31 janeiro 2010

SOBRE A ÁGUA, O COPO E AS SEDES ALHEIAS...

Gosto da experiência de ser água. Deve haver algo de divino em se dar de modo que sacie alguém... Vivo me derramando, torrencialmente ou gotejante, sobre coisas e pessoas. E se me represo, capaz seria de alimentar uma hidroelétrica...ainda faço o sertão virar mar por conta dessa bendita febre de sentir...

Já ser copo não é tão magnânimo, tem que ter alma pra isso. Um corpo só não basta. Nem só um corpo, nem só uma alma. Há de se ter um ego tamanho GG para não cair na tentação de se sentir usada. Afinal, como diria Celso Russomano: estando bom para ambas as partes...

Acho mó graça desse povo que se lambuza numa situação e depois fica choramingando... como assim? Estava dormindo? Fora de si? As pessoas tratam a gente do jeito que a gente deixa, oras rs

Mas estava eu divagando sobre a vocação de cada ser: copo ou água, será que há predisposição genética? (burrice é hereditário!?) Parece que tenho talento pra água, mas reincidente - e conscientemente, o que agrava a culpa - sou copo. Demoro pra ver, poetizo a coisa, abstraio o que há de triste nisso, mas sou. Um copo de cristal, mas só um copo.


E sendo água a razão de existir dos copos, seria muita pieguice perguntar por onde anda a água da minha sede?


ET: Republicando. Incrível como as coisas mudam, mudam, e continuam iguais!

20 janeiro 2010

O SABOR DO GESTO


Uma das minhas metas para 2010 é deixar de ser besta e não esperar pelos outros pra fazer as coisas que quero. Dai que ontem foi uma ótema oportunidade pra treinar: Zelia Duncan por uma cx de leite (aquele projeto bacana da prefeitura, lembram?) 

O caso é que cairam todas as águas de março sobre a cidade e não me faltariam pretextos pra desistir de ir sozinha. Mas alheia às árvores caídas, bicicletas e motos arrastadas pela enxurrada, boeiros transbordando e à falta de luz em todo o bairro, eu fui \o/

O show rolou com a energia de geradores - ou a da própria Zelia que, dentro de um vestido rosa chiclete pa-vo-ro-so, (que não tinha NADA a ver nem com ela, nem com o tênis que estava usando, nem com coisa alguma!) pulava como se estivesse no palco com o Rappa e cantava como se não usasse microfone. Contagiante!

Suas letras seguem cópias fiéis de minha alma, como aquelas que a gente fazia no século passado contornando os mapas sob uma folha de papel de seda para as aulas de geografia (se as crianças de hoje em dia ouvissem isso...):

Não me salvo porque não me acho!

Eu me acerto, eu tropeço e não passo do chão, eu me apronto pro dia seguinte: escovo os dentes, abro a porta da frente, evito a foto sobre a mesa e ninguém aqui vai notar que eu jamais serei a mesma... 

Sou hóspede do tempo, da minha casa, das minhas palavras, das coisas que declaro minhas... inquilina da vida que me foi dada...

Olhos pra te rever, boca pra te provar, noites pra te perder, mapas pra te encontrar, fotos pra te reter,luas pra te esperar, voz pra te convencer, calma pra te entender, verbos pra te acionar, luz pra te esclarecer, cartas pra te selar, sexo pra estremecer, silêncio pra te comover, música pra te alcançar, refrão pra enternecer: meus verbos sujeitos ao seu modo de me acionar! 

É tão bom não ser divina! Quem se diz muito perfeito na certa encontrou um jeito insosso pra não ser de carne e osso...  

Do CD novo, mais uma que me veste (despe?)

♬ Eu sai pra estrada e não tenho pra onde ir
Sempre ouvi dizer que esse mundo era pequeno
Pelo caminho de espinhos avistei um mar de rosas
Pra chegar até lá eu preciso um pouco mais de tempo
Preciso de um grande amor
Preciso $
Preciso de humor
Eu quero matar a vontade enquanto tenho saúde e idade
Fazer um pouco de tudo
Manter a alma pra poder ganhar o meu mundo
... ♬ 

Diferente do show do Frejat que me remeteu aos meus mal-entendidos do coração, este foi uma viagem àquele lugar que ninguém mais pisou, onde estão empilhados todos os registros sinestésicos das coisas que me acontecem. (e as que não acontecem também!)

ingresso = 2,50
taxi = 15,00
o "sabor do gesto" = não tem preço!!!!

12 janeiro 2010

SÉRIE O BONEQUINHO VIU Nº 4

Eu achava que tudo que podia ser dito sobre a ditadura tinha se esgotado em Batismo de Sangue... Até assistir Tempos de Paz: ainda não tinha assistido nada do ponto de vista dos torturadores. 

O bonequinho aplaude de pé por 1 minuto inteirinho a giga interpretação de Dan Stulbach:



Percam os 10 minutinhos do vídeo. Vale muiiiiito a pena!

Segue íntegra do monólogo: (esse texto em espanhol deve ser de chorar muito no cantinho, hein tri?!)

