o sentido.

Não é precisamente isso que a gente quer quando reclama de falta de consideração? (Não sei quanto a vocês, mas por aki fez-se luz nas minhas trevas) Enton quer dizer que - e há de haver exceções justificadas - nossos melindres diários são apenas um mal disfarçado pedido de gratidão, uma fatura emitida por conta dos nossos melhores sentimentos e atitudes? aff Será que o ser humano é capaz de uma gratuidade genuína nessa vida? Quanta vida eu precisaria pra atingir esse grau de evolução? rs

Boa meta pra 2008, não? Respirar como um prisioneiro liberto...

28 dezembro 2007

RETROVISOR

Há exatos 12 meses eu andei me fazendo umas promessas ai e contrariando todos os prognósticos reservados a essas resoluções de fim de ano, estou até meio orgulhosa de constatar que cumpri com louvor t-o-d-a-s as minhas.

É que eu precisava urgentemente me levar menos a sério. Estava pre-ocupada com esse meu caminho de nuvens brancas e interrogações de todos os tamanhos, cores, fontes e temas. Manda a verdade que se diga: essa foi a parte que eu precisei abstrair, que a vida continua mansa e as interrogações seguem, pairando impunemente sobre a minha cabeça de vento.

Mas na parte prática da coisa eu me sai melhor do que esperava. Vejam:

Terapia

Comecei achando que há qualquer coisa de muito triste em pagar alguém pra me ouvir, evolui para a constatação de que é uma escuta qualitativamente diferente e agora estou absolutamente rendida: de achismos já bastam os meus! Adoro minha terapeuta, tô com saudade dela (estamos tirando férias) vejo progressos (lentos, mas enfim...) e ano que vem lá estaremos nós, eu e meus neurônios over produtivos, aprendendo a ser mais gente e a desembaraçar pensamentos matinais ou não.

Ser menos pontual
Atraso é uma coisa que realmente acaba com meu bom humor. Mas aki no Brasil horários não são pra ser cumpridos, servem só pra dar uma noção e eu me conformei com isso. Continuo achando de muito mal tom deixar alguém esperando mas agora trago sempre um livro pra sacar da bolsa se ficar plantada esperando alguém. SE ficar, pq agora quem se atrasa sou eu rs

Ser menos cordata
Claro que continuo sendo prudente, que certas coisas só nascendo de novo pra gente mudar. Mas aquela placidez, aquele sorrisinho imperturbável, aquela coerência toda? Cabô, neguinha. Voltei de Marte, agora sou normal (risos). De carne, osso e alguns rompantes.

Ser menos poliana
Olhe, eu confesso que gosto do meu jeito (des!?)apaixonado de ver as coisas. Seria meio míope, é verdade, mas beeeeeeeem mais habitável o nosso mundo se toda a gente se esforçasse pra dar às coisas a dimensão que elas têm. Sem ser nem passional nem indiferente,sabem como? Dai que foi difícil mas tem gente ai que aprecia os resultados, hein Jana? hohoho

Ouvir mais, falar menos e opinar menos ainda
Essa teve o grau de dificuldade d´Os 12 Trabalhos de Hércules, sem dúvida. Sou linguaruda por formação mas me esforcei o ano todo pra emtir opiniões apenasmente quando solicitada, o que já é um bom começo, dada a minha tendência à carpinteiro do universo. Mas como o ser humano se acostuma rápido,constato com alguma surpresa que nem é tão difícil assim ficar quieta. Nem é difícil e pode ser bem divertido tb.

Gastar mais dinheiro comigo mesma
Já confessei aki que sou meio canguinha e acho até que isso é incurável, mas acho tb que a maioria das coisas bacanas que a gente vive não tem preço, logo, gastar alguns dinheiros com elas não me deixará mais pobre do que já sou.

Lutar contra minha preguiça
ow, trago uma indolência garfieldiana tão enraizada na alma que quase não me dava conta mais. Dai que me esforcei em pqnas coisas e assim, ainda não sou a mais empolgada ever-ever, mas podem voltar a me chamar pro´s lugares que talvez eu vá sem torcer o nariz. rs

Entender os motivos dos outros
Entender nem é o difícil. Habilidade congênita, quase. Mas eu precisava aprender que não posso fazer nada com o que as pessoas sentem/pensam/falam/fazem/querem, sabe? São os motivos deles e eu devia achar tão legítimos qto os meus. Ou esse espetáculo de maturidade ou abstração total, que foi-se o tempo de me gastar por quem não merece um minuto da minha atenção. (amém, né? rs)

Dar atenção diferenciada aos meus motivos
Esse item dava um texto a parte. Pq eu simplesmente não enxergava com a necessária clareza os meus motivos. Na verdade, grande parte deles eram sub-motivos, acoplados aos interesses de outros seres. É de pasmar o qto não me vejo, logo eu, tão consciente das coisas ao redor. tsc Claro que uma vida inteira é pouco se conhecer, se amar, se aceitar e tals, mas gostei da brincadeira!

Que venha 2008 \o/
(menos tormentoso de preferência, será que é pedir demais?)