Ai miserável de mim e infeliz!
Apurar, ó céus, pretendo,já que me tratais assim,
que delito cometi contra vós outros, nascendo?;
que, se nasci, já entendo qual delito hei cometido:
bastante causa há servido vossa justiça e rigor,
pois que o delito maior do homem é ter nascido!
E só quisera saber,para apurar males meus
deixando de parte, ó céus,o delito de nascer,
em que vos pude ofender por me castigardes mais?
Não nasceram os demais?
Pois se eles também nasceram,
que privilégios tiveram
como eu não gozei jamais?
Nasce a ave, e com as graças que lhe dão beleza suma,
apenas é flor de pluma, ou ramalhete com asas,
quando as etéreas plagas corta com velocidade,
negando-se à piedade do ninho que deixa em calma:
só eu, que tenho mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce a fera, e com a pele que desenham manchas belas,
apenas signo é de estrelas graças ao douto pincel,
quando atrevida e cruel, a humana necessidade lhe ensina a ter crueldade,
monstro de seu labirinto:
só eu, com melhor instinto, tenho menos liberdade?
Nasce o peixe, e não respira,aborto de ovas e lamas,
e apenas baixel de escamas por sobre as ondas se mira,
quando a toda a parte gira, num medir da imensidade
co'a tanta capacidade que lhe dá o centro frio:
só eu, com mais alvedrio,tenho menos liberdade?
Nasce o arroio, uma cobra que entre as flores se desata,
e apenas, serpe de prata, por entre as flores se desdobra,
já, cantor, celebra a obra da natura em piedade
que lhe dá a majestade do campo aberto à descida:
só eu que tenho mais vida, tenho menos liberdade?
Em chegando a esta paixão um vulcão, um Etna feito,
quisera arrancar do peito pedaços do coração.
Que lei, justiça, ou razão, nega aos homens - ó céu grave!
privilégio tão suave, exceção tão principal, que Deus a deu a um cristão, ao peixe, à fera, e a uma ave?

Monólogo de Segismundo - La Vida Es Sueño -
de Pedro Calderón de la Barca

(copy de Julio Diniz)

30 dezembro 2009

ABECEDÁRIO 2009

Amor próprio. E com direito a tatuagem.

Bom senso descalibrado. Por conta dele me meti numa (outra) história novelesca.
 
Cristiano. Um marco, divisor de águas mesmo. Me fez evoluir em questão de semanas de "mentiras sinceras me interessam" para "ou tudo ou nunca mais"
 
Deus. Cada dia menos sensível, mas indubitavelmente UNIpresente. 
 
Emprego. O mal necessário dos adultos, que vem pagando minhas contas e me convencendo que sou uma excelente profissional.

Filmes. Muitos. Sozinha e (bem!) acompanhada.
 
Gratidão. Por tudo e todos que me ajudaram a me tornar quem sou.

Honestidade. Sigo pagando muito muito caro, mas enfim...
 
Isabel Allende. Que me deu um sobrenome e me instigou a conhecer o Chile.
 
Jaculatória. Nesse último mês repeti uma a exaustão. Sem nenhum resultado ainda.
 
Lara Nowack, a médica que extraiu meus miomas e me devolveu um ciclo menstrual civilizado.
 
Mulherzice. In-su-por-tá-vel tsc
 
Noites pares. Poucas entre algumas impares e várias insones.
 
Obsessão. Tudo indica que troquei uma por outra. tsc
 
Prateleiras de Itatiaia. Lindas!!! Valeu, Gab!
 
Quilos. 6 a mais que me obrigaram a comprar calças jeans, pq TODAS as minhas estão atochadas.

Restauração. Processo leeeento e delicado que me fez apreciar a beleza das minhas ruínas.
 
superego senil \o/
 
Tecla F. Várias vezes no ano. Arrependimento zero! Recomendo!

Ulisses, d´O Livro dos Prazeres de Lady Lispector.
 
velório para bom defunto. Com carpideira e tudo!
 
xiliques. Depois de uma vida engolindo sapos com inglesa resignação, me permiti alguns momentos descontrol
 
zicas inexplicáveis: no meu cartão de crédito, no relógio de ponto da empresa, no meu celular que morreu como um passarinho, no mp3 do celular novo que simplesmente pára de tocar quando quer...

14 dezembro 2009

PROMOÇÃO RENOVE SUA ESTANTE

Olá vc, leitor amigo que chegou aqui direcionado por deus google!

vc que não deixa e-mail no perfil do orkut e que, portanto, não recebeu meu pedido no inbox;

vc que sabe o quanto eu gosto de ler e que não fará nada nos próximos 2 minutos:

... eu poderia estar roubando (ou gastando os tubos em livrarias virtuais), mas hoje estou aqui, humildemente, atrapalhando a viagem de vcs, pra pedir que se cadastrem no Scroob e me ajudem a ganhar 10 livros (10, pessoas!!!).
 
Funciona assim:
- vcs clicam no link abaixo,
- informam nome, e-mail, sexo e estado onde moram,
- escolhem os livros que gostariam de ganhar (ou não escolhem nada, basta o cadastro pra me ajudar!)
- ganham seu próprio link pra esmolarem a ajuda dos amigos e...
 
... teremos até 27/12 pra contar com a caridade da galera!!!!
 
São três formas de ganhar:

1 - O usuário que conseguir mais cadastrados com o seu link, até o fim da promoção, ganhará os 10 livros.

2 - Ter um dos seus cupons sorteado, (toda vez que um usuário se cadastrar através do seu link da promoção, você ganhará um cupom para o sorteio)

3 - Se a pessoa sorteada tiver efetuado o cadastro através do seu link da promoção, você também ganha.
 
 
E então, me ajudam?
 
Percam apenas 1 minutinho e façam uma criança feliz neste natal!!! hein?
 
Brigadim,

06 dezembro 2009

SIMPLESMENTE EU...


Sábado fui ver o espetáculo que Beth Goulart montou costurando a biografia, a obra e entrevistas de lady Lispector (Mô, é imperdível!)


Clarice é muito pessoal em seus escritos e todos os seus personagens tem algo de si mesma. Acho que Joana de “Perto do coração selvagem” talvez seja a mais parecida com sua essência criativa e indomável. Ana do conto “Amor” é a dona de casa e mãe dedicada que Clarice certamente foi. Lori de “Uma Aprendizagem ou O livro dos prazeres” vive em cena as descobertas do amor e A Mulher do conto “Perdoando Deus” é uma bem humorada auto-critica."
Beth Goulart


Sai do teatro achando uma verdadeira maldição pensar tanto. rs



02 dezembro 2009

MAIS UMA VEZ...


Eu ainda me espanto com minha infinita capacidade para a nostalgia: ontem em mais um show de Roberto salve salve Frejat (que assisti sentadinha e praticamente de graça!) pude rever TODO o meu histórico afetivo! Desde aquelas desimportâncias que dão até vergonha de assumir até Big Ghost, que vezenquando ainda me assombra. Sorri, em paz com as fatalidades & bizarrices e lamentei, conformada, todos os fins patéticos. (particularmente esse último tsc)

Psicótica publicou seu inventário e quando li deu vontade de rascunhar também. O show foi só um incentivo. Bora conhecer os pontos altos (baixos?) de minha vidinha emocional mais ou menos: (entre um e outro, ou simultaneamente, aconteceram algumas irrelevâncias indignas de nota e também delicadezas que não cabem em algumas linhas)

Big Ghost era um amiguinho da escola. Esses que todas as meninas maiores beijam na hora do recreio. Eu beijei todas as vezes que pude, mas escondido hohoho Seguimos amiguinhos até o fim do que se chamava 2º Grau, amadurecendo aos tropeços como todos os aborrecentes. Esse amor platônico me garfou um tempo enorme: entrei e sai da faculdade, comecei e terminei um MBA e ele ainda estava lá, cada dia mais absurdo, intacto em sua inutilidade, entulhando meu coração e minha cabeça de vento. O fim foi tão trágico que me virou do avesso. Mas devo dizer que gosto bem mais de mim ao avesso.

Na seqüência, Litlle Ghost foi uma concessão, uma tentativa de ser uma pessoa normal, que se relaciona com gente de carne e osso. Era um amigo de loooonga data, éramos igualmente ariscos, egoístas e carentes. Acreditei que podia ser divertido já que ambos queríamos a mesma coisa: deitar num abraço frouxo pra descansar um pouco dos enguiços da vida (eu pretendia, enquanto isso, colar os quinhentos milhões de caquinhos em que me quebrei já que carinho faz bem a qualquer moribundo). Nessa época perdi o que restava da vergonha da cara, mas aprendi a prestar atenção nas minhas precisâncias. Descobri que meu limite entre amor próprio e civilidade não era muito nítido e espumei de ódio desnecessariamente até re-demarcar minhas terras. Acabou e eu não vi, e apenasmente por não ver insisti até estourar minha cota de tolerância-com-as-canhestrices-alheias desta vida. Hj em dia o evito de todas as formas educadas possíveis. Pretendo fazer isso pra sempre, mas me conheço e sei que em breve minha determinação vai perder a força, já que a raiva passou e sou até capaz de dizer que entendo o que (não) aconteceu.

Depois do final lamentável dessa fase ‘pq que a gente é assim?’, entrei numa outra: ‘mentiras sinceras me interessam’ e incorri em todos os erros possíveis. Só dois seres merecem registro: Gasparzinho, que já chega a ser um fantasma mas nem me assusta (a graça de nossa relação é a pilha de não-ditos e 'quases' que acumulamos) e Penadinho, que julgo ser a pessoa mais importante de todas que já passaram até o momento. 

Gasparzinho testa a minha capacidade de abstração, pois tem TUDO que não suporto num homem. Sinceramente não sei o que vi nele. Já Penadinho, para além da gravidade do delito, deu cor a alguns aspectos monocromáticos de minha vida, por assim dizer. Foi algo sem futuro e de sentimentos nada nobres, mas como viver é melhor que ser feliz, tratei de aproveitar o que tinha de bacana, esquecida do que sempre me disse sra minha vó, que quem semeia vento colhe tempestade. Acabou de um jeito tão mas tão patético que não senti nada, nem raiva. Sua falta só é registrada quando constato que ao final do expediente que não tenho mais trocentos e-mails pra apagar e nem ganho bônus semanais no celular. Creio que se a bina do orkut não me mostrasse as visitas, sequer me lembraria de sua existência, que nada mais é que uma fábula.

Mais recentemente, início e fim devidamente rascunhados, me aconteceu uma pequena epifania. Um anjo trouxe possibilidades reais da sorte de um amor tranqüilo, mas ironicamente foi um fantasma que pôs tudo a perder: uma posseira baiana que se aboletou com termo de posse e propriedade nas terras improdutivas do coração do mocinho ôh vida!

Frejat cantou Renato Russo, e me lembrou muito um outro fantasma, que mesmo com todas as prerrogativas de fantasma - inclusive atestado de óbito - nunca me assombrou: amei Eduardo desde a infância com paixão e sem desejo, e o vi partir cedo demais, ceifado pela desgraça do vício em cocaína:

♬ Mas é claro que o sol vai voltar amanhã! 
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem ...

Tem gente que está do mesmo lado que você mas deveria estar do lado de lá;
Tem gente que machuca os outros;
Tem gente que não sabe amar;
Tem gente enganando a gente. Veja nossa vida como está!
Mas eu sei que um dia a gente aprende...
Se você quiser alguém em quem confiar confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança...♬


E não é isso? Vida segue, apesar de...

13 novembro 2009

PROVA DE AMOR?

Domingo passado eu vi 2 filmes: uma animação de massinha (Mary & Max. Tristinho que só, mas mesmo assim eu gostei) e My Sister's Keeper.

O segundo além de salvar o dia e ser mais um desses filmes "baseados nos meus achismos reais" ainda me ajudou a decidir que definitivamente não quero exorbitâncias para tentar me manter viva. Qdo chegar minha hora, me deixem, que eu sigo com os anjos. Pro caso d´eu ficar inconsciente: eu não quero vegetar. Desliguem os aparelhos sem choro nem velas, combinado? (Talinha, vc está oficialmente incumbida de lembrar minha família se for necessário!)

Pq isso agora? Bem, o filme é sobre a obstinação de uma mãe em prolongar a vida de sua filha que tem leucemia. Como transplante de medula era uma boa tentativa, ela engravidou de novo pro bb poder ser um doador. Dai que o bb cresceu e exigiu o direito de dispor sobre o seu próprio corpo (que durante 13 anos foi submetido à cirurgias e transfusões e estavam cogitando a doação de um rim!) Só conto até aqui. rs

Dai que já gastei muita massa cinzenta pensando que o homem inventou meios artificiais de sobre-vida para mais tarde pleitear na justiça o direito de executar uma sentença que a vida já tinha dado. Como diria Sinhá Baby, muito estlanho...

Não é de hoje que os homens brincam de ser Deus:

dos cientistas que anunciam clones (fakes ou não) aos traficantes que decidem quando e como alguém vai morrer; 

dos fundamentalistas de todas as religiões aos chefes de estado que fazem nos outros países o que é inconcebível dentro de suas fronteiras; 

dos pais que assistiram sua filha morrer pq estavam rezando pela sua cura aos que sacrificam esses mesmos filhos em rituais de magia negra...  

Vou dizer uma coisa e vai parecer que sou impressionável, mas bb´s de proveta são mesmo um avanço da medicina ou um capricho dos pais? Ou é a vaidade humana com roupagens de ciência, o pecado original contemporâneo?

Ainda não sei o que penso sobre eutanásia, mas me parece razoável questionar que tipo de vida tem as pessoas que dependem de uma máquina para respirar. Que direito teria eu de esgotar o dinheiro (e os nervos!) da minha família pra adiar por meses ou anos um final que é certo? Em que ponto lutar pela vida passa a ser contraditório, incongruente com a dignidade humana?

Outra: vai soar medieval, mas que direito tem uma mulher de engravidar para dispor da medula ossea da criança? Até então nunca tinha pensado nisso, mas as vezes por amor, a gente também precisa se conformar...

04 novembro 2009

O MITO DA MULHER TRISTE

A Revista Época dedicou 3 colunas ao assunto há alguns dias. Dai que eu tinha que dar o meu pitaco também:

Martha Mendonça levantou a lebre citando uma pesquisa que mostra um surpreendente e acentuado declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas. Bem, achei 1500 pessoas americanas um espaço amostral no mínimo tendencioso. Mas acho também que a revolução sexual foi um tiro no pé e que o ônus da independência financeira não foi bem dimensionado. Como nossos negros alforriados do séc 19, as mulheres do séc 21 de um modo geral não sabem bem o que fazer com a liberdade que conquistaram.

Ivan Martins foi mais pragmático, pinçando os motivos e dividindo responsabilidades: parte dos problemas femininos se deve ao comportamento dos homens. Antigamente, eles ficavam no casamento, ainda que não ficassem necessariamente em casa... Agora os homens vão embora e frequentemente deixam às mulheres a tarefa de criar os filhos... Na cultura de “vamos ser felizes”, a obrigação essencial de cada um é com a própria felicidade. A noção de dever e de obrigação vai se esgarçando até não significar coisa nenhuma. Lealdade (sobretudo sexual e afetiva) é uma palavra anacrônica. Isso me parece razoável. 

O que não me parece NADA razoável é:

acreditar que um homem que larga mulher e filhos pequenos por alguém que mal conhece e por quem se diz perdidamente apaixonado pode ser confiável;

engravidar de homens que não querem/podem dar suporte emocional nem financeiro;

casar ou manter-se casada com homens egoístas/imaturos/desequilibrados...

Tá bom, estou sendo simplista, parcial e nada solidária à minha raça, mas quis ilustrar que a outra parte dos problemas femininos está justamente nas más escolhas que fazem. Meus exemplos me parecem uma maldição beeeem pior do que permanecer solteira. No dia que eu acordar totalitária de novo, sou bem capaz de dizer que se isso for um castigo deve ser merecido. hohoho

Ruth de Aquino, finalmente, pontuou o óbvio: mulher reclama mais!!! A mulher se expressa mais, na alegria ou na tristeza. O fato de ela se questionar mais não pode ser confundido com infelicidade. Bingo! Já até rascunhei alguma coisa nesse sentido: idealizar é uma prerrogativa nossa. É justamente por reclamar, por não se acomodar, por querer mais e melhor que saimos das cavernas. Nosso nato e eterno inconformismo dita o ritmo em que progride a humanidade. (bonito isso, hein?) 

(A essas alturas devo sublinhar que estou falando de Mulheres, maiúsculas. E não dessas coisas de plástico, porcelana, lágrimas ou sex appeal que nos vendem como referência de mulher moderna, ok?)

Encerro com exemplos da diferença básica entre mulheres e homens:

vários alemães dissidentes tentaram 15(!) vezes matar Adolf Hitler. Uma única judia dissidente, Irena Sendler, salvou de mais de 1500 crianças dos campos de concentração sem precisar de nenhuma conspiração militar;

Homens que se prostituem seguem vendendo seu corpo. Mulheres que se prostituem criaram uma confecção e uma grife, a "Daspu".

Homens com problemas psicológicos compram armas e disparam contra inocentes em cinemas e escolas. Mulheres com problemas psicológicos também criaram uma confecção e uma grife, a "Dasdoida".

Presidiários ociosos promovem rebeliões. Presidiárias ociosas promovem desfiles de moda e um dia de rainha para a vencedora.

Homens perdem o emprego e não querem mais pagar pensão. Mulheres perdem o emprego e vão vender roupa, avon, fazer unha, lavar, passar e faxinar... simplesmente se viram.

Estou generalizando, mas pegaram o espiríto da coisa? Mulheres de verdade fazem alguma mais útil com as insatisfações!!!!

 

02 novembro 2009

O BONEQUINHO (ainda não) VIU


título: Onde Andará Dulce Veiga?
gênero:Drama
duração: 01:45
ano de lançamento: 2007
site: www.dulceveiga.com.br
direção:Guilherme de Almeida Prado
produção: Assunção Hernandes
fotografia: Adrian Teijido
direção de arte: Luís Rossi
figurino: Fábio Namatame
sinopse: Dulce Veiga (Maitê Proença) é uma atriz e cantora que fez sucesso durante um curto período de tempo e que desapareceu misteriosamente. Caio (Eriberto Leão, um escritor que trabalha como jornalista de variedades, ao entrevistar a jovem cantora Márcia (Carolina Dickman) descobre que ela é filha de Dulce Veiga, de quem era fã. Caio publica uma crônica no jornal em que trabalha contando suas lembranças de Dulce Veiga, o que gera uma enorme repercussão. A esquecida cantora é relembrada e todos querem saber seu destino. Paralelamente o jornalista fica cada vez mais obcecado pela personalidade da filha de Dulce, que é uma bela garota com trejeitos de homem.

Neste fds o diretor, mui generosamente, disponibilizou para download numa comunidade do orkut. Quem achar mais fácil pode encontra-los também no meu scrapbook.

Baseado no livro homônimo (e auto biográfico!) de Caio Fernando Abreu, Onde Andará Dulce Veiga? é uma produção Brasil/Chile que provavelmente não encontraremos em DVD.

Segundo a crítica, existe uma Dulce Veiga em cada um de nós, mas não precisa tanto para despertar a curiosidade, precisa? Devo confessar que torci o nariz tanto pra Carolina Dieckman quanto para Eriberto Leão. Se eu gostar da interpretação deles, volto pra fazer o mea culpa.

Na opinião de Gerson Steves, "apesar de tudo é um bom filme. Como cinema, tem imagens que falam por si e que são impressionantemente belas, bem construídas e minuciosamente amarradas. Como crônica, desfila e comenta deliciosas referências do cotidiano, da arte e da política dos anos 80. Como arte, faz pensar e leva a uma experiência muito inquietante. Como entretenimento, diverte e cativa".

24 outubro 2009

ABAÇAIADA

Faz parte do show vc se sentir meio idiota depois de um (mais um!) mau entendido do coração. Idiota² se vc foi honesta, boazinha.

E como sempre há um filho de Deus pra chutar cachorro morto, mal despi meu xale de velha carpideira e precisei responder a um desses seres desalmados que não, eu não percebi nada. Acabou e eu não vi.

Pq foi assim que aconteceu. Acontecem - com frequência até - situações em que o lado "bunda" finge que não vê os sinais de desinteresse do lado "pé" mas em outras tantas o lado "bunda" não vê mesmo. Humano, perdoável e irritante. tsc No meu caso, não vi pq talvez estivesse ocupada demais com a novidade que foi algo inteiro & recíproco cair de paraquedas, absolutamente (in?)esperado. Talvez eu só seja menos esperta do que imagino... 

Enfim, dei essa volta toda pra dizer que Ronaldo não sabe, mas foi ele que me ensinou que a gente não precisa ter vergonha de embarcar em canoas furadas. (claro que isso só vale qdo a gente não vê MESMO o rombo no casco). Eu quase admiro esse lado kamikaze dele, que segue aberto ao novo que a vida trás apesar de. Ele se rasga, investe, acredita. Vive sem medinhos ou reservas tudo que talvez-de-repente-um-dia-quem-sabe-possa-vir-a-ser uma pequena epifania. Ronaldo não se economiza e quando eu crescer vou ser quinem ele. (mentira, vou nada. Ainda preciso treinar muito o desapego pra querer ser assim tão generosa!)

Pessoa desalmada também quis saber se eu não exagerei no texto (Bodas de Post It abaixo) e na expectativa. Na expectativa certamente mas no texto não. Pra mim é difícil mas fundamental transpor o sensível para o legível, o evento do ano merecia registro e merecia as melhores palavras apenasmente pq elas correspondiam aos meus melhores sentimentos.

Agora que o luto já acabou (e eu já posso ouvir Bruna Caram sem vontadinha de chorar rs) penso que todos os eventos desse quilate - a revelia de seus finais patéticos - merecem registros generosos e um relicário. Não pra incensar o ser que partiu, mas guardar o melhor que a gente foi capaz de entregar. A vida anda atrolhada de efemeridades, pequenezas. Homens e mulheres bóiam na superfície de suas precisâncias, incapazes de profundidade... dai que quando acontece algo que foge ao ordinário ao qual nos acostumamos, a gente tem, sim, que celebrar.

Nadar contra a corrente da avareza emocional não deveria parecer ingenuidade. humpf

E já que isso acabou virando uma carta-resposta, termino dizendo ao querido e desalmado leitor que perguntou: não, não pretendo regredir ao "mentiras sinceras me interessam". Mantenho-me, mais firme do que forte, no "ou tudo ou nunca mais"

N.A¹: "atrolhado" só existe no dicionário de Caio Fodástico
N.A²: "abaçaiado" é do repertório de Fernando Anitelli, d´O Teatro Mágico
N.A³: tá soando inconformismo envernizado, mas eu juro que não é. Ou é? hohoho

20 outubro 2009

NA TERRA DO CORAÇÃO

Nave, ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota, pedra, lata... Passei o dia pensando — coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação — repetido, invertido — ação, cor — sem sentido — couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi: 

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming 1, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 3?) em que um Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças nas janelas, rapazes pela praça, tules violeta sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: “I’m too purê for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos — ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso — vasto, vivo: meu coração teu.

Caio Fodástico Abreu em "Pequenas Epifanias"

N.A: Desta vez publiquei na íntegra. Foi o jeito menos piegas que encontrei de contar a vcs que a coisa fofinha de posts atrás acabou. Já tem uns dias, mas sabem como é: velório, enterro, luto... a gente precisa de um tempo pra cumprir o ritual rs. 


15 outubro 2009

GOD ON TRIAL

Dai que mais uma vez minhas dúvidas viraram filme!

Eu sempre me perguntei pq Deus tolera as atrocidades que acontecem no mundo... minha resposta, rasa e cristã, é nada satisfatória: "pq dotou os homens de livre arbítrio". "Não pode interferir na sua liberdade". O que faz todo sentido enquanto houver liberdade. Mas e quando não há? God On Trial (2008) dá voz às minhas divagações.

Com a mesmíssima pretensão que me fez questionar pq Deus iria atiçar Joana D´arc a se meter numa guerra para coroar o homem que a mandou queimar viva, fico cá pensando se os judeus são mesmo o povo escolhido de Javeh... pq se Deus não falha, e se a Lei Mosaica selou entre eles uma aliança eterna, alguma coisa deve ter dado muiiiiito errada para que tenha havido o holocausto nas barbas do Sto Padre e com a conivência mundial. (teria o socorro divino sido em doses homeopáticas? Anne Frank, Irena Sendler, Karol Woitilla, Olga Benário e todos os anônimos que fizeram o que podiam: seriam gotas balsâmicas de humanidade nas chagas abertas de Israel??) 

Dando consistência à interrogação que me sonda há anos, recortes do texto de uma das personagens:

- Quantas estrelas vocês acham que há no universo?
- Há mil milhões de estrelas na nossa galáxia, só na nossa galáxia. E Deus fez todas aquelas estrelas. Ele fez mil milhões de estrelas unicamente na nossa galáxia. Em quantas delas há planetas que não conhecemos? E ainda assim, toda a Sua atenção está focada num pequeno planeta junto à borda de uma espiral exterior. E nem sequer com o planeta todo!
- Este homem que criou mil milhões de estrelas, fez um contrato com os judeus. Só com os judeus. E nem sequer com todos os judeus, porque judeus como eu não contam. Então me respondam isto: se Ele amava tanto os judeus, por que ele fez todo o resto? Por que ele não encheu o mundo com judeus ao invés de estrelas? Qual era o interesse?

Antes que me julguem anti semita, esclareço que apenasmente acho pretenciosa a crença judaica de que são a Nação Santa do Senhor. Nós todos, humanidade toda, homens, mulheres e gays, independente de raça ou credo, somos a raça eleita! Não parece meio idiota apoderar-se de um título desse tamanho e não reconhecer o próprio Deus, que assumiu a sua carne fazendo-se nascer judeu? Seria esse o pecado-mor? Não reconhecer em Jesus de Nazaré o Deus que esperaram? (e esperam até hj?)

Voltando: reza a lenda que prisioneiros de Auschwitz, no seu último dia de vida promoveram o julgamento de Deus. A acusação era de quebra do pacto. Argumentação até que consistente, considerando a limitação do entendimento humano. E o veredicto: culpado. Me acabei de chorar, claro, pq mesmo sem entender pq Deus se cala as vezes, não cabe nem na minha cabeça de vento que a Ele possam ser atribuídas as consequências do desatino de seus filhos.

Delicadeza do diretor ou lapso de tardia lucidez, a cena que mais gostei foi a que antecede o veredicto. Um homem que se julgava alemão e odiava judeus por força do hábito, mas descobriu-se judeu por herença genética dizendo aos 3 juizes que presidiam o tribunal:

- Quando vocês chegaram aqui tiraram as suas posses, tiraram os seus nomes, cortaram os seus cabelos, tiraram seus filhos, esposas, mães... até as obturações dos seus dentes!Tudo aquilo que os fazia homens. Não deixem que tirem o seu Deus também...

O filme é bacana, mas pra over-pensar e não concluir nada, obviamente. A lógica de Deus não cabe na nossa.

11 outubro 2009

CLARA DEL VALLE PINOCHET

Habitualmente sou uma pessoa do bem. Democrática, assertiva, com um senso de justiça até que bem calibrado... mas as vezes eu acordo totalitária e desabono a pessoa meiga que todo mundo conhece: algumas coisas me turvam o juízo e eu penso que estupradores deveriam ser castrados, que pedófilos deviam ser fuzilados (se forem religiosos enton, fuzilados E queimados!), que bandido bom é bandido morto, que pobre não devia ter filho... enfim, pérolas que fariam o inferno inteiro babar de orgulho de mim.

Dia desses aconteceu de novo: as páginas policiais estamparam o linchamento do suspeito de ter violentado e matado a filha de sua companheira, uma criança de poucos anos. (só Deus sabe o poder que notícias como essas tem sobre o meu auto domínio!) Nem li a matéria, pq eu passo mal com essas coisas, mas o povo comenta e não tem como não ficar sabendo dos detalhes.

Absolutamente incapaz de emitir QUALQUER opinião, mas ratifiquei o veredicto com um "bem feito" em caps lock e negrito. E cheia dos argumentos ainda: pq perder a liberdade é muito pouco perto do que ele fez, pq o sistema carcerário brasileiro não recupera ninguém, pq a impunidade quase que estimula esse tipo de monstruosidade e bla bla bla... Dai que dias depois a mãe da criança confessa que foi a autora do crime. Ca-ra-le-os!

Desnecessário lembrar a parcialidade dos julgamentos humanos, né?

MAIS DE 100 PESSOAS PARTICIPARAM ATIVA OU PASSIVA
MENTE DO HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO DE UM INOCENTE NAS BARBAS DA POLICIA E EU ACHEI BEM FEITO!!!

Farisaicamente eu prego neste blog que gentileza gera gentileza,
Farisaicamente eu professo cada linha do credo católico,
Farisaicamente eu vivo repetindo que "os maus só não são bons pq os bons não são melhores"

tsc Deus deve ter ficado com vergonha de ser meu Pai. E eu tô com vergonha de mim por ser um sepulcro caiado contemporâneo.

Talvez eu seja até pior do que os que mataram o rapaz, já que me julgo tão acima deles.

05 outubro 2009

NO ORKUT

Praticamente alheia aos exageros. Que eu saiba, ninguém perde tempo no meu profile, ninguém imagina minha vida pelos meus albuns ... esse mundo azul bebê só me trouxe gente do bem, possibilitou (re)encontros e depois dele nunca mais esqueci aniversário de ninguém. hohoho. Tanto que me espanto com essa capetice que rola. Fakes e putaria virtual por ex, são coisas que não cabem na minha cabeça de vento.

Adorei essa coisa de poder responder os scraps na própria página, de modo que se tem menos um motivo pra "visitar" os outros. Gosto tb das atualizações alheias direto na minha página. E eu acho que devo ser a única usuária que ainda presta atenção nas comunidades qdo visita algum profile. rs

Tudo isso pra dizer que meu profile talvez seja um bônus do blog. Tudo, em ambos os espaços, quer me revelar. Aki vc, querido leitor, já percebeu que:

quanto mais intenso o sentimento mais truncado fica o texto;
"caralho" é uma interjeição como outra qualquer;
tenho uma dificuldade invencível c/ títulos;
no que tange o amor, sou repetente conformada;
eu sou preguiçosa;
música, livros e filmes são matéria prima;
eu sou uma idiota que se acha mui esperta e que adoro um conto-de-fadas...

Lá vc fica sabendo que:

eu olho pro lado errado;
eu deleto gente sonsa;
eu odeio balada;
a minha imaginação é foda;
eu odeio cantar parabéns;
eu já morei em república;
eu não passo vontade;
eu penso demais e perco sono por isso;
eu converso com Deus;
eu acredito MSM que criou expectativa, dá errado;
eu tenho vergonha alheia;
eu estou treinando o desapego...

Se aki vc me encontra diluída nas entrelinhas, lá estou em alto nível de concentração em comunidades - que, se não existissem, eu mesma criaria:

Amizade Homem X Mulher existe!
Química... Pele... Cheiro!!
Comer dá Sono e Dormir dá Fome
Viva a Reciprocidade!
"Eu te amo" O CARALHO!!
A Gente Não Quer Só Comida
Viva a Metade do Limão!!!
Afinidade
Minha Tempestade é Silenciosa
Meu PAI é Meu Herói

E a que faltava eu criei: Quando Estou Contigo Estou em Paz! JOIN! rs

Quando Estou Contigo estou em Paz

27 setembro 2009

SOBRE A MINHA INDOLÊNCIA


Quem vem aki há mais tempo já sabe que entre meus melhores defeitos figura a síndrome de Peter Pan. Como agravante, uma preguiça garfieldiana. Dai que não há muito o que se esperar de uma criança lenta e despretenciosa, né? E esse era meu pensamento-auto depreciativo-conformista-nº 2. Até uns dias atrás...

Em dois churrascos com grupos diferentes pude analisar a evolução financeira do
povo: no primeiro, de amigas de loooonga data; no segundo, dos amigos da faculdade. Sai de ambos com a sensação de que não tenho alma pra uma vida severina daquelas. Mas até ai, nenhuma novidade. O que achei bom foi constatar TB que além de não querer eu não preciso de uma vida severina daquelas: o que eu atribuia à incapacidade pessoal na verdade é consequência de minhas necessidades, que são apenasmente mais simples, mais fáceis de alcançar.

Dai que com algum espanto constato que até hoje consegui absolutamente tudo o que quis.
(tá, absolutamente tudo não, que crianças querem o que não alcançam, e quando alcançam não querem mais... rs) e nem me matei de trabalhar pra isso. Aliás, não me matei nem trabalhei, manda a verdade que se diga.

A conclusão é óbvia, mas pra mim é a descoberta do fogo:

eu não ganho 4900 dinheiros pq não mereço!
eu não mereço pq não me esforcei em nada para tal!
eu não me esforcei pq as coisas que quero não são tão caras assim!

Muito pagável o ônus de sair pontualmente as 16:45 da fábrica, de ter 2 chefes fofos e fazer o que se gosta: ganhar pouco!!! hohoho

19 setembro 2009

VC ME DARIA A MÃO??? *


São sorrisos largos, lagos repletos de azul

Os corações atentos, ventos do sul
São visões abertas, certas, despertas pra luz
A emoção alerta
Que nos conduz

Sonhos, aventuras, juras promessas... (dessas que um dia acontecerão?!?)
Você me daria a mão?
Todos estes versos soltos, dispersos
No meu novo universo serão palavras do coração

Os artifícios, vícios deixando de ser,
Os velhos compromissos pra esquecer
São pontos de vista, uma conquista comum
O mesmo pé na estrada de cada um... *
* Palavras do Coração - Bruna Caram

* inédito: esta é a ÚNICA pergunta que me ocorre nesse momento mulherzinha...

Progressos? Progressos!!!

08 setembro 2009

BODAS DE POST-IT


Como não só de tragédias vive esse rascunho, deixa eu contar uma historinha bacana:

Enton que depois de uma vida inteira de más escolhas e todas as frustrações decorrentes, eis que a moça enfim vislumbra a possibilidade de algo inteiro & recíproco. A benção da simultaneidade, vagamente imaginada nos seus dias cinzas ou depois daquelas noites que queimam mas não aquecem, parece que vem com o bônus de outra alma em stand by, esperando o amor chegar.

Dai que esse fds secretamente a moça celebrou seu 1º mês - depois de vários anos - cultivando (em outras ocasiões ela diria 'cevando') uma mesma pessoa. Com Smirnoff Ice e Capelinha ela brindou ao delicado da vida e ao inusitado da coisa toda, e lá pelas tantas concordou com Rita Lee que, do celular jogado em algum canto do chalé, dizia que sexo é do bom, amor é do bem... noites pares são possíveis, afinal.

Mais-do-que-rendida, a moça dá por encerrada sua fase 'mentiras sinceras me interessam' pra entrar noutra, mais de acordo com o que precisa e merece: 'ou tudo ou nunca mais'. É que todos esses anos de escassez lhe abriram o apetite...

É isso, pessoas. Mais uma pequena epifania. Meu desejo é meio bobo, mas perfeitamente compreensível e perdoável: nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração...

Torçam, sim?

30 agosto 2009

ORFÃ

Eu o-d-e-i-o coitadismo! Odeio me sentir injustiçada, incompreendida, à margem.

Odeio, mas hj é mais forte do que eu. tsc

Ontem o tempo fechou por aki... um vendaval de emoções - aquelas amordaçadas pelo bom mocismo - que durou alguns minutos e fez grandes estragos.

Verdades inconstestáveis mas nem por isso bem vindas + surto de macheza alcoolica + cumplicidade materna = ceninha digna de filme nacional anos 80, com direito a sacode e leves escoriações no pulso. Trés chic.Vizinhos aplaudiram pasmos, certamente.

E pode tomar sacode de irmão??? E pode mãe achar merecido? Pode. Na casa de sinhá pode.

Mas NÃO pode. No mundo
que habito me escondo não pode. No meu mundo as mães - não tendo competência para mais - ao menos são justas. Os irmãos - não se amando - ao menos se respeitam.

Dai que hoje
o sol brilha lá fora e aqui dentro vivo um inverno europeu, com requintes a lá Hector Babenco: sem teto, sem chão, e mais sem pai do que habitualmente. (odeio coitadismooooo!!!) Escrevo pra diminuir a febre de sentir que nunca, nunca vou me acostumar. Nunca vou conseguir ficar quieta, nunca vou ser o que esperam que eu seja: a-que-escolhe-bem-as-palavras-pra-não-explicitar-a-fragilidade-alheia. Não vou pq eu até consigo ser tolerante, mas conivente não.

Escrevo também pra despistar o pensamento recorrente e top do coitadismo que "se meu pai tivesse aqui ele não ia deixar fazerem isso comigo" Aff, pq a gente fica tão imbecil quando sofre?

Dai que tb fiz minha ceninha: rasguei e exclui fotos, deletei do MSN e essas patetices que a gente faz quando não pode fazer mais nada, quando não tem coragem pra fazer alguma coisa definitiva. Ridiiiiiículo.

Dai que se há um Deus no céu meu pulso vai ficar inchado por dias e as escoriações vão inflamar. hohoho

♬ minha dor em eterna exposição ♬

Mentira. Claro que há um Deus no céu! (e de lá se debruça dia e noite pra olhar por mim)

N.A: tô dizendo que blogterapia é um santo remédio? Já estou até fazendo piadinha amarela. rs

20 agosto 2009

DAS COISAS QUE NAO TEM PREÇO

Conseguir reunir amigos de faculdade quem não se vêm desde a formatura, relembrar as tosquices e a pindaimba da época e rir até chorar, até a barriga doer.

Minha coleção de filmes nacionais;

Candice e Jana encontrarem semelhanças entre a clara que vos escreve e Clara del Valle de Isabel Allende;

As visitas-de-feriado-prolongado de Biel;

Os xiliques de ciúme inconfesso de certo ser ai;

A minha capacidade de me des-interessar pelas pessoas;

O meu mais novo defeito: amor próprio (pra dar e vender. rs)

Meus blogstar´s;

Meus livros grifados com giz de cera vermelho;

Os milagres da distribuição de renda realizados pela Mô;

"Olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer";

O interesse de Caroline por livros e filmes;

O chat corporativo com Jana;

Os bônus da Vivo que nem consigo gastar, que provam que tem gente que gosta muito de falar comigo \o/

Minhas tirinhas do Calvin;

Filosofia de boteco via MSN;

Brindes silenciosos ao delicado da vida;

"Detalhes sórdidos na coxia" com minhas tri-amadas;

Blogterapia;

Todas as "tempestades e naufrágios" que fizeram de mim o que sou agora.

(pensando seriamente em transformar o rascunho num doble-twitter: 280 caracteres, que tal?
